domingo, 12 de janeiro de 2020

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTOU EM DEZEMBRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias atingiu 65,6% em dez/19, atingindo o maior percentual da série histórica da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou retração no período nov-dez/ 19, chegando a 24,5% em dez/19. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também decresceu no período, ficando em 10% em dez/19, segundo a pesquisa.

Segundo José Roberto Tadros, da CNC, o resultado apesar de ligar o sinal de alerta, não pode ser considerado negativo. Afirma ainda, como o endividamento não foi acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência, os dados indicam uma dívida com responsabilidade e compatível com a renda das famílias.

O endividamento com cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e casa atingiu 65,6% em dez/19, representando alta em relação aos 65,1% de nov/19. Com relação a dez/18 apresentou elevação significativa chegando a 59,8% do total de famílias.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em dez/19, na comparação mensal, passando de 24,7% para 24,5% do total. No entanto, houve incremento do percentual de famílias inadimplentes em relação a dez/18, quando registou 22,8% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e que, portanto, continuariam inadimplentes também declinou, na comparação mensal, para 10,0% em dez/19, ante 10,2% do mês anterior, enquanto registrou 9,2% em dez/18.

O quantitativo de famílias endividadas apresentou tendências distintas entre as faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal. Famílias que ganham até 10 salários mínimos (<10 SM), o endividamento alcançou 66,6% em dez/19, acima dos 65,9%, observados em nov/19, e superior aos 60,8% de dez/18. Para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos (>10 SM), o endividamento caiu no período nov-dez/19, de 61,6% para 61,4%. Em dez/18, o endividamento nesse grupo de renda era de 55,8%.

O percentual de famílias com dívidas em atraso apresentou tendências similares entre os grupos de renda pesquisados, na comparação anual. Na faixa de renda <10 SM, o percentual com contas em atraso ficou estável em 27,7% em dez/19. Em dez/18, 25,5% das famílias nessa faixa de renda estavam com contas em atraso. Na faixa de renda >10 SM, a inadimplência chegou a 10,8% em dez/19, abaixo dos 11,6% de nov/19, mas acima dos 10,5% de dez/18.

Com relação ao percentual de famílias, por faixa de renda, sem condições de pagar as contas em atraso apresentou comportamento similar entre os grupos pesquisados, na comparação mensal. Em famílias com renda >10 SM, o indicador alcançou 3,5% em dez/19, ante 3,6% em nov/19 e 3,8% em dez/18. O grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos caiu de 12,1% em nov/19 para 11,8% no mês seguinte, mas em relação a dez/18, houve alta de 1,4 p.p.

O percentual das famílias muito endividadas aumentou entre nov/19 e dez/19, de 14,4% para 14,5%. Na comparação anual, houve alta de 2,1 p.p. Entre dez/18 e dez/19, a parcela mais ou menos endividada subiu de 23,1% para 23,3%, e a pouco endividada passou de 24,3% para 27,8%.

Com relação às contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 63,6 dias em dez/19, ante 63,5 em dez/18. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 6,9 meses, sendo que 25,7% delas comprometidas com dívidas até 90 dias, e 31,8%, por mais de 12 meses. Entre as endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu de 29,3% em dez/18 para 29,7% em dez/19, e 20% delas afirmaram ter mais de 50% da renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

O Cartão de Crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida para 79,8% das famílias em dez/19, seguido por Carnês de Loja (15,6%), Financiamento de Carro (9,9%), Financiamento de Casa (8,9%), Crédito Pessoal (7,8%), Cheque Especial (6,7%), Crédito Consignado (5,5%), Cheque Pré-datado (1%) e Outras Dívidas (2,3%). Para as famílias com renda <10 SM, o Cartão de Crédito (79,9%), Carnês de Loja (16,5%) e Financiamento de Carro (8,1%), foram os principais tipos de dívida apontados em dez/19. Para as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida foram: Cartão de Crédito (79,4%), Financiamento de Carro (18%) e Financiamento de Casa (16,9%).

Portanto, o endividamento subiu em dez/19, atingindo o maior percentual da série histórica. Uma explicação plausível para tal comportamento pode ser a ampliação do mercado de crédito e a melhora do mercado de trabalho, associados ao declínio das taxas de juros. A preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito continua alta, indicando ausência de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

ADOTE HÁBITOS FINANCEIROS SAUDÁVEIS NO ANO NOVO
Régis Varão/¹

Grande parte das dificuldades de milhões de famílias decorre da ausência de educação financeira. A inadequada gestão dos recursos financeiros e a falta de planejamento podem levar ao endividamento, que vem crescendo nos últimos meses, segundo a pesquisa PEIC da CNC.

Gastar mais do que ganha, pagar juros elevados e multas, endividar-se no cheque especial e cartão de crédito, fazer muitas prestações, comprar sempre a prazo e adquirir supérfluos são atitudes que contribuem para que as pessoas tenham uma qualidade de vida financeira medíocre.

Nosso desempenho futuro decorre de atitudes tomadas no presente. Muitas vezes, maus hábitos, alguns originados na infância, podem interferir em nossa saúde financeira futura.

Hábitos financeiros saudáveis:

1. Economize no dia a dia:

Uma das maiores fraquezas do ser humano é a tendência em gastar mais do que recebe. Qualquer pessoa bem sucedida financeiramente sabe que economizar é essencial para o triunfo pessoal e familiar. Você pode economizar 10%, 15% e até 30% de seus proventos líquidos e ter boa qualidade de vida. Economizar uma parte do que ganha é uma questão de bom hábito e sabedoria financeira;

2. Faça planejamento financeiro:

Vencedores fazem planejamento financeiro. Faça um orçamento pessoal, liste as receitas e despesas realizadas na semana, no mês etc. Relacione as despesas por grupos, como alimentação, moradia, saúde etc, faça os controles e acompanhe a evolução dos gastos mês a mês. Tenha objetivos bem definidos e estabeleça metas realizáveis;

3. Tenha uma renda extra:

É comum as pessoas dizerem no final do mês que o dinheiro acabou antes do tempo. Isso é devido à falta de planejamento e organização na hora de adquirir bens e serviços. Muitas vezes o salário é pouco para tanta despesa, nesse caso falta educação financeira. Busque uma renda extra, como aulas particulares, venda de cosméticos, bombons caseiros, fotógrafo em fins de semana etc.

4. Tire proveito do cartão de crédito:

Muitas vezes, quando mal administrado, torna-se grande vilão do endividamento (veja a PEIC). Pague sempre a fatura integral, nunca pague o valor mínimo, os juros sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado (mais de 300% a.a). Cadastre-se em programas de milhagem, que pode ajudar a adquirir passagens gratuitas ou com bons descontos etc;

5. Evite comprar a prazo e controle pequenos gastos:

Muitas compras parceladas podem levar ao endividamento, e se transformam em grandes valores quando somadas. Um erro comum é pensar que pequenas valores não são importantes. Um café expresso custa R$5,00, tomado sete vezes por semana fica em R$35,00 e chega a R$1.680,00 em 12 meses. Junte o café, o cigarro,  o lanche da tarde, o almoço fora de casa e os valores sobem em progressão geométrica. Cuidado com os pequenos valores. O café é um exemplo como pequenos gastos chegam a grandes valores;

6. Faça reserva financeira:

Muitos desconhecerem sua importância, deve-se reservar um percentual mensal da renda líquida ou um valor para formá-la. Todos estão sujeitos a surpresas desagradáveis como perda do emprego, doenças, exames não cobertos pelo plano de saúde, acidentes etc. Essa reserva deve ser equivalente a 6 ou 12 vezes o valor da renda líquida mensal e serve para atender situações inesperadas;

7. Negocie sempre:

Embora não seja um hábito cultural brasileiro, peça descontos, a margem de lucro do empresário brasileiro é muito elevada, sempre haverá espaço para descontos e até mesmo um parcelamento maior sem juros. Barganhe, essa é a regra para fazer bons negócios e boas compras.

Não desanime, faça planejamento financeiro, evite compras por impulso, e livre-se dos maus hábitos de consumo. Os bons hábitos ajudam a reduzir o estresse, e contribui para melhorar a qualidade de vida da família.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.