quarta-feira, 24 de abril de 2019

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM MARÇO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias subiu em mar/19 ante o mês anterior e na comparação anual. As famílias com dívidas ou contas em atraso apresentaram elevação entre fev/19 e o mês seguinte, mas caiu na comparação anual. O percentual de famílias que não terão condições de pagar suas contas em atraso registrou incremento na comparação mensal e apresentou declínio na anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

O percentual de famílias endividada com cartão de crédito, carnê de loja, prestação de carro, financiamento de  casa, empréstimo pessoal, cheque especial, cheque pré-datado e crédito consignado atingiu 62,4% em mar/19, um aumento ante o mês anterior e frente a mar/18.

O número de famílias com dívidas/contas em atraso registrou elevação em mar/19 ante o mês anterior, subindo de 23,1% para 23,4%. Com relação à inadimplência houve decréscimo em relação a mar/18 (25,2%). O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas em atraso e que continuam inadimplentes cresceu na comparação mensal, saindo de 9,2% em fev/19 para 9,4% no mês seguinte, enquanto chegou a 10% em mar/18.

Entre as faixas de renda pesquisadas, apenas na comparação mensal, as famílias endividadas apresentaram comportamento distinto. Para aquelas que percebem até 10 salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas atingiu 63,5% em mar/19, acima dos 62,4% observados em fev/19, e dos 62,8% em mar/18. Para as famílias com renda superior (>10 SM), o percentual de endividadas permaneceu estável entre fev e mar/19 com 58,3%. Em mar/18, o percentual de famílias com dívidas nessa faixa de renda chegou a 54%.

O percentual de famílias com dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda <10 SM, o percentual com contas em atraso cresceu de 25,8% (fev/19) para 26% em mar/19. Em mar/18, 28,1% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo de maior renda, o percentual de inadimplentes chegou a 11,4% em mar/19, ante 11,2% observado em fev/19 e abaixo dos 12,8% de mar/18.

Ainda por faixa de renda, o percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa >10 SM, o indicador alcançou 3,5% em mar/19, ante 3,3% em fev/19 e 4,4% em mar/18. No grupo <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas subiu de 10,8% (fev/19) para 11% em mar/19. Com relação a mar/18 houve queda de 0,3 p.p.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias como forma de endividamento, atingindo 78% em mar/19, seguido por carnês de loja com 14,4%, financiamento de carro (10%), financiamento de casa com 8,5%, crédito pessoal (8,4%), crédito consignado (5,4%), cheque especial (4,7%), outras dívidas com 2,7% e cheque pré-datado (0,9%). Por faixa de renda, o cartão de crédito apresentou o seguinte comportamento: famílias de menor renda (78,5%) e de maior renda (75,9%). Ver gráficos.

Portanto, o endividamento das famílias apresentou elevação nos últimos três meses, e atingiu em mar/19 o maior patamar desde set/15. A opção de endividamento das famílias com cartão de crédito sugere a falta de educação financeira e o desconhecimento das ferramentas básicas de finanças pessoais. Já o comprometimento médio de renda com pagamento de dívidas permaneceu estável. A sazonalidade presente no primeiro trimestre de cada ano (impostos, taxas, matrícula, material escolar etc), pode ter contribuído para a elevação do percentual de contas em atraso.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e os outros canais de comunicação (blog, facebook, instagram e youtube).