PROBLEMAS POLÍTICOS INTERFEREM NAS EXPECTATIVAS DO MERCADO
Régis
Varão/¹
O Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgado ontem,
apresenta correções na maioria das variáveis pesquisadas para
este ano e o próximo, exceto para a taxa de câmbio e saldo do balanço comercial
em 2015, e IPC-Fipe, câmbio e saldo comercial em 2016. A pesquisa é realizada
pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras,
totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 11.12.15 corrigiu para 10,61% a estimativa do índice
para 2015, décima terceira semana a registrar elevação, ante 10,44% observada na
semana anterior, e 10,04% há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a
pesquisa de 12.12.14 manteve a projeção do IPCA em 6,50%, ante
6,40% verificada há trinta dias. Para 2016, o Focus de 11.12.15 elevou a expectativa para 6,80%, ante 6,70%
da semana anterior, e 6,50% há um mês;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 11.12.15 reduziu a projeção
do índice para 10,99%, de 11,04% na pesquisa anterior, e de 10,54% no boletim
divulgado há quatro semanas. O Focus de 12.12.14 corrigiu
para 5,73% a projeção do IGP-DI para este ano, ante 5,70% registrada há sete
dias, e 5,57% há um mês. Para 2016, o boletim de 11.12.15 reduziu a expectativa
do índice para 6,14%, ante 6,17% verificado na semana anterior, e 6% observado
há quatro semanas;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
11.12.15 diminuiu a
estimativa do câmbio para R$/U$3,90, ante R$/U$3,95 observado na pesquisa anterior,
e R$/U$3,96 indicado há trinta dias. A pesquisa de 12.12.14 elevou para
R$/U$2,72 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,70 divulgada na semana
anterior, e R$/U$2,61 há um mês. Para 2016, o boletim divulgado ontem manteve
em R$/U$4,20 a projeção do câmbio, pela sétima semana consecutiva;
(d) Taxa Selic (% a.a.): a última
expectativa disponível indica juros de 14,25% a.a. para 2015. Esse valor
permanece tendo em vista não haver mais reuniões do Copom
este ano. Para 2016, o Focus divulgado ontem elevou a estimativa dos juros para
14,63% a.a., ante 14,25% a.a. verificado na pesquisa anterior, e 13,25% a.a.
observado há um mês;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 11.12.15 corrigiu
para -3,62% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do
relatório anterior, e -3,10% há trinta dias. A pesquisa de 12.12.14 corrigiu
para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2015 (+0,69%), frente à
variação positiva de 0,73% apresentado há uma semana, e +0,80% há um mês. Com
relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu a queda do PIB para -2,67% para aquele ano, frente
ao decréscimo de 2,31% observado há sete dias, e -2% há quatro semanas;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado
ontem elevou o declínio da indústria para -7,70% para 2015, ante a variação
negativa de 7,60% estimada no Focus anterior, e -6,40% há um mês, enquanto a
pesquisa de 12.12.14 reduziu o
crescimento da indústria para +1,13% para 2015, de +1,23% verificado na
pesquisa anterior, e +1,31% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 11.12.15 corrigiu a
queda da atividade industrial para -3,45%, de -2,40% divulgado na semana
anterior, e -2,15% há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 11.12.15 manteve a
estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, ante U$14,95 bi apresentados
há quatro semanas. Já a pesquisa de 12.12.14 corrigiu o superávit
comercial para U$5 bilhões em 2015, de U$6,31 bi observados há sete dias, e U$6,50
bi verificado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta semana manteve estável
em U$31,44 bilhões a estimativa do superávit comercial para aquele ano, ante U$30,55
bi verificados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 11.12.15 subiu a projeção
de crescimento do IED para U$62,40 bilhões em 2015, ante U$62,80 bi da pesquisa
divulgada há trinta dias, enquanto o relatório de 12.12.14 elevou para
U$58,20 bilhões em 2015, ante U$58 bi nas três semanas anteriores. Para 2016, a
pesquisa divulgada ontem corrigiu para baixo a estimativa do IED, U$55 bi, de U$57
bilhões observados há sete dias, e U$58 bi há quatro semanas.
Portanto, preços de bens e serviços em alta, queda
do poder aquisitivo da população, forte crescimento do desemprego em vários
segmentos da economia, manutenção da Taxa Selic no atual patamar, menor volume
de crédito e situação política instável têm contribuído para elevar o
pessimismo dos agentes econômicos quanto a uma solução de curto prazo para os problemas
nacionais, já contaminando as expectativas do mercado para o próximo ano.
¹/ Consultor de Finanças Pessoais,
educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças
pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em
economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco
Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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