2014
COM PROSPERIDADE
Consultor Régis Varão
Início de ano normalmente é um período que
exige muita atenção para o orçamento pessoal e familiar, pois a lista de contas
a pagar é longa e vem com correções que desagradam 10 entre 10 contribuintes:
IPVA, seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias
Terrestres), que vence com a primeira parcela do IPVA, licenciamento anual do
veículo, que vence com a terceira parcela do IPVA, IPTU, matrícula e material
escolar, sem considerar que tem ainda as parcelas das compras de final de ano,
o cartão de crédito, as parcelas das passagens aéreas das férias, e o Imposto
de Renda (IRPF), que se tiver que pagar que seja de uma vez, mas se tiver
devolução que seja direcionada para uma poupança.
Na virada de ano em geral as pessoas pensam
em tomar decisões e adotar atitudes diferentes, para o ano que se inicia. Entretanto,
é importante antes de qualquer coisa, definir objetivos, escrever o que
realmente queremos e tentar cumprir com determinação o pretendido. Em vez de
“quero comprar uma passagem internacional’’, escreva “quero viajar para Nova
York para passar o natal de 2014 e a entrada de ano, e preciso de U$3.000,00 fora
passagem, para gastos com alimentação e diversão”. O ideal é que no retorno não
tenha parcelas de financiamento da passagem, nem dívidas no cartão de crédito por
vencer. É preciso fazer orçamento financeiro neste início de ano, pois além das
passagens aéreas e diversão, existem aquelas despesas obrigatórias com IPTU,
IPVA etc.
Ao estabelecer objetivos, “Natal de 2014 em
Nova York”, e metas a cumprir, isso determina uma nova atitude, pois na atual
conjuntura quem faz planejamento financeiro descobre as oportunidades com maior
rapidez e se programa para encarar os desafios que surgem ao longo do caminho,
com mais disposição e tranquilidade, pois os obstáculos serão conhecidos com
antecedência.
Para resolver parte desses problemas e
garantir uma saúde financeira estável em 2014, um ponto de partida é ter
reservado parte do 13° do ano anterior, bônus de natal ou comissões recebidas
no período natalino, algumas categorias as recebem, para resolver essas
despesas de início de ano, tendo em vista que ocorrem sempre no mesmo período.
No entanto, se não reservou parte dos
ganhos extras natalinos, a recomendação é fazer um levantamento do que irá
vencer nos próximos meses, datas e valores, e tentar resolver o mais rápido
possível, para usufruir de agradáveis férias em Nova York e ter um ano de
contas no azul. Caso não tenha dívidas continue sem fazê-las e aumente o
percentual da poupança para a reserva financeira, que poderá ser incrementada
com a devolução do Imposto de Renda.
Algumas regras básicas podem ser adotadas, mas
fazer planejamento financeiro envolvendo a família pode ser um bom começo.
Inicie o planejamento com um orçamento pessoal ou familiar, onde serão listadas
receitas e despesas semanais, mensais etc, o que já pode trazer algumas
surpresas, como o tamanho da dívida e a proximidade de vencimentos.
Normalmente o efeito dos juros e multas sobre
dívidas não pagas surpreendem os desavisados e fazem com que as parcelas de
empréstimos ou saldos de dívidas não quitadas deixem muitos com insônia. Ao
listar as dívidas descobre-se um montante elevado no rotativo do cartão de
crédito ou no cheque especial, portanto, liquidar esses dois é prioridade
máxima, tendo em vista que os juros cobrados, caso do rotativo, passam
normalmente no ano, dos três dígitos. Verifique o montante de outras despesas
já contraídas, prestações antigas e recentes, e o período de vencimento. Some
tudo isso e veja se existe algum recurso disponível, uma poupança que pode ser
utilizada.
Utilize o cartão de crédito a seu favor,
cadastre-o em programas de milhagem/fidelidade, que podem ajudar a adquirir
passagens gratuitamente (inclusive internacionais) ou com descontos, promoções
em restaurantes entre outras vantagens. Evite utilizar cartão de crédito no
exterior, pois paga-se IOF de 6,38% sobre compras realizadas em moeda
estrangeira.
Por falar em viagens internacionais, o ministério
da fazenda deu mais um grande presente aos viajantes brasileiros ao taxar em
6,38% os cartões de débito em viagens internacionais, Visa Travel Money, e na
compra do Traveler Check. Se não adquiriu os dólares em espécie para o Natal em
Nova York pense em poupar mais, pois as viagens internacionais, com uma simples
canetada ministerial ficou mais cara. Por outro lado, se desistir de Nova York,
o litoral brasileiro esta proibitivo, afinal de contas estamos em ano de copa
do mundo, e passagens e diárias de hotel já estão mais caras. A última opção
possível, tente passar férias na casa de um parente ou amigo, ou desista, tendo em vista que o Banco Central elevou a taxa Selic para
10,5% a.a., o que tornará mais caro as prestações.
Após uma digressão a respeito de cartões de
crédito e débito etc, retornamos ao planejamento financeiro. Se após o
levantamento das dívidas novas e antigas, prestações por vencer e não pagas,
saldos devedores do rotativo, tributos por vencer, matrícula e material
escolar, a contabilidade não fecha, isto é, deve-se mais do que se recebe, a
única solução é partir para a negociação. Junte todas as dívidas e negocie como
pagá-las todas de uma vez. Em uma negociação as partes ganham e o devedor ainda
obtém bons descontos pela liquidação total da dívida. Nesse caso, o crédito
consignado, normalmente com juros relativamente muito baixos, pode fazer uma
grande diferença. Resolvido o problema do endividamento retorne ao orçamento e
inicie o ano com as contas no azul.
A maioria das pessoas sabe que poupar e economizar
é essencial para o triunfo pessoal e familiar. Logo, não devem simplesmente guardar
dinheiro por guardar, mas devem ter uma reserva financeira para suprir
eventualidades ou surpresas desagradáveis (desemprego, doença, acidentes
inesperados etc).
Contudo, resolvido o problema do
endividamento, haverá uma prestação fixa do empréstimo consignado, assim,
utilize o orçamento para estabelecer um percentual que pode variar de 10% a 20%
de seus proventos líquidos e faça uma reserva financeira, pois economizar uma
parte do que se ganha é apenas uma questão de hábito.
Aprenda a comprar, negocie sempre, embora
não seja um hábito cultural brasileiro, peça sempre descontos, pois a margem de
lucro do empresariado brasileiro é a maior do mundo, e por esse motivo sempre
haverá espaço para um bom desconto e até mesmo um parcelamento maior do débito
e sem juros, diferentemente de outros países em que pedir desconto é um hábito.
O conselho é barganhe sempre, essa deve ser a regra para fazer bons negócios e
comprar o que você deseja. No entanto, só compre se estiver precisando do bem
ou serviço, se o preço for adequado ao seu orçamento e se puder pagar a vista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário