domingo, 27 de novembro de 2016

USE DE MANEIRA ADEQUADA SEU DÉCIMO TERCEIRO
Régis Varão/¹

O nível de endividamento das famílias brasileiras recuou de 62% em out/15 para cerca de 58% em out/16, embora continue elevado tendo em vista a característica dos tipos de dívida. Esses dados são da última Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A pesquisa PEIC/CNC aponta a preferência das famílias endividadas pelos seguintes tipos de dívida: cartão de crédito representa 77,1%, seguido por carnês de lojas com 14,1%, financiamento de carro (10,2%), crédito pessoal com 9,8%, financiamento de casa representa 8%, cheque especial (6,8%) e crédito consignado com 5,2%. Considerando o elevado endividamento das famílias, e o elevado percentual do cartão de crédito na liderança dessas preferências, vamos apresentar informações que possam ajudar os consumidores a saírem do vermelho, e até mesmo buscar fontes alternativas para criar ou reforçar a reserva financeira.

De acordo com pesquisa da Você S/A, Especial Previdência, de ago/14, alguns dados são estarrecedores quanto à falta de educação financeira e a desinformação do brasileiro com suas finanças pessoais. Segundo a publicação, 54% dos pesquisados não pouparam nenhum centavo no mês anterior; 51% dos que têm conta em banco estão com o saldo zero ou no vermelho; 82% não sabem ao certo quanto ganham ou gastam; 36% não sabem o valor exato das contas mensais; 28% atrasam as contas de água, luz e telefone; 63% tem algum tipo de dívida no momento; 52% não sabem calcular juros; 69% financiam compras pensando no valor da parcela, e não nos juros; 40% admitem que fazem gastos que poderiam ser cortados e 30% das pessoas pesquisadas pela Você S/A admitem comprar por impulso.

As informações acima são motivos de preocupação tendo em vista o desconhecimento das famílias a respeito de educação financeira, o que observamos pelas estatísticas mostrando o elevado percentual de pessoas que não faz poupança, atrasam contas, não sabem calcular juros, miram no valor da parcela e não se preocupam com o consumo consciente. Essa desinformação pode, a longo prazo, contribuir para elevar o endividamento, contribuindo para reduzir a produtividade da economia como um todo e aumentar os custos da saúde pública para atender os problemas decorrentes desses descontroles financeiros.

Embora a quantidade das famílias no vermelho tenha apresentado queda de 4 p.p. entre out/15 e out/16, uma parte significativa desse fenômeno é devido a falta de educação financeira, e outra decorre do crescimento do desemprego (± 12 milhões de pessoas), dos juros elevados e da escassez de crédito. Vamos apresentar algumas sugestões que podem contribuir para que o 13º salário reduza a carga negativa que afeta o dia-a-dia daqueles que estão endividados.

A Gratificação de Natal para os trabalhadores, nome oficial do 13º salário, poderá ser importante para atenuar e até mesmo resolver os problemas do endividamento, podendo de forma preventiva reduzir os custos das dívidas e a carga emocional negativa decorrentes desses descontroles financeiros. A primeira parcela do 13º salário é paga até 30 de novembro, enquanto a segunda é até 20 de dezembro, embora muitas empresas normalmente pagam a primeira parcela no mês das férias ou no mês do aniversário do empregado. O montante de recursos injetado na economia continua crescente e está se aproximando de R$ 200 bilhões, beneficiando algumas dezenas de milhões de trabalhadores, incluindo empregados domésticos, aposentados e pensionistas.

Sugestões para a destinação do 13º e de outras rendas extras:

01. O inadimplente não deve adquirir mais bens ou serviços, evite fazer novas dívidas;

02. Liquide dívidas que cobram taxas de juros muito elevadas (cartão de crédito, cheque especial etc), e não as mais caras ou com vencimento próximo;

03. Liquide a fatura do cartão de crédito mensalmente, use o débito automático. Segundo o Banco Central os juros cobrados no crédito rotativo (parcela não paga), já ultrapassam 470% a.a.;

04. Faça planejamento financeiro, elabore lista com prioridades, compre apenas o necessário e não esqueça que as despesas precisam estar de acordo com o orçamento doméstico. Fuja de   parcelamentos. Gaste menos do que ganha;

05. Pense nas despesas de início de ano, como matrícula de colégios, faculdades, material escolar dos filhos, IPTU, IPVA, seguros e outros;

06. Muitas famílias têm tirado os filhos das escolas particulares, logo, se puder mantê-los nesses colégios é a hora para negociar descontos, algumas escolas reduzem as mensalidades em até 50%;

07. Por outro lado, se a família estiver endividada transfira os filhos para uma escola pública. No caso de Brasília, a cidade dispõe de algumas escolas públicas de boa qualidade;

08. Não antecipe a parcela do 13º junto a bancos, os juros cobrados estão muito acima de 4% a.m. ou ± 60% a.a. Caso precise fazer empréstimo, compare antes o custo de antecipar o 13º com o de outras linhas de crédito como o consignado;

09. Se o dinheiro extra não for suficiente para quitar as dívidas, negocie com os Recursos Humanos da empresa uma antecipação de férias ou a venda de alguns dias para a empresa, além de livrar-se da incidência do Imposto de Renda sobre esse valor ajuda a equilibrar as finanças da família e até mesmo a sair do vermelho;

10. As compras natalinas devem ser observadas pelo ângulo da necessidade e não do desejo. Pergunte-se qual a necessidade de cada presente, pesquise, tente comprar pelo menos um mês antes do Natal, discuta com a família, busque alternativas mais baratas, seja criativo e faça amigo oculto;

11. Nos últimos 6/7 anos temos o Black Friday (BF) conhecido em outros países, e que pode ser um bom momento para adquirir bens ou serviços que estão no orçamento doméstico. Cuidado com a maquiagem de preços, nas compras por internet pesquise o site e atente para o valor do frete, este, foi o grande vilão do BF de 2015;

12. Por último, guarde uma parcela da gratificação de Natal para reforçar a reserva financeira. No entanto, se estiver endividado a prioridade é a quitação de dívidas;

Portanto, quanto mais cedo iniciar a formação de uma poupança mais certeza terá de uma aposentadoria com qualidade de vida. Está na hora de começar a pensar no futuro, e não espere chegar aos 50 ou 60 anos, pois o esforço será muito grande. Quanto mais cedo fizer planejamento financeiro e iniciar uma poupança, maior deverá ser a renda gerada pela aplicação da mesma.

¹/ Coach Financeiro, Business & Executive Coach, Personal Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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