quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


INTENÇÃO DE CONSUMO FAMILIAR MELHORA EM NOVEMBRO
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias-ICF apresentou variação positiva de 1,3% em nov/19 ante o mês anterior, na série dessazonalizada. É o quarto desempenho positivo consecutivo do indicador, e reforça a ideia de que a economia está melhorando e os consumidores estão mais confiantes. Por outro lado, desde abr/19, o indicador continua abaixo de 100 pontos e atinge 95,2 pontos em nov/19, próximo ao observado em mai/19 com 95,9 pontos.

O desempenho positivo do ICF em nov/19 deve-se basicamente às variações positivas dos componentes Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo, Renda Atual, Perspectiva Profissional e Emprego Atual. Quanto ao desempenho dos componentes, o destaque nas duas bases de comparação ficou para Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo e Compra a Prazo.

Análise dos componentes:

1. Emprego Atual:

O sentimento quanto a segurança no emprego registrou evolução mensal de 1% e anual de 4,2%. Entre os demais subíndices, foi quem  apresentou o maior valor ao atingir 117,8 pontos, ficando acima de 100 pontos. Em nov/19, o índice sofreu pressão positiva das famílias do Sudeste que registrou alta de 2,7%. O desempenho do mercado de trabalho explica, em parte, a pequena variação positiva do indicador na comparação mensal;

2. Nível de Consumo Atual:

Esse subíndice registrou crescimento de 0,1% em nov/19 ao chegar a 74,1 pontos, sugerindo que as famílias não apresentaram melhora no padrão de compras em relação ao mês anterior, ficando praticamente estável no período out-nov/19. Na comparação anual, esse componente apresentou elevação de 6,7% em nov/19, registrando um dos mais baixos desempenhos entre os sete indicadores, ficando acima apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional, ambos com 4,2% na variação anual;

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O subíndice Compra a Prazo apresentou estabilidade em nov/19 (0%) em relação ao mês anterior, embora tenha registrado incremento significativo de 12,1% na comparação anual. O indicador atingiu 89,7 pontos em nov/19. Embora a taxa de juros Selic esteja no patamar mais baixo da série histórica (4,5% a.a.), os juros cobrados pelos bancos para o tomador final, continuam altos, o que contribui para aumentar a cautela das pessoas quanto à tomada de crédito;

4. Momento para Duráveis:

Esse componente apresentou as maiores variações positivas nas duas bases de comparação, subindo 4,5% em nov/19 na comparação mensal, mantendo a sequência dos últimos meses, e subindo 18% na anual. As famílias continuam pretendendo comprar eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Parte dessa intenção de consumo pode ser atribuída às ofertas do Black Friday, ao ingresso dos recursos do FGTS e às condições de parcelamento oferecidas pelo comércio. Embora o indicador tenha subido na comparação mensal e anual, Momento para Duráveis registra o menor valor entre os componentes do ICF, chegando a 69 pontos em nov/19, patamar em que as famílias apresentam maior nível de insatisfação;

5. Renda Atual:

O crescimento de 1,4% em nov/19, ante o mês anterior, e elevação de 8,5% na comparação anual, desse indicador, foi influenciado em grande parte pela elevação apresentada pelas famílias moradoras do Sudeste (+3,4%). Com relação ao indicador, a maior fatia das famílias (37,3%) considera que os ganhos estão melhores em nov/19, ante 31,6% observado em nov/18, enquanto 25,5% entendem que a remuneração familiar caiu em nov/19, ante 28,8% verificado em nov/18. Já para 36,7%, a percepção foi de estabilidade para o nível de renda em nov/19, ante 39,1% registrado em nov/18;

6. Perspectiva de Consumo:

Esse subíndice registrou decréscimo de 2,3% em nov/19 (97,8 pontos) e subiu 12,4% na comparação anual, o que pode refletir um pressentimento das famílias a respeito da melhora da situação frente a igual período do ano anterior. Entre os quatro componentes abaixo de 100 pontos, Perspectiva de Consumo é o que está mais próximo dos 100 pontos, isto é, mais próximo de atingir a linha da satisfação. Segundo o relatório da CNC, “O presságio das intenções de compras torna-se melhor na medida em que 35,8% das famílias entendem que a perspectiva de aumentar o consumo é maior do que em novembro de 2018, ao passo que 38% das famílias reconhecem que esta perspectiva diminuiu”;

7. Perspectiva Profissional:

Esse subíndice apresentou elevação modesta de 0,5% em nov/19 na comparação mensal e subiu 4,2% na anual, chegando a 106,2 pontos no penúltimo mês deste ano. O comportamento desse indicador pode estar relacionado a melhora das condições econômicas, tendo em vista que, excetuando Compras a Prazo (0%), todos os demais componentes apresentaram crescimento.

Portanto, o ICF ficou comprometido pelo medíocre desempenho da economia no primeiro semestre deste ano, e as intenções de compras apresentaram oscilações com as famílias mais cautelosas e reticentes na hora de colocar a mão no bolso. Por outro lado, nos últimos meses, a economia tem emitido sinais de recuperação, contribuindo favoravelmente para as projeções de crescimento econômico em 2019.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

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