quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL EM BAIXA
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é uma publicação mensal da Confederação Nacional da Indústria (CNI). É elaborado a partir de uma amostra de 2.830 empresas, sendo 1.091 pequenas, 1.080 médias e 659 grandes. O índice e seus componentes variam no intervalo 0 a 100 pontos, enquanto os valores superiores a 50 indicam expectativa otimista.

O ICEI recuou 4,2 pontos entre jan/15 (44,4) e fevereiro de 2015 quando caiu para 40,2 pontos. Nos últimos doze meses, entre fev/14 e fev/15, o índice acumula declínio de 12,2 pontos. Embora os meses de dez/14 (45,2) e jan/15 com 44,4 pontos tenham atingido piso histórico da série pesquisada, o valor registrado em fevereiro deste ano bateu novo recorde. Comparando fev/15 com iguais períodos dos anos anteriores temos: em fev/12 atingiu 58,2 pontos, fev/13 (58,1) e fev/14 chegou a 52,4 pontos.

Com relação aos componentes do ICEI temos:

(a) Índice de Condições Atuais (ICA): o índice caiu 3,5 pontos entre jan/15 (35,7) e fev/15 com 32,2 pontos. O ICA de fevereiro é o menor valor da série pesquisada e reflete a percepção disseminada de piora nas condições atuais nos últimos seis meses. Comparando o segundo mês de 2015 com iguais períodos dos anos anteriores temos: em fev/12 atingiu 49,4 pontos, subiu em fev/13 para 49,7, caiu para 44,2 pontos em fev/14 e chegou ao menor valor em fev/15 quando ficou em 32,2 pontos;

(b) Índice de Expectativas (IE): o índice apresentou redução de 4,6 pontos entre os meses de jan/15 (48,7) e fev/15 com 44,1 pontos, após mostrar relativa estabilidade nos meses anteriores. Comparando fevereiro deste ano com iguais meses dos anos anteriores temos: em fev/12 atingiu 62,7 pontos, caiu em fev/13 para 62,3, continuou caindo em fev/14 (56,5) e atingiu 44,1 pontos em fev/15. Essa queda o afasta da linha dos 50 pontos e revela aumento do pessimismo com relação aos próximos seis meses.

Portanto, a falta de confiança do empresariado industrial brasileiro vem aumentando ao longo dos últimos meses. Houve piora no nível de confiança, e essa percepção se disseminou pelo ambiente industrial nesse início de ano. Por outro lado, não podemos afirmar que temos a formação de uma tendência negativa para os próximos meses, embora as condições econômicas atuais não sugerem reversão desse quadro.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

MERCADO AINDA PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 20.2.15, do Banco Central, apresentaram correções no IPCA, IGP-DI, PIB, produção industrial e balança comercial (bc) para 2015 e no câmbio, produção industrial e bc para 2016. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 consultorias e instituições financeiras:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus divulgado ontem elevou para 7,33% a expectativa do IPCA para 2015, ante 7,27% observada na semana anterior e 6,99% há trinta dias, enquanto a pesquisa de 21.2.14 mantém inalterada em 5,70% nas quatro semanas anteriores. Para 2016, a última pesquisa Focus mantém em 5,60% a estimativa do índice para 2016;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 20.2.15 reduziu para 5,75%, de 5,81% da semana anterior, para a projeção do índice em 2015, enquanto o boletim de 21.2.14 mantém em 5,50% a variação para aquele ano. O Focus desta semana indica projeção de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 20.2.15 mantém a estimativa do câmbio em R$/U$2,90 para 2015, mesmo valor da semana anterior, ante R$/U$2,80 há quatro semanas, enquanto o Focus de 21.2.14 mantém em R$/U$2,55. Para 2016, o boletim de 20.2.15 eleva a projeção do câmbio para R$/U$3,00, de R$/U$2,93 da semana anterior e R$/U$2,90 há quatro semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 20.2.15 mantém inalterada a projeção da Selic em 12,75% a.a. para 2015, mesmo valor da semana anterior, ante 12,50% a.a. verificado há um mês, enquanto a pesquisa de 21.2.14 trabalha com 12% a.a. O Focus divulgado ontem estima em 11,50% a.a. a taxa de juros para 2016, valor repetido nas últimas quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 20.2.15 continua reduzindo o crescimento do PIB (-0,50%) para 2015, ante -0,42% observado na semana anterior e incremento de 0,13% verificado há trinta dias, enquanto o boletim de 21.2.14 diminuiu para +2%, de +2,10% na semana anterior e +2,20% há quatro semanas. Com relação a 2016, o Focus de 20.2.15 manteve inalterado o crescimento do PIB para +1,50%, ante igual valor observado nas últimas três semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana corrigiu o crescimento da indústria para -0,35% em 2015, ante -0,43% da semana anterior e -0,69% há quatro semanas, enquanto o boletim de 21.2.14 estima o desempenho da indústria em +3%, de +2,95% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 20.2.15 projeta crescimento de +2%, ante +2,45% da semana anterior e 2,50% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 20.2.15 corrigiu o superávit da balança comercial para U$4,4 bilhões em 2015, enquanto o boletim de 21.2.14 aponta superávit de U$10,50 bilhões. Para 2016, o Focus desta semana reduz o superávit para U$11 bilhões, ante U$12 bi da semana anterior e U$10,02 bi há quatro semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o boletim divulgado ontem manteve inalterado a estimativa do IED (U$60 bilhões) para 2015, ante igual valor observado nos últimos meses, enquanto a pesquisa de 21.2.14 registra U$57,30 bilhões, de U$60 bi observado há quatro semanas. O Focus de 20.2.15 mantém inalterada a estimando em U$60 bi para o IED em 2016.

O mercado mantém-se pessimista com o desempenho da atividade econômica, dos preços, da taxa de câmbio e dos juros para os próximos meses, tendo em vista a proximidade do racionamento de água e energia elétrica.

Portanto, os aumentos nos preços dos combustíveis e das tarifas públicas, o desequilíbrio das contas públicas, o desempenho medíocre da indústria nos últimos meses, a manutenção dos juros elevados e a inflação crescente continuam influenciando negativamente os analistas quanto ao desempenho da economia brasileira para os próximos dois anos.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

AUMENTA PESSIMISMO DO MERCADO
Régis Varão/¹

As estimativas realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos publicadas no Boletim Focus de 6.2.15, do Banco Central, apresentaram correções nos índices de preços, PIB, produção industrial e no IED para 2015 e manteve inalterado as estimativas para o câmbio, taxa de juros e balança comercial em 2016. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 consultorias e instituições financeiras:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus divulgado hoje elevou para 7,15% a expectativa do IPCA para 2015, ante 7,01% observada na semana anterior e 6,60% há quatro semanas, enquanto o boletim de 7.2.14 indica 5,70%. A pesquisa divulgada hoje mantém em 5,60% a estimativa do índice para 2016, de 5,60% na semana anterior e 5,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa divulgada em 6.2.15 elevou para 5,72% a projeção do índice para 2015, frente a 5,66% das três últimas semanas, enquanto o boletim de 7.2.14 aponta 5,50% e mantém mesmo valor das três semanas anteriores. O Focus desta semana indica projeção de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 6.2.15 mantém o câmbio em R$/U$2,80 para 2015, mesmo valor das últimas três semanas, enquanto o Focus de 7.2.14 eleva para R$/U$2,53 a estimativa da taxa de câmbio, de R$/U$2,47 observada há quatro semanas. Para 2016, o boletim de hoje mantém a projeção do câmbio em R$/U$2,90, de R$/U$2,83 há trinta dias;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 6.2.15 mantém inalterada a projeção da Selic em 12,50% a.a. para 2015, enquanto a pesquisa de 7.2.14 aponta 12% a.a. O Focus de hoje estima em 11,50% a.a. a taxa de juros para 2016, valor repetido nas últimas semanas;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 6.2.15 continua revisando para baixo o crescimento do PIB (0%) em 2015, ante +0,03% observado na semana anterior e +0,40% indicado há um mês, enquanto o boletim de 7.2.14 manteve em +2,20%, ante +2,48% registrado há quatro semanas. Com relação a 2016, o boletim desta semana manteve inalterado o crescimento do PIB em +1,50%, ante igual valor da semana anterior e +1,80% divulgado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de hoje reduziu o crescimento da indústria para 0,44% em 2015, ante +0,50% divulgado na semana anterior e +1,02% há quatro semanas, enquanto o boletim de 7.2.14 estima o desempenho da indústria em +2,95%, de +3% das últimas três semanas. Para 2016, o boletim de hoje projeta crescimento da indústria em 2,50%, ante igual valor da semana anterior e 2,65% há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 6.2.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$5 bilhões para 2015, enquanto o Focus de 7.2.14 aponta superávit de U$13 bilhões. Para 2016, o Focus de hoje eleva o superávit para U$12 bilhões, ante U$10,51 bi da semana anterior e U$10 bi há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o boletim divulgado hoje manteve inalterado a estimativa do IED (U$60 bilhões), ante igual valor observado nos últimos meses, enquanto a pesquisa de 7.2.14 reduziu para U$58 bilhões após semanas em U$60 bi. O boletim desta semana reduziu para U$59,50 bi a estimativa do IED para 2016, de U$60 observado nas últimas semanas.

Portanto, o mercado continua pessimista com o desempenho da economia brasileira para 2015 e 2016, tendo em vista a certeza de racionamento de água e energia elétrica. Os aumentos verificados nos últimos dias, o desempenho negativo da produção industrial, a manutenção dos juros elevados, a falta de linhas de crédito de longo prazo e inflação crescente já estão pressionando negativamente o desemprego.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

DECLÍNIO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM DEZ/2014
Régis Varão/¹

A produção da indústria nacional apresentou declínio de 2,8% no último mês do ano, ante novembro, sem ajuste sazonal, acentuando o ritmo de queda frente ao observado em nov/14 (-1,1%). Comparando com igual mês de 2013, o total da indústria caiu 2,7% em dez/14, décima taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. Os índices da indústria foram negativos para o fechamento do quarto trimestre de 2014 com -4,1%, como no acumulado no segundo semestre de 2014 (-3,9%), ambas as comparações frente iguais períodos de 2013. No acumulado de 2014, a atividade industrial recuou 3,2%, ante igual período de 2013, após registrar decréscimo de 2,3% em 2012 e incremento de 2,1% em 2013, segundo a pesquisa mensal de produção industrial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O declínio da atividade industrial entre nov/14 e dezembro mostrou perfil disseminado de resultados negativos, atingindo as 4 grandes categorias econômicas e 17 dos 24 ramos contemplados na pesquisa. Entre os setores, as principais influências negativas foram: veículos automotores, reboques/carrocerias com -5,8%, máquinas e equipamentos com -8,2% e coque, produtos derivados do petróleo/biocombustíveis com -2,5%, com o primeiro eliminando alta de 0,4% observada no mês anterior; o segundo registrando o quarto mês seguido de declínio na produção e recuando no período 10,5%; e o último fortalecendo a redução de 1,3% de nov/14. Outras contribuições negativas importantes vieram das atividades: produtos têxteis (-12%), produtos diversos (-16,3%), eliminando o avanço de 17,2% observado no mês anterior, máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-4,6%), metalurgia (-2,1%), produtos de borracha/material plástico (-2,8%), produtos de metal (-3%) e produtos de minerais não-metálicos com -1,7%. Entre os 5 ramos que aumentaram a produção nesse mês, os de maior importância foram: confecção de artigos do vestuário e acessórios com 8,7%, perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (2,3%), bebidas (2,8%) e indústrias extrativas com 0,5%.

Entre as grandes categorias econômicas, comparando dez/14 com o mês anterior, bens de capital recuou 23% e assinalou a redução mais acentuada em dez/14, influenciada principalmente pela menor produção de caminhões, pressionada em grande parte pela concessão de férias coletivas em várias empresas do setor automobilístico nesse mês. Esse recuo foi o mais intenso desde jan/12 (-23,1%) e o segundo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando no período perda de 23,3%. Os segmentos de bens de consumo duráveis (-2,2%), de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens intermediários (-0,8%) também apresentaram taxas negativas nesse mês, com os dois primeiros apontando três meses consecutivos de queda na produção e acumulando nesse período, respectivamente, declínio de 6,8% e de 4,3%; e o último com perda acumulada de 3% entre set/14 e dezembro.

Comparando dez/14 com dez/13, bens de capital (-11,9%) e bens de consumo duráveis (-9,7%) apresentaram quedas mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os bens intermediários (-1,5%) e os bens de consumo semi e não-duráveis (-1,3%) também apontaram desempenhos negativos nesse mês, mas com intensidade menor do que a média nacional com -2,7%.

Na comparação trimestral, a indústria recuou 4,1% no quarto trimestre de 2014 (4ºT14), e registrou a terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação com queda mais acentuada do que a observada em jul-set/14 (-3,6%), ambas as comparações contra iguais períodos de 2013. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo semi e não-duráveis (de -0,1% para -1,9%) e bens intermediários (de -2,8% para -4,3%) mostraram as principais perdas entre os dois períodos, mas permaneceram no 4ºT14 com os resultados negativos menos acentuados. O setor de bens de capital (de -11,5% para -11,8%) apresentou ligeira alta na intensidade de queda entre os dois períodos, enquanto o de bens de consumo duráveis, ao passar de -11,2% no 3ºT14 para -8,9% no 4ºT14, apontou a única redução no ritmo de queda.

No acumulado em doze meses de 2014, ante igual período de 2013, o setor industrial decresceu 3,2%, com perfil disseminado de taxas negativas, alcançando as 4 grandes categorias econômicas, 20 dos 26 ramos, 60 dos 79 grupos e 63,9% dos 805 produtos pesquisados. Entre os setores, o principal impacto negativo ficou com veículos automotores, reboques/carrocerias (-16,8%), pressionado, em grande parte, pela queda na produção de cerca de 90% dos produtos pesquisados na atividade, com destaque para os declínios em automóveis e caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças, reboques e semirreboques e veículos para transporte de mercadorias com motor diesel. Outras contribuições negativas relevantes: setores de metalurgia (-7,4%), produtos de metal (-9,8%), máquinas e equipamentos (-5,9%), outros produtos químicos (-3,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,2%), produtos alimentícios (-1,4%) e produtos de borracha/material plástico com -4%.

Entre as grandes categorias econômicas, o acumulado jan-dez/14 mostrou menor dinamismo para bens de capital (-9,6%) e bens de consumo duráveis (-9,2%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de bens de capital para equipamentos de transporte (-16,6%), na primeira, e de automóveis (-14,6%), na segunda. Os segmentos de bens intermediários (-2,7%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%) também assinalaram resultados negativos no índice acumulado no ano, mas ambos com queda menos intensa do que a observada na média nacional (-3,2%).

Portanto, o setor industrial em dez/14 continua com desempenho medíocre, sendo o segundo mês seguido de queda, com o recuo de dezembro sendo o mais forte desde jul/13 (-3,6%), mas também na disseminação de taxas negativas nas quatro grandes categorias econômicas e na maior parte das atividades pesquisadas. Assim, o resultado de dez/14 mostra a indústria 10,3% abaixo do nível recorde alcançado em jun/13.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

RETRAÇÃO DA INDÚSTRIA EM 2014
Régis Varão/¹

Os Indicadores Industriais (II) publicados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referentes à dez/14, finaliza o ano reforçando a tendência de contração da atividade industrial, em especial horas trabalhadas na produção e faturamento real que caíram entre nov/14 e dezembro. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também sugere desaquecimento do parque fabril, já que seu valor atual está abaixo do registrado em dez/13. A média do emprego industrial de 2014 quando comparada à de 2013 caiu 0,7%, que segundo o relatório da CNI “resultado da expressiva queda da atividade sofrida pelo segmento este ano”. As horas trabalhadas e o faturamento também apresentaram queda em 2014, ante o ano anterior. Já o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria manteve-se em alta em 2014, crescendo 2,5% ante o ano anterior.

As horas trabalhadas na produção apresentaram queda de 3,3% em dez/14 frente o mês anterior, na série com ajuste sazonal, reforçando a intensidade do declínio na atividade industrial. Quando comparada a 2013, o baixo ritmo da atividade industrial em dez/14 fica evidente e o indicador atual é 7% inferior ao observado há doze meses. Segundo o relatório da CNI, “o resultado do ano registra queda de 3,7%, marcando o pior desempenho desde 2009”.

Quanto à Utilização da Capacidade Instalada, a indústria trabalhou, em média com 81% da capacidade instalada em dez/14, na série dessazonalizada, ante 80,9% verificado no mês anterior. Essa alteração pode ser considerada um indicativo de estabilidade, que embora não declinando em dezembro a UCI continua sugerindo ociosidade das instalações industriais. Para isso basta comparar dez/14 (81%) com dez/13 que registrou 81,9%. Assim, o ano termina com redução média de 1,3 p.p. na UCI quando comparada a 2013.

O emprego industrial registrou elevação de 0,4% entre nov/14 e dezembro, na serie dessazonalizada. Embora o indicador tenha apresentado movimento positivo no último mês do ano, ainda registra queda de 2,5% quando comparado a dez/13. Comparando a média de 2014 com a de 2013, nota-se declínio de 0,7% no emprego industrial, resultado do forte declínio da atividade apresentada pelo segmento em 2014.

A massa salarial real apresentou declínio de 1,8% no período nov-dez/14, na série dessazonalizada. Quando comparada a dez/13 houve redução de 3,9%. Por outro lado, a média de jan-dez/14 comparada a igual período do ano anterior apresentou variação positiva de 1,5%.

O rendimento médio real decresceu 0,5% entre nov/14 e dezembro, na série dessazonalizada, embora tenha registrado variação positiva no ano. O rendimento médio apresentou crescimento de 2,3%, em termos reais, na comparação de 2014 com 2013. O resultado anual mostra que os reajustes dos salários da indústria cresceram em intensidade desproporcional ao ritmo de atividade registrado pelo segmento em 2014.

Dos cinco componentes pesquisados pelos Indicadores Industrias no período nov-dez/14, na série dessazonalizada, apenas o emprego (+0,4%) registrou elevação, enquanto horas trabalhadas (-3,3%), faturamento real (-3,1%), massa salarial real (-1,8%) e rendimento médio real (-0,5%) apresentaram queda. Já na comparação dez/14 com dez/13 todos os componentes pesquisados apresentaram decréscimos: horas trabalhadas (-7%), massa salarial real (-3,9%), faturamento real e emprego com -2,5%, respectivamente, e rendimento médio real apresentou a menor variação negativa no período com -1,5%.

Portanto, ao analisar o desempenho da média anual de 2014 com igual média de 2013, horas trabalhadas (-3,7%) apresentou o maior declínio, seguido por faturamento real (-1,8%) e emprego industrial com -0,7%, enquanto rendimento médio real (+2,3%) e a massa salarial real com +1,5% foram os únicos a registrarem variação positiva no período.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CUIDADO COM A CONTA DE ÁGUA!
Régis Varão/¹

A água costuma ser um dos grandes vilões do orçamento doméstico, sem contar o grande impacto ambiental que o desperdício desse recurso acarreta. É difícil reduzir o consumo? muitas vezes sim, outras vezes é questão de organização e bom senso. Com a possibilidade de racionamento e elevação do preço por sua utilização, devido à escassez de chuvas, vamos apresentar algumas dicas para melhorar a eficiência na utilização de água em casa, o que pode ser estendido para os ambientes corporativos. Além de colaborar com o meio ambiente, a prática de economizar água e consumi-la conscientemente, podem gerar uma boa economia na conta de água no final do mês:

- Ao escovar os dentes e se barbear, mantenha a torneira fechada;

- Retire o excesso de sujeira dos pratos, copos, talheres e panelas a seco, antes de abrir a torneira e mantenha-a fechada enquanto está ensaboando louças e talheres;

- Deixe acumular roupas para, só então, ligar a máquina de lavar e estabeleça apenas um dia na semana para usar a máquina;

- Ao tomar banho, procure se ensaboar com o chuveiro desligado e seja rápido;

- Ao escolher vaso sanitário para sua residência/escritório, opte por modelos com caixa acoplada, gastam cerca de 6 litros por descarga, enquanto os com válvulas de parede, liberam até 20 litros;

- Não jogue óleo de fritura pelo ralo da pia. Além de correr o risco de entupir o encanamento da residência, esta prática polui rios e dificulta o tratamento da água;

- Canos furados e vazamentos é desperdício de água potável e dinheiro. Um buraquinho de 2 mm em um cano desperdiça 96 mil litros por mês;

- Entre em contato com a companhia de água, o mais rápido possível, ao verificar vazamentos na rede externa;

- Use a descarga no vaso sanitário apenas o necessário e mantenha a válvula regulada;

- Reutilize a água sempre que possível e utilize regador no lugar de mangueira para regar as plantas;

- Use vassoura para varrer a garagem etc e não água da mangueira que desperdiça até 280 litros quando aberta cerca de 15 minutos;

- Lave o carro com balde ao invés de mangueira e reduza a frequência das lavagens. O gasto médio de uma mangueira em 30 minutos é de cerca de 560 litros de água, já um balde de 40 litros se  economiza cerca de 520 litros;

- Capte água da chuva com baldes e a use para lavar carros, quintais e regar plantas;

- Trate a água de piscinas para não precisar trocar com frequência e cubra a piscina com lona, quando não em uso, para evitar evaporação, pois a perda diminui em até 90%;

- Coloque sistemas de controle de fluxo de água no bico das torneiras e mangueiras - o nome técnico é aerador, mas também conhecido como "peneirinha", pois ajuda a economizar água, ao proporcionar sensação de fluxo mais intenso;

- No verão regue as plantas de manha bem cedo ou à noite, pois reduz as perdas de água por evaporação;

- Ao fechar a torneira, certifique-se de que ela não ficou pingando.

Portanto, tendo em vista que 2015 será um ano de elevação de preços em geral, tarifas públicas, juros altos, câmbio elevado e aumento do desemprego, as dicas listadas poderão contribuir com o planejamento financeiro das famílias, levando a população a um consumo consciente e facilitando o controle do orçamento doméstico.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

AUMENTA O PESSIMISMO DO CONSUMIDOR
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) elaborado e divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a partir de pesquisa de opinião pública de abrangência nacional, caiu 4,6% em jan/15 (104,2 pontos) em relação a dez/14 (109,2) e é 8,5% inferior ao registrado em jan/14 (113,9). É a terceira queda consecutiva, que está cerca de 6% abaixo da média histórica, que é 111,1 pontos e abaixo 6,3% com relação a dez/13.

A queda na confiança da população resulta do crescimento do pessimismo em relação aos indicadores de inflação e emprego. Fatores que contribuíram para o desempenho do indicador em jan/15:

(a) Expectativa de Inflação: em jan/15 atingiu 86,6 pontos, ante 96,2 observados no último mês de 2014, decréscimo de cerca de 10% e registrou queda de aproximadamente 19% quando comparada a dez/13 com 106,7 pontos, sendo a maior variação negativa entre os componentes do INEC no período analisado. O indicador de inflação é o menor verificado na série histórica, iniciada em 2001, indicando que o pessimismo do consumidor com relação à trajetória dos preços nos próximos seis meses é o mais elevado desde 2001;

(b) Expectativa de Desemprego: registrou 103,9 pontos no primeiro mês de 2015, ante 110,7 registrados no mês anterior, declínio de cerca de 6% e apresentou decréscimo de 14,1% quando comparada a dez/13 (120,9), a segunda maior queda entre os componentes do INEC, mostrando deterioração das expectativas dos consumidores quanto ao comportamento do emprego para os próximos seis meses;

(c) Expectativa da renda pessoal: caiu para 105,1 pontos em jan/15, de 109,7 em dezembro de 2014, com redução de 4,2%. Quando comparado a dez/13 (112) o indicador de jan/15 apresentou queda de 6,2%;

(d) Situação Financeira: atingiu 105 pontos em jan/15, de 110,3 observados no mês anterior, declínio de 4,8%, mostrando elevação do pessimismo quanto ao comportamento do indicador para os próximos meses. Quando comparada a dez/13 (109,3), o indicador registrou queda de 3,9%. O indicador apresenta redução do número de consumidores que melhoraram suas percepções a respeito do indicador no primeiro mês do ano;

(e) Endividamento: entre os componentes do INEC foi o único a apresentar variação positiva de 0,5% em jan/15 (101,4) quando comparado ao mês anterior com 100,9 pontos. Entre dez/14 e o mês seguinte, a expectativa dos consumidores se manteve praticamente estável. Com relação a dez/13 com 105,1 pontos, o indicador de jan/15 apresentou declínio de 3,5%;

(f) Compras de bens de maior valor: esse indicador apresentou decréscimo de 4,8% entre dez/14 (119,6) e jan/15 com 113,8 pontos. Com relação a dez/13 (113,5) o primeiro mês do ano registrou elevação de 0,3%, o único componente do IMEC a registrar variação positiva nessa base de comparação.

Portanto, o declínio do INEC em janeiro deste ano em relação ao último mês do ano anterior deve-se ao aumento do pessimismo do consumidor com relação aos diversos componentes do índice. A liderança ficou com a expectativa de inflação, seguida pelo índice de expectativa de desemprego, enquanto o indicador de endividamento ficou praticamente estável no período quanto às expectativas para os próximos seis meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

MERCADO CONTINUA PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As projeções realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 30.1.15, do Banco Central, apresentaram revisões na inflação, no PIB, na balança comercial e no IED para 2015 e algumas pequenas alterações no PIB e na balança comercial para 2016. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 30.1.15 elevou para 7,01% a expectativa do IPCA para 2015, ante 6,99% observada na semana anterior e 6,56% há quatro semanas, enquanto o de 31.1.14 aponta para 5,70%. Para 2016, a pesquisa divulgada hoje eleva para 5,66% a estimativa do índice, de 5,64% na semana anterior e 5,67% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa divulgada hoje elevou para 5,66% a projeção do índice para este ano, frente a 5,64% da semana anterior e 5,67% observada há um mês, enquanto o boletim de 31.1.14 aponta estimativa de 5,50% para 2015. O Focus desta semana aponta projeção de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 30.1.15 mantém o câmbio em R$/U$2,80 para 2015, ante igual valor verificado nas semanas anteriores, enquanto o Focus de 31.1.14 eleva para R$/U$2,51 o valor da taxa de câmbio. Para 2016, o boletim de hoje mantém a estimativa do câmbio em R$/U$2,90, de R$/U$2,80 observada há quatro semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 30.1.15 mantém inalterada a projeção da Selic em 12,50% a.a. para 2015, enquanto a pesquisa de 31.1.14 aponta 11,88% a.a. O Focus divulgado hoje estima em 11,50% a.a. a taxa de juros para o próximo ano;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa divulgada hoje revisa novamente para baixo o crescimento do PIB (+0,03%) em 2015, ante +0,13% observada na semana anterior e +0,50% há um mês, enquanto a de 31.1.14 mantém em +2,20%, ante +2,50% registrada há quatro semanas. Com relação a 2016, o último boletim corrigiu para baixo o crescimento do PIB (+1,50%), ante +1,54% divulgado na semana anterior e +1,80% há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de hoje reduziu o crescimento da indústria para 0,50% em 2015, ante 0,69% divulgado na semana anterior, enquanto a pesquisa de 31.1.14 estima o desempenho da indústria em +3%, de +2,95% divulgado na semana anterior e +2,89% há quatro semanas. Para 2016, o boletim desta semana projeta o crescimento da indústria em +2,50%, ante +2,68% divulgada há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 30.1.15 eleva o superávit da balança comercial para U$5 bilhões em 2015, enquanto o Focus de 31.1.14 aponta superávit de U$13 bilhões. Para o próximo ano, o Focus divulgado hoje eleva o superávit para U$10,51 bilhões, ante U$10,02 bi da semana anterior e U$10 bi há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o Boletim Focus de hoje corrigiu para baixo a estimativa do IED (U$59,20 bilhões), ante U$60 bi da semana anterior e há trinta dias, enquanto a pesquisa de 31.1.14 indica U$60 bilhões. O boletim desta semana mantém inalterada em U$60 bi a estimativa do IED para 2016.

Portanto, o mercado continua pessimista com o desempenho das principais variáveis econômicas para 2015 e 2016, tendo em vista a possibilidade de racionamento de água e energia elétrica ainda neste primeiro semestre. O aumento da carga tributária e dos preços dos combustíveis, mais a manutenção dos juros no atual patamar, deverão pressionar negativamente o desemprego da economia.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.