NOVO GOVERNO NÃO MELHORA
O PESSIMISMO DO MERCADO
Régis
Varão/¹
A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada ontem
pelo Banco Central (BCB) revisa grande
parte das projeções do mercado para 2016, exceto IPCA, câmbio, juros e preços
administrados. Para o próximo ano foram mantidos inalterados seis indicadores. A
pesquisa tem periodicidade semanal, é realizada com cerca de
100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e contempla 15
indicadores. Esta análise aborda oito variáveis:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de
13.5.16 mantém inalterada em 7% a estimativa do IPCA
para 2016, ante 7,08% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a
pesquisa realizada em 15.5.15 reduz a projeção do índice para 5,50%. Para
2017, o Focus divulgado ontem reduz a estimativa do IPCA para 5,50%, ante 5,93%
registrado há trinta dias;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado desta semana eleva a projeção do índice para 7,10% este ano, de 7,03%
observado na semana anterior, e 7,22% há um mês, enquanto o relatório de 15.5.15 mantém inalterada em 5,50% a estimativa do índice para 2016. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada
esta semana eleva a expectativa do IGP-DI para 5,60%, ante 5,50% divulgada há
trinta dias;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório
divulgado ontem mantém a estimativa do câmbio em R$/U$3,70, ante R$/U$3,80 divulgada
há um mês. Ainda com relação a 2016, o Focus de 15.5.15 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,30. Para 2017, o Focus de 13.5.16 mantém a expectativa do câmbio em R$/U$3,90, de R$/U$4,00 observado há trinta
dias. A taxa de câmbio tem apresentado grande volatilidade nas últimas semanas,
devido, basicamente à atual conjuntura político-econômica;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 13.5.16 mantém os
juros, final de 2016, em 13% a.a., ante 13,38% a.a. observado no Focus divulgado
há um mês, enquanto a pesquisa de 15.5.15 eleva a
projeção dos juros para 11,75% a.a. para este ano. O relatório Focus divulgado ontem
reduz a projeção dos juros para 11,50% a.a. para o final de 2017, ante 12,25%
a.a. observado há quatro semanas;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa Focus desta semana corrige para baixo a expectativa de
crescimento do PIB para 2016 (-3,88%), frente ao declínio de 3,80% do relatório
divulgado há trinta dias. Já o Focus de 15.5.15 mantém
estável em +1% a expectativa de crescimento do PIB para este ano. Quanto a 2017,
a pesquisa de 13.5.16 mantém em
+0,50% a projeção de crescimento do PIB, ante +0,20% observado há um mês. O
mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB para este ano e 2017,
embora continue fazendo pequenas correções altistas nas projeções para o
próximo ano;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado
ontem continua apostando em forte declínio da atividade industrial para 2016 (-5,85%),
ante queda de 5,80% estimada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 15.5.15 mantém variação
positiva de 1,50% para 2016. Para 2017, a pesquisa de 13.5.16 mantém
estável o crescimento da atividade industrial em +0,74%, embora tenha
registrado +0,69% há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de
13.5.16 eleva a projeção
do superávit comercial para U$48 bilhões em 2016, ante U$45,51 bi observados há
trinta dias. A pesquisa de 15.5.15 mantém a estimativa
do superávit comercial em U$9,45 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus divulgado
ontem mantém em U$50 bilhões a estimativa do superávit comercial, mesmo valor
observado nas últimas seis semanas;
(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 13.5.16 corrige
para cima a estimativa do IDP, U$58,50 bilhões para o final de 2016, ante U$55
bi há trinta dias, enquanto o relatório de igual período de 2015 mantém em U$64
bilhões a projeção para 2016. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada esta
semana mantém a estimativa do IDP em U$60 bi, de U$55 bilhões observados há
quatro semanas.
Portanto, nos últimos dias, o País apresentou
pequena melhora nas expectativas do mercado, tendo em vista a possibilidade de
confirmação pelo Senado Federal do impeachment da presidente Dilma. O mercado
aguarda a indicação da futura equipe econômica, para poder iniciar o processo
de enfrentamento da crise e trazer tranquilidade ao Brasil.
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