segunda-feira, 20 de junho de 2016

MERCADO AJUSTA SUAS PROJEÇÕES
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) revisou praticamente todas as projeções do mercado para este ano, exceto as das taxas de juros. Com relação a 2017, as estimativas de cinco variáveis permaneceram inalteradas. A pesquisa é realizada com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e contempla 15 indicadores. A seguir, uma análise de oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 17.6.16 eleva a estimativa do IPCA para 7,25% em 2016, ante 7,04% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 19.6.15 mantém inalterada a estimativa em 5,50%. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje mantém em 5,50% a projeção do mercado para o índice, pela quinta semana consecutiva;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado de 17.6.16 eleva a projeção do índice para 8,27% em 2016, de 7,20% observado há um mês, enquanto a pesquisa de 19.6.15 mantém inalterada a estimativa em 5,50, pela quadragésima sexta semana consecutiva. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje reduz a expectativa do IGP-DI para 5,59%, ante 5,60% da semana anterior, mas 0,03 p.p. acima do valor divulgado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana reduz a estimativa da taxa de câmbio para R$/U$3,60 em 2016, ante R$/U$3,67 há trinta dias. Ainda com relação a 2016, o Focus de 19.6.15 eleva a taxa de câmbio para R$/U$3,40, de R$/U$3,30 observado nas semanas anteriores. Para o próximo ano, a pesquisa de 17.6.16 reduz a taxa de câmbio para R$/U$3,80, ante R$/U$3,88 observado há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 17.6.16 indica taxa de juros de 13% a.a. para 2016, ante 12,75% a.a. observado há 30 dias, enquanto o relatório de 19.6.15 mantém inalterada a projeção dos juros em 12% a.a. para este ano. O Relatório de Mercado desta semana mantém inalterada a estimativa dos juros em 11,25% a.a. para 2017, ante 11,38% a.a. verificado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa divulgada hoje corrige para -3,44% o decréscimo da atividade econômica para 2016, ante variação negativa de 3,60% verificada na semana anterior, e queda de 3,83% divulgada há trinta dias. Já a pesquisa de 19.6.15 registra redução na expectativa de crescimento do PIB em 2016 para +0,70%, ante variação positiva de 1% verificado há trinta dias. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana mantém em +1% a projeção de crescimento do PIB, ante +0,50% observado há quatro semanas, o que mostra pequena melhora nas expectativas do mercado, ainda aguardando uma definição da agenda política nacional;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 17.6.16 corrigiu o declínio da atividade industrial para -5,85% para 2016, ante a variação negativa de 6% estimada há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 19.6.15 a projeção de crescimento do setor industrial cai para +1,50% em 2016, ante +1,60% da pesquisa anterior. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje reduz o crescimento da indústria para +0,67%, de +0,90% apresentado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada hoje eleva a projeção do superávit comercial para U$50,76 bilhões em 2016, ante U$49,57 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 19.6.15 eleva a estimativa do superávit comercial para U$11 bilhões em 2016. Para 2017, o Focus de 17.6.16 corrige para U$50,07 bilhões a estimativa do superávit comercial, ante U$50 bi verificados nas últimas semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o Focus de 17.6.16 corrige para baixo a estimativa do IDP, U$60 bilhões, para o final de 2016, ante U$59,28 bi verificada há trinta dias, enquanto o relatório de igual período de 2015 mantém em U$65 bilhões a projeção para este ano. Já para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém a estimativa do IDP em U$60 bilhões, pela oitava semana consecutiva.

Portanto, embora o governo provisório tente colocar a economia nos trilhos, se demorar o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma, a economia continuará paralisada e mais tempo será gasto para sua recuperação.


¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 18 de junho de 2016

AS ARMADILHAS DO COMÉRCIO
Régis Varão/¹

Muitos não percebem, mas quando você entra em uma loja, shopping, outlet, restaurante, tudo pode estar preparado para fazê-lo gastar. Normalmente utilizada, a cor vermelha é a cor que estimula o apetite, de uma unidade que vende fast-food, exemplo o McDonald’s, e a iluminação indireta nas cabines para provar roupas íntimas, que esconde defeitos, são exemplos de estratégias utilizadas pelo Neuromarketing.

A ciência que estuda a mente do consumidor é uma nova abordagem de pesquisa de marketing que utiliza avançada tecnologia investigativa da neurociência comportamental. As ferramentas utilizadas possibilitam, de forma objetiva e com rigor científico, uma nova dimensão de compreensão das motivações implícitas do comportamento do consumidor.

Indicadores neuro-psico-fisiológicos, como a atividade elétrica e metabólica do cérebro, a ativação de músculos faciais, os batimentos cardíacos, a sudorese entre outros. Pesquisas conseguem detectar os efeitos provocados por produtos, peças publicitárias, logomarcas e embalagens nos potenciais compradores. Uma luta desigual travada entre um simples e desinformado indivíduo contra a ciência com forte embasamento.

Grandes varejistas adotam esse expediente para atender as relações entre emoções e bens ou serviços que ajuda a manipular o inconsciente de quem compra, por impulso ou não, e fazer com que abra a carteira, utilize o cartão de crédito ou débito e fique satisfeito, pelo menos no momento da compra.

A situação é tão sofisticada que alguns estudos incluem análise de ressonância magnética e tecnologia de rastreamento de movimentos oculares para detectar, por exemplo, em qual posição no cardápio devem se localizar os pratos mais caros em um restaurante.

Segundo a revista Você S/A, existem áreas ligadas à publicidade e propaganda que trabalham apenas para pensar qual é a melhor forma para fazer o consumidor gastar mais, afirma Karen Perrotta Lopes, professora de marketing da Universidade Mackenzie (SP). Ainda segundo a revista, uma pessoa que vive em um grande centro urbano é bombardeada com mais de 6 mil mensagens publicitárias por dia. Calcula-se que as empresas gastem por ano mais de R$ 45 bilhões em pesquisas de neuromarketing no Brasil. O artigo cita uma afirmação de Heloisa Omine, professora da ESPM e especialista em estratégia, branding e visual marketing: “Só nos resta abrir os olhos e tentar evitar as armadilhas.” Por outro lado, também fique de olhos bem abertos às pegadinhas financeiras muito comuns no setor financeiro nacional. O artigo Armadilhas Financeiras faz um comentário a respeito do assunto.

De acordo com Márcia Tolotti, autora de As Armadilhas do Consumo, o problema não está no marketing, nas operadoras de cartões de crédito ou nos meios de comunicação, mas na inversão que ocorreu: a maioria das pessoas passou a acreditar que o mais importante é ter e não ser. Não paramos aí, avançamos para o parecer ter. Não é isso que acontece? Quantas pessoas você conhece que aparentam uma condição que não possuem de fato? Carro importado, roupas de marca, cartões de crédito estourados, conta negativa e cobradores na porta de casa é uma realidade vivida por muitos, mas porque alguém se submete a isso? Uma das fortes razões para isso acontecer é a forma como as relações sociais acontecem hoje em dia. A aparência em primeiro momento, muitas vezes é mais importante que a própria realidade, em maior ou menor grau, todos absorvem esse pensamento e o pratica.

Logo, ficamos vulneráveis, sob vários aspectos, e mais suscetíveis a falhas de julgamento, o que nos leva na maioria das vezes a cair nesses truques do comércio, a fazer compras desnecessárias, a nos endividarmos e a piorar a qualidade de vida de nossa família. A seguir, nove armadilhas utilizadas pelo comércio:

1. VALOR DAS PARCELAS:

Uma artimanha muito comum no varejo é colocar em destaque o valor da parcela e não o preço total do bem ou serviço. Muitas vezes, quando lemos que um produto é parcelado em 12 prestações mensais fixas de R$149,99, não interpretamos esse valor estendendo-se por um ano, observamos apenas que o valor da parcela cabe em nosso orçamento, e é onde muitos compram sem necessidade;

2. ARREDONDAMENTOS PARA BAIXO:

A tendência das pessoas é arredondar valores para menos, por exemplo, se o preço da sandália é R$149,99, a impressão que fica é de que o preço está mais próximo de R$100,00 do que de R$150,00. Isso é explicado porque nosso cérebro tende a considerar apenas a centena, e nos lembramos mais do primeiro número que vimos à esquerda, assim, o consumidor descarta os outros dígitos e acredita que está gastando menos, afirma Heloisa Omine da ESPM;

3. PERFUMES QUE LEMBRAM UMA MARCA ESPECÍFICA:

A Você S/A afirma que “A grife Hugo Boss, por exemplo, passou dois meses testando perfumes até decidir qual usar em suas lojas. Hoje transformou o perfume da loja em produto para venda. Pesquisas mostram que o odor do ambiente pode surtir efeito positivo ou negativo na percepção da qualidade dos produtos e que o aroma também influencia o tempo que o consumidor fica na loja e até a possibilidade de ele voltar.” Como podemos observar, as armadilhas do comércio envolvem outros órgãos do sentido além da visão e audição;

4. CARDÁPIOS BEM DESCRITOS E SEM PREÇOS:

Pesquisas realizadas pela Universidade de Cornell (EUA), afirmam que os restaurantes que excluem as cifras do cardápio vendem mais, isso ocorre porque o cliente fica mais alerta quando vê o símbolo. Segundo Brian Wansink, autor do livro Slim by Design e diretor do Food and Brand Lab da Cornell University, um dos "truques" dos restaurantes, para chamar atenção é colocar entradas com preços mais baixos próximas dos pratos mais caros. Uma artimanha utilizada para fazer com que o consumidor compare os preços dos pratos se estiver buscando uma opção mais barata, o que pode ser influenciado pelo preço. Wansink destaca ainda o poder das palavras, pois alguns estudos indicam que elas quando bem usadas para descrever um prato podem elevar as vendas em até 27%. Esse mesmo mecanismo também funciona em lojas com preços de roupas e outros produtos, pois ao perguntarmos a vendedora quanto custa ela responde um, sete, dois e não cento e setenta e dois, isso é mais um dos truques. Ao dizer um, sete, dois não soa tão agressivo quanto o segundo (172), e o comprador desatencioso, pode comprar por impulso um produto que não precisa;

5. A ENGANAÇÃO DA PECHINCHA:

As lojas utilizam produtos mais caros para direcionar o cliente aos mais baratos. O interesse do lojista não é fazer o consumidor adquirir o produto de preço mais elevado, embora não o desagrade a ideia, mas induzi-lo a pensar que descobriu uma grande oportunidade ao comprar o mais barato. Na realidade o mais barato foi comparado apenas com o produto mais caro naquele estabelecimento comercial;

6. CARROS GRANDES EM SUPERMERCADOS:

Já prestaram atenção no tamanho do carrinho de compras dos supermercados? São grandes exatamente para que o consumidor tenha a impressão de que está levando poucos produtos, alimentos, frutas, verduras etc. Por outro lado, normalmente as frutas e verduras ficam próximas da entrada do supermercado para que o cliente escolha os alimentos mais saudáveis logo ao entrar e não se preocupe em encher o carrinho com alimentos menos saudáveis. E fique atento com os carros grandes que estimulam o consumo. Muitos supermercados dispõem de carrinhos menores, assim, prefira-os;

7. TESTES E KIT NAS LOJAS DE COSMÉTICOS:

Segundo pesquisas, consumidores pagam até 50% mais caro no preço de produtos se experimentá-los. Heloisa (ESPM), afirma que “É por isso que lojas de cosméticos tiveram de se redesenhar e colocar os produtos à disposição dos clientes.” A maioria das perfumarias e lojas de departamento que vendem cosméticos, em especial perfumes e cremes, disponibilizam testes, e não é porque são bonzinhos, é que essa prática induz o consumidor a abrir a carteira. A malandragem dos kits, muitas vezes contêm o perfume que é o objeto de interesse do consumidor, mas vem com cremes e outros produtos que estão encalhados no estoque, que parado custa caro. Essa é uma prática comum chamada de venda casada, que é proibida pelo art. 39 do Código de Defesa do Consumidor-CDC. Todo vendedor conhece o CDC, mas continua praticando a venda casada em vários setores da economia, não só no comércio;

8. COMPRE AGORA:

As agências de viagens são exemplos típicos desse tipo de comportamento, normalmente se utilizam do senso de urgência toda vez que um cliente entra em suas instalações, tanto para comprar pacotes de viagens ou apenas para perguntar preços. Afirmam que, se o cliente não comprar o pacote naquele momento ou naquele dia, perderá a oportunidade única e pagará muito mais caro no dia seguinte;

9. ILUMINAÇÃO ADEQUADA NOS PROVADORES DE ROUPA:

Como vimos no início do texto, a iluminação nos provadores influenciam a decisão dos clientes na hora de comprar roupas. Segundo Heloisa, as mulheres cariocas ao comprarem biquínis, querem provadores bem iluminados, para saberem como ficarão na praia, enquanto as que compram lingerie em lojas caras compram mais quando a iluminação dos provadores é indireta e a cliente enxerga menos detalhes de seu corpo. Outro aspecto é que a luz indireta dos provadores evita que imperfeições no vestuário sejam detectadas.

Portanto, podemos observar que os consumidores não estão preparados para enfrentarem essas malandragens. Os vendedores estão utilizando seus melhores arsenais e recebem treinamento para isso, enquanto os consumidores não recebem nenhum treinamento para aprenderem a comprar. É uma luta desigual, mas não perdida, entre um vendedor treinado para “empurrar” bens e serviços e um consumidor despreparado e sem conhecimento desses truques. Faça planejamento financeiro, utilize o bom senso e antes de abrir a carteira faça três perguntas: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com três respostas positivas, compre, mas apenas uma negativa, não compre.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 14 de junho de 2016

OS 7 ERROS MAIS COMUNS DOS ENDIVIDADOS
Régis Varão/¹

Procurar entender a fonte da dívida pode ser considerado o melhor começo para buscar uma saída para o endividamento. Uma alternativa, talvez a melhor nesse momento, é escrever em uma folha de papel ou em uma planilha, o que for mais fácil, todas as despesas realizadas ao longo do dia, tentar elaborar um orçamento e colocar nele: grandes despesas, pequenas, prestações, financiamentos, restaurantes, cinema e afins, lanche da tarde e o café expresso bebido com os amigos entre outros. Não esqueça de pedir nota fiscal ou cupom fiscal de tudo que comprar e guarde para ajudá-lo em seus controles.

Assim, verifique como a dívida começou, qual o tamanho exato dela, quais são as maiores prestações ou financiamentos e suas respectivas taxas de juros, e concentre seus esforços naquelas em que paga mais juros para que não cresçam e liquide-as o mais rápido possível. A seguir, os sete erros mais comuns dos endividados:

1. TER MAIS DE DOIS CARTÕES DE CRÉDITO:

Colecionar cartões de crédito pode levar ao endividamento e ao descontrole, principalmente se a soma dos limites dos cartões superar a renda mensal. Exemplo: o indivíduo recebe mensalmente R$ 15.000,00 de salário, e tem limite de R$ 35.000,00 em três cartões de crédito. Esse limite muitas vezes cria a falsa impressão de que se tem mais dinheiro para gastar. A sugestão: apenas pessoas controladas financeiramente devem utilizar cartão de crédito, e mesmo assim, o limite nunca deve ultrapassar o equivalente a 50% do valor dos ganhos mensais. Com um salário de R$15 mil, o limite de crédito não deveria ultrapassar R$ 7.500,00. Assim, um cartão de crédito é mais que suficiente para atender às necessidades de qualquer pessoa. No entanto, se a pessoa não for disciplinada, esqueça cartão de crédito e pague tudo com dinheiro;

2.  PAGAR O MÍNIMO DA FATURA DO CARTÃO DE CRÉDITO:

Os juros do crédito rotativo do cartão de crédito são os mais elevados entre todas as modalidades de crédito do sistema financeiro nacional. Segundo os últimos dados do Banco Central (BCB), em média, atingem cerca de 450% a.a. Apenas para comparar, a Selic, taxa básica de juros da economia, está em 14,25% a.a. Toda vez que você paga o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, o valor remanescente é financiado a juros elevadíssimos, multiplicando a dívida aceleradamente. Evite pagar o valor mínimo, pague sempre o valor integral da fatura no dia do vencimento. Assim, o melhor é colocar a fatura do cartão de crédito como débito em conta;

3. NÃO FAZER PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

É muito importante fazer orçamento pessoal ou familiar, e para isso é necessário ter controle de todas as receitas e despesas para saber como está sendo gasto seu dinheiro. Relacione todos os gastos com supermercado, padaria, farmácia, combustível, manutenção do veículo, luz, água, condomínio, aluguel, tributos em geral, prestações, financiamentos, restaurantes, cinema, lanches etc, e veja onde pode economizar e até mesmo cortar. Lembre-se, sempre existe margem para economizar;

4. NÃO NEGOCIAR DÍVIDAS:

O endividado poderia reduzir muito o montante das dívidas se tivesse negociado diretamente com as operadoras dos cartões de crédito, em vez de deixar a dívida crescer muito. A negociação pode ser realizada com instituições financeiras e até mesmo com o colégio dos filhos. Ao negociar com o credor - bancos, operadoras de cartão de crédito, financeiras, escola dos filhos etc - cria-se uma nova condição de pagamento, ao passo que evitar a negociação pode ser um comportamento perigoso e de elevado custo financeiro. Assim, fique atento ao poder multiplicador dos juros compostos;

5. TIRAR EMPRÉSTIMO PARA PAGAR DÍVIDAS E CONTRAIR OUTRAS:

Em situações de elevado endividamento, é importante que se elimine despesas sem contrair novos gastos. Cuidado ao tomar um novo empréstimo, as parcelas serão novas despesas mensais, e deverão caber em seu orçamento. Fique atento aos empréstimos tomados para quitar dívidas, normalmente os juros são elevadíssimos e muitas vezes pioram ainda mais a situação do devedor. Negocie sempre, e evite tirar novos empréstimos;

6. NÃO USAR O 13º E EXTRAS PARA PAGAR CONTAS:

As dívidas mais elevadas, com juros mais caros, devem ser quitadas o quanto antes, por exemplo: cartão de crédito e cheque especial. Renda extra como 13º que é parcelado em duas vezes geram duas novas oportunidades, ao longo do ano, para liquidar dívidas, e as bonificações ou comissões extras também podem ser utilizadas para esse fim. Se grande parte do endividamento é com o cartão de crédito, negocie o quanto antes ou utilize a renda extra para pagá-lo. Nesse caso específico, vale a pena tomar um crédito consignado, normalmente a menor taxa de juros do mercado, apenas para liquidar a dívida do cartão de crédito ou cheque especial;

7. NÃO COMPRAR A VISTA:

As compras parceladas levam ao endividamento tendo em vista que são pequenas prestações, mas que no agregado se transformam em grandes problemas. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio-CNC, de mai/16, carnê de loja é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras com 15%, perdendo apenas para o cartão de crédito com 77% das preferências, na sequência temos o terceiro lugar com financiamento de carro (11,3%) e em quarto lugar crédito pessoal com 10,1%. O segredo do sucesso financeiro é: se não tiver dinheiro para comprar a vista, simplesmente não compre.

Portanto, antes de abrir a carteira ou utilizar o cartão de crédito, pergunte-se: (a) Eu preciso? (b) Tenho dinheiro? (c) Tem que ser agora? Apenas uma resposta negativa a uma das três perguntas já é suficiente para não adquirir o bem ou serviço.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

MERCADO CONTINUA PESSIMISTA
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) revisou praticamente todas as projeções do mercado para este ano, exceto a taxa de câmbio (média do período). Com relação a 2017, as estimativas de sete variáveis permaneceram inalteradas. A pesquisa é realizada com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e contempla 15 indicadores. A seguir, uma análise de oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 10.6.16 eleva a estimativa do IPCA para 7,19% em 2016, ante 7% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 12.6.15 mantém inalterada a estimativa do índice em 5,50%. Para 2017, a pesquisa desta semana mantém em 5,50% a projeção do mercado para o IPCA, pela quarta semana consecutiva;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado de 10.6.16 eleva a projeção do índice para 7,97% em 2016, de 7,10% observado há um mês, enquanto a pesquisa de 12.6.15 mantém inalterada a estimativa em 5,50. Para 2017, a pesquisa desta semana eleva a expectativa do IGP-DI para 5,60%, ante 5,58% da semana anterior, e 5,60% divulgada há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório divulgado hoje reduz a estimativa da taxa de câmbio para R$/U$3,65 em 2016, ante R$/U$3,70 há trinta dias. Ainda com relação a 2016, o Focus de 12.6.15 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,30, pela décima semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa de 10.6.16 reduz a taxa de câmbio em R$/U$3,81, ante R$/U$3,90 observado há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 10.6.16 mantém a taxa de juros em 13% a.a. para 2016, ante 12,88% a.a. observado na pesquisa anterior, enquanto o relatório de 12.6.15 mantém a projeção dos juros em 12% a.a. para este ano. O Relatório de Mercado desta semana mantém a estimativa dos juros em 11,25% a.a. para 2017, ante 11,50% a.a. verificado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa divulgada hoje corrige para -3,60% o decréscimo da atividade econômica para 2016, ante variação negativa de 3,71% verificada na semana anterior, e queda de 3,88% divulgada há trinta dias. Já a pesquisa de 12.6.15 registra variação positiva de +0,90% na expectativa de crescimento do PIB para 2016. Com relação a 2017, a pesquisa divulgada hoje eleva para +1% a projeção de crescimento do PIB, ante +0,50% observado há um mês, o que mostra melhora nas expectativas do mercado, ainda pessimista quanto ao desempenho da atividade econômica em 2016 e 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 10.6.16 corrigiu o declínio da atividade industrial para -5,87% para 2016, ante a variação negativa de 5,85% estimada há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 12.6.15 a projeção de crescimento do setor industrial sobe para +1,60% em 2016. Para 2017, a pesquisa desta semana corrige para baixo o crescimento da indústria (+0,80%), de +0,74% registrado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada hoje eleva a projeção do superávit comercial para U$50,52 bilhões em 2016, ante U$48 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 12.6.15 eleva a estimativa do superávit comercial para U$10,35 bilhões em 2016. Para 2017, o Focus de 10.6.16 mantém em U$50 bilhões a estimativa do superávit comercial, pela décima semana consecutiva;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o Focus de 10.6.16 corrige para cima a estimativa do IDP, U$61,30 bilhões, para o final de 2016, ante U$58,50 bi verificada há trinta dias, enquanto o relatório de igual período de 2015 mantém em U$65 bilhões a projeção para este ano. Já para 2017, a pesquisa divulgada hoje mantém a estimativa do IDP em U$60 bilhões, pela sétima semana consecutiva.

Portanto, o governo Temer completa trinta dias no poder, mas ainda é cedo para o mercado reagir positivamente às possíveis mudanças anunciadas. A situação político-econômica do País continua grave, e enquanto não for resolvido o problema do impeachment da presidente Dilma, o País não deslancha.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 7 de junho de 2016

EXPECTATIVAS MELHORAM POUCO COM NOVO GOVERNO
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada pelo Banco Central (BCB), todo início de semana, continua revisando parte das projeções do mercado para este ano e para 2017. A pesquisa trabalha com 15 variáveis, e é realizada com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias. A seguir, uma análise de oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de 3.6.16 eleva a estimativa do IPCA para 7,12% em 2016, ante 7% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa realizada em 5.6.15 mantém inalterada a estimativa do índice em 5,50%. Para 2017, o Focus desta semana mantém em 5,50% a projeção do mercado, ante 5,62% registrado há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado de 3.6.16 eleva a projeção do índice para 7,27% em 2016, de 7,03% observado há um mês, enquanto a pesquisa de 5.6.15 mantém inalterada a estimativa em 5,50% para este ano. Para 2017, a pesquisa divulgada ontem eleva a expectativa do IGP-DI para 5,58%, ante 5,56% da semana anterior, e frente a 5,59% divulgada há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana eleva a estimativa da taxa de câmbio para R$/U$3,68 em 2016, ante R$/U$3,65 na semana anterior, e R$/U$3,70 há um mês. Ainda com relação a 2016, o Focus de 5.6.15 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,30, pela nona semana consecutiva. Para 2017, o Focus de 3.6.16 mantém inalterado o câmbio em R$/U$3,85, mesmo valor da semana anterior, ante R$/U$3,90 observado há trinta dias;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 3.6.16 mantém a taxa de juros neste ano em 12,88% a.a., ante 13% a.a. observado há um mês, enquanto a pesquisa de 5.6.15 mantém a projeção dos juros em 12% a.a. para 2016. O relatório Focus desta semana mantém a projeção dos juros em 11,25% a.a. para 2017, ante 11,75% a.a. verificado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa divulgada ontem corrigiu a expectativa de decréscimo do PIB em 2016 para -3,71%, frente ao declínio de 3,86% divulgado há trinta dias. A pesquisa de 5.6.15 mantém estável em +1% a expectativa de crescimento do PIB para 2016, pela oitava semana consecutiva. Com relação a 2017, a pesquisa divulgada nesta semana eleva para +0,85% a projeção de crescimento do PIB, ante +0,50% observado há um mês, o que mostra melhora nas expectativas do mercado, que embora pessimista realiza pequenas correções no desempenho da atividade econômica para 2016 e 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 3.6.16 corrigiu o declínio da atividade industrial para -5,90% para 2016, ante a variação negativa de 5,95% estimada há quatro semanas. Já a pesquisa de 5.6.15 mantém estável em +1,50% o crescimento da indústria para 2016, pela nona semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa desta semana corrige para cima o crescimento do setor industrial em +1%, de +0,74% registrado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 3.6.16 mantém a projeção do superávit comercial em U$50 bilhões para 2016, iguala valor observado no relatório anterior, ante U$46,40 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 5.6.15 mantém estável a estimativa do superávit comercial em U$10 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$50 bilhões a estimativa do superávit comercial, pela nona semana consecutiva;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o Focus de 3.6.16 corrige para cima a estimativa do IDP, U$60 bilhões, para o final de 2016, ante U$57,35 bi verificada há trinta dias, enquanto o relatório de igual período de 2015 mantém em U$65 bilhões a projeção para este ano. Para 2017, a pesquisa divulgada ontem mantém a estimativa do IDP em U$60 bilhões, pela sexta semana consecutiva.

Portanto, ainda é cedo para o mercado reagir positivamente às possíveis mudanças anunciadas, e ainda não aprovadas no Congresso Nacional. Continua gravíssima a situação político-econômica do País, que todo início de semana apresenta sobressaltos com a divulgação de informações da operação lava jato.


¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 31 de maio de 2016

MELHORA A CONFIANÇA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO EM MAIO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores brasileiros com relação à situação atual e às expectativas econômicas pessoais e do País para os próximos meses. O índice representa o sentimento dos brasileiros quanto à situação e às expectativas econômicas das pessoas e do País. Quanto maior o valor do índice, mais otimista é a avalição dos consumidores.

O INEC registra 105,2 pontos em mai/16, um crescimento de 7,9% na comparação com abr/16 (97,5 pontos) e de 6,6% frente a maio do ano anterior (98,7 pontos). Com esse desempenho, o índice atinge o maior valor desde jan/15, quando registrou 104,2 pontos. Apesar desse incremento significativo, o índice permanece em patamar baixo, 3,6% inferior à média histórica, que é 109,2 pontos, o que dificulta uma recuperação mais forte do consumo no momento atual.

Por outro lado, o crescimento em maio deste ano, se deve principalmente à melhora das expectativas dos consumidores em relação à inflação, ao nível de emprego e à renda nos próximos meses. Os indicadores de situação financeira e de endividamento mostram melhora, mas ainda permanecem baixos, diferentemente dos demais componentes do INEC.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: os índices de expectativas de inflação registraram elevação de 23,2% em mai/16, quando atingiu 126,5 pontos, ante abr/16, e subiu 36,8% com relação a igual período de 2015 quando chegou a 92,5 pontos. Pode-se afirmar que houve melhora da expectativa dos consumidores quanto à evolução futura da inflação, segundo os dados da CNI referentes ao período abr-mai/16, tendo em vista que o mês de mai/16 registrou o maior valor desde out/10, quando atingiu 131,5 pontos. Cabe observar que fora abril e maio, o maior valor registrado em 2016 foi 98,7 pontos em março;

(b) Expectativa de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram crescimento de 15,2% em mai/16, quando atingiu 125,6 pontos, frente ao mês anterior, e subiu 30,8% ante mai/15, o que evidencia uma melhora na expectativa dos entrevistados quanto à evolução futura do desemprego. Fora maio, o melhor desempenho do indicador no ano ficou em fev/16 com 110,5 pontos;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: as expectativas de renda pessoal apresentaram incremento de 9,8% em mai/16 quando atingiu 96,6 pontos, ante o mês anterior, e apresentou decréscimo de 2,8% com relação à mai/15 (99,4 pontos). Na comparação mensal, o dado de mai/16 demonstra melhora nas expectativas dos entrevistados quanto à evolução da renda, enquanto na análise anual registra queda;

(d) Compras de Bens de Maior Valor: com relação às expectativas das compras de maior valor, houve decréscimo de 0,6% em maio deste ano, quando atingiu 110,9 pontos, frente à abr/16, e apresentou crescimento de 1,5% ante mai/15 com 109,3 pontos. Entre os seis componentes do INEC, esse indicador foi o que apresentou a menor variação positiva frente a maio de 2015. Cabe observar que o período abr-mai/16 apresentou o pior desempenho no ano, o que demonstra arrefecimento nas expectativas quanto a compras de bens de maior valor;

(e) Endividamento: o endividamento apresentou elevação de 6,1% em mai/16 (95,4 pontos) quando comparado ao mês anterior, e registrou estabilidade com relação à mai/15 (95,4 pontos), o que mostra um maior nível de endividamento dos consumidores no período abr-mai/16. Em 2016, o indicador de endividamento do consumidor em maio só ficou abaixo do observado em jan/16 quando atingiu 97 pontos;

(f) Situação financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, houve melhora nas expectativas em mai/16 (86,4 pontos), quando registrou crescimento de 4,5% frente ao mês anterior. Já na comparação anual, houve declínio de 6,6% em maio deste ano frente à mai/15 quando registrou 92,5 pontos.

Portanto, as expectativas dos consumidores brasileiros em relação à inflação, ao nível de emprego, à renda nos próximos meses, a situação financeira e o endividamento apresentaram melhora, na comparação mensal, embora os dois últimos ainda permanecem baixos.


¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.