terça-feira, 15 de dezembro de 2015

PROBLEMAS POLÍTICOS INTERFEREM NAS EXPECTATIVAS DO MERCADO
Régis Varão/¹

O Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgado ontem, apresenta correções na maioria das variáveis pesquisadas para este ano e o próximo, exceto para a taxa de câmbio e saldo do balanço comercial em 2015, e IPC-Fipe, câmbio e saldo comercial em 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 11.12.15 corrigiu para 10,61% a estimativa do índice para 2015, décima terceira semana a registrar elevação, ante 10,44% observada na semana anterior, e 10,04% há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a pesquisa de 12.12.14 manteve a projeção do IPCA em 6,50%, ante 6,40% verificada há trinta dias. Para 2016, o Focus de 11.12.15 elevou a expectativa para 6,80%, ante 6,70% da semana anterior, e 6,50% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 11.12.15 reduziu a projeção do índice para 10,99%, de 11,04% na pesquisa anterior, e de 10,54% no boletim divulgado há quatro semanas. O Focus de 12.12.14 corrigiu para 5,73% a projeção do IGP-DI para este ano, ante 5,70% registrada há sete dias, e 5,57% há um mês. Para 2016, o boletim de 11.12.15 reduziu a expectativa do índice para 6,14%, ante 6,17% verificado na semana anterior, e 6% observado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 11.12.15 diminuiu a estimativa do câmbio para R$/U$3,90, ante R$/U$3,95 observado na pesquisa anterior, e R$/U$3,96 indicado há trinta dias. A pesquisa de 12.12.14 elevou para R$/U$2,72 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,70 divulgada na semana anterior, e R$/U$2,61 há um mês. Para 2016, o boletim divulgado ontem manteve em R$/U$4,20 a projeção do câmbio, pela sétima semana consecutiva;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a última expectativa disponível indica juros de 14,25% a.a. para 2015. Esse valor permanece tendo em vista não haver mais reuniões do Copom este ano. Para 2016, o Focus divulgado ontem elevou a estimativa dos juros para 14,63% a.a., ante 14,25% a.a. verificado na pesquisa anterior, e 13,25% a.a. observado há um mês;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 11.12.15 corrigiu para -3,62% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do relatório anterior, e -3,10% há trinta dias. A pesquisa de 12.12.14 corrigiu para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2015 (+0,69%), frente à variação positiva de 0,73% apresentado há uma semana, e +0,80% há um mês. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu a queda do PIB para -2,67% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,31% observado há sete dias, e -2% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado ontem elevou o declínio da indústria para -7,70% para 2015, ante a variação negativa de 7,60% estimada no Focus anterior, e -6,40% há um mês, enquanto a pesquisa de 12.12.14 reduziu o crescimento da indústria para +1,13% para 2015, de +1,23% verificado na pesquisa anterior, e +1,31% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 11.12.15 corrigiu a queda da atividade industrial para -3,45%, de -2,40% divulgado na semana anterior, e -2,15% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 11.12.15 manteve a estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, ante U$14,95 bi apresentados há quatro semanas. Já a pesquisa de 12.12.14 corrigiu o superávit comercial para U$5 bilhões em 2015, de U$6,31 bi observados há sete dias, e U$6,50 bi verificado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta semana manteve estável em U$31,44 bilhões a estimativa do superávit comercial para aquele ano, ante U$30,55 bi verificados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 11.12.15 subiu a projeção de crescimento do IED para U$62,40 bilhões em 2015, ante U$62,80 bi da pesquisa divulgada há trinta dias, enquanto o relatório de 12.12.14 elevou para U$58,20 bilhões em 2015, ante U$58 bi nas três semanas anteriores. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem corrigiu para baixo a estimativa do IED, U$55 bi, de U$57 bilhões observados há sete dias, e U$58 bi há quatro semanas.

Portanto, preços de bens e serviços em alta, queda do poder aquisitivo da população, forte crescimento do desemprego em vários segmentos da economia, manutenção da Taxa Selic no atual patamar, menor volume de crédito e situação política instável têm contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos quanto a uma solução de curto prazo para os problemas nacionais, já contaminando as expectativas do mercado para o próximo ano.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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