quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS CONTINUA ELEVADO
Régis Varão/¹

O percentual de famílias endividadas subiu em set/16 ante o mês anterior, mas reduzindo na comparação com igual período de 2015. Já o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou elevação em relação a ago/16, mantendo a tendência de alta ante set/15. Percentual de famílias que relatou sem condições de pagar as contas em atraso cresceu na comparação mensal e anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais Distrito Federal.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 58,2% em set/16, um aumento com relação a ago/16 (58%), interrompendo seis meses consecutivos de queda. No entanto, o indicador apresentou declínio em relação a set/15, quando ficou em 63,5%.

Com relação à elevação do percentual de endividadas, as famílias com dívidas ou contas em atraso também apresentaram crescimento em set/16, na comparação mensal, de 22,9% para 24,6% do total. A inadimplência subiu ante set/15, quando o indicador chegou a 23,1%. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas/dívidas em atraso e que permaneceram inadimplentes subiu nas duas bases de comparação, chegando a 9,6% em setembro deste ano, ante 9,4% observado no mês anterior e 8,6% em set/15.

Entre os grupos de renda pesquisados, abaixo de dez salários mínimos (<10 SM) e acima de dez salários mínimos (>10 SM), o crescimento do percentual de famílias endividadas foi verificado em ambos os grupos, na comparação mensal. Já na comparação anual, houve declínio em ambos os grupos. Entre as famílias que ganham <10 SM, o percentual daquelas com dívidas foi de 59,9% em set/16, ante 59,5% em ago/16 e 65,1% em set/15. Entre as famílias com renda >10 SM, o percentual das endividadas decresceu de 50,6%, em ago/16, para 49,8% no mês seguinte. Em set/15, o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda era 55,6%.

O percentual de famílias que declarou não ter condições de pagar suas contas em atraso também apresentou comportamentos semelhantes em ambas as bases de comparação (mensal e anual). Na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 3,9% em set/16, ante 4,5% no mês anterior e 2,7% em set/15. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos subiu de 10,5% em agosto para 11% em set/16, enquanto houve alta de 0,5 p.p. em relação a set/15.

A proporção de famílias muito endividadas caiu no período ago-set/16, de 14,6% para 14,4% do total. Na comparação anual, houve elevação de 0,5 p.p. Na comparação entre set/15 e set/16, as famílias que declararam estar mais ou menos endividada caiu de 24,2% para 20,9%, e a parcela pouco endividada reduziu de 25,3% para 22,9%.

Em setembro deste ano, por tipo de dívida, o cartão de crédito continua na preferência das famílias endividadas, sendo apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,3% das famílias, seguido por carnê de loja com 14,8%, financiamento de carro (10,9%), crédito pessoal com 9,8%, financiamento de casa (8%), cheque especial com 7,2% e crédito consignado com 5,9%.

O percentual de famílias endividadas cresceu em setembro deste ano, repetindo o resultado positivo de ago/16. Já na comparação com igual mês de 2015, esse indicador registrou decréscimo de 5,3 p.p. A queda do poder aquisitivo da população, decorrente, em parte, da elevada inflação, tem contribuído para pressionar para baixo o nível de consumo que aliado ao elevado custo do dinheiro e do crédito têm contribuído para reduzir o endividamento das famílias.

Portanto, a proporção de famílias com dívidas em atraso cresceu em set/16, bem como daquelas que relataram sem condições de pagar suas dívidas/contas em atraso. Na comparação com set/15, houve piora de ambos os indicadores de inadimplência e um número crescente de famílias apresentou dificuldade de pagar suas contas em dia. O crédito consignado continuou em set/16 (5,9%) no mesmo patamar do mês anterior, o que é positivo tendo em vista tratar-se do crédito mais barato praticado pelo mercado financeiro nacional.

¹/ Coach Financeiro, Business & Executive Coach, Personal Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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