domingo, 30 de dezembro de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM NOVEMBRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias recua em nov/18 ante o mês anterior, e cai na comparação anual. As famílias com contas ou dívidas em atraso apresentaram declínio no período out-nov/18, enquanto o percentual que afirmou sem condições de pagar suas contas em atraso também registrou queda, nas duas bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.

O endividamento com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro declinou de 60,7% em out/18 para 60,3% no mês seguinte, embora tenha declinado 1,9 p.p. na comparação anual.

O percentual de famílias com dívidas em atraso recuou de 23,5% em out/18 para 22,9% em nov/18, enquanto decresceu 2,9 p.p. na comparação anual. Houve queda do percentual de inadimplentes em relação a nov/17, que chegou a 25,8% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e permanecem inadimplentes caiu nas duas bases de comparação, passando de 9,9% em out/18 para 9,5% em nov/18, enquanto atingiu 10,1% em nov/17.

O endividamento das famílias apresentou tendência semelhante nas duas faixas de renda na comparação mensal, enquanto na anual, houve elevação na faixa acima de 10 salários mínimos (>10 SM). Para as famílias que ganham até 10 SM (<10 SM), o percentual de famílias endividadas atingiu 61,5% em nov/18, abaixo dos 61,7% registrados em out/18 e dos 63,7% de nov/17. Famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas caiu de 56,3% em out/18 para 55,4% no mês seguinte. Em nov/17, o percentual de famílias com dívidas nessa faixa de renda era 54,5%.

O percentual de famílias com contas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os grupos de renda pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa <10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso passou de 26,4% em outubro para 25,9% em nov/18. Em nov/17, 29,1% das famílias nessa faixa de renda declararam ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 10,1% em nov/18, ante 10,8% observado em out/18 e 11,7% em nov/17.

O resultado por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento diferente entre os grupos pesquisados, apenas na comparação anual, enquanto na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 3,6% em nov/18, um pouco abaixo do observado em out/18 (3,7%) e acima de nov/17 (3,2%). As famílias com renda <10 SM, o percentual sem condições de quitar suas dívidas caiu de 11,5% em out/18 para 11% no mês seguinte.

A proporção de famílias muito endividadas caiu em out-nov/18, de 12,9% para 12,8%, respectivamente. Na comparação anual apresentou redução de 1,8 p.p. Já a parcela de famílias mais ou menos endividada saiu de 23% em nov/17 para 23,2% em igual período de 2018, enquanto a parcela pouco endividada passou de 24,6% para 24,3% na mesma base de comparação. Ver gráficos.

O cartão de crédito continua o preferido das famílias endividadas atingindo o elevado percentual de 77,4% em nov/18. Na sequência temos: carnês de loja (14,8%); financiamento de carro (10,2%); financiamento de casa (8,7%); crédito pessoal (8,7%); cheque especial (5,7%); crédito consignado (5,7%); outras dívidas (2,7%); e cheque pré-datado com 1,3%.

Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito participa com 78,4% das preferências, seguido por carnês de loja (16%), crédito pessoal (8,5%) e financiamento de carro (8,3%). Nas famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida são: cartão de crédito (73,7%), seguido por financiamento de carro (19,5%) e financiamento de casa (17,5%). Ver gráficos.

Portanto, o endividamento recuou em novembro nas duas bases de comparação, embora o cartão de crédito continue como líder na preferência das famílias em ambas as faixas de renda pesquisadas. O comportamento do endividamento reflete a lenta recuperação do consumo das famílias e a moderação ao tomar novos empréstimos e financiamentos. O alto desemprego e o ritmo vagaroso de recuperação da atividade econômica contribuem para manter o endividamento elevado, embora as expectativas sejam favoráveis para os próximos meses.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

EXPECTATIVA DE VIDA DO BRASILEIRO ATINGE 75,8 ANOS
Régis Varão/¹

A expectativa de vida do brasileiro chega a 75,8 anos para uma pessoa nascida em 2016. Entre 1940 e 2016 a expectativa de vida apresentou um acréscimo de 30,3 anos, e subiu 3 meses e 11 dias em relação a 2015. Enquanto os homens têm expectativa de 72,2 anos, as mulheres têm 79,4 anos, isto é, as mulheres vivem mais que os homens cerca de 7 anos, o que não é pouco, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com Fernando Albuquerque, do IBGE, “a partir de 1940, com a incorporação dos avanços da medicina às políticas de saúde pública, o país experimentou uma primeira fase de sua transição demográfica, caracterizada pelo início da queda das taxas de mortalidade”.

Com relação as Unidades da Federação, a maior expectativa de vida foi observada em Santa Catarina (SC) com 79,1 anos, acima da média nacional, enquanto o Maranhão (MA) registrou a menor expectativa com 70,6 anos, muito abaixo da média nacional. Uma pessoa idosa que completasse 65 anos em 2016 teria a maior expectativa de vida (20,1 anos) no Espírito Santo (ES), enquanto em Rondônia, uma pessoa com 65 anos em 2016 teria mais 15,9 anos.

Quanto a diferença por sexo, a população idosa do sexo masculino do ES teria mais 18,2 anos e a do sexo feminino mais 21,8 anos. Já com relação as menores expectativas de vida, temos os idosos do sexo masculino do Piauí, com mais 14,6 anos, e as mulheres de Rondônia com mais 17,1 anos.

Um indivíduo ao completar 50 anos em 1940, tinha uma expectativa de vida de 19,1 anos, vivendo em média 69,1 anos. Com a redução da mortalidade no período, uma pessoa de 50 anos, em 2016, teria uma expectativa de mais 30,3 anos, podendo chegar em média aos 80,3 anos, ou seja, 11,2 anos a mais que o mesmo cidadão da mesma idade em 1940.

A pesquisa do IBGE afirmar que um homem de 20 anos tinha 4,5 vezes mais chance de não completar 25 anos que uma mulher na mesma idade em 2016. Afirma ainda, “Este fenômeno pode ser explicado pela maior incidência dos óbitos por causas externas ou não naturais, que atingem com maior intensidade a população masculina”.

De acordo com a pesquisa, “a partir de 1980, as mortes associadas às causas externas ou não naturais, que incluem os homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos, quedas acidentais etc., passaram a desempenhar um papel de destaque, de forma negativa, sobre a estrutura por idade das taxas de mortalidade, particularmente dos adultos jovens do sexo masculino”. Por outro lado, entre 1940 e 2016, diminuiu a mortalidade feminina da população de 15 a 49 anos de idade.

Ainda de acordo com Albuquerque, “a diferença nas expectativas de vida entre homens e mulheres reflete os altos níveis de mortalidade, principalmente de jovens, por causas violentas, que incidem diretamente na esperança de vida ao nascer da população masculina”.

O relatório afirma que em 1940, de cada mil pessoas que chegavam aos 65 anos de idade, 259 atingiriam os 80 anos ou mais. “Em 2016, de cada mil idosos com 65 anos, 628 completariam 80 anos. As expectativas de vida ao atingir 80 anos foram de 10,2 e 8,5 anos para mulheres e homens, respectivamente. Em 1940, estes valores eram de 4,5 anos para as mulheres e 4,0 anos para os homens”.

A maior expectativa de vida entre as unidades da federação foi em SC com 79,1 anos, seguida por ES, Distrito Federal e São Paulo, todos acima de 78 anos. Estados com expectativa acima da média nacional: Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. A menor expectativa de vida foi encontrada no MA com 70,6 anos.

Portanto, temos que aproveitar, com parcimônia, esse ganho extra de vida. Temos que nos preparar financeiramente para situações não previstas e que poderão demandar recursos financeiros, como acidentes diversos, exames médicos sem cobertura de planos de saúde, doença em família etc. Cuide de sua saúde física e mental, mas não descuide de suas finanças pessoais. Faça uma reserva financeira e economize no dia a dia para aproveitar esse ganho de vida extra. Sempre é tempo de fazer reserva financeira para imprevistos.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 9 de dezembro de 2018

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR AVANÇA EM NOVEMBRO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 7,1 pontos em nov/18 chegando a 93,2 pontos, o maior valor observado desde jul/14 quando atingiu 93,8 pontos. Após duas subidas consecutivas, o índice acumula elevação de 11,1 pontos no bimestre out-nov/18, representando a maior alta registrada na série histórica iniciada em set/05.

Na comparação mensal o índice apresentou crescimento em out/18 e novembro, de respectivamente 4 e 7,1 pontos, enquanto em termos anuais apresentou declínio de 0,5 ponto em out/18 e elevação de 5,5 pontos no mês seguinte.

Segundo Viviane Bittencourt, da FGV, “Depois de um período de desconfiança, os consumidores voltam a ficar otimistas em relação às perspectivas econômicas do país, às finanças familiares e ao emprego. Mas além de se mostrar “esperançoso” sobre o futuro, os consumidores já se mostram menos insatisfeitos com o presente. O resultado parece ter sido influenciado pela redução das incertezas políticas e o efeito “Lua de Mel” com o novo governo“.

Em nov/18, os indicadores que avaliam tanto a situação atual (Índice de Situação Atual-ISA) quanto as expectativas (Índice de Expectativas-IE) apresentaram melhora. O ISA registrou incremento de 2,7 pontos, passando de 71,9 pontos para 74,6 pontos, maior nível observado desde mai/18 quando atingiu 77,2 pontos. Já IE apresentou crescimento mais vigoroso com 9,8 pontos, saindo de 96,6 pontos em out/18 para 106,4 pontos no mês seguinte, o maior valor registrado desde fev/13 quando chegou a 106,7 pontos. Segundo o relatório da sondagem do consumidor “O resultado mostra que a proporção de respostas otimistas supera a de pessimistas pela primeira vez desde março deste ano, acumulando uma alta de 16,7 pontos nos últimos dois meses”.

Com relação à situação atual, o destaque fica com o indicador que afere o grau de satisfação com a economia, com crescimento de 3,3 pontos atingindo 81,1 pontos, o mais elevado nível desde mai/18 (82 pontos).

Quanto às perspectivas futuras, o indicador que mede o otimismo com o desempenho da situação econômica nos próximos seis meses foi o que mais contribuiu para o crescimento da confiança em nov/18, ao registrar incremento de 20 pontos e chegar a 126,1 pontos, o maior nível verificado na série histórica. A expectativa sobre a situação familiar também se tornou otimista, com alta de 13,5 pontos, atingindo 106,9 pontos, o maior nível desde set/13 quando chegou a 108,2 pontos.

De acordo com a sondagem do consumidor, “Apesar de uma recuperação do otimismo sobre as finanças pessoais, houve devolução de 45% da alta observada no mês passado do indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis, que caiu 5,4 pontos em novembro, para 85,3 pontos”.

Com relação ao ICC, por faixa de renda, houve elevação do nível de confiança em todas as classes de renda. A faixa de renda entre R$2.100,01 e R$4.800,00 registrou o melhor desempenho positivo com +10,8 pontos em nov/18 ante o mês anterior. A segunda melhor performance ficou com a faixa de renda entre R$4.800,01 e R$9.600,00 ao subir 9,6 pontos em nov/18 na comparação mensal. A terceira posição ficou com a faixa de renda acima de R$9.600,00 que subiu 5,9 pontos na mesma base de comparação. O que apresentou o menor crescimento em nov/18 foi na faixa de renda de até R$2.100,00 ao crescer 4,8 pontos.

Portanto, a confiança do consumidor apresentou desempenho positivo nos últimos dois meses, devido em grande parte ao crescimento do otimismo em relação às perspectivas econômicas e à melhora do nível de emprego da economia.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

CONSUMIDOR MAIS OTIMISTA EM NOVEMBRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) registra a quinta elevação consecutiva, atingindo 113,6 pontos em nov/18. O indicador apresenta incremento de 2,7% ante o mês anterior e crescimento de 12,5% com relação a igual período de 2017. O valor registrado em nov/18 está 5,8 pontos acima da média histórica de 107,8 pontos e é o maior valor observado desde jan/14.

Os componentes do INEC apresentam elevação em nov/18 ante o mês anterior, exceto compras de bens de maior valor, que registra declínio nas duas bases de comparação.

Em relação a igual período de 2017, o INEC sobe 12,5%. O único componente abaixo do nível em que estava há doze meses é o de compras de bens de maior valor. Os demais componentes apresentam variação positiva, revelando um otimismo dos consumidores para os próximos seis meses.

A maioria dos componentes do INEC mostra avanços significativos na comparação anual, exceto compras de bens de maior valor com declínio nas duas bases de comparação. As expectativas de inflação, desemprego e renda pessoal apresentaram os melhores desempenhos em ambas as bases de comparação.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta incremento de 8,6% em nov/18 (133,9 pontos), ante outubro, e sobe 25% na comparação com nov/17 (107,1 pontos). Esse componente apresenta as maiores variações positivas nas duas bases de comparação, com respectivamente 8,6% e 25%  no ano. O desempenho positivo do indicador tem levado os consumidores a ficarem mais otimistas com relação a evolução dos preços para os próximos seis meses;

(b) Expectativa de desemprego: o indicador registra crescimento de 6,5% em nov/18 (141,3 pontos) frente ao mês anterior, e sobe 19,1% ante nov/17 (118,6 pontos). O indicador de nov/18 apresenta declínio do pessimismo quanto às expectativas de desemprego para os próximos meses, enquanto apresenta o segundo melhor desempenho em ambas as bases de comparação;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente registra variação positiva de 3,3% em nov/18 (106 pontos) ante o mês anterior, e elevação de 17,9% na comparação com igual período de 2017. Entre os indicadores de expectativas, a renda pessoal apresenta a terceira maior variação positiva em ambas as bases de comparação. O desempenho positivo do indicador em nov/18, indica que mais consumidores esperam elevação de seus rendimentos pessoais nos próximos meses;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o único dos componentes do INEC a registrar variação negativa nas duas bases de comparação. O indicador apresenta queda de 0,5% e de -3,8% em nov/18, em ambas as bases de comparação. O desempenho negativo do indicador indica aumento do pessimismo quanto às compras de bens de maior valor para os próximos meses;

(e) Endividamento: o indicador apresenta variação positiva de 1,1% em nov/18 (105,7 pontos) na comparação mensal, e sobe 15,8% ante igual período de 2017. O desempenho positivo do índice nos últimos cinco meses indica que uma maior quantidade de consumidores espera uma redução no nível de endividamento. O valor registrado em nov/18 é o maior observado desde jan/14 (107,6 pontos) e indica elevação da esperança de melhora do endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta variação positiva de 0,1% em nov/18 (100,3 pontos), ante o mês anterior, e apresenta o quarto melhor desempenho anual entre os componentes do INEC, com +16,6%. O desempenho positivo desse indicador em nov/18, quando atinge o maior valor desde jan/15 (105 pontos), indica crescimento da esperança de melhora da situação financeira, embora os consumidores ainda mostram insegurança em relação à situação financeira, cujo indicador permanece praticamente estagnado na comparação mensal.

Portanto, a confiança do consumidor registra bom desempenho em nov/18 nas duas bases de comparação, exceto compras de bens de maior valor. Cabe observar na base anual, a maioria dos componentes do INEC apresentaram forte variação positiva, indicando avanço significativo do otimismo dos consumidores.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM OUTUBRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias fica estável em out/18 ante o mês anterior, após três altas consecutivas. Com relação a out/17, apresentou queda, e o percentual com contas/dívidas em atraso decresceu nas duas bases de comparação. No período set-out/18 o percentual de famílias sem condições de pagarem suas contas ficou estável, e caiu na comparação anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.

O endividamento com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em out/18, o mesmo percentual observado no período ago-set/18, enquanto na comparação anual caiu 1,1 p.p. O percentual de out/18 ficou próximo da média mensal observada nos últimos 12 meses (60,6%). Ver gráficos.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou redução de 0,3 p.p. entre set/18 e o mês seguinte, e caiu 2,5 p.p. frente a out/17. Houve redução na inadimplência das famílias em relação a out/17 (26%). As famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, e continuam inadimplentes, ficou estável em 9,9% em out/18, e decresce ante out/17 (10,1%).

O endividamento apresentou tendências distintas nas duas faixas de renda, até 10 salários mínimos (<10 SM) e acima (>10 SM), nas duas bases de comparação. Na comparação mensal, houve crescimento apenas na faixa de renda >10 SM, enquanto na comparação anual ouve declínio apenas entre as famílias com renda <10 SM. As que ganham <10 SM, o percentual com dívidas alcançou 61,7% em out/18, o mesmo valor de set/18, abaixo dos 63,2% de out/17. Nas com renda >10 SM, o endividamento passou de 56,1% em set/18 para 56,3% no mês seguinte, enquanto em out/17, as famílias endividadas nessa faixa de renda era 54,6%.

A proporção com contas em atraso apresentou comportamento similar nos dois grupos de renda, nas duas bases de comparação. As com renda <10 SM, o percentual de contas em atraso passou de 26,5% em set/18 para 26,4% em out/18. Já em out/17, 29,3% nessa faixa de renda estavam com contas atrasadas. A inadimplência atingiu 10,8% em out/18, na faixa de renda >10 SM, ante 11,5% de set/18 e 11,5% observado em out/17.

O percentual de famílias muito endividadas decresceu entre set/18 e o mês seguinte, de 13,3% para 12,9%. Na comparação anual, houve queda de 1,7 p.p. Ainda na comparação anual, a parcela mais ou menos endividada subiu de 22,7% para 23,5%, enquanto a pouco endividada passou de 24,5% para 24,4% do total de famílias.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 65,3 dias em out/18, acima dos 63,8 dias de out/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de sete meses, sendo que 25% delas estão comprometidas com dívidas até três meses e 32,1%, por mais de um ano.

O cartão de crédito continua apontado como o preferido das famílias endividadas em out/18, com 77,4%; seguido por carnês de loja (14,5%); financiamento de carro com 10,1%; financiamento de casa (9,6%); crédito pessoal com 8,5%; cheque especial (5,8%); crédito consignado com 5,6%; outras dívidas (2,9%); e cheque pré-datado com 1,1%. Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito é o preferido por 78,3%, seguido por carnês de loja (15,8%) e financiamento de carro com 8,4%. Já para as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida foram: cartão de crédito com 73,9%, financiamento de casa (19,9%) e financiamento de carro com 18,8%. Ver gráficos.

Portanto, embora o endividamento continue elevado, o indicador apresenta estabilidade nos últimos três meses. O alto nível de desemprego e o ritmo lento de recuperação da atividade econômica podem estar contribuindo para manter o indicador nesse patamar. O percentual de famílias com contas em atraso caiu tanto na comparação mensal quanto na anual, seguindo um menor nível de endividamento das famílias e a queda do comprometimento de renda destinada ao pagamento de dívidas.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

SAIA DA ZONA DE CONFORTO
Régis Varão/¹

A zona de conforto tem relação direta com inércia (resistência natural dos corpos a mudanças no estado de equilíbrio), nesse caso nos remete para um dos maiores físicos da humanidade, o eclético inglês Isaac Newton, que publicou trabalhos sobre alquimia, astronomia, física, matemática, mecânica, química e teologia.

Falaremos a respeito de uma das Leis que Newton, a 1ª Lei de Newton também conhecida como Lei da Inércia, que pode ser entendida como: um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se não é forçado a mudar. Existe uma relação da inércia com a badalada Zona de Conforto, discutida na atualidade em diversas áreas do desenvolvimento de pessoas.

Com relação a sair da zona de conforto podemos discutir rapidamente quatro aspectos: definição de objetivos; elaboração do planejamento; disciplina e acreditar em mudança.

(a) Definição de objetivos: no livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, tem um diálogo que pode ilustrar a necessidade de definir objetivos. Alice pergunta ao Gato de Cheshire, pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?, responde o gato, isso depende muito do lugar para onde você quer ir! Alice diz, eu não sei para onde ir! Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve, afirma o gato. Fazendo um paralelo com esse clássico da literatura, podemos afirmar, quem não sabe onde quer chegar acaba indo para qualquer lugar. Tratando-se de finanças pessoais, caso do endividado, ao perceber o próprio consumo com clareza, fica mais fácil enxergar para onde vai seu dinheiro enquanto você passa o mês trabalhando duro para fugir do endividamento. Crie uma planilha onde possa registrar todas as suas contas - receitas e despesas - pois precisará ter controle de tudo para não desviar do caminho ao longo da jornada para sair da crise financeira. É importante saber onde você deseja chegar e em quanto tempo, assim ficará mais fácil atingir o objetivo, isto é, sair do endividamento. Sem foco, é praticamente impossível fazer uma reserva financeira, por menor que seja;

(b) Elaboração do planejamento: cumprido o primeiro passo, definição de objetivos, comece trabalhar no segundo passo, que consiste em elaborar de forma consciente e ordenada uma série de ações para atingir o objetivo. Quais caminhos você precisa percorrer para chegar lá, vai precisar de ajuda externa, vai ter que postergar coisas que o afastam do caminho, do planejado, enfim, terá que ser assertivo para atingir o alvo desejado, logo, tem que seguir o planejado e tem que utilizar toda determinação possível para atingir a meta;

(c) Disciplina: cumpridas as duas etapas anteriores, temos que observar a terceira etapa, mantendo-se disciplinado em todo o processo. O foco deve estar presente o tempo todo. Se ocorrer problema fora de seu controle e que possa intervir diretamente no planejamento, reavalie seus objetivos. A estratégia pode mudar conforme sua reavaliação, mas a disciplina deve estar sempre presente, ela deve ser constante para perseguir a(s) meta(s). Em um paralelo com corredores de longas distâncias, assim como os técnicos utilizam treinamentos diferentes para obter o máximo desempenho do atleta, você deve dominar as melhores estratégias para atingir o objetivo desejado. A disciplina será vital para que os resultados apareçam da maneira programada. Parte do sucesso financeiro ou não, está não apenas no planejamento mas em cumprir as etapas com elevada margem de acerto;

(d) Acreditar em mudança: você tem o poder de determinar os rumos de sua vida pessoal, financeira, social, profissional etc. Determinando os objetivos com clareza, e sendo possíveis, poderá atingi-los ou eliminar o que dificulta a conquista do objetivo. Você é o agente da mudança, a motivação está dentro de você, ninguém pode tirá-la sem sua autorização. Segundo Tony Robbins, as nossas crenças são como ordens não questionadas, dizendo-nos como as coisas são, o que é possível e impossível, o que podemos e o que não podemos fazer, assim, dão forma as nossas ações, pensamentos e sentimentos. Como resultado, alterar os nossos sistemas de crenças é fundamental para qualquer mudança real e duradoura nas nossas vidas.

Portanto, sair da zona de conforto requer objetivos bem definidos, planejamento elaborado, disciplina na execução do planejado, boa dose de autoconfiança e crença na mudança são determinantes para obter o sucesso em qualquer área de sua vida.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 10 de novembro de 2018

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR SOBE EM OUTUBRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) atinge 110,6 pontos em out/18, o maior valor observado desde out/14, quando alcançou 112 pontos. Na comparação mensal o índice apresenta incremento de 4,4% em out/18, enquanto sobe 9,3% frente igual período de 2017 ao chegar a 101,2 pontos. O desempenho em out/18 é o quarto consecutivo e acumula incremento de 12,5% no período. O indicador pela primeira vez nos últimos meses ultrapassa a média histórica de 107,7 pontos, indicando que os consumidores estão mais confiantes que o habitual.

A maioria dos componentes do INEC mostra avanços significativos entre setembro e out/18. Na comparação mensal e anual o melhor desempenho ficou por conta do indicador de situação financeira, enquanto o pior desempenho continua com a expectativa de compras de bens de maior valor, com declínio nas duas bases de comparação.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta incremento de 5,4% em out/18 (123,3 pontos), ante o mês anterior, e sobe 13,7%% na comparação anual, quando chegou a 108,4 pontos. Em ambas as bases de comparação houve declínio do pessimismo com relação ao comportamento da inflação para os próximos meses. O indicador expectativa de inflação apresenta o terceiro maior incremento na comparação mensal entre os componentes do índice, e registra o segundo maior crescimento na comparação anual. O desempenho positivo do indicador tem levado os consumidores a ficarem mais otimistas com relação a inflação;

(b) Expectativa de desemprego: o indicador registra crescimento de 8% em out/18 (132,7 pontos), ante o mês anterior, e sobe 12,6% frente a out/17, que ficou em 117,9 pontos. O índice de out/18 apresenta declínio do pessimismo quanto às expectativas de desemprego para os próximos meses, isto é, maior o percentual de respondentes esperando declínio do desemprego. O indicador apresentou o terceiro melhor desempenho na comparação anual entre os componentes do índice e registra o maior valor desde nov/12 (135,6 pontos);

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente registra variação positiva de 5% em out/18 (102,6 pontos) ante o mês anterior, e elevação de 11,2% na comparação com out/17 (92,3 pontos). Entre os indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou a terceira maior elevação mensal e anual, respectivamente. O desempenho positivo do índice de expectativas de renda pessoal em out/18, indica que mais consumidores esperam elevação de seus rendimentos pessoais nos próximos meses;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o único dos componentes do INEC a registrar variação negativa nas duas bases de comparação: mensal (-0,3%) e anual (-0,8%), e chega a 110,5 pontos em out/18. O desempenho negativo do índice nas duas bases de comparação indica elevação do pessimismo quanto às compras de bens de maior valor para os próximos meses;

(e) Endividamento: o índice apresenta variação positiva de 3,4% em out/18 (104,6 pontos) na comparação mensal, e cresce 11% ante out/17. O desempenho positivo do índice nos últimos quatro meses indica que maior quantidade de consumidores espera uma redução no nível de endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta variação positiva de 8,9% em out/18 quando chega a 100,2 pontos, ante o mês anterior, e apresenta o maior crescimento anual entre os componentes do INEC, com +16,9%. O desempenho positivo desse indicador em out/18, quando atinge o maior valor dos últimos 45 meses, indica crescimento da esperança de melhora da situação financeira dos consumidores.

Portanto, a elevação da confiança do consumidor em outubro deve-se basicamente ao desempenho satisfatório das expectativas do desemprego, inflação, renda pessoal, endividamento e situação financeira. As compras de bens de maior valor, embora com desempenho negativo, não é suficiente para ofuscar o crescimento da confiança do consumidor em outubro.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

MEDO DO DESEMPREGO CAI EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

O índice de medo do desemprego-IMD decresce 2,2 pontos entre junho e set/18 e atinge 65,7 pontos, enquanto cai 2 pontos ante set/17. O índice de set/18 permanece 16 pontos acima da média histórica de 49,7 pontos.

Com relação as regiões pesquisadas, o Norte/Centro-Oeste com 60,9 pontos e o Sul com 62,7 pontos em set/18, respectivamente, foram as únicas a registrarem elevação, com +2,3 pontos e +0,8 ponto respectivamente, entre junho e set/18. O Nordeste com 73,1 pontos apresenta declínio de 1 ponto no período jun-set/18, enquanto o Sudeste com 64 pontos registra o maior declínio (-5,8 pontos).

Na análise por sexo, o medo do desemprego apresentou queda de 2,7 pontos em set/18, ante jun/18. O sexo feminino chegou a 68,4 pontos, e caiu 1,6 ponto entre junho e set/18 para o masculino que atingiu 62,9 pontos no último mês. Na comparação anual, o sexo masculino apresentou crescimento de 0,2 ponto entre set/17 e set/18, enquanto o feminino registrou decréscimo de 4,1 pontos no período.

Analisando as famílias com base na renda familiar, as com medo de perder o emprego e recebem mais de 5 salários mínimos (SM) foram as únicas a registrarem variação positiva de 3,2 pontos em set/18 (58,4 pontos), ante jun/18, enquanto as com renda até 1 SM apresentaram o maior declínio (-4,3 pontos) entre junho e set/18. Na sequência de declínio temos famílias com renda mais de 1 a 2 SM (-4,1 pontos), a segunda maior redução, e famílias com mais de 2 a 5 SM com decréscimo de 1,9 pontos.

O índice de satisfação com a vida-ISV subiu 1,1 ponto em set/18 (65,9 pontos), ante jun/18, e caiu 0,1 ponto frente a set/17. O índice registra 3,8 pontos abaixo da média histórica de 69,7 pontos.

Com relação as regiões pesquisadas, todas apresentaram elevação entre junho e set/18 no nível de satisfação com a vida, ficando o destaque para a região Sul (66,2 pontos) que cresceu 2,4 pontos em set/18 ante jun/18, seguido por Norte/Centro-Oeste (67,2 pontos) com elevação de 2,3 pontos na mesma base de comparação, enquanto o Nordeste com 66 pontos e o Sudeste com 65,3 pontos, subiram respectivamente 1 ponto e 0,2 ponto no período jun-set/18. No período em análise, o Sul e o  Norte/Centro-Oeste apresentaram o maior nível de satisfação com a vida entre junho e set/18.

O nível de satisfação com a vida apresentou elevação para ambos os sexos, o feminino com  +1,3 ponto e o masculino com +0,8 ponto entre junho e set/18. Na comparação anual, o sexo masculino apresentou declínio de 0,1 ponto entre set/17 e set/18, enquanto o feminino registrou estabilidade com 65,1 pontos para os dois períodos.

Quanto ao nível de satisfação com a vida, considerando o fator renda familiar, famílias que recebem mais de 5 salários mínimos (SM) foram as que apresentaram a maior elevação (+2,4 pontos) em set/18 (69,8 pontos), seguido por famílias de recebem mais de 2 a 5 SM com +1,4 ponto em set/18 (68,6 pontos) e com mais de 1 a 2 SM que registraram elevação de 0,7 ponto em set/18 frente a jun/18. As famílias com renda até 1 SM foram as únicas a apresentarem redução no nível de satisfação com a vida (-0,9 ponto) na mesma base de comparação.

Portanto, a lenta e gradual recuperação da atividade econômica pode ser sentida na queda do medo do desemprego (-2,2 pontos) entre junho e set/18, enquanto o nível de satisfação com a vida subiu 1,1 ponto no período. As famílias que recebem maior renda apresentaram maior medo em perder o emprego, enquanto as de baixa renda registraram declínio do medo.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 3 de novembro de 2018

SUCESSO FINANCEIRO É ESCOLHA PESSOAL
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias se mantém elevado desde 2010, atingindo no período 2010-17, a média anual de 60,8%, segundo a pesquisa o perfil do endividamento das famílias brasileiras em 2017-PEFB. Em 2018, a média mensal do período jan-set/18 ficou em 60,3% (abaixo 0,50 p.p. da média anual), e chegou a 60,7% em set/18, logo, manteve o mesmo patamar observado nos últimos oito anos.

A lenta recuperação da atividade econômica, com desemprego elevado, alto nível de inadimplência e juros proibitivos para o tomador final, embora a taxa Selic (6,5% a.a.) esteja em nível histórico muito baixa. Todos esses fatores têm contribuído de algum modo para que as pessoas tenham mais cautela na hora de comprar, segundo descreve artigo publicado em 29/10/18 (regisvarao.blogspot.com).

Cabe lembrar que não podemos colocar toda a culpa somente na crise econômica, no desemprego, na inadimplência e nas taxas de juros etc, mas deve ser considerado a falta de conhecimento de educação financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descaso no trato das finanças pessoais tem contribuído para manter o endividamento das famílias nos atuais patamares, segundo mostra a pesquisa PEIC de set/18, da CNC.

Como decorrência do endividamento, as pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e hospitais com mais frequência que as demais pessoas, sofrem e causam mais acidentes de trabalho, usam atestados médicos com assiduidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, são mais estressados, reduzem a produtividade, se separam mais que os financeiramente estáveis e tem forte probabilidade de ficarem desempregados.

A seguir, apresentamos sete sugestões que podem contribuir para que as pessoas tenham uma boa saúde financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, passar o cartão de crédito ou utilizar o talão de cheques é importante avaliar se tem dinheiro suficiente na conta bancária para liquidar a fatura integral do cartão de crédito, pagar as prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o financiamento do imóvel etc. Uma peça fundamental no planejamento financeiro é o orçamento, que exige um acompanhamento constante.

Para se ter um bom orçamento, relacione todas as receitas e despesas, inclusive os pequenos valores, como o lanche da tarde, a sobremesa após o almoço etc. Liste as despesas com moradia, educação, saúde, transporte, higiene pessoal, lazer etc. Com um orçamento detalhado, você conhecerá a estrutura de despesas e como está gastando no dia a dia, na semana, no mês etc. Você descobrirá como o seu dinheiro desaparece sem deixar vestígios.

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Prospera aquele que economiza no dia a dia, e que gasta menos do que ganha. Feito o orçamento, está na hora de guardar a diferença entre a(s) receita(s) (R) e as despesas (D), observando e mantendo a relação superavitária (R>D). O superávit, quando poupado, contribui para formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo que serve para cobrir despesas imprevistas, e a de longo prazo, destinada à compra da casa própria, à educação dos filhos, e para a aposentadoria.

Ao elaborar o orçamento, todos têm que se comprometer com o planejamento financeiro, pois deve ser levado a sério se pretende ter boa qualidade de vida na aposentadoria. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da dificuldade em mantê-lo, e no futuro serão adultos financeiramente responsáveis, pois bons hábitos financeiros começam na infância.

3. EVITE FAZER DÍVIDAS:

Um dos grandes motivos de endividamento é o péssimo hábito de pagar juros. Esse hábito impede a pessoa ou família de atingir a prosperidade financeira refletindo negativamente em outras áreas da vida. O grande beneficiário no processo de tomar empréstimo, muitas vezes pagando-se juros estratosféricos, em geral, é o setor financeiro. Evite pagar juros, e não compre nada parcelado.

Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Se uma resposta for negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja do cartão de crédito, cheque especial e dos carnês de lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenos valores quando somados, se transformam em grandes valores. Se tiver dinheiro disponível em conta e o bem ou serviço está listado como prioridade em seu orçamento tente desconto e pague a vista.

4. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa em abril, dia das mães em maio, dia dos namorados em junho, dia dos pais em agosto, dia das crianças em outubro, e agora já se aproximando o Black Friday em novembro, sem esquecer do Natal no mês seguinte. Muitos outros feriados e promoções constam em peças de publicidade cujo alvo (isto mesmo) é o incauto consumidor. O consumidor é o alvo!

O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no País em 2010. Tem feito muito sucesso e endividado muita gente, afinal de contas, vender é o que interessa. O 13º logo estará na conta corrente, fique atento com a publicidade que faz sua parte com competência e elevado nível de resultado. As campanhas promocionais ardilosas, algumas fantásticas nos shoppings e no comércio em geral ajudam a elevar as estatísticas do endividamento e da inadimplência. Fuja das inúmeras e escorregadias armadilhas das promoções que ocorrem no Black Friday e do apego sentimental do Natal.

5. SEJA COMEDIDO AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Em 3/4/17 novas regras para o pagamento do rotativo entraram em vigor, limitando o parcelamento do débito e obrigando as instituições a renegociarem as dívidas. Em 1/6/18 mais mudanças como o fim da regra para pagamento mínimo, os 15% do valor total, assim, cada banco/empresa que emite cartão poderá definir o percentual de pagamento mínimo para o cliente.

É preocupante o endividamento com cartão de crédito que atingiu 76,7% em set/18 e registra igual valor como média mensal dos nove primeiros meses de 2018, segundo a PEIC da CNC. É o juro mais alto cobrado pelos bancos e tem contribuído para elevar o endividamento. Troque a dívida cara do rotativo ou do cheque especial por um consignado, se um corte de despesas não resolver. Os programas de milhagens para obtenção de passagens aéreas e outros benefícios alivia o bolso. O cartão de crédito é um grande aliado quando utilizado com parcimônia e para atender as emergências.

6. SOLICITE DESCONTOS:

Se você tem reserva financeira e não gosta de comprar a prestação, está na hora de pagar suas compras com dinheiro vivo. Tendo dinheiro em espécie você pode brigar por descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão, na atual conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder de compra que nesse caso sempre encontrará bons descontos ao pagar a vista.

7. EVITE OS SUPÉRFLUOS:

Se você deseja economizar, fazer reserva financeira, ter uma aposentadoria com boa qualidade de vida, evite comprar artigos supérfluos, pois eles poderão levá-lo ao endividamento. Examine seu orçamento, suas necessidades, as prioridades e veja se aquele produto específico, normalmente não necessário, vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você tem disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então compre o supérfluo.

Portanto, as pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada produtividade, mantém o foco, são normalmente disciplinados, fazem poupança no dia a dia, não compram por impulso, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, têm atitudes responsáveis na utilização do dinheiro, usam o crédito com parcimônia, estão atentas às mudanças na economia, consequentemente alcançam a prosperidade financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.