Consultor Régis Varão/¹
A
política econômica de incentivo ao consumo ainda mantida pelo atual governo tem
demonstrado sinais de esgotamento nos últimos anos, embora tenha sido útil quando
de sua implementação. Elevadas taxas de juros e inflação crescente de dois
dígitos tem impactado negativamente a capacidade de pagamento da população.
Tendo em vista o atual nível de endividamento das famílias, como mostra a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC/CNC, divulgada
esta semana.
A
pesquisa afirma que o percentual de famílias com dívidas atingiu 62,3% em
abr/14, ante 61,0% do mês anterior, embora tenha declinado de 62,9% (abr/13) e
apresentado elevação de 5,5 p.p., ante abr/12 (56,8%). Cabe ressaltar que a
elevação do número de famílias endividadas foi observada nas duas faixas de
renda pesquisadas (até 10 SM e + de 10 SM) tanto na comparação com o mês
imediatamente anterior como na comparação anual.
O
percentual de famílias com contas em atraso atingiu 21,0% em abr/14, ante 20,8%
observado em mar/14, mas tendo declinado quando comparado a abr/13 (21,5%), abr/12
(23,0%) e abr/11 (23,4%). O percentual de famílias com contas em atraso, na
faixa de renda até 10 SM, apresentou elevação pelo quarto mês consecutivo,
saindo de 21,8% em jan/14 para 23,5% em abr/14 (+1,7 p.p.). Já as famílias com renda
superior a 10 SM passaram de 9,5% em jan/14 para 10,5% em abr/14. A taxa média
mensal do período abr/13-abr/14, do percentual de famílias com contas em atraso,
com renda até 10 SM, atingiu 23,43%, com pico em jul/13 (25,0%) e menor valor em
jan/14 (21,8).
Com
relação às contas em atraso, na faixa de renda acima de 10 SM, a taxa média
atingiu 10,54% no período abr/13-abr/14, observado o maior valor em out/13
(12,3%) e o menor em nov/13 (8,7%). A diferença (renda até 10 SM e acima de 10
SM) entre as taxas médias é 12,89 p.p., demonstrando que a população de menor
nível de renda está em situação mais desconfortável que as famílias com renda
mais elevada. Segundo a pesquisa “A elevação do percentual de famílias com
contas em atraso no início do ano é influenciada pela sazonalidade do período e
reforçada pelo maior comprometimento médio de renda que as famílias endividadas
relataram ter este ano.”
O
percentual de famílias que relataram não terem condições de quitarem suas
dívidas em atraso apresentou trajetória semelhante, tendo recuado de 7,8% em
abr/11, para 6,9% em abr/12 e 6,7% em abr/13, mas subindo em abr/14 para 6,9%.
Por
outro lado, o percentual de famílias que se declararam muito endividado atingiu
11,8% em abr/14, ante 12,1% em abr/13, 14,1% em abr/12 e 15,7% em abr/11,
demonstrando melhora nesse item, ao cair 3,9 p.p. no comparativo abr/11-abr/14.
Já o percentual de famílias que se declarou mais ou menos endividada atingiu
24,1% em abr/14, ante 22,2% em abr/13, 21,3% em abr/12 e 23,1% em abr/11. Já o
percentual de famílias que se declararam pouco endividado apresentou comportamento
atípico nos meses analisados, quando atingiu 26,3% em abr/14, ante 28,5% em
abr/13, 21,4% em abr/12 e 23,8% em abr/11.
O
cartão de crédito vem ganhado destaque nos últimos anos, sendo apontado como um
dos principais tipos de dívida por 74,8% das famílias endividadas em abr/14, por
76,6% em abr/13 e por 73,7% em abr/12, o que em média dos períodos atinge
75,03%. Cabe ressaltar que o endividamento das famílias está fortemente comprometido
em apenas um tipo de dívida, e justamente o que cobra as mais elevadas taxas de
juros por atraso ou falta de pagamento, normalmente atingindo três dígitos. O
endividamento por carnês vem em segundo lugar com média mensal de 18,83%, na
mesma base de comparação, seguido em terceira posição por financiamento de
carro (12,3%), crédito pessoal com média de 7,23% e cheque especial com média de
5,83%. Dos cinco maiores tipos de dívidas das famílias elas possuem três das
mais caras praticadas pelo mercado financeiro nacional, que são cartão de
crédito, cheque especial e crédito pessoal, não subestimando o potencial
explosivo de elevação do endividamento das demais.
Com
a perda do poder de compra pelo trabalhador devido a elevação dos indicadores
de preços - inflação - associada ao aperto da política monetária pode levar uma
maior quantidade de pessoas a deixarem de honrar seus compromissos,
contribuindo para o agravamento do índice de inadimplência nos próximos meses.
Uma
alternativa para não haver perda de qualidade de vida, poderia estar no crédito
consignado (no regisvarao.blogspot.com.br, ver artigo de 03/12/13 a respeito de crédito
consignado) que ainda pratica a menor taxa de juros do mercado financeiro, mas
tem que haver cuidadoso planejamento, direcioná-lo totalmente para o pagamento
das dívidas mais caras como cartão de crédito, cheque especial e crédito
pessoal.