terça-feira, 3 de maio de 2016

JÁ TEMOS 11 MILHÕES DE DESEMPREGADOS NO BRASIL!
Régis Varão/¹

O País está parado aguardando o desenlace do processo que tramita no Senado Federal, e que poderá tirar a presidente Dilma da cadeira mais cobiçada do Brasil. Enquanto isso, milhões de famílias estão desocupadas, o desemprego bate recordes mês após mês. Os juros são os mais elevados do mundo, a atividade econômica despenca a cada divulgação do Focus-Relatório de Mercado, do Banco Central (BCB), o endividamento e a inadimplência das famílias estão elevadíssimos e continuam a subir, e quanto ao futuro ninguém arrisca a fazer previsões.

A Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE, apresenta os indicadores de desemprego para o País, que são calculados para trimestres móveis, utilizando-se as informações dos últimos três meses consecutivos da pesquisa.

A taxa de desocupação no trimestre finalizado em mar/16 foi estimada em 10,9%, 1,9 p.p. acima da taxa do trimestre encerrado em dez/15 com 9%, e 3 p.p. acima do trimestre jan-mar/15 (7,9%). A população desocupada atinge o contingente de 11,1 milhões de pessoas, no trimestre móvel encerrado em mar/16, cerca de 22% a mais, 2 milhões de pessoas, que o total observado no período out-dez/15. Na comparação com o período jan-mar/15 temos elevação de 3,2 milhões no total de desocupados, aproximadamente a população do Uruguai com 3,4 milhões.

Com o trimestre encerrado em mar/16 atingimos a mais elevada taxa de desemprego de toda a série histórica (10,9%), ficando 0,7 p.p. acima da observada no trimestre encerrado em fev/16 (10,2%), inaugurando um novo patamar de taxa. Até então, a mais elevada taxa da série tinha ficado em 9%, respectivamente nos trimestres encerrados em out/15, nov/15 e dez/15.

Quanto à população ocupada, que totaliza 90,6 milhões, apresentou declínio de 1,7%, quando comparada com o trimestre out-dez/15. Em comparação com igual trimestre de 2015 foi registrada redução de 1,5%, o que representa 1,4 milhão de pessoas a menos.

Já com relação ao total de empregados com carteira assinada, em um total de 34,6 milhões, apresentou decréscimo em ambos os períodos de análise. Frente ao período out-dez/15, a redução foi de -2,2%. Na comparação com mesmo trimestre de 2015, a redução foi de 4,0%, cerca de 1,4 milhão de pessoas a menos.

Com relação ao rendimento médio real recebido em todos os trabalhos, R$ 1.966,00, ficou estável frente ao trimestre out-dez/15, R$ 1.961,00, e mostrou queda de 3,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior com R$ 2.031,00. A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos, R$ 173,5 bilhões, ficou estável em relação ao período out-dez/15 e apresentou declínio de 4,1% frente ao mesmo período de 2015.

A categoria das pessoas que trabalharam por conta própria registrou aumento de 1,2% em relação ao trimestre de out-dez/15, e apresenta incremento de 274 mil pessoas. Na comparação com o período jan-mar/15, constatou-se aumento de 6,5%, o que representou acréscimo de 1,4 milhão de pessoas. A participação dos empregadores apresentou uma redução de 5,8% em relação ao trimestre out-dez/15 e, em relação ao trimestre jan-mar/15, a redução foi de 8,6%.

Com relação ao trimestre jan-mar/15, houve aumento nos segmentos de transporte, armazenagem e correio, 4,3% (+184 mil pessoas); serviços domésticos, 4,3% (+258 mil pessoas); alojamento e alimentação, 4,0% (+173 mil pessoas); e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, 2,4% (+358 mil pessoas). Nos grupamentos da indústria geral e da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, verificou-se queda de 11,5% (-1,5 milhão de pessoas) e de 6,3% (-656 mil pessoas), respectivamente. Nos demais segmentos ocorreram estabilidade.

Na comparação com o trimestre out-dez/15, apenas os trabalhadores domésticos apresentaram aumento no rendimento médio (+2,3%) e as demais categorias não tiveram variação significativa em seus rendimentos. Em relação ao trimestre jan-mar/15, no segmento dos trabalhadores por conta própria verificou-se declínio de 3,9% no rendimento médio. As demais categorias apresentaram estabilidade em seus rendimentos.

Em relação ao período out-dez/15, ocorreu retração de 4% nos segmentos agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura e incremento de 2,3% nos serviços domésticos. Nos demais segmentos não houve variação.

Portanto, enquanto se discute a formação de um novo ministério, em um aparente novo governo, o País está parado à espera de decisões que virão do Senado Federal. Estamos perdendo por ano, de postos de trabalho, o equivalente à população do Uruguai.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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