OS 7 ERROS MAIS
COMUNS DOS ENDIVIDADOS
Régis
Varão/¹
Procurar
entender a fonte da dívida pode ser considerado o melhor começo para buscar uma
saída para o endividamento. Uma alternativa, talvez a melhor nesse momento, é
escrever em uma folha de papel ou em uma planilha, o que for mais fácil, todas
as despesas realizadas ao longo do dia, tentar elaborar um orçamento e colocar
nele: grandes despesas, pequenas, prestações, financiamentos, restaurantes, cinema
e afins, lanche da tarde e o café expresso bebido com os amigos entre outros.
Não esqueça de pedir nota fiscal ou cupom fiscal de tudo que comprar e guarde
para ajudá-lo em seus controles.
Assim,
verifique como a dívida começou, qual o tamanho exato dela, quais são as
maiores prestações ou financiamentos e suas respectivas taxas de juros, e
concentre seus esforços naquelas em que paga mais juros para que não cresçam e liquide-as
o mais rápido possível. A seguir, os sete erros mais comuns dos endividados:
1. TER MAIS DE DOIS
CARTÕES DE CRÉDITO:
Colecionar
cartões de crédito pode levar ao endividamento e ao descontrole, principalmente
se a soma dos limites dos cartões superar a renda mensal. Exemplo: o indivíduo
recebe mensalmente R$ 15.000,00 de salário, e tem limite de R$ 35.000,00 em
três cartões de crédito. Esse limite muitas vezes cria a falsa impressão de que
se tem mais dinheiro para gastar. A sugestão: apenas pessoas controladas
financeiramente devem utilizar cartão de crédito, e mesmo assim, o limite nunca
deve ultrapassar o equivalente a 50% do valor dos ganhos mensais. Com um
salário de R$15 mil, o limite de crédito não deveria ultrapassar R$ 7.500,00.
Assim, um cartão de crédito é mais que suficiente para atender às necessidades
de qualquer pessoa. No entanto, se a pessoa não for disciplinada, esqueça
cartão de crédito e pague tudo com dinheiro;
2. PAGAR O MÍNIMO DA FATURA DO CARTÃO DE
CRÉDITO:
Os
juros do crédito rotativo do cartão de crédito são os mais elevados entre todas
as modalidades de crédito do sistema financeiro nacional. Segundo os últimos dados
do Banco Central (BCB), em média, atingem cerca de 450% a.a.
Apenas para comparar, a Selic, taxa básica de juros da economia, está em 14,25%
a.a. Toda vez que você paga o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, o
valor remanescente é financiado a juros elevadíssimos, multiplicando a dívida
aceleradamente. Evite pagar o valor mínimo, pague sempre o valor integral da
fatura no dia do vencimento. Assim, o melhor é colocar a fatura do cartão de
crédito como débito em conta;
3. NÃO FAZER
PLANEJAMENTO FINANCEIRO:
É
muito importante fazer orçamento pessoal ou familiar, e para isso é necessário
ter controle de todas as receitas e despesas para saber como está sendo gasto
seu dinheiro. Relacione todos os gastos com supermercado, padaria, farmácia,
combustível, manutenção do veículo, luz, água, condomínio, aluguel, tributos em
geral, prestações, financiamentos, restaurantes, cinema, lanches etc, e veja
onde pode economizar e até mesmo cortar. Lembre-se, sempre existe margem para
economizar;
4. NÃO NEGOCIAR
DÍVIDAS:
O
endividado poderia reduzir muito o montante das dívidas se tivesse negociado
diretamente com as operadoras dos cartões de crédito, em vez de deixar a dívida
crescer muito. A negociação pode ser realizada com instituições financeiras e
até mesmo com o colégio dos filhos. Ao negociar com o credor - bancos,
operadoras de cartão de crédito, financeiras, escola dos filhos etc - cria-se
uma nova condição de pagamento, ao passo que evitar a negociação pode ser um
comportamento perigoso e de elevado custo financeiro. Assim, fique atento ao poder multiplicador
dos juros compostos;
5. TIRAR EMPRÉSTIMO
PARA PAGAR DÍVIDAS E CONTRAIR OUTRAS:
Em
situações de elevado endividamento, é importante que se elimine despesas sem
contrair novos gastos. Cuidado ao tomar um novo empréstimo, as parcelas serão
novas despesas mensais, e deverão caber em seu orçamento. Fique atento aos
empréstimos tomados para quitar dívidas, normalmente os juros são elevadíssimos
e muitas vezes pioram ainda mais a situação do devedor. Negocie sempre, e evite
tirar novos empréstimos;
6. NÃO USAR O 13º E
EXTRAS PARA PAGAR CONTAS:
As
dívidas mais elevadas, com juros mais caros, devem ser quitadas o quanto antes,
por exemplo: cartão de crédito e cheque especial. Renda extra como 13º que é
parcelado em duas vezes geram duas novas oportunidades, ao longo do ano, para liquidar
dívidas, e as bonificações ou comissões extras também podem ser utilizadas para
esse fim. Se grande parte do endividamento é com o cartão de crédito, negocie o
quanto antes ou utilize a renda extra para pagá-lo. Nesse caso específico, vale
a pena tomar um crédito consignado, normalmente a menor taxa de juros do
mercado, apenas para liquidar a dívida do cartão de crédito ou cheque especial;
7. NÃO COMPRAR A
VISTA:
As compras parceladas levam ao endividamento tendo
em vista que são pequenas prestações, mas que no agregado se transformam em
grandes problemas. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência
do Consumidor (PEIC) da
Confederação Nacional do Comércio-CNC, de mai/16, carnê de loja é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras
com 15%, perdendo apenas para o cartão de crédito com 77% das preferências, na
sequência temos o terceiro lugar com financiamento de carro (11,3%) e em quarto
lugar crédito pessoal com 10,1%. O segredo do sucesso financeiro é: se não
tiver dinheiro para comprar a vista, simplesmente não compre.
Portanto, antes de abrir a carteira ou utilizar o
cartão de crédito, pergunte-se: (a) Eu preciso? (b) Tenho dinheiro? (c) Tem que
ser agora? Apenas uma resposta negativa a uma das três perguntas já é
suficiente para não adquirir o bem ou serviço.
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