Consultor Régis Varão
As festas de fim
de ano estão se aproximando, época de gastos com presentes, ceia natalina,
amigo oculto, presentes para familiares, virada do ano etc. Devemos ficar atentos
principalmente na publicidade de produtos ou serviços que desejamos adquirir. A
pressão da mídia aumenta, a publicidade visual é muito grande, principalmente
nos shoppings, todos desejam vender mais, é ai que mora o perigo. Embora
tecnicamente haja distinção entre publicidade e propaganda, vamos utilizar
neste texto, o termo publicidade.
Os empresários
estão atentos, pois haverá uma injeção de aproximadamente R$ 143 milhões na
economia por causa do pagamento do 13º
salário, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatísticas e
Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os shoppings do País estão de olho nesses números,
e devem gastar mais de R$ 280 milhões em decorações natalinas, o que dá em média
R$ 450 mil por unidade, chegando alguns shoppings para a classe alta a
investirem até R$ 2 milhões em enfeites natalinos, isso tudo para conquistar consumidores.
É um jogo bruto,
muitas vezes desleal, de um lado fornecedores de bens e serviços bem treinados,
simpáticos, cordiais, prestativos ao extremo, do outro, o consumidor
despreparado para desvencilhar-se dos fortes argumentos de vendedores de
retórica sofisticada e envolvente. Sabemos que existem cursos para vendedores,
mas não se tem conhecimento de cursos para consumidores, e aí está o problema.
Embora o poder
de compra venha caindo nos últimos meses, corroído pela inflação, o consumidor
deve gastar cerca de 30% a mais nas compras de fim de ano ante a média
observada em igual período de 2012, sendo que 51% dos entrevistados afirmaram
que utilizarão recursos do 13º
salário, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Ainda segundo a pesquisa,
o gasto médio total com presentes será de R$ 111,39, sendo que os presentes
mais procurados serão roupas (73%), seguido por calçados com 38%.
É interessante
notar que alguns segmentos até então pouco preocupados com a clientela fora do
ambiente de trabalho, começam a apresentar projetos inovadores. Um exemplo é a
Loja Conceito Banco do Brasil (LCBB), do shopping Iguatemi de Brasília, que tem
registrado movimento forte de consumo de um café espresso, Café Cristina, a
custo zero para os que entram na loja, consolidando-se como ponto de encontro
de pessoas de variadas procedências e importância no cenário local e nacional.
Além do espresso, a LCBB dispõe de caixas eletrônicas, e muitas vezes oferece
palestras diversas durante a semana e eventos musicais aos sábados e domingos,
com boa receptividade. Cabe registrar a qualidade do serviço dos barristas, e o
excelente atendimento do pessoal que lá trabalha.
Feito esse
parêntese a respeito da LCBB, observo que a pesquisa do SPC-CNDL cita que parte
dos recursos a serem gastos nas festas natalinas serão provenientes do 13º salário, o que preocupa,
tendo em vista que esse salário extra deveria ter uma destinação menos
consumista, isto é, deveria servir para quitar dívidas e reduzir o
endividamento de cartões de crédito entre outros.
Como o
consumismo está em alta nesses tempos de festas de fim de ano, é oportuno
observar melhor a publicidade que está na mídia tentando convencer as famílias
a comprarem bens e serviços, cujo objetivo é aumentar os lucros dos lojistas.
Já vimos
anúncios absurdos de cursos que prometem ensinar o aluno a falar uma língua estrangeira
em apenas um dia. Por esse motivo as possíveis vítimas dessa publicidade enganosa
não são apenas os consumidores, mas todas as pessoas que foram submetidas a ela.
Todos os que são expostos a tais práticas, o Código de Defesa do Consumidor
(CDC) as equipara ao consumidor, pois, embora não adquiram bens e serviços, isto
é não realizam transações comerciais, tomam conhecimento da publicidade.
Se determinada
loja de eletrodomésticos anuncia um liquidificador por R$ 56,00, ficará
obrigada a vendê-lo exatamente por R$ 56,00. Se o anunciante disser que o
produto ou serviço ofertado dispõe de determinadas características e qualidades,
terá que mostrar ao consumidor dados que comprovem o disposto no anúncio.
Nessa época do
ano, é muito comum a propaganda feita por pequenas e grandes agências de
turismo, de viagens, excursões e hospedagens maravilhosas. Para evitar decepções
futuras é importante verificar e guardar o material publicitário, folhetos e
prospectos, além de ficar atentos aos seguintes aspectos: nome da empresa responsável
pela viagem, meio de transporte utilizado, nome da companhia transportadora,
destinos e itinerários, tempo de duração e permanência em cada cidade ou país,
tipo de acomodação (pousada, hotel etc), se as diárias contemplam refeições, os
ingressos para museus e passeios são pagos/cortesia, qual o preço total do
evento, se parcelado qual o indicador utilizado na correção do saldo devedor,
quais as condições de cancelamentos, multas etc.
Para evitar dissabores,
a oferta e a apresentação dos bens e serviços devem estar escritas em português,
o prospecto deve ser claro e preciso, deve apresentar as características,
composição e qualidades do produto/serviço anunciado, deve ter preço legível,
garantia e prazo de validade, deve observar se o fabricante é nacional ou
estrangeiro, e se o produto/serviço apresenta riscos à segurança e à saúde.
São inúmeras as possibilidades
da publicidade enganosa, cabendo ao consumidor tentar se proteger ao máximo,
buscando informações a respeito do fornecedor do bem ou serviço que deseja
adquirir, e sempre prestar atenção às informações que são relevantes e muitas
vezes esquecidas pelo consumidor, testar o produto na frente do vendedor,
verificar o prazo de validade, garantias e se existe oficina autorizada na
manutenção/concerto do bem.
Contudo, fica a
dica: use o 13º salário para liquidar
dívidas, e quebre a rotina dos últimos anos, gaste pouco nesse Natal.
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