ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS CONTINUA ELEVADO
Régis Varão/¹
O percentual de famílias endividadas subiu em set/16
ante o mês anterior, mas reduzindo na comparação com igual período de 2015. Já
o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou elevação em
relação a ago/16, mantendo a tendência de alta ante set/15. Percentual de
famílias que relatou sem condições de pagar as contas em atraso cresceu na
comparação mensal e anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada
pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e
contempla todas as capitais do País mais Distrito Federal.
O percentual de famílias que relataram ter dívidas
entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja,
empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 58,2% em set/16, um
aumento com relação a ago/16 (58%), interrompendo seis meses consecutivos de
queda. No entanto, o indicador apresentou declínio em relação a set/15, quando ficou
em 63,5%.
Com relação à elevação do percentual de endividadas,
as famílias com dívidas ou contas em atraso também apresentaram crescimento em
set/16, na comparação mensal, de 22,9% para 24,6% do total. A inadimplência
subiu ante set/15, quando o indicador chegou a 23,1%. O percentual de famílias
que declararam sem condições de pagar suas contas/dívidas em atraso e que permaneceram
inadimplentes subiu nas duas bases de comparação, chegando a 9,6% em setembro
deste ano, ante 9,4% observado no mês anterior e 8,6% em set/15.
Entre os grupos de renda pesquisados, abaixo de dez
salários mínimos (<10 SM) e acima de dez salários mínimos (>10 SM), o crescimento
do percentual de famílias endividadas foi verificado em ambos os grupos, na
comparação mensal. Já na comparação anual, houve declínio em ambos os grupos. Entre
as famílias que ganham <10 SM, o percentual daquelas com dívidas foi de
59,9% em set/16, ante 59,5% em ago/16 e 65,1% em set/15. Entre as famílias com
renda >10 SM, o percentual das endividadas decresceu de 50,6%, em ago/16,
para 49,8% no mês seguinte. Em set/15, o percentual de famílias endividadas
nesse grupo de renda era 55,6%.
O percentual de famílias que declarou não ter
condições de pagar suas contas em atraso também apresentou comportamentos
semelhantes em ambas as bases de comparação (mensal e anual). Na faixa de renda
>10 SM, o indicador atingiu 3,9% em set/16, ante 4,5% no mês anterior e 2,7%
em set/15. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições
de quitar seus débitos subiu de 10,5% em agosto para 11% em set/16, enquanto
houve alta de 0,5 p.p. em relação a set/15.
A proporção de famílias muito endividadas caiu no
período ago-set/16, de 14,6% para 14,4% do total. Na comparação anual, houve elevação
de 0,5 p.p. Na comparação entre set/15 e set/16, as famílias que declararam estar
mais ou menos endividada caiu de 24,2% para 20,9%, e a parcela pouco endividada
reduziu de 25,3% para 22,9%.
Em setembro deste ano, por tipo de dívida, o cartão
de crédito continua na preferência das famílias endividadas, sendo apontado
como um dos principais tipos de dívida por 76,3% das famílias, seguido por
carnê de loja com 14,8%, financiamento de carro (10,9%), crédito pessoal com 9,8%,
financiamento de casa (8%), cheque especial com 7,2% e crédito consignado com
5,9%.
O percentual de famílias endividadas cresceu em
setembro deste ano, repetindo o resultado positivo de ago/16. Já na comparação
com igual mês de 2015, esse indicador registrou decréscimo de 5,3 p.p. A queda
do poder aquisitivo da população, decorrente, em parte, da elevada inflação,
tem contribuído para pressionar para baixo o nível de consumo que aliado ao
elevado custo do dinheiro e do crédito têm contribuído para reduzir o
endividamento das famílias.
Portanto, a proporção de famílias com dívidas em
atraso cresceu em set/16, bem como daquelas que relataram sem condições de
pagar suas dívidas/contas em atraso. Na comparação com set/15, houve piora de
ambos os indicadores de inadimplência e um número crescente de famílias apresentou
dificuldade de pagar suas contas em dia. O crédito consignado continuou em
set/16 (5,9%) no mesmo patamar do mês anterior, o que é positivo tendo em vista
tratar-se do crédito mais barato praticado pelo mercado financeiro nacional.
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