INTENÇÃO DE CONSUMO FAMILIAR MELHORA EM NOVEMBRO
Régis
Varão/¹
A Intenção de Consumo das Famílias-ICF apresentou variação positiva
de 1,3% em nov/19 ante o mês anterior, na série dessazonalizada. É o quarto
desempenho positivo consecutivo do indicador, e reforça a ideia de que a
economia está melhorando e os consumidores estão mais confiantes. Por outro
lado, desde abr/19, o indicador continua abaixo de 100 pontos e atinge 95,2 pontos em nov/19, próximo ao observado em
mai/19 com 95,9 pontos.
O desempenho positivo do ICF em nov/19 deve-se basicamente
às variações positivas dos componentes Momento para Duráveis, Perspectiva de
Consumo, Renda Atual, Perspectiva Profissional e Emprego Atual. Quanto ao desempenho dos componentes, o destaque nas duas bases de
comparação ficou para Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo e Compra a
Prazo.
Análise dos componentes:
1. Emprego Atual:
O sentimento quanto a segurança no emprego registrou
evolução mensal de 1% e anual de 4,2%. Entre os demais subíndices, foi quem apresentou o maior valor ao atingir 117,8
pontos, ficando acima de 100 pontos. Em nov/19, o índice sofreu pressão
positiva das famílias do Sudeste que registrou alta de 2,7%. O desempenho do mercado
de trabalho explica, em parte, a pequena variação positiva do indicador na
comparação mensal;
2. Nível de Consumo Atual:
Esse subíndice registrou crescimento de 0,1% em nov/19
ao chegar a 74,1 pontos, sugerindo que as famílias não apresentaram melhora no
padrão de compras em relação ao mês anterior, ficando praticamente estável no
período out-nov/19. Na comparação anual, esse componente apresentou elevação de
6,7% em nov/19, registrando um dos mais baixos desempenhos entre os sete
indicadores, ficando acima apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional,
ambos com 4,2% na variação anual;
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O subíndice Compra a Prazo apresentou estabilidade
em nov/19 (0%) em relação ao mês anterior, embora tenha registrado incremento
significativo de 12,1% na comparação anual. O indicador atingiu 89,7 pontos em
nov/19. Embora a taxa de juros Selic esteja no patamar mais baixo da série
histórica (4,5% a.a.), os juros cobrados pelos bancos para o tomador final, continuam
altos, o que contribui para aumentar a cautela das pessoas quanto à tomada de
crédito;
4.
Momento para Duráveis:
Esse componente apresentou as maiores variações
positivas nas duas bases de comparação, subindo 4,5% em nov/19 na comparação
mensal, mantendo a sequência dos últimos meses, e subindo 18% na anual. As
famílias continuam pretendendo comprar eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Parte
dessa intenção de consumo pode ser atribuída às ofertas do Black Friday, ao
ingresso dos recursos do FGTS e às condições de parcelamento oferecidas pelo
comércio. Embora o indicador tenha subido na comparação mensal e anual, Momento
para Duráveis registra o menor valor entre os componentes do ICF, chegando a 69
pontos em nov/19, patamar em que as famílias apresentam maior nível de insatisfação;
5.
Renda Atual:
O crescimento de 1,4% em nov/19, ante o mês
anterior, e elevação de 8,5% na comparação anual, desse indicador, foi
influenciado em grande parte pela elevação apresentada pelas famílias moradoras
do Sudeste (+3,4%). Com relação ao indicador, a maior fatia das famílias
(37,3%) considera que os ganhos estão melhores em nov/19, ante 31,6% observado
em nov/18, enquanto 25,5% entendem que a remuneração familiar caiu em nov/19,
ante 28,8% verificado em nov/18. Já para 36,7%, a percepção foi de estabilidade
para o nível de renda em nov/19, ante 39,1% registrado em nov/18;
6.
Perspectiva de Consumo:
Esse subíndice registrou decréscimo de 2,3% em nov/19
(97,8 pontos) e subiu 12,4% na comparação anual, o que pode refletir um
pressentimento das famílias a respeito da melhora da situação frente a igual
período do ano anterior. Entre os quatro componentes abaixo de 100 pontos,
Perspectiva de Consumo é o que está mais próximo dos 100 pontos, isto é, mais
próximo de atingir a linha da satisfação. Segundo o relatório da CNC, “O presságio das intenções de
compras torna-se melhor na medida em que 35,8% das famílias entendem que a
perspectiva de aumentar o consumo é maior do que em novembro de 2018, ao passo
que 38% das famílias reconhecem que esta perspectiva diminuiu”;
7.
Perspectiva Profissional:
Esse subíndice apresentou elevação modesta de 0,5%
em nov/19 na comparação mensal e subiu 4,2% na anual, chegando a 106,2 pontos
no penúltimo mês deste ano. O comportamento desse indicador pode estar
relacionado a melhora das condições econômicas, tendo em vista que, excetuando
Compras a Prazo (0%), todos os demais componentes apresentaram crescimento.
Portanto, o ICF ficou comprometido pelo
medíocre desempenho da economia no primeiro semestre deste ano, e as intenções
de compras apresentaram oscilações com as famílias mais cautelosas e reticentes
na hora de colocar a mão no bolso. Por outro lado, nos últimos meses, a
economia tem emitido sinais de recuperação, contribuindo favoravelmente para as
projeções de crescimento econômico em 2019.
¹/ Mentor e Coach
Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e
desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25
anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais,
inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar
treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o
instagram @ravregisvarao.
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