MELHORA A CONFIANÇA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO EM MAIO
Régis Varão/¹
O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores brasileiros
com relação à situação atual e às expectativas econômicas pessoais e do País
para os próximos meses. O índice representa o sentimento dos brasileiros quanto
à situação e às expectativas econômicas das pessoas e do País. Quanto maior o valor
do índice, mais otimista é a avalição dos consumidores.
O INEC registra 105,2 pontos em mai/16, um crescimento de 7,9% na comparação
com abr/16 (97,5 pontos) e de 6,6% frente a maio do ano anterior (98,7 pontos).
Com esse desempenho, o índice atinge o maior valor desde jan/15, quando
registrou 104,2 pontos. Apesar desse incremento significativo, o índice
permanece em patamar baixo, 3,6% inferior à média histórica, que é 109,2
pontos, o que dificulta uma recuperação mais forte do consumo no momento atual.
Por outro lado, o crescimento em maio deste ano, se
deve principalmente à melhora das expectativas dos consumidores em relação à
inflação, ao nível de emprego e à renda nos próximos meses. Os indicadores de
situação financeira e de endividamento mostram melhora, mas ainda permanecem
baixos, diferentemente dos demais componentes do INEC.
Componentes do INEC:
(a) Expectativa
de Inflação: os índices de expectativas de inflação registraram elevação de
23,2% em mai/16, quando atingiu 126,5 pontos, ante abr/16, e subiu 36,8% com
relação a igual período de 2015 quando chegou a 92,5 pontos. Pode-se afirmar
que houve melhora da expectativa dos consumidores quanto à evolução futura da inflação,
segundo os dados da CNI referentes ao período abr-mai/16, tendo em vista que o
mês de mai/16 registrou o maior valor desde out/10, quando atingiu 131,5 pontos.
Cabe observar que fora abril e maio, o maior valor registrado em 2016 foi 98,7
pontos em março;
(b) Expectativa
de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram crescimento de 15,2%
em mai/16, quando atingiu 125,6 pontos, frente ao mês anterior, e subiu 30,8%
ante mai/15, o que evidencia uma melhora na expectativa dos entrevistados quanto
à evolução futura do desemprego. Fora maio, o melhor desempenho do indicador no
ano ficou em fev/16 com 110,5 pontos;
(c) Expectativa
de Renda Pessoal: as expectativas de renda pessoal apresentaram incremento
de 9,8% em mai/16 quando atingiu 96,6 pontos, ante o mês anterior, e apresentou
decréscimo de 2,8% com relação à mai/15 (99,4 pontos). Na comparação mensal, o
dado de mai/16 demonstra melhora nas expectativas dos entrevistados quanto à
evolução da renda, enquanto na análise anual registra queda;
(d) Compras de
Bens de Maior Valor: com relação às expectativas das compras de maior valor,
houve decréscimo de 0,6% em maio deste ano, quando atingiu 110,9 pontos, frente
à abr/16, e apresentou crescimento de 1,5% ante mai/15 com 109,3 pontos. Entre
os seis componentes do INEC, esse indicador foi o que apresentou a menor
variação positiva frente a maio de 2015. Cabe observar que o período abr-mai/16
apresentou o pior desempenho no ano, o que demonstra arrefecimento nas
expectativas quanto a compras de bens de maior valor;
(e) Endividamento:
o endividamento apresentou elevação de 6,1% em mai/16 (95,4 pontos) quando
comparado ao mês anterior, e registrou estabilidade com relação à mai/15 (95,4
pontos), o que mostra um maior nível de endividamento dos consumidores no período
abr-mai/16. Em 2016, o indicador de endividamento do consumidor em maio só
ficou abaixo do observado em jan/16 quando atingiu 97 pontos;
(f) Situação
financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, houve
melhora nas expectativas em mai/16 (86,4 pontos), quando registrou crescimento
de 4,5% frente ao mês anterior. Já na comparação anual, houve declínio de 6,6%
em maio deste ano frente à mai/15 quando registrou 92,5 pontos.
Portanto, as expectativas
dos consumidores brasileiros em relação à inflação, ao nível de emprego, à renda
nos próximos meses, a situação financeira e o endividamento apresentaram
melhora, na comparação mensal, embora os dois últimos ainda permanecem baixos.
¹/ Coach Financeiro, Educador
Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e
conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia,
Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do
Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.