ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS RECUA EM ABRIL
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras com dívidas apresentou decréscimo em abril deste ano,
assim como em comparação ao patamar observado em igual período de 2017. O
percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou declínio no
período mar-abr/18, bem como em relação ao mesmo período de 2017. Com relação
ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas houve elevação tanto
na comparação mensal quanto na anual, segundo a Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da
Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual
de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque
especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu
60,2% em abr/18, registrando redução em relação ao percentual verificado em
mar/18 (61,2%) e abr/17 (62,1%).
O percentual
de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em abr/18 na comparação
mensal, passando de 25,2% para 25% do total. Houve declínio do percentual de inadimplência
das famílias em relação a abr/17 (25,4%) do total. O percentual de famílias sem
condições de pagar as dívidas em atraso, e permanecem inadimplentes, subiu de 10%
em mar/18 para 10,3% em abr/18, e cresceu também em relação a abr/17 ao chegar
a 10,2%. Segundo Marianne Hanson, economista da CNC, “A redução do endividamento observada ao longo do primeiro
quadrimestre deste ano reflete um ritmo menor de recuperação do consumo das
famílias”.
O número de
famílias endividadas, na comparação com o mês anterior, registrou queda em
ambas as faixas de renda (<10 e >10 Salários Mínimos-SM). Na comparação
anual, houve declínio apenas entre as famílias da faixa de renda <10 SM.
Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou
a 62% em abr/18, abaixo dos 62,8% observados em mar/18 e inferior aos 64,1% em
abr/17. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias
endividadas passou de 54,0% em mar/18 para 52,2% em abr/18. Em abr/17, o
percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda também estava em 52,2%.
O percentual
de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências diversas na
comparação anual entre os grupos de renda pesquisados. Já na comparação mensal,
houve queda do indicador nas duas faixas de renda. Na faixa <10 SM, o percentual
de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 28,1% em mar/18 para 28% no
mês seguinte. Em abr/17, 28,9% das famílias nessa faixa de renda haviam
declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, o percentual
de inadimplentes atingiu 12,6% em abr/18, ante 12,8% observado no mês anterior
e 10,8% em abr/17.
Considerando
as duas faixas de renda, o percentual de famílias que declararam sem condições
de pagar contas em atraso também apresentou comportamentos diversos entre os
grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM,
o indicador alcançou 4,2% em abr/18, ante 4,4% em mar/18 e 3,4% em abr/17. Para
o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar
seus débitos passou de 11,3%, em mar/18, para 11,8% no mês seguinte, enquanto
com relação a abr/17, houve queda de 0,3 p.p. Ainda segundo Marianne Hanson, da
CNC, “A taxa de desemprego ainda bastante alta ajuda a explicar a
dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia.”
A proporção
das famílias que se declararam muito endividadas manteve-se praticamente
estável no período mar-abr/18, ficando em 14,1% e 14,2% naqueles meses, respectivamente.
Na comparação anual, houve decréscimo de 0,7 p.p. Na comparação entre abr/17 e
abr/18, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 23,1%
para 22,6%, e a parcela pouco endividada passou de 24,1% para 23,4% do total de
famílias. O endividamento das categorias a seguir apresentou declínios na
comparação anual: (a) muito endividado (-0,7 p.p.); (b) mais ou menos endividado
(-0,5 p.p.); e (c) pouco endividado (-0,7 p.p.).
Entre as
famílias com contas/dívidas em atraso, o tempo médio de atraso ficou em 64,3
dias em abr/18, acima dos 63,1 dias observados em abr/17. O tempo médio de
comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 7 meses, sendo
que 25,9% delas estão comprometidas com dívidas até 3 meses e 32,1%, por mais
de 12 meses. Ainda com relação as famílias endividadas, a parcela média da
renda comprometida com dívidas caiu na comparação anual, de 30,2% em abr/17
para 29,2% em abr/18, “e 19,9% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda
mensal comprometida com pagamento de dívidas”, segundo o relatório.
O cartão de
crédito continua em destaque na preferência das famílias endividadas, atingindo
em abr/18 a expressiva marca de 76,1%, seguido por carnê de loja com 16,5%, crédito
pessoal com 10,4%, financiamento de carro com 10,2%, financiamento de casa com
8,4%, cheque especial com 6,1%, crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado com
1,1%. A partir de mai/10 (71,2%) o cartão de crédito atingiu o patamar de 70%, e
cinco anos depois, em mai/15, chegou a 76,9%, inaugurou o patamar acima de 76%.
A preferência das famílias com relação ao endividamento com o cartão de crédito
vem se mantendo elevado desde mai/10.
Nas famílias
com renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 76,8% nas preferências das
famílias, enquanto as de maior renda cai para 73,2%. O carnê de loja chega a 17,8%
no primeiro caso e cai para 10,2% no segundo. Duas disparidades: financiamento
de carro chega a 8,3% nas famílias de baixa renda e sobe para 19,2% na faixa de
maior renda, e financiamento de casa atinge 6,7% nas famílias com renda até 10
SM e sobe para 16,2% para as de maior renda.
Portanto, o
comportamento dos indicadores macroeconômicos em geral, tem contribuído para melhorar
as expectativas dos agentes econômicos, embora o endividamento e a
inadimplência das famílias ainda continuem elevados. A alta taxa de desemprego tem
contribuído, em parte, para explicar a dificuldade das famílias em pagar suas
contas em dia. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras pelo
endividamento com o cartão de crédito demonstra desconhecimento de princípios
básicos de educação financeira.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.