domingo, 29 de julho de 2018

BONS HÁBITOS FINANCEIROS LEVAM À PROSPERIDADE
Régis Varão/¹

Palestra realizada no Museu Histórico de Carolina, MA em 25/7/2018.



¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, planejamento financeiro pessoal, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante 23 anos, e trabalhou por 36 anos como economista do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

ATITUDES FINANCEIRAS SAUDÁVEIS LEVAM A PROSPERIDADE
Régis Varão/¹

Os efeitos negativos da crise econômica, o pouco conhecimento das pessoas a respeito dos instrumentos de finanças pessoais e maus hábitos financeiros contribuem para elevar a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras, conforme indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de jun/18, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

O percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnês de loja, crédito pessoal, financiamento de carro, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, financiamento de casa, embora tenha caído de 61,3% em jan/18 para 58,6% em jun/18, mas continua  elevado.

Segundo a PEIC, o percentual de famílias com dívidas em atraso passou de 25% no primeiro mês do ano para 23,7% em jun/18. Por outro lado, o total de famílias que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso permaneceu estável, saindo de 9,5% em jan/18 para 9,4% em junho deste ano.

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes e hábitos financeiros inadequados dos indivíduos/famílias, pelo consumismo exagerado, pelo desconhecimento de princípios básicos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais no dia a dia.

As pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e a hospitais com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, se desentendem mais facilmente com colegas de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, a produtividade do trabalho é afetada, se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

Atitudes que podem contribuir para a prosperidade financeira:

1. FAZER PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, passar o cartão de crédito ou utilizar o talão de cheques é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente no banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou pagar as prestações ou financiamentos. É muito importante fazer orçamento financeiro e acompanhá-lo periodicamente. Relacione todas as receitas e despesas, inclusive as de pequenos valores, como o café espresso, o cigarro, a cerveja com os amigos, o lanche etc. Liste as despesas em tópicos como: moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc.

Ao elaborar o orçamento pessoal/familiar, você conhecerá a estrutura de despesas e como está gastando mensalmente. A grande vantagem é que você descobrirá os ralos por onde o dinheiro some e poderá tomar as devidas providências.

2. ECONOMIZAR NO DIA A DIA:

Prospera aquele que economiza no dia a dia. Assim, feito o orçamento pessoal, está na hora de guardar a diferença entre a receita (R) e a despesa (D), observando a relação R>D (superávit). A reserva financeira é importante para ajudar nos imprevistos, para garantir a educação dos filhos, a qualidade de vida presente e uma aposentadoria confortável.

É um compromisso que deve ser levado a sério e envolve todos os membros da família. Estabeleça objetivos possíveis de serem atingidos. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e trabalho. Ganhar dinheiro não é difícil, o grande problema é mantê-lo. Oriente seus filhos desde a infância a respeito do valor do dinheiro e serão adultos financeiramente responsáveis. Bons hábitos financeiros começam na infância.

3. PLANEJAR SUA APOSENTADORIA:

Muitos acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, exames, remédios etc. Se não nos planejarmos, o valor recebido mensalmente será insuficiente para pagar as despesas na aposentadoria. Nesse caso devemos ficar atento e reservar um percentual do salário todos os meses para depositar no banco e fazer uma reserva financeira.

Vamos trabalhar um exemplo: inicie retirando 10% da renda líquida e deposite em um banco. Observe após três ou quatro meses como está sua qualidade de vida, se não foi alterada mantenha o recolhimento por mais nove meses. A partir daí entra no automático. Esse valor depositado mensalmente não deve ser mexido, ele trará uma renda extra ou renda passiva no futuro, garantindo melhor qualidade de vida na aposentadoria. Chame essa conta de Liberdade Financeira. Após o primeiro ano descontando 10%, inicie outra depositando 10% da renda líquida, obedecendo o mesmo raciocínio, três meses e depois mais nove e assim sucessivamente. Essa nova poupança de 10% é para atender as necessidades urgentes, um exame que o plano de saúde não cobre, uma doença inesperada etc. A mudança da aposentadoria que deverá ocorrer em breve pode servir de estímulo para as pessoas começarem a pensar a respeito de uma reserva financeira. Comece o quanto antes.

4. NÃO PARCELAR COMPRAS:

Muita gente parcela compras e faz financiamentos diversos, o que pode ser demonstrado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas (15,2%), financiamento de carro (11,2%), crédito pessoal (10,4%), financiamento de casa (8,5%), cheque especial (6%) e crédito consignado (5,5%), segundo a PEIC de jun/18. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o próximo mês ou para o próximo semestre.

Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo uma resposta negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas antes negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja dos carnês de lojas, evite parcelar compras. Muitas vezes pequenas parcelas quando somadas, se transformam em grandes valores. Planeje suas compras, siga seu orçamento, seja um consumidor consciente.

5. FUGIR DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa em abril, dia das mães em maio, dia das crianças em outubro, Black Friday em novembro, Natal em dezembro e muitos outros feriados em que o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60 e chegou no Brasil em 2010. Tem tido muito sucesso e poderá mudar a data em 2018 evitando ficar próxima ao Natal. Afinal de contas, vender é o foco principal do comércio.

Em todos esses períodos comemorativos o comércio se prepara antecipadamente para as vendas, e as promoções muitas vezes escondem maquiagem de preços e outros deslizes que podem levar os incautos ao endividamento. As campanhas promocionais fantásticas nos shoppings, televisão e no comércio em geral ajudam a elevar as estatísticas da inadimplência. Logo, para fugir das inúmeras e ardilosas armadilhas atenha-se ao planejado.

6. UTILIZAR O CARTÃO DE CRÉDITO COM PARCIMÔNIA:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. O Banco Central divulgou em 26/1/17 as novas regras para o pagamento do rotativo que vigoram a partir de 3/4/17, limitando o parcelamento do débito e obrigando as instituições a renegociarem as dívidas. A partir jun/18 novas regras foram criadas e com uma mudança significativa, as instituições financeiras terão liberdade para definir o percentual do pagamento mínimo, podendo ser diferente para cada cliente.

Segundo a PEIC de jun/18, cerca de 76,3% das famílias brasileiras se endividam com cartão de crédito - famílias com renda de até 10 salários mínimos (SM) o percentual está em 77,3% e as com renda acima de 10 SM cai para 72,4%. O cartão de crédito pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas e outros benefícios. Use-o com parcimônia e apenas quando necessário, nunca com supérfluos.

7. RENEGOCIAR AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas caras, rotativo do cartão de crédito e cheque especial por um consignado, se um corte de despesas não resolver inicialmente. Financiamento imobiliário ou de automóvel, por exemplo, pode ser negociado quanto a valores e prazos. A portabilidade é um mecanismo que vem dando grandes resultados na redução do endividamento. Você troca o agente financeiro, o que pode baratear os valores das prestações e dos financiamentos e até obter redução de prazos. Ao renegociar as dívidas cria-se nova e melhor condição de pagamento, mas atenção com o endividamento. Uma dica, fique atento ao Feirão Limpa Nome-SPC SERASA, um evento anual que pode ajudar os endividados a renegociarem suas dívidas.

As pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos estresse, têm elevada produtividade, mantém o foco, não descuidam da saúde física e mental e buscam relacionamentos pessoais e profissionais saudáveis. Não compre por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, evite pagar juros, não faça parcelamentos e nunca despreze o poder dos pequenos valores.

Portanto, as pessoas que alcançam a prosperidade financeira são disciplinadas, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, fazem poupança no dia a dia, controlam despesas, não compram por impulso, buscam liberdade financeira o tempo todo, têm atitudes responsáveis na utilização do dinheiro, usam o crédito com parcimônia, estão atentas às mudanças na economia e à rentabilidade dos principais ativos financeiros.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, planejamento financeiro pessoal, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante 23 anos, e trabalhou por 36 anos como economista do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.


terça-feira, 17 de julho de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM JUNHO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras com dívidas apresentou declínio em junho deste ano ante o mês anterior, na terceira queda consecutiva, e caiu também na comparação anual. Cabe registrar que o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou redução em jun/18 nas duas comparações, mensal e anual. Com relação ao total de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso houve decréscimo nas duas bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O total de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,6% em jun/18, o que representa um declínio em relação ao nível verificado no mês anterior. Houve queda em comparação com jun/17, quando o indicador alcançou 59,4% do total de famílias.

O percentual de famílias com dívidas/contas em atraso também apresentou declínio em jun/18 na comparação mensal, recuando de 24,2% para 23,7% do total. As famílias inadimplentes também apresentaram queda em relação a jun/17, que atingiu 25,6% do total. O quantitativo de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, e permanecem inadimplentes caiu de 9,9% em mai/18 para 9,4% em jun/18, apresentando redução em relação a jun/17 (10,1%).

O endividamento apresentou tendência distinta nas duas faixas de renda pesquisadas (<10 Salários Mínimos-SM e >10 SM), na comparação mensal e anual. Houve decréscimo entre as famílias de renda <10 SM. As famílias que ganham <10 SM, o percentual de endividamento atingiu 60% em jun/18, ante 60,7% observados em mai/18 e 61,9% em jun/17. As famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas subiu de 51,5% em mai/18 para 52,1% em jun/18. Em jun/17, o percentual de endividadas nessa faixa de renda atingia 47,1%.

Na faixa de renda <10 SM, o total de famílias com contas em atraso decresceu de 27,3% em mai/18 para 26,8% em jun/18. Em jun/17, 29,1% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 11% em jun/18, ante 11,1% observados no mês anterior e 11,2% em jun/17.

O resultado por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também apresentou comportamentos semelhantes entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador registrou 2,8% em jun/18, ante 3,3% observados no mês anterior e 3,6% em jun/17. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos passou de 11,8% em mai/18 para 11,3% em jun/18. Em relação a jun/17, houve queda de 0,5 p.p.

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas diminuiu no período mai-jun/18, de 13,4% para 13% do total de famílias. Na comparação anual, houve queda de 1,4 p.p. Entre jun/17 e jun/18, a parcela mais ou menos endividada ficou estável em 22,4%, e a pouco endividada passou de 22,6% para 23,2% do total de famílias.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso atingiu 63,6 dias em jun/18, acima dos 62,8 dias de jun/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 7,2 meses, sendo que 23,7% delas estão comprometidas com dívidas até 90 dias, e 32,9%, por mais de doze meses. Já a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu de 29,9% em mai/17 para 29,5% em mai/18.

O cartão de crédito continua como principal destaque na preferência das famílias endividadas, atingindo em jun/18 o valor de 76,3%, seguido por carnê de loja (15,2%), financiamento de carro (11,2%), crédito pessoal (10,4%), financiamento de casa (8,5%), cheque especial (6%), crédito consignado (5,5%) e cheque pré-datado (1,1%). A preferência das famílias quanto ao endividamento com o cartão de crédito vem se mantendo elevada desde mai/10 (70%).

Nas faixas de renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 77,3% nas preferências das famílias, enquanto as de maior renda cai para 72,4%. O financiamento de carro chega a 8,9% nas famílias de renda <10 SM e sobe para 21,6% na faixa acima de 10 SM, enquanto financiamento de casa atinge 6,7% nas famílias com renda abaixo de 10 SM e sobe para 16,6% para as de maior renda.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas vem apresentando decréscimo nos últimos três meses, caindo na comparação anual e atingindo o menor patamar desde fev/15. A queda do endividamento observada nos últimos meses reflete um baixo ritmo de recuperação do consumo das famílias e maior cautela na contratação de novos empréstimos e financiamentos. Cabe observar que a preferência das famílias pelo cartão de crédito como forma de endividamento mostra grande desconhecimento de princípios básicos de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, planejamento financeiro pessoal, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante 23 anos, e trabalhou por 36 anos como economista do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 14 de julho de 2018

CUIDADO COM AS OFERTAS DE CRÉDITO CONSIGNADO
Régis Varão/¹

Uma das modalidades mais populares de crédito do setor financeiro nacional é o consignado, que se popularizou nos últimos quinze anos no País devido a facilidade com que as pessoas podem contratá-lo. Substituiu o antigo desconto em folha, embora o mecanismo seja exatamente o mesmo. As parcelas são descontadas em folha de pagamento, sendo utilizado por aposentados do INSS e servidores públicos, e em menor escala por trabalhadores do setor privado. Estimulado por forte publicidade vem crescendo nos últimos anos. Por outro lado, ter precaução quanto à contratação de empréstimos, mesmo o consignado, é sempre uma atitude que poderá evitar problemas futuros, principalmente considerando os atuais níveis de endividamento e inadimplência das famílias.

A oferta de novos e sofisticados bens e serviços no mercado, leva muita gente a utilizar o crédito consignado que é tomado sem burocracia, atendendo o desejo de consumo por esses novos e sofisticados produtos como televisores com tela plana de alta resolução, celulares que parecem minicomputadores, tabletes, produtos eletrônicos sofisticados etc.

Apenas para ilustrar, segundo O Globo, embalada pelo mundial de futebol na Rússia, o setor de televisões começou o ano de 2018 com forte elevação nas vendas, tendo registrado alta de 97% na venda de televisores de 65 polegadas nos dois primeiros meses do ano em relação a igual período do ano anterior.

Tendo em vista a facilidade com que o setor bancário oferece várias linhas de crédito, em especial o consignado, se sua empresa tem convênio com um banco, as pessoas com problemas financeiros têm buscado a modalidade consignado, principalmente quando já não conseguem obter uma nova linha de crédito junto ao setor financeiro.

O consignado é a última opção de crédito a juros relativamente baixos para quem deseja sair do vermelho. É cada vez maior a quantidade de pessoas que recorrem ao consignado para poderem adquirir bens ou realizar projetos variados, o que pode elevar o endividamento. Muitos recorrem ao consignado após endividarem-se no cartão de crédito e cheque especial.

O fato do consignado ter juros relativamente baixos comparativamente a outras linhas de crédito, pode levar muita gente ao endividamento, exatamente pela suposição equivocada de um custo muito baixo. Efetivamente é baixo quando comparado ao cartão de crédito (maior taxa de juros cobrada pelo setor bancário), cheque especial (segunda maior taxa de juros) etc, mas para quem não precisa de crédito pode comprometer seu planejamento financeiro ao pegar dinheiro do consignado. Por sua vez, o empréstimo consignado vem se tornando muito popular tendo em vista que o índice de inadimplência é muito baixo, o que explica as taxas de juros praticadas pelo setor financeiro na modalidade.

Alguns riscos para os tomadores de crédito consignado:

01. EMPRÉSTIMO NO CARTÃO DE CRÉDITO:

O aposentado não pode comprometer mais que 35% do salário ou benefício recebido pelo trabalhador. No entanto, há um pequeno detalhe, 5% do limite só poderá ser utilizado no cartão de crédito consignado. Observe que crédito seguro é o ofertado pelos bancos, e com tantas opções disponíveis no mercado, o consumidor ainda pode escolher o banco que oferece a menor taxa de juros. Ao contratar um empréstimo consignado ou outra modalidade de crédito, não aceite a venda do cartão de crédito, o que poderá configurar uma prática abusiva segundo consta do art. 39, do Código de Defesa do Consumidor-CDC.

02. CONSIGNADO PARA AJUDAR TERCEIROS:

Uma estatística negativa, dois em cada dez endividados estão nessa situação por pegarem crédito para repassar a parentes ou amigos. Não tome empréstimo consignado ou qualquer modalidade de crédito para ajudar parentes e amigos endividados, pois se não pagarem a responsabilidade é do tomador do crédito, pois no banco, o seu nome é que está vinculado ao empréstimo. O final nunca é saudável para as partes, é frequente o tomador de crédito bancário se indispor com o parente e perder o amigo, quando não fica com o nome sujo na praça.

03. CRÉDITO PARA AUMENTAR A RENDA:

Se você precisa de empréstimo para adquirir um bem ou serviço, é porque não tem grana para comprá-lo. Assim, o empréstimo só deve ser feito em situações emergenciais e não para consumir produtos e serviços que normalmente são supérfluos. Planeje-se, faça orçamento financeiro, veja como estão suas despesas e receitas e compre apenas o necessário, melhor é não tomar crédito se não for para uma emergência.

O empréstimo é bem-vindo quando utilizado para cobrir despesas emergenciais, como uma cirurgia ou exames em que o plano de saúde não cobre por exemplo o anestesista etc ou um evento inesperado entre outros. Assim, evite empréstimos que só elevam seu endividamento. Mantenha seu contracheque livre de descontos, e só faça um consignado se for para uma emergência.

Tenha cautela ao tomar crédito, não assine nenhum documento em branco e sempre confira o que está escrito, para saber o que você realmente está adquirindo. Considere as dicas: verifique o valor contratado, a taxa de juros do empréstimo, outras taxas cobradas pela instituição financeira, prazo de pagamento, valor do crédito, data de vencimento das parcelas e a conta indicada para o crédito. Esses dados devem ser conferidos cuidadosamente para evitar problemas futuros.

04. COBRANÇA DE JUROS:

O crédito consignado é o mais barato das modalidades de crédito existentes no País, mas ainda é muito caro quando se compara com a taxa básica de juros, chamada Taxa Selic (6,5% a.a.) estabelecida pelo Copom do Banco Central.

Em geral os empréstimos na modalidade crédito consignado tem taxa próxima a 2% a.m., o que daria cerca de 27% a.a., sem considerar as demais taxas ou custos cobrados na contratação de um empréstimo ou financiamento, o chamado Custo Efetivo Total-CET, que eleva o valor a ser descontado no salário ou no benefício mensal.

05. LIMITE ORÇAMENTÁRIO:

Antes de tomar um empréstimo, isso vale para qualquer modalidade de crédito, é necessário conhecer quais são os gastos mensais que não podem ser feitos e devem ser eliminados. Quem já está com dificuldade para pagar a prestação da casa própria, o plano de saúde, as despesas com alimentação e educação dos filhos, deve evitar novas formas de endividamento.

Tenha sempre em mente o que é necessário e o que é supérfluo, discuta seu orçamento com esposa e filhos, pois o envolvimento da família é importante na hora de fazer o planejamento financeiro, na escolha de qual despesa deve ser cortada. Adote, sempre que possível, uma postura democrática, se for casado, discuta o orçamento com a família, o envolvimento dela reduz o estresse e pode elevar os acertos nas escolhas do que deve ser cortado.

06. MUITAS DÍVIDAS GERAM PROBLEMAS:

Evite comprar a prazo, muitas prestações juntas reduzem sua renda líquida. Evite tomar empréstimos mesmo com a tradicional “generosidade” dos bancos, sempre prestativos para elevar o nível de endividamento do cliente. Emprestar dinheiro com baixíssimo risco de calote é  tudo que o sistema financeiro deseja.

Não faça novas dívidas antes de liquidar as antigas. Muitas dívidas parceladas ou não, na maioria das vezes, dificultam a real situação do comprometimento da renda. Não esqueça, pequenos valores ou parcelas, podem se transformar em grandes valores e naturalmente podem levar ao endividamento.

07. OFERTAS POR TELEFONE OU CAIXA ELETRÔNICO:

Os caixas eletrônicos dos bancos costumam perguntar ao cliente se ele precisa de dinheiro. Ao selecionar essa opção, o cliente do banco pode contratar sem querer um empréstimo consignado, o que poderá trazer aborrecimentos ao se deparar com um crédito em sua conta corrente. No caso de contratar um empréstimo consignado, sem querer, vá imediatamente ao banco e se explique. Ao suspender o empréstimo feito de maneira equivocada, solicite uma declaração da instituição financeira afirmando que você não contratou empréstimo ou que o empréstimo foi suspenso. Caso não obtenha sucesso, vá ao Procon mais próximo e tente resolver o problema.

Outro problema comum são as empresas de telemarketing ligarem oferecendo empréstimos, além da surpresa em saber que muita gente tem o número de teu telefone, o que não é difícil de descobrir. Se você precisa de um empréstimo, pesquise em várias instituições antes de fechar negócio. Você encontrará uma variedade muito grande de taxas de juros e outras taxas que fazer você desembolsar mais (custos indiretos do empréstimo ou financiamento). Com relação as ligações indesejadas e na maioria das vezes em horários inoportunos, bloqueie o número que liga para você com essas ofertas, acessando o site do Procon-SP e de outros estados, clicando em BLOQUEIO TELEMARKETING.

Quando não se faz planejamento financeiro, a pessoa fica refém de compras mal planejadas, muitas vezes repetidas e desnecessárias, enfim, a improvisação e o consumismo desenfreado são causas frequentes de endividamento. No caso do servidor público, a estabilidade funcional, planos de saúde relativamente baratos e o salário médio elevado pode explicar o endividamento via consignado.

Já os trabalhadores do setor privado pelo simples fato de não contarem com estabilidade e algumas vantagens como planos de saúde relativamente baratos, são mais comedidos na utilização do consignado.

A euforia provocada pelo consumismo, o excesso de datas comemorativas como Natal, semana santa, dia das mães, dia das crianças etc, faz com que a maioria das pessoas esqueça que o crédito fácil ofertado pelo sistema financeiro, pode transformar-se em uma grande dor de cabeça, o que em parte explica as elevadas taxas de endividamento e inadimplência.

O alerta que fazemos é para os servidores públicos, cuja renda elevada e com limites de crédito bastante flexíveis, pode ser, no curto prazo fator de risco para a saúde financeira da família, tendo em vista que pode comprometer boa parte de seus proventos, piorando sua qualidade de vida.

Outra categoria suscetível de endividamento via consignado, muitas vezes por razões diversas, é o aposentado que muitas vezes pode sofrer pressão familiar para endividar-se. Existem casos em que o aposentado delega a parentes o controle de seus recebimentos e, em muitos casos, descobre-se devedor de grandes somas. Assim, fique atento as despesas no dia a dia e evite, quando possível, dar sua senha para pessoas que não seja de sua inteira confiança.

Portanto, observe com atenção os possíveis riscos que podem dificultar sua saúde financeira. Utilize-se do crédito apenas em emergência e nada fora disso. Por outro lado, se você está com dívidas no cartão de crédito ou cheque especial, nesse caso poderá pensar em tomar um crédito consignado, mas pesquise em várias instituições financeiras antes de fechar negócio. Aprenda a dizer não para parentes e amigos endividados ou não, senão você poderá fazer parte da lastimável estatística dos endividados.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 8 de julho de 2018


MENOR CONFIANÇA DO CONSUMIDOR EM DOIS ANOS
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), publicado pela CNI, apresentou recuo na confiança do consumidor no período mai-jun/18, tendo registrado em jun/18 o menor índice desde abr/16.

O índice registra declínio de 3,8% entre maio e jun/18, quando atinge 98,3 pontos. No mês de junho é observado o menor indicador desde abril de 2016, quando o INEC ficou em 97,5 pontos. O decréscimo do indicador é explicado, principalmente, pelos componentes atrelados às expectativas dos consumidores (inflação, desemprego, renda pessoal e compras de bens de maior valor). O mês de junho quando comparado ao mês anterior registra elevação do pessimismo quanto à preços, emprego e desempenho da renda pessoal.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta decréscimo de 10,1% em jun/18 (98,3 pontos), ante o mês anterior, e queda de 9% na comparação anual, quando chegou a 108 pontos. Na comparação mensal, em junho deste ano aumenta o pessimismo com relação ao comportamento dos preços, isto é, houve elevação do pessimismo quanto à inflação para os próximos meses;

(b) Expectativa de desemprego: o indicador registra queda de 8,4% em junho deste ano (104,4 pontos), ante o mês anterior, e cai 7,1% frente a igual período do ano anterior, que registrou 112,4 pontos. Com relação a mai/18, o índice observado em jun/18 apresentou elevação do pessimismo quanto às expectativas de emprego para os próximos meses;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC registra variação negativa de 4,4% em jun/18 (90,6 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 0,9% na comparação anual (91,4 pontos). Dos indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou o menor decréscimo anual. A queda do índice de expectativas de renda pessoal, indica, em jun/18, que uma maior proporção dos consumidores espera queda de seus rendimentos pessoais;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: é o único dos componentes do INEC a registrar variação positiva nas duas bases de comparação, a mensal com +2% e a anual com +0,6%. O índice chegou a 112,3 pontos em jun/18, o maior valor observado entre os componentes naquele mês;

(e) Endividamento: o índice apresenta redução de 2,6% em jun/18 (93,5 pontos) na comparação mensal, e elevação de 0,6% frente a igual período do ano anterior, quando chegou a 92,9 pontos. Cabe observar que quanto menor esse índice, maior o número de endividados;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta decréscimo de 4,5% em jun/18 (86,9 pontos), ante o mês anterior, e queda de 1,1%, na comparação anual, quando ficou em 87,9 pontos. Quanto menor o índice de situação financeira pior a situação financeira dos consumidores.

Portanto, cabe observar que houve piora das condições financeiras dos consumidores ao comparar a situação atual com os três meses anteriores. O declínio do INEC em jun/18, na comparação mensal e anual, deve-se em grande parte, aos decréscimos observados nos componentes inflação, desemprego, renda pessoal e situação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 3 de julho de 2018

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR ESTABILIZA EM MAIO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) publicado pela  CNI, mantém-se inalterado no período abr-mai/18 ao atingir 102,2 pontos. O índice está 5,2% abaixo da média histórica de 107,8 pontos.

Os componentes do INEC ligados às expectativas, inflação, desemprego e compras de bens de maior valor contribuíram para o declínio do índice em mai/18, embora o indicador de renda pessoal tenha registrado elevação na comparação mensal. Por outro lado, o componente compras de bens de maior valor foi o único a apresentar queda na comparação anual.

Considerando o indicador INEC, as variáveis que contemplam a situação atual, isto é, comparam o presente com os três meses anteriores, registram elevação. Em sentido oposto, as variáveis que contemplam a tendência futura, isto é, avaliam as expectativas do consumidor para os próximos seis meses, apresentam decréscimo em maio deste ano.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta decréscimo de 1,1% em mai/18 (109,3 pontos), ante o mês anterior, e registra elevação de 1,8% na comparação anual. Segundo o relatório da CNI, quanto maior o índice, maior o percentual de respostas positivas, ou seja, maior o percentual de respondentes esperando queda na inflação;

(b) Expectativa de desemprego: o índice apresenta decréscimo de 2,8% em mai/18 (114 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 1,3% na comparação anual, quando atingiu 112,5 pontos. O destaque entre os componentes do indicador é o índice de expectativa de desemprego, que apresentou a maior redução na comparação mensal. Temos duas avaliações distintas nas duas bases de comparação, pois o índice caiu na comparação mensal e cresceu na anual. Segundo o relatório da CNI, quanto maior o índice, maior o percentual de respostas positivas, ou seja, maior o percentual de respondentes esperando queda no desemprego;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC registra variação positiva de 1,1% em mai/18 (94,8 pontos) ante o mês anterior, e incremento de 5,9% na comparação anual. Dos indicadores ligados às expectativas foi o único a registrar elevação nas duas bases de comparação. Juntamente com os indicadores de endividamento e situação financeira, foram os únicos a registrar crescimento nas duas bases de comparação;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o índice registra decréscimo de 0,9% em mai/18 (110,1 pontos) ante o mês anterior e declínio de 2,3% frente a igual período de 2017. De todos os componentes do INEC, foi o único a apresentar declínio nas duas bases de comparação;

(e) Endividamento: o índice apresenta alta de 3,2% em mai/18 (96 pontos) na comparação mensal, e elevação de 2,5% frente a igual período do ano anterior, quando chegou a 93,7 pontos. Cabe observar que quanto maior o índice, menor o endividamento do consumidor;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta crescimento de 0,6% em mai/18 (91 pontos), ante o mês anterior, e crescimento de 3,2%, na comparação anual, quando ficou em 88,2 pontos. Quanto maior o índice melhor é a situação financeira do consumidor;

Portanto, cabe observar que em maio deste ano houve melhora na situação financeira e no nível de endividamento dos consumidores. Esses dois componentes foram os únicos a apresentarem elevação nas duas bases de comparação.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, saúde financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.