USE DE MANEIRA
ADEQUADA SEU DÉCIMO TERCEIRO
Régis
Varão/¹
O nível de endividamento das famílias brasileiras recuou
de 62% em out/15 para cerca de 58% em out/16, embora continue elevado tendo em
vista a característica dos tipos de dívida. Esses dados são da última Pesquisa
Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A pesquisa PEIC/CNC aponta a
preferência das famílias endividadas pelos seguintes tipos de dívida: cartão de
crédito representa 77,1%, seguido por carnês de lojas com 14,1%,
financiamento de carro (10,2%), crédito pessoal com 9,8%, financiamento de casa
representa 8%, cheque especial (6,8%) e crédito consignado com 5,2%. Considerando
o elevado endividamento das famílias, e o elevado percentual do cartão de
crédito na liderança dessas preferências, vamos apresentar informações que
possam ajudar os consumidores a saírem do vermelho, e até mesmo buscar fontes
alternativas para criar ou reforçar a reserva financeira.
De acordo com pesquisa da Você S/A, Especial
Previdência, de ago/14, alguns dados são estarrecedores quanto à falta de
educação financeira e a desinformação do brasileiro com suas finanças pessoais.
Segundo a publicação, 54% dos pesquisados não pouparam nenhum centavo no mês
anterior; 51% dos que têm conta em banco estão com o saldo zero ou no vermelho;
82% não sabem ao certo quanto ganham ou gastam; 36% não sabem o valor exato das
contas mensais; 28% atrasam as contas de água, luz e telefone; 63% tem algum
tipo de dívida no momento; 52% não sabem calcular juros; 69% financiam compras
pensando no valor da parcela, e não nos juros; 40% admitem que fazem gastos que
poderiam ser cortados e 30% das pessoas pesquisadas pela Você S/A admitem
comprar por impulso.
As informações acima são motivos de preocupação tendo
em vista o desconhecimento das famílias a respeito de educação financeira, o
que observamos pelas estatísticas mostrando o elevado percentual de pessoas que
não faz poupança, atrasam contas, não sabem calcular juros, miram no valor da
parcela e não se preocupam com o consumo consciente. Essa desinformação pode, a
longo prazo, contribuir para elevar o endividamento, contribuindo para reduzir
a produtividade da economia como um todo e aumentar os custos da saúde pública
para atender os problemas decorrentes desses descontroles financeiros.
Embora a quantidade das famílias no vermelho tenha
apresentado queda de 4 p.p. entre out/15 e out/16, uma parte significativa desse
fenômeno é devido a falta de educação financeira, e outra decorre do
crescimento do desemprego (± 12 milhões de pessoas), dos juros elevados e da
escassez de crédito. Vamos apresentar algumas sugestões que podem contribuir
para que o 13º salário reduza a carga negativa que afeta o dia-a-dia daqueles que
estão endividados.
A Gratificação de Natal para os trabalhadores, nome
oficial do 13º salário, poderá ser importante para atenuar e até mesmo resolver
os problemas do endividamento, podendo de forma preventiva reduzir os custos
das dívidas e a carga emocional negativa decorrentes desses descontroles
financeiros. A primeira parcela do 13º salário é paga até 30 de novembro, enquanto
a segunda é até 20 de dezembro, embora muitas empresas normalmente pagam a
primeira parcela no mês das férias ou no mês do aniversário do empregado. O
montante de recursos injetado na economia continua crescente e está se
aproximando de R$ 200 bilhões, beneficiando algumas dezenas de milhões de
trabalhadores, incluindo empregados domésticos, aposentados e pensionistas.
Sugestões para a destinação do 13º e de outras rendas
extras:
01. O inadimplente não deve adquirir mais bens ou
serviços, evite fazer novas dívidas;
02. Liquide dívidas que cobram taxas de juros muito
elevadas (cartão de crédito, cheque especial etc), e não as mais caras ou com vencimento
próximo;
03. Liquide a fatura do cartão de crédito mensalmente, use o débito automático. Segundo o Banco Central os juros
cobrados no crédito rotativo (parcela não paga), já ultrapassam 470% a.a.;
04. Faça planejamento financeiro, elabore lista com
prioridades, compre apenas o necessário e não esqueça que as despesas precisam
estar de acordo com o orçamento doméstico. Fuja de parcelamentos. Gaste menos do que ganha;
05. Pense nas despesas de início de ano, como
matrícula de colégios, faculdades, material escolar dos filhos, IPTU, IPVA,
seguros e outros;
06. Muitas famílias têm tirado os filhos das escolas
particulares, logo, se puder mantê-los nesses colégios é a hora para negociar
descontos, algumas escolas reduzem as mensalidades em até 50%;
07. Por outro lado, se a família estiver endividada
transfira os filhos para uma escola pública. No caso de Brasília, a cidade
dispõe de algumas escolas públicas de boa qualidade;
08. Não antecipe a parcela do 13º junto a bancos, os
juros cobrados estão muito acima de 4% a.m. ou ± 60% a.a. Caso precise fazer
empréstimo, compare antes o custo de antecipar o 13º com o de outras linhas de
crédito como o consignado;
09. Se o dinheiro extra não for suficiente para quitar
as dívidas, negocie com os Recursos Humanos da empresa uma antecipação de
férias ou a venda de alguns dias para a empresa, além de livrar-se da incidência
do Imposto de Renda sobre esse valor ajuda a equilibrar as finanças da família
e até mesmo a sair do vermelho;
10. As compras natalinas devem ser observadas pelo
ângulo da necessidade e não do desejo. Pergunte-se qual a necessidade de cada
presente, pesquise, tente comprar pelo menos um mês antes do Natal, discuta com
a família, busque alternativas mais baratas, seja criativo e faça amigo oculto;
11. Nos últimos 6/7 anos temos o Black Friday (BF) conhecido em outros países, e que pode ser um bom
momento para adquirir bens ou serviços que estão no orçamento doméstico. Cuidado
com a maquiagem de preços, nas compras por internet pesquise o site e atente
para o valor do frete, este, foi o grande vilão do BF de 2015;
12. Por último, guarde uma parcela da gratificação de
Natal para reforçar a reserva financeira. No entanto, se estiver endividado a
prioridade é a quitação de dívidas;
Portanto, quanto mais cedo iniciar a formação de
uma poupança mais certeza terá de uma aposentadoria com qualidade de vida. Está na hora de começar a pensar no futuro, e
não espere chegar aos 50 ou 60 anos, pois o esforço será muito grande. Quanto
mais cedo fizer planejamento financeiro e iniciar uma poupança, maior deverá
ser a renda gerada pela aplicação da mesma.