CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JANEIRO
Régis Varão/¹
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV, recuou 1,2 ponto em jan/20 chegando a 90,4 pontos,
e decresceu 4,9 pontos na comparação anual. As avaliações sobre o presente e as
expectativas em relação aos próximos meses apresentaram piora no primeiro mês
do ano. O Índice de Situação Atual (ISA) diminuiu 0,9 ponto (78,7 pontos), a
primeira queda após duas altas consecutivas, e subiu 2,2 pontos frente a jan/19.
Com a baixa de 1,4 ponto, o Índice de Expectativas (IE) deixou a zona de
neutralidade atingida em dez/19 (100,3 pontos), caindo para 98,9 pontos no mês
seguinte, e contribuiu fortemente para o declínio do ICC em janeiro.
Segundo Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor da FGV, “A confiança do
consumidor caiu ligeiramente após subir 2 pontos no mês anterior. Há uma percepção
de piora da situação financeira familiar principalmente para os consumidores
com menor poder aquisitivo, que pode estar relacionada à pressão recente nos
preços de alimentos. Em relação ao futuro, houve redução do ímpeto de compras
de duráveis, tendência que pode implicar num efeito redutor sobre o consumo nos
próximos meses, caso se mantenha. Para que a confiança avance mais rapidamente,
continua sendo necessária a aceleração da recuperação do mercado de trabalho e
a redução da incerteza que ainda se mantém em níveis altos em termos
históricos”.
Entre os componentes do ICC, o indicador que mede a
intenção de compras de bens duráveis para os próximos meses apresentou o maior impacto
no declínio da confiança em jan/20 quando chegou a 76,3 pontos (queda de 5,4
pontos), e atingiu o menor nível desde mai/17 (74,7 pontos).
Segundo a FGV, “O resultado parece estar
relacionado a piora da percepção dos consumidores sobre a situação financeira
da família no momento. O indicador que mede a satisfação com as finanças
familiares caiu 3,2 pontos, para 73,2 pontos, enquanto as expectativas se
mantiveram relativamente estáveis como indicador variando -0,4 ponto, para
100,9 pontos, um patamar considerado otimista”.
Com relação ao Índice de Confiança do Consumidor-ICC
por faixa de renda, houve declínio da confiança em todas as faixas de renda
pesquisadas, exceto para as famílias com renda familiar mensal entre R$2.100,01
e R$4.800,00. A maior pressão negativa veio dos consumidores de maior renda (acima
de R$9,6 mil) cujo índice de confiança recuou 2,4 pontos influenciado pela
redução no ímpeto de compra de bens duráveis nos próximos meses. O menor impacto
negativo foi das famílias com renda mensal entre R$4.800,01 e R$9.600,00 que caiu
0,3 ponto. As famílias com renda mensal até R$2.100,00 apresentaram declínio de
1,3 ponto.
Portanto,
a confiança do consumidor em janeiro apresentou declínio nas duas bases de
comparação, e foi fortemente pressionada pelo indicador que afere a intenção de
compras de bens duráveis para meses futuros. O desempenho da confiança pode
estar ligado a percepção de piora da situação financeira dos consumidores de
menor poder aquisitivo. Enquanto o mercado de trabalho não apresentar melhora substancial
e a atividade econômica não mostrar mais força a tendência é a confiança do
consumidor continuar nesse patamar.
¹/ Mentor,
Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças
pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro
há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira,
finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança,
além de ministrar treinamentos e workshops
nessas áreas. É Master Practitioner
em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em
direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro e das finanças pessoais nas
últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e
servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.
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