terça-feira, 10 de março de 2020

IMPORTÂNCIA DO ORÇAMENTO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

Assim como o governo federal, estados, municípios e empresas têm seus orçamentos, as famílias e os indivíduos também precisam de um para fazer previsões de receitas e despesas, tendo em vista os recursos existentes. O orçamento é fundamental para quem deseja ter suas contas em ordem e se preparar para o futuro com qualidade de vida.

Todos temos sonhos, que podem ser desde a compra de uma nova TV, uma viagem de férias, a troca do veículo, até a aquisição da casa própria. A maneira mais prática de realizar sonhos está no modo como elaboramos o orçamento e lidamos com o dinheiro. Os recursos podem ser provenientes de salário, pró-labore, aplicações financeiras, aluguéis, serviços de consultoria etc. Já as despesas são mais complexas, e na grande maioria das vezes quando não controladas levam ao endividamento.

O modo mais prático de se obter sucesso financeiro é fazendo e seguindo o orçamento, que é a primeira e talvez a mais importante fase do planejamento financeiro. Passos para elaborar um orçamento:

FASE I:

Relacione as despesas feitas e as receitas auferidas em determinado período (mês, trimestre etc). Guarde os comprovantes das despesas e receitas. Os gastos de pequenos valores (cafezinho etc) também devem ser guardados;

FASE II:

Relacionar a receita mensal líquida daqueles que  tem renda fixa. Para quem vive de comissões, faz-se a média dos últimos meses e evita-se surpresas desagradáveis em períodos de queda de receita;

FASE III:

As despesas podem ser relacionadas por grupo: (a) alimentação (padaria, supermercado etc); (b) moradia (aluguel, condomínio, iptu, água, telefone, luz etc); (c) saúde (plano de saúde, consulta médica, remédios etc); (d) transporte (financiamento de veículo, combustível, ipva, seguro etc); (e) lazer (cinema, restaurantes, internet, TV a cabo etc); (f) educação (colégio/faculdade, material escolar etc); (g) despesas pessoais (salão de beleza etc); (h) despesas financeiras (juros de empréstimos bancários, tarifas bancárias, juros do cheque especial etc). As despesas financeiras contribuem para mostram a saúde financeira e o comprometimento do patrimônio;

FASE IV:

Somar despesas e receitas e verificar se existe superávit ou déficit. Nesta fase descobre-se onde estão os ralos financeiros, os locais por onde está sumindo o dinheiro;

FASE V:

Com base no resultado anterior, temos parâmetros para elaborar o orçamento em nova perspectiva, pois temos uma visão completa da estrutura de gastos. Agora parte-se para uma análise comparativa mensal da evolução das receitas/despesas e continuar fazendo os ajustes (possíveis cortes) necessários para atingir os objetivos estabelecidos.

Elaborado o orçamento, percebemos como foi difícil e muitas vezes dolorida sua elaboração, a descoberta dos pequenos e imperceptíveis valores gastos, e os aspectos emocionais envolvidos e os hábitos antigos.

Com a elaboração do orçamento temos a real dimensão do endividamento, dos ralos por onde sai grande parte das receitas. Fica mais fácil trabalhar com foco no longo prazo. Por outro lado, nos mostra alternativas: aumentar as receitas e reduzir despesas; aumentar as receitas mantendo inalteradas as despesas; manter estável as receitas e reduzir as despesas. São muitas as possibilidades, mas aumentar as receitas e reduzir as despesas pode ser considerada uma ótima alternativa.

Um bom orçamento pode levar ao conhecimento do real padrão de despesa das pessoas, além de ajudar a descobrir para onde está indo parte significativa do dinheiro. É a peça mais importante do planejamento, pois, poderá induzir o indivíduo e as famílias a pensarem no futuro, esquecendo-se do imediatismo.

Portanto, o orçamento não pode ficar apenas na teoria, tem que ter compromisso do indivíduo e dos membros da família (se for casado), ou seja, tem que obrigatoriamente rever conceitos, mudar atitudes, pensar no longo prazo e perceber quão importante é o orçamento para uma boa saúde financeira.

¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro e das finanças pessoais nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

domingo, 1 de março de 2020

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV, recuou 1,2 ponto em jan/20 chegando a 90,4 pontos, e decresceu 4,9 pontos na comparação anual. As avaliações sobre o presente e as expectativas em relação aos próximos meses apresentaram piora no primeiro mês do ano. O Índice de Situação Atual (ISA) diminuiu 0,9 ponto (78,7 pontos), a primeira queda após duas altas consecutivas, e subiu 2,2 pontos frente a jan/19. Com a baixa de 1,4 ponto, o Índice de Expectativas (IE) deixou a zona de neutralidade atingida em dez/19 (100,3 pontos), caindo para 98,9 pontos no mês seguinte, e contribuiu fortemente para o declínio do ICC em janeiro.

Segundo Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor da FGV, “A confiança do consumidor caiu ligeiramente após subir 2 pontos no mês anterior. Há uma percepção de piora da situação financeira familiar principalmente para os consumidores com menor poder aquisitivo, que pode estar relacionada à pressão recente nos preços de alimentos. Em relação ao futuro, houve redução do ímpeto de compras de duráveis, tendência que pode implicar num efeito redutor sobre o consumo nos próximos meses, caso se mantenha. Para que a confiança avance mais rapidamente, continua sendo necessária a aceleração da recuperação do mercado de trabalho e a redução da incerteza que ainda se mantém em níveis altos em termos históricos”.

Entre os componentes do ICC, o indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis para os próximos meses apresentou o maior impacto no declínio da confiança em jan/20 quando chegou a 76,3 pontos (queda de 5,4 pontos), e atingiu o menor nível desde mai/17 (74,7 pontos).

Segundo a FGV, “O resultado parece estar relacionado a piora da percepção dos consumidores sobre a situação financeira da família no momento. O indicador que mede a satisfação com as finanças familiares caiu 3,2 pontos, para 73,2 pontos, enquanto as expectativas se mantiveram relativamente estáveis como indicador variando -0,4 ponto, para 100,9 pontos, um patamar considerado otimista”.

Com relação ao Índice de Confiança do Consumidor-ICC por faixa de renda, houve declínio da confiança em todas as faixas de renda pesquisadas, exceto para as famílias com renda familiar mensal entre R$2.100,01 e R$4.800,00. A maior pressão negativa veio dos consumidores de maior renda (acima de R$9,6 mil) cujo índice de confiança recuou 2,4 pontos influenciado pela redução no ímpeto de compra de bens duráveis nos próximos meses. O menor impacto negativo foi das famílias com renda mensal entre R$4.800,01 e R$9.600,00 que caiu 0,3 ponto. As famílias com renda mensal até R$2.100,00 apresentaram declínio de 1,3 ponto.

Portanto, a confiança do consumidor em janeiro apresentou declínio nas duas bases de comparação, e foi fortemente pressionada pelo indicador que afere a intenção de compras de bens duráveis para meses futuros. O desempenho da confiança pode estar ligado a percepção de piora da situação financeira dos consumidores de menor poder aquisitivo. Enquanto o mercado de trabalho não apresentar melhora substancial e a atividade econômica não mostrar mais força a tendência é a confiança do consumidor continuar nesse patamar.

¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro e das finanças pessoais nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.