AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JUNHO
Régis Varão/¹
O endividamento das famílias apresentou em jun/19 a
sexta alta mensal consecutiva, atingindo o maior patamar desde jul/13. O
percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso declinou entre maio e
jun/19, bem como em relação a jun/18. O total de famílias sem condições de
pagar suas contas em atraso ficou estável na comparação mensal, e aumentou na
comparação anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência
do Consumidor-PEIC.
O percentual de famílias endividadas com cartão de
crédito, carnê de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito
pessoal, cheque especial, crédito consignado, cheque pré-datado atingiu 64% em jun/19, ante 63,4%
observados em mai/19 e 58,6% registrados em jun/18.
O número de famílias com dívidas/contas em atraso
caiu em jun/19, na comparação mensal, passando de 24,1% para 23,6% do total.
Também caiu o percentual de famílias inadimplentes em relação a jun/18 (23,7%).
O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em
atraso, e que permaneceriam inadimplentes, ficou estável em 9,5% na comparação
mensal. Em jun/18 atingiu 9,4% ficando no mesmo patamar de jun/19. Ver gráficos.
Entre as faixas de renda pesquisadas, tanto na
comparação mensal como na anual, as famílias endividadas apresentaram a mesma
tendência. Para as famílias que ganham até 10 salários mínimos (<10 SM), o
percentual com dívidas alcançou 64,9% em jun/19, acima dos 64,3% de mai/19, e
superior aos 60% de jun/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual
de endividadas subiu entre mai/19 e jun/19, de 59,5% para 60,1%. Em jun/18, o
percentual de endividadas nessa faixa de renda chegou a 52,1%.
O percentual de famílias com dívidas em atraso
também apresentou tendências semelhantes entre os grupos pesquisados, nas duas
bases de comparação. Na faixa <10 SM, o percentual de famílias com contas em
atraso caiu de 27% em mai/19 para 26,6% no mês seguinte. Em jun/18, 26,8% das
famílias nessa faixa de renda estavam com contas em atraso. Já no grupo >10
SM, o percentual de inadimplentes alcançou 10,4% em jun/19, abaixo dos 11,4% observados
em mai/19, porém menor que os 11% de jun/18.
Ainda por faixa de renda, o percentual de famílias
que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou
comportamento distinto entre os grupos pesquisados, na comparação mensal. Na
faixa >10 SM, o indicador alcançou 3,7% em jun/19, ante 3,6% em mai/19 e
2,8% em jun/18. Para o grupo <10 SM, o percentual de famílias sem condições
de quitar seus débitos declinou de 11% em mai/19 para 10,9% em jun/19. Em
relação a jun/18, houve queda de 0,4 p.p.
A proporção das famílias muito endividadas aumentou
no período mai-jun/19, de 12,9% para 13% do total de famílias, e apresentou estabilidade
na comparação anual. Entre jun/18 e jun/19, a parcela mais ou menos endividada subiu
de 22,4% para 23,5%, e a parcela pouco endividada cresceu de 23,2% para 27,6%
do total de famílias.
Entre as famílias com dívidas em atraso, o tempo
médio de atraso foi de 63,4 dias em jun/19, ante 63,6 dias observados em jun/18.
O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi
de 7 meses, sendo que 24,7% delas estão comprometidas com dívidas até três
meses e 32,1%, por mais de um ano.
O cartão de crédito continua na preferência das
famílias como forma de endividamento, atingindo 78,8% em jun/19, seguido por
carnês de loja com 15,8%, financiamento de carro (10,5%), financiamento de casa
com 8,8%, crédito pessoal (8%), cheque especial (5,7%), crédito consignado (5,6%),
cheque pré-datado (1,3%) e outras dívidas com 2,7%. Por faixa de renda, o
cartão de crédito apresentou o seguinte comportamento: famílias de menor renda
(79,4%) e de maior renda (76,6%). Ver gráficos.
Portanto, o endividamento das famílias apresentou
elevação nos últimos seis meses, e atingiu em jun/19 o maior patamar desde jul/13.
A persistente preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito
indica o completo desconhecimento das ferramentas básicas de educação financeira.
¹/ Mentor e
Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e
desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25
anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais,
inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar
treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
Nenhum comentário:
Postar um comentário