quarta-feira, 29 de junho de 2016

MERCADO CONTINUA AJUSTANDO SUAS PROJEÇÕES
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada nesta semana pelo Banco Central (BCB) revisou praticamente todas as projeções do mercado para este ano, exceto taxas de câmbio, PIB, conta corrente e balança comercial. Quanto ao próximo ano, as estimativas de sete variáveis permaneceram inalteradas. A pesquisa é realizada com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e contempla 15 indicadores. A seguir, uma análise de oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 24.6.16 eleva a estimativa do IPCA para 7,29% em 2016, ante 7,06% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 26.6.15 mantém inalterada a estimativa em 5,50% para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta semana mantém em 5,50% a projeção do mercado para o índice, pela sexta semana consecutiva;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado de 24.6.16 eleva a projeção do índice para 8,55% em 2016, de 7,20% verificado há um mês, enquanto a pesquisa de 26.6.15 mantém a estimativa em 5,50%, pela quadragésima sétima semana consecutiva. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta semana reduz a expectativa do IGP-DI para 5,58%, ante 5,59% da semana anterior;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o último relatório Focus mantém a estimativa do câmbio em R$/U$3,60 para 2016, ante R$/U$3,65 há trinta dias. Ainda com relação a 2016, o Focus de 26.6.15 reduz a taxa de câmbio para R$/U$3,37, de R$/U$3,40 observado na semana anterior. Para o próximo ano, a pesquisa de 24.6.16 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,80, ante R$/U$3,85 observado há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 24.6.16 eleva a taxa de juros para 13,25% a.a. para 2016, ante 12,88% a.a. observado há 30 dias, enquanto o relatório de 26.6.15 mantém a projeção dos juros em 12% a.a. para 2016. O Relatório de Mercado desta semana reduz a estimativa dos juros para 11% a.a. para 2017, ante 11,25% a.a. verificado nas semanas anteriores;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 24.6.16 mantém em -3,44% o decréscimo da atividade econômica para 2016, ante variação negativa de 3,81% verificada há trinta dias. Já a pesquisa de 26.6.15 registra redução na expectativa de crescimento do PIB em 2016 para +0,50%, ante variação positiva de 1% observado há quatro semanas. Com relação a 2017, a última pesquisa Focus mantém em +1% a projeção de crescimento do PIB, ante +0,55% verificado há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 24.6.16 corrigiu o declínio da atividade industrial para -5,89% para 2016, ante a variação negativa de 6% estimada há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 26.6.15 a projeção de crescimento do setor industrial se mantém nas últimas semanas em +1,50% para 2016. Para 2017, a pesquisa divulgada desta semana eleva o crescimento da indústria para +0,80%, de +0,90% apresentado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 24.6.16 mantém a projeção do superávit comercial em U$50,76 bilhões para 2016, ante U$58,64 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 26.6.15 eleva a estimativa do superávit comercial para U$12 bilhões em 2016. Para 2017, o Focus de 24.6.16 mantém praticamente estável em U$50 bilhões a estimativa do superávit comercial, ante U$50,07 bi verificados na pesquisa anterior;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o Focus de 24.6.16 corrige para cima a estimativa do IDP, U$60,50 bilhões, para o final de 2016, ante U$58,54 bi observados há trinta dias, enquanto o relatório de igual período de 2015 mantém em U$65 bilhões a projeção para este ano. Para 2017, a última pesquisa Focus mantém a estimativa do IDP em U$60 bilhões, pela nona semana consecutiva.

O governo Temer tenta colocar a economia em funcionamento, mas os indicadores de desemprego, inadimplência e inflação continuam sinalizando negativamente, enquanto não for resolvido o processo de impedimento da presidente afastada.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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