AUMENTA O
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM MARÇO
Régis
Varão/¹
O
endividamento das famílias subiu em mar/19 ante o mês anterior e na comparação
anual. As famílias com dívidas ou contas em atraso apresentaram elevação entre fev/19
e o mês seguinte, mas caiu na comparação anual. O percentual de famílias que
não terão condições de pagar suas contas em atraso registrou incremento na
comparação mensal e apresentou declínio na anual, segundo a Pesquisa Nacional
de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.
O percentual
de famílias endividada com cartão de crédito, carnê de loja, prestação de
carro, financiamento de casa, empréstimo
pessoal, cheque especial, cheque pré-datado e crédito consignado atingiu 62,4%
em mar/19, um aumento ante o mês anterior e frente a mar/18.
O número de
famílias com dívidas/contas em atraso registrou elevação em mar/19 ante o mês anterior,
subindo de 23,1% para 23,4%. Com relação à inadimplência houve decréscimo em
relação a mar/18 (25,2%). O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas
em atraso e que continuam inadimplentes cresceu na comparação mensal, saindo de
9,2% em fev/19 para 9,4% no mês seguinte, enquanto chegou a 10% em mar/18.
Entre as
faixas de renda pesquisadas, apenas na comparação mensal, as famílias endividadas
apresentaram comportamento distinto. Para aquelas que percebem até 10 salários
mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas atingiu 63,5% em mar/19,
acima dos 62,4% observados em fev/19, e dos 62,8% em mar/18. Para as famílias
com renda superior (>10 SM), o percentual de endividadas permaneceu estável entre
fev e mar/19 com 58,3%. Em mar/18, o percentual de famílias com dívidas nessa
faixa de renda chegou a 54%.
O percentual
de famílias com dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os
grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda <10 SM,
o percentual com contas em atraso cresceu de 25,8% (fev/19) para 26% em mar/19.
Em mar/18, 28,1% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas
em atraso. No grupo de maior renda, o percentual de inadimplentes chegou a 11,4%
em mar/19, ante 11,2% observado em fev/19 e abaixo dos 12,8% de mar/18.
Ainda por
faixa de renda, o percentual de famílias que declararam sem condições de pagar
suas contas em atraso apresentou comportamento semelhante entre os grupos
pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa >10 SM, o indicador
alcançou 3,5% em mar/19, ante 3,3% em fev/19 e 4,4% em mar/18. No grupo <10
SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas subiu de 10,8%
(fev/19) para 11% em mar/19. Com relação a mar/18 houve queda de 0,3 p.p.
O cartão de
crédito continua na preferência das famílias como forma de endividamento,
atingindo 78% em mar/19, seguido por carnês de loja com 14,4%, financiamento de
carro (10%), financiamento de casa com 8,5%, crédito pessoal (8,4%), crédito
consignado (5,4%), cheque especial (4,7%), outras dívidas com 2,7% e cheque
pré-datado (0,9%). Por faixa de renda, o cartão de crédito apresentou o
seguinte comportamento: famílias de menor renda (78,5%) e de maior renda (75,9%).
Ver gráficos.
Portanto, o
endividamento das famílias apresentou elevação nos últimos três meses, e atingiu
em mar/19 o maior patamar desde set/15. A opção de endividamento das famílias com
cartão de crédito sugere a falta de educação financeira e o desconhecimento das
ferramentas básicas de finanças pessoais. Já o comprometimento médio de renda com
pagamento de dívidas permaneceu estável. A sazonalidade presente no primeiro
trimestre de cada ano (impostos, taxas, matrícula, material escolar etc), pode
ter contribuído para a elevação do percentual de contas em atraso.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação
corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master
Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também
bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três
décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do
Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e os outros canais de
comunicação (blog, facebook, instagram e youtube).