A PROSPERIDADE DEPENDE DE BONS HÁBITOS!
Régis Varão/¹
Nos últimos anos, os efeitos negativos da crise
econômica, associados aos hábitos negativos ampliaram os problemas financeiros
das famílias brasileiras. O percentual de famílias endividadas atingiu 56,2% em
fev/17, alta de 0,6 p.p. ante o mês anterior e a primeira após quatro meses de
declínios consecutivos. O cartão de crédito continua como o principal tipo de
dívida por cerca de 77% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja
com 14,5% e crédito pessoal com cerca de 10%, segundo a Pesquisa de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/17, da Confederação
Nacional do Comércio-CNC.
O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes
e de hábitos inadequados, pelo desconhecimento de rudimentos de economia,
contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão
das finanças pessoais no dia a dia. Para sair do endividamento e atingir a independência
financeira, a melhor atitude é tentar mudar alguns hábitos e fazer planejamento
financeiro.
Pesquisas demonstram que pessoas endividadas ou com
problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao
trabalho, usam mais atestado médico, discutem mais com colegas de trabalho, se
desentendem com frequência com familiares, reduzem a concentração, diminuem a
produtividade e se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.
O sonho de quase todo brasileiro é ter dinheiro
sobrando, uma vida confortável, uma boa casa e um carro novo na garagem, mas
como dinheiro não cai do céu, temos que nos organizar financeiramente para termos
todos esses bens e buscar a prosperidade financeira. As expectativas para este ano estão um pouco melhores que do ano anterior,
mas ainda requer atenção no trato com as finanças pessoais, tendo em vista que
ainda estamos com altos níveis de desemprego, endividamento e inadimplência. Assim,
vamos relacionar algumas atitudes que possam contribuir para a independência
financeira com qualidade de vida e nos preparar adequadamente
para a aposentadoria:
1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:
Antes de abrir a carteira ou passar o cartão de
crédito (CC), é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente para liquidar a
fatura integral ou pagar as prestações e os financiamentos sem ficar apertado,
isto é, sem faltar para o aluguel ou prestação da casa ou produtos de primeira
necessidades (alimentos etc). Fazer orçamento financeiro é fundamental. Relacione
as fontes de receita e faça uma lista de todas as despesas, inclusive as
pequenas. Enumere o valor da prestação da casa própria ou do aluguel, dos
empréstimos, seguros em geral, prestações de colégio/faculdade, carnês de lojas,
plano de saúde, farmácia, supermercado, lanches, lazer etc; trabalhe as
despesas em tópicos como moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc, e
você tomará ciência de quanto está gastando mensalmente; corte os excessos que
nada acrescentam à qualidade de vida sua e de sua família, e atente aos
pequenos gastos (café espresso, lanches etc). Feito essa contabilidade pessoal
ou familiar (receitas versus despesas) você saberá quanto dispor para uma reserva
financeira.
2. ECONOMIZE SEMPRE:
Uma reserva financeira é importante como garantia
para eventuais imprevistos e para garantir a educação dos filhos, boa qualidade
de vida e uma aposentadoria confortável. Muitos desconhecem sua importância,
mas a reserva financeira é um compromisso que deve ser levado a sério e deve
envolver todos os familiares, pois para o planejamento financeiro ter sucesso é
preciso a participação de todos os membros da família. Estabelecer metas e
cumprí-las são oportunidades para que os jovens e em especial os filhos, possam
entender que o sucesso financeiro depende de planejamento, disciplina e
trabalho. É fundamental mostrar aos jovens de todas as idades que dinheiro não
é fácil de ganhar, mas é fácil de perdê-lo. Oriente seus filhos a economizarem
enquanto jovens e serão adultos financeiramente responsáveis. As boas práticas
financeiras começam cedo.
3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:
Muitos incorrem no erro de pensar que o benefício pago
pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será suficiente para manter boa
qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de
saúde, médicos, dentistas, fisioterapeutas, remédios etc. Assim, se não nos
planejarmos, os recebimentos do INSS poderão ser insuficientes para bancar as despesas
de uma pessoa idosa. Reserve um valor fixo ou um percentual do salário todos os
meses para aplicar em um fundo de reserva (comece com 10%). Quanto antes
iniciar melhor, os juros recebidos fazem grande diferença ao longo dos anos.
4. NÃO PARCELE COMPRAS:
Muita gente acha vantajoso parcelar compras, pois desconhecem
os impactos negativos dos juros embutidos nas prestações. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o
próximo mês, para o próximo semestre ou até para o próximo ano. Antes de abrir
a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo
apenas uma resposta negativa não compre, mas se ocorrerem três positivas,
compre, mas antes peça desconto. Não faça dívidas, evite o parcelamento de compras,
elas quando agregadas se transformam em grandes quantias. Compre apenas o
necessário e planeje-se ao adquirir um bem ou serviço. Seja um consumidor
consciente.
5. ATENÇÃO ÀS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:
As promoções e a publicidade são tentadoras no ano
todo, no entanto, em períodos como Black Friday-BF, Natal, dia das crianças etc,
o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado pelos norte-americanos nos anos 60, e
ocorre na última semana de novembro, após o dia de Ação de Graças, com bons descontos.
Chegou no Brasil em 2010 e representa um período importante para o varejo
nacional e para o mundo online. Atenção
com a maquiagem dos preços, observe a necessidade de adquirir o produto ou
serviço, pesquise o histórico de preços e fique atento à cobrança do frete
(vilão do BF 2015), em compras online.
As campanhas promocionais principalmente nos shoppings podem levar muita gente
ao descontrole financeiro. Para fugir das armadilhas, leve uma lista e
atenha-se ao planejado.
6. PARCIMÔNIA AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:
Um dos problemas do endividamento decorre da má
utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. Segundo
a PEIC-CNC de fev/17, cerca de 77% das famílias brasileiras se endividam com o cartão de crédito, uma péssima decisão,
se considerar que paga-se em média 486,75% a.a. ou 15,89 a.m. sobre o saldo
devedor quando é pago o valor mínimo da fatura, segundo dados do Banco Central
de jan/17. O CC pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina,
exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas
e outros benefícios.
7. RENEGOCIE AS DÍVIDAS:
Troque as dívidas caras, rotativo
do cartão de crédito ou dívidas com cheque especial por um empréstimo
consignado, quando o corte de despesas não resolver. Financiamento imobiliário
ou de automóvel também pode ser negociado quanto a valores e prazos. O endividado reduz o montante das dívidas se negociar diretamente com bancos,
financeiras, operadoras de cartões de crédito, prestações de colégio/faculdade
dos filhos etc, em vez de deixar a dívida crescer e se transformar em grande problema.
Ao negociar cria-se nova e melhor condição de pagamento, mas fique atento nas
condições da negociação, para não cair novamente no endividamento.
O segredo da prosperidade
está em fazer sempre planejamento financeiro, gastar com parcimônia e poupar. Não
compre por impulso nem a prazo, economize, faça reserva, evite pagar juros, atente
ao poder multiplicador dos pequenos valores e dos juros compostos. Hábitos
financeiros saudáveis reduzem o estresse, eleva a produtividade, contribui para
boa saúde física e mental e ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.
¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e
desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças
pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em
direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor
do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com..