ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTOU EM DEZEMBRO
Régis Varão/¹
O endividamento das famílias atingiu 65,6% em dez/19,
atingindo o maior percentual da série histórica da Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou
retração no período nov-dez/ 19, chegando a 24,5% em dez/19. O percentual de
famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também decresceu no
período, ficando em 10% em dez/19, segundo a pesquisa.
Segundo José
Roberto Tadros, da CNC, o resultado apesar de ligar o sinal de alerta, não pode
ser considerado negativo. Afirma ainda, como o endividamento não foi
acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência, os dados indicam uma
dívida com responsabilidade e compatível com a renda das famílias.
O endividamento
com cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado,
crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e casa atingiu 65,6% em dez/19,
representando alta em relação aos 65,1% de nov/19. Com relação a dez/18
apresentou elevação significativa chegando a 59,8% do total de famílias.
O
percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em dez/19, na
comparação mensal, passando de 24,7% para 24,5% do total. No entanto, houve incremento
do percentual de famílias inadimplentes em relação a dez/18, quando registou 22,8%
do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso
e que, portanto, continuariam inadimplentes também declinou, na comparação
mensal, para 10,0% em dez/19, ante 10,2% do mês anterior, enquanto registrou 9,2%
em dez/18.
O quantitativo
de famílias endividadas apresentou tendências distintas entre as faixas de
renda pesquisadas, na comparação mensal. Famílias que ganham até 10 salários
mínimos (<10 SM), o endividamento alcançou 66,6% em dez/19, acima dos 65,9%,
observados em nov/19, e superior aos 60,8% de dez/18. Para as famílias com
renda acima de 10 salários mínimos (>10 SM), o endividamento caiu no período
nov-dez/19, de 61,6% para 61,4%. Em dez/18, o endividamento nesse grupo de
renda era de 55,8%.
O percentual
de famílias com dívidas em atraso apresentou tendências similares entre os
grupos de renda pesquisados, na comparação anual. Na faixa de renda <10 SM,
o percentual com contas em atraso ficou estável em 27,7% em dez/19. Em dez/18,
25,5% das famílias nessa faixa de renda estavam com contas em atraso. Na faixa
de renda >10 SM, a inadimplência chegou a 10,8% em dez/19, abaixo dos 11,6% de
nov/19, mas acima dos 10,5% de dez/18.
Com
relação ao percentual de famílias, por faixa de renda, sem condições de pagar as
contas em atraso apresentou comportamento similar entre os grupos pesquisados,
na comparação mensal. Em famílias com renda >10 SM, o indicador alcançou
3,5% em dez/19, ante 3,6% em nov/19 e 3,8% em dez/18. O grupo com renda <10
SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos caiu de 12,1%
em nov/19 para 11,8% no mês seguinte, mas em relação a dez/18, houve alta de
1,4 p.p.
O
percentual das famílias muito endividadas aumentou entre nov/19 e dez/19, de
14,4% para 14,5%. Na comparação anual, houve alta de 2,1 p.p. Entre dez/18 e
dez/19, a parcela mais ou menos endividada subiu de 23,1% para 23,3%, e a pouco
endividada passou de 24,3% para 27,8%.
Com relação às contas em
atraso, o tempo médio de atraso foi de 63,6 dias em dez/19, ante 63,5 em dez/18.
O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi
6,9 meses, sendo que 25,7% delas comprometidas com dívidas até 90 dias, e
31,8%, por mais de 12 meses. Entre as endividadas, a parcela média da renda
comprometida com dívidas subiu de 29,3% em dez/18 para 29,7% em dez/19, e 20%
delas afirmaram ter mais de 50% da renda mensal comprometida com pagamento de
dívidas.
O Cartão
de Crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida para 79,8% das
famílias em dez/19, seguido por Carnês de Loja (15,6%), Financiamento de Carro
(9,9%), Financiamento de Casa (8,9%), Crédito Pessoal (7,8%), Cheque Especial
(6,7%), Crédito Consignado (5,5%), Cheque Pré-datado (1%) e Outras Dívidas
(2,3%). Para as famílias com renda <10 SM, o Cartão de Crédito (79,9%),
Carnês de Loja (16,5%) e Financiamento de Carro (8,1%), foram os principais
tipos de dívida apontados em dez/19. Para as famílias com renda >10 SM, os
principais tipos de dívida foram: Cartão de Crédito (79,4%), Financiamento de
Carro (18%) e Financiamento de Casa (16,9%).
Portanto, o endividamento subiu em dez/19, atingindo
o maior percentual da série histórica. Uma explicação plausível para tal
comportamento pode ser a ampliação do mercado de crédito e a melhora do mercado
de trabalho, associados ao declínio das taxas de juros. A preferência das
famílias pelo endividamento com cartão de crédito continua alta, indicando ausência
de educação financeira.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas.
Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas
ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira,
educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista
com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se
dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.