JÁ TEMOS 11 MILHÕES
DE DESEMPREGADOS NO BRASIL!
Régis
Varão/¹
O
País está parado aguardando o desenlace do processo que tramita no Senado
Federal, e que poderá tirar a presidente Dilma da cadeira mais cobiçada do
Brasil. Enquanto isso, milhões de famílias estão desocupadas, o desemprego bate
recordes mês após mês. Os juros são os mais elevados do mundo, a atividade
econômica despenca a cada divulgação do Focus-Relatório de Mercado, do Banco
Central (BCB), o endividamento e a
inadimplência das famílias estão elevadíssimos e continuam a subir, e quanto ao
futuro ninguém arrisca a fazer previsões.
A
Pnad
Contínua, divulgada pelo IBGE, apresenta os indicadores de
desemprego para o País, que são calculados para trimestres móveis,
utilizando-se as informações dos últimos três meses consecutivos da pesquisa.
A taxa
de desocupação no trimestre finalizado em mar/16 foi estimada em 10,9%,
1,9 p.p. acima da taxa do trimestre encerrado em dez/15 com 9%, e 3 p.p. acima
do trimestre jan-mar/15 (7,9%). A população desocupada atinge o contingente
de 11,1 milhões de pessoas, no trimestre móvel encerrado em mar/16, cerca de 22%
a mais, 2 milhões de pessoas, que o total observado no período out-dez/15. Na
comparação com o período jan-mar/15 temos elevação de 3,2 milhões no total de desocupados,
aproximadamente a população do Uruguai com 3,4 milhões.
Com
o trimestre encerrado em mar/16 atingimos a mais elevada taxa de desemprego de
toda a série histórica (10,9%), ficando 0,7 p.p. acima da observada no
trimestre encerrado em fev/16 (10,2%), inaugurando um novo patamar de taxa. Até
então, a mais elevada taxa da série tinha ficado em 9%, respectivamente nos trimestres
encerrados em out/15, nov/15 e dez/15.
Quanto
à população ocupada, que totaliza 90,6 milhões, apresentou declínio de 1,7%,
quando comparada com o trimestre out-dez/15. Em comparação com igual trimestre de
2015 foi registrada redução de 1,5%, o que representa 1,4 milhão de pessoas a
menos.
Já
com relação ao total de empregados com carteira assinada, em um total de 34,6
milhões, apresentou decréscimo em ambos os períodos de análise. Frente ao período
out-dez/15, a redução foi de -2,2%. Na comparação com mesmo trimestre de 2015,
a redução foi de 4,0%, cerca de 1,4 milhão de pessoas a menos.
Com
relação ao rendimento médio real recebido em todos os trabalhos, R$ 1.966,00,
ficou estável frente ao trimestre out-dez/15, R$ 1.961,00, e mostrou queda de
3,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior com R$ 2.031,00. A massa
de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos, R$ 173,5
bilhões, ficou estável em relação ao período out-dez/15 e apresentou declínio de
4,1% frente ao mesmo período de 2015.
A
categoria das pessoas que trabalharam por conta própria registrou
aumento de 1,2% em relação ao trimestre de out-dez/15, e apresenta incremento
de 274 mil pessoas. Na comparação com o período jan-mar/15, constatou-se aumento
de 6,5%, o que representou acréscimo de 1,4 milhão de pessoas. A participação
dos empregadores apresentou uma redução de 5,8% em relação ao
trimestre out-dez/15 e, em relação ao trimestre jan-mar/15, a redução foi de
8,6%.
Com
relação ao trimestre jan-mar/15, houve aumento nos segmentos de transporte,
armazenagem e correio, 4,3% (+184 mil pessoas); serviços domésticos, 4,3% (+258
mil pessoas); alojamento e alimentação, 4,0% (+173 mil pessoas); e
administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços
sociais, 2,4% (+358 mil pessoas). Nos grupamentos da indústria geral e da
informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e
administrativas, verificou-se queda de 11,5% (-1,5 milhão de pessoas) e de 6,3%
(-656 mil pessoas), respectivamente. Nos demais segmentos ocorreram
estabilidade.
Na
comparação com o trimestre out-dez/15, apenas os trabalhadores domésticos
apresentaram aumento no rendimento médio (+2,3%) e as demais categorias não
tiveram variação significativa em seus rendimentos. Em relação ao trimestre jan-mar/15,
no segmento dos trabalhadores por conta própria verificou-se declínio de 3,9%
no rendimento médio. As demais categorias apresentaram estabilidade em seus
rendimentos.
Em
relação ao período out-dez/15, ocorreu retração de 4% nos segmentos
agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura e incremento de
2,3% nos serviços domésticos. Nos demais segmentos não houve variação.
Portanto,
enquanto se discute a formação de um novo ministério, em um aparente novo
governo, o País está parado à espera de decisões que virão do Senado Federal. Estamos
perdendo por ano, de postos de trabalho, o equivalente à população do Uruguai.
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