quarta-feira, 15 de março de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM FEV/17!
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em fev/17, ante o mês anterior, após quatro meses consecutivos de declínio, embora tenha caído frente a fev/16. O total de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou elevação no período jan-fev/17, mas apresentou decréscimo ante fev/16. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso cresceu nas duas bases de comparação (mensal e anual), atingindo o maior crescimento desde jan/10.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 56,2% em fev/17, com alta de 0,6 p.p. em relação a jan/17, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Já o percentual de famílias com dívidas/contas em atraso também aumentou de 22,7% em jan/17 para 23% no mês seguinte. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas/dívidas em atraso, e continuam inadimplentes, subiu nas duas bases de comparação, chegando a 9,8% em fev/17, ante 9,3% em jan/17 e 8,6% em fev/16.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os grupos de renda pesquisados, na comparação mensal, mas na comparação anual, houve queda apenas no grupo com renda até dez salários mínimos (SM). Na faixa de menor renda (<10 SM), o percentual de famílias com contas/dívidas em atraso ficou praticamente estável com 25,8% em jan/17 e 25,9% no mês seguinte. Em fev/16, 26,3% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM), o percentual de inadimplentes atingiu 10,7% em fev/17, ante 9,7% em jan/17 e 10,4% em fev/16.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas subiu de 13,9% em jan/17 para 14% em fev/17. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 20,2% (jan/17) para 20,4% em fev/17. A parcela de famílias que declararam pouco endividadas cresceu de 21,5% em jan/17 para 21,8% em fev/17.

Em fevereiro deste ano, por tipo de dívida, o cartão de crédito continua como o mais importante na preferência das famílias endividadas, sendo apontado por 76,8% das famílias, seguido por carnês de lojas por 14,5%, financiamento de carro (9,9%), crédito pessoal (9,9%), financiamento de casa (8,4%), cheque especial (7,4%), crédito consignado (5,5%) e cheque pré-datado por 1,7%. Já entre as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida observados em fev/17 foram o cartão de crédito por 72,3%, financiamento de carro (18,6%), financiamento de casa (17,4%) e cheque especial com 11,5%.

Portanto, após quatro meses de queda, o percentual de famílias endividadas cresceu em fevereiro deste ano, embora o indicador ainda continue inferior ao observado em fev/16 (-4,6 p.p.) e registrou o menor índice da série histórica para o mês de fevereiro. Acompanhando o incremento no endividamento, a proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso cresceu em fev/17, e foi observado piora na perspectiva de pagamento e na avaliação das famílias em relação ao seu endividamento. Isso pode ser creditado à conjuntura econômica desfavorável com renda em declínio e elevação da inadimplência.

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A PROSPERIDADE DEPENDE DE BONS HÁBITOS!
Régis Varão/¹

Nos últimos anos, os efeitos negativos da crise econômica, associados aos hábitos negativos ampliaram os problemas financeiros das famílias brasileiras. O percentual de famílias endividadas atingiu 56,2% em fev/17, alta de 0,6 p.p. ante o mês anterior e a primeira após quatro meses de declínios consecutivos. O cartão de crédito continua como o principal tipo de dívida por cerca de 77% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja com 14,5% e crédito pessoal com cerca de 10%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes e de hábitos inadequados, pelo desconhecimento de rudimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais no dia a dia. Para sair do endividamento e atingir a independência financeira, a melhor atitude é tentar mudar alguns hábitos e fazer planejamento financeiro.

Pesquisas demonstram que pessoas endividadas ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestado médico, discutem mais com colegas de trabalho, se desentendem com frequência com familiares, reduzem a concentração, diminuem a produtividade e se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

O sonho de quase todo brasileiro é ter dinheiro sobrando, uma vida confortável, uma boa casa e um carro novo na garagem, mas como dinheiro não cai do céu, temos que nos organizar financeiramente para termos todos esses bens e buscar a prosperidade financeira. As expectativas para este ano estão um pouco melhores que do ano anterior, mas ainda requer atenção no trato com as finanças pessoais, tendo em vista que ainda estamos com altos níveis de desemprego, endividamento e inadimplência. Assim, vamos relacionar algumas atitudes que possam contribuir para a independência financeira com qualidade de vida e nos preparar adequadamente para a aposentadoria:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira ou passar o cartão de crédito (CC), é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente para liquidar a fatura integral ou pagar as prestações e os financiamentos sem ficar apertado, isto é, sem faltar para o aluguel ou prestação da casa ou produtos de primeira necessidades (alimentos etc). Fazer orçamento financeiro é fundamental. Relacione as fontes de receita e faça uma lista de todas as despesas, inclusive as pequenas. Enumere o valor da prestação da casa própria ou do aluguel, dos empréstimos, seguros em geral, prestações de colégio/faculdade, carnês de lojas, plano de saúde, farmácia, supermercado, lanches, lazer etc; trabalhe as despesas em tópicos como moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc, e você tomará ciência de quanto está gastando mensalmente; corte os excessos que nada acrescentam à qualidade de vida sua e de sua família, e atente aos pequenos gastos (café espresso, lanches etc). Feito essa contabilidade pessoal ou familiar (receitas versus despesas) você saberá quanto dispor para uma reserva financeira.

2. ECONOMIZE SEMPRE:

Uma reserva financeira é importante como garantia para eventuais imprevistos e para garantir a educação dos filhos, boa qualidade de vida e uma aposentadoria confortável. Muitos desconhecem sua importância, mas a reserva financeira é um compromisso que deve ser levado a sério e deve envolver todos os familiares, pois para o planejamento financeiro ter sucesso é preciso a participação de todos os membros da família. Estabelecer metas e cumprí-las são oportunidades para que os jovens e em especial os filhos, possam entender que o sucesso financeiro depende de planejamento, disciplina e trabalho. É fundamental mostrar aos jovens de todas as idades que dinheiro não é fácil de ganhar, mas é fácil de perdê-lo. Oriente seus filhos a economizarem enquanto jovens e serão adultos financeiramente responsáveis. As boas práticas financeiras começam cedo.

3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:

Muitos incorrem no erro de pensar que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, fisioterapeutas, remédios etc. Assim, se não nos planejarmos, os recebimentos do INSS poderão ser insuficientes para bancar as despesas de uma pessoa idosa. Reserve um valor fixo ou um percentual do salário todos os meses para aplicar em um fundo de reserva (comece com 10%). Quanto antes iniciar melhor, os juros recebidos fazem grande diferença ao longo dos anos.

4. NÃO PARCELE COMPRAS:

Muita gente acha vantajoso parcelar compras, pois desconhecem os impactos negativos dos juros embutidos nas prestações. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou até para o próximo ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo apenas uma resposta negativa não compre, mas se ocorrerem três positivas, compre, mas antes peça desconto. Não faça dívidas, evite o parcelamento de compras, elas quando agregadas se transformam em grandes quantias. Compre apenas o necessário e planeje-se ao adquirir um bem ou serviço. Seja um consumidor consciente.

5. ATENÇÃO ÀS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras no ano todo, no entanto, em períodos como Black Friday-BF, Natal, dia das crianças etc, o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado pelos norte-americanos nos anos 60, e ocorre na última semana de novembro, após o dia de Ação de Graças, com bons descontos. Chegou no Brasil em 2010 e representa um período importante para o varejo nacional e para o mundo online. Atenção com a maquiagem dos preços, observe a necessidade de adquirir o produto ou serviço, pesquise o histórico de preços e fique atento à cobrança do frete (vilão do BF 2015), em compras online. As campanhas promocionais principalmente nos shoppings podem levar muita gente ao descontrole financeiro. Para fugir das armadilhas, leve uma lista e atenha-se ao planejado.

6. PARCIMÔNIA AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos problemas do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. Segundo a PEIC-CNC de fev/17, cerca de 77% das famílias brasileiras se endividam com o cartão de crédito, uma péssima decisão, se considerar que paga-se em média 486,75% a.a. ou 15,89 a.m. sobre o saldo devedor quando é pago o valor mínimo da fatura, segundo dados do Banco Central de jan/17. O CC pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas e outros benefícios.

7. RENEGOCIE AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas caras, rotativo do cartão de crédito ou dívidas com cheque especial por um empréstimo consignado, quando o corte de despesas não resolver. Financiamento imobiliário ou de automóvel também pode ser negociado quanto a valores e prazos. O endividado reduz o montante das dívidas se negociar diretamente com bancos, financeiras, operadoras de cartões de crédito, prestações de colégio/faculdade dos filhos etc, em vez de deixar a dívida crescer e se transformar em grande problema. Ao negociar cria-se nova e melhor condição de pagamento, mas fique atento nas condições da negociação, para não cair novamente no endividamento.

O segredo da prosperidade está em fazer sempre planejamento financeiro, gastar com parcimônia e poupar. Não compre por impulso nem a prazo, economize, faça reserva, evite pagar juros, atente ao poder multiplicador dos pequenos valores e dos juros compostos. Hábitos financeiros saudáveis reduzem o estresse, eleva a produtividade, contribui para boa saúde física e mental e ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.


¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com..