domingo, 15 de outubro de 2017

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS CAI EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF)  da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) decresceu cerca de 0,7% em set/17 na comparação mensal. O índice permanece em um nível inferior a 100 pontos, zona de indiferença, o que indica a percepção de insatisfação das famílias com a situação atual do País. O ICF é um indicador antecedente que tem como objetivo antecipar o potencial de vendas do setor comércio.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou piora de 1,1% na comparação mensal, enquanto as famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM), registrou crescimento 0,8%. Segundo a CNC: “O índice das famílias mais ricas está em 88,1 pontos; e o das demais, em 74,6 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.

Na avaliação regional, as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte registraram variações mensais positivas. O maior crescimento ocorreu na região Norte, melhora de 2,5% na intenção de consumo, e a pior ficou com o Nordeste, decréscimo de 2,2%.

De acordo com o relatório da CNC, “A Pesquisa Mensal de Comércio mostrou que o varejo ampliado, que além do comércio varejista inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção teve variação positiva de 0,2% no volume de vendas em julho na comparação ao mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Com o fim do efeito dos saques das contas inativas do FGTS sobre as vendas, a tendência de crescimento do setor nos próximos meses dependerá da resposta do mercado de trabalho e da retomada dos investimentos”.

Segundo Juliana Serapio, assessora econômica da CNC, “Com o fim do efeito dos saques das contas inativas do FGTS sobre as vendas, a tendência de crescimento do consumo nos próximos meses dependerá da resposta do mercado de trabalho e da retomada dos investimentos”.

A seguir, uma sucinta análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou queda de 0,7% em set/17 (106,4 pontos) ante o mês anterior, e subiu 1,6% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras quanto ao nível de Emprego Atual está em 30,7% ante 31,3% observado no mês anterior.

As regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são: Centro-Oeste (135,5 pontos), Norte (123,5 pontos) e Sul (111,1 pontos), com variações mensais respectivas de -0,8%, +0,4% e -1,3%. As regiões Nordeste (102,7 pontos) e Sudeste (97,6 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O índice geral e os regionais, exceto o da região Sudeste, estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador apresentou estabilidade em set/17  (54,2 pontos) frente ao mês anterior e apresentou crescimento de 16,7% na comparação anual. O relatório da CNC afirma: “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (59,6% ante 59,3% em agosto). O índice permanece em 54,2 pontos”.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou declínio de 0,8% em set/17 (70,80 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 8,2% em relação a set/16. Entre os componentes do ICF, a modalidade compras a prazo apresentou a maior variação positiva na comparação anual.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 1,4% em set/17 (52,6 pontos), ante o mês anterior, mas subiu 18% na comparação com set/16, registrando o segundo maior crescimento anual entre os componentes do ICF.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) registraram crescimento de 1,1% no indicador, na comparação mensal, e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram incremento de 2,2%. Em termos regionais, esse indicador variou de 75,8 pontos na região Sul a 36,2 pontos na região Norte.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve redução de 1% em set/17 (89,9 pontos) ante o mês anterior, e subiu 1,8% na comparação anual.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou declínio de 0,2% em set/17 (69,5 pontos) frente ao mês anterior e registrou o maior incremento (+19,5%) entre os componentes do ICF na comparação anual. Já na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram queda de 1,5% e aquelas famílias com renda >10 SM registraram elevação de 5,7%.

O relatório da CNC afirma que “A inflação baixa e as taxas de juros em queda são fundamentos econômicos importantes para as condições de consumo e devem permanecer com este comportamento, contribuindo de forma positiva para a reação das vendas no curto prazo”.

7. Perspectiva Profissional:

O componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 2,1% em set/17 (94 pontos) na comparação mensal, e caiu 3,5% quando comparado a set/16. O valor desse componente em set/17, foi o menor observado para um mês de setembro desde o início da série histórica em 2010. Assim, a pequena melhora das condições atuais da economia ainda não foram suficientes para impactar positivamente o comportamento desse indicador.

Portanto, as expectativas favoráveis observadas em alguns indicadores macroeconômicos quanto ao desempenho da atividade econômica para 2017 e 2018, a redução da inflação, a queda dos juros e a pequena melhora do emprego, ainda não foram suficientes para impactar positivamente o ICF e a maioria de seus componentes, observando, no entanto, que a exceção ficou para o desempenho positivo mensal do componente momento para duráveis.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 14 de outubro de 2017

MELHORA A CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou variação positiva de 1,63% em set/17 (104,78 pontos) ante o mês anterior, continuando acima da zona de indiferença pelo sexto mês consecutivo. O indicador apresentou elevação de 12% na comparação com set/16 (93,54 pontos). A melhora gradual no desempenho do setor vem promovendo elevação da confiança dos comerciantes nesses últimos seis meses do ano. O ICEC detecta as tendências do setor, do ponto de vista do empresário do comércio.

O subíndice da pesquisa que mede a percepção dos comerciantes sobre as condições correntes (ICAEC) atingiu 75,53 pontos em set/17, representando crescimento de 1,8%% ante o mês anterior, e subiu 42% na comparação anual.

Em set/17, o percentual de 35,4% dos comerciantes consideraram o desempenho do comércio melhor do que em igual período de 2016, quando atingiu 22,8% dos comerciantes consultados. Ainda na comparação anual, observa-se que a percepção dos varejistas quanto às condições atuais melhorou substancialmente nos três itens avaliados: economia, setor e empresa.

O subíndice que mede as expectativas do empresário do comércio (IEEC) apresentou elevação de 1% em set/17 (147,62 pontos) na comparação mensal, e avanço de 2,5% com relação a set/16. O IEEC continua como o único subíndice do ICEC acima dos 100 pontos, isto é, na zona de avaliação positiva.

As expectativas para o curto prazo quanto ao desempenho da economia, do comércio, e da empresa registraram novo declínio em set/17, porém, na comparação anual, as perspectivas seguem melhorando. A economia vai melhorar nos próximos meses, segundo avaliação de 78,4% dos entrevistados. Em ago/17 esse percentual havia alcançado 77%, e em julho, 75,9%.

O subíndice que mede as intenções de investimento do comércio (IIEC) registrou crescimento de 2,5% em set/17 (91,20 pontos) ante o mês anterior, enquanto na comparação anual subiu 9,3%.

Cabe registrar que foram registradas elevações em todos os itens avaliados no IIEC. Esse período do ano marca o início da preparação do setor para as festas de fim de ano, uma tradicional e significativa data para o comércio. Percebe-se um aumento da intenção de contratar funcionários (+11%) do que o observado em set/16, além da intenção de renovar os estoques (+2,2%). O nível dos estoques está acima do que esperavam vender, para 28,5% dos comerciantes consultados em set/17, proporção inferior a verificada no mês anterior (29%), mas tendendo a convergir para a média histórica do indicador que é 25%.

Portanto, a melhora gradual da conjuntura econômica, a queda da inflação, a redução dos juros e a melhora no desemprego são fatores que vem contribuindo para elevar o poder de compra das famílias e impulsionar as vendas do setor. Uma recuperação mais forte do setor comércio para meses futuros está atrelada ao desempenho positivo dos principais indicadores econômicos, em especial do mercado de trabalho formal e dos níveis de inadimplência, entre outros.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. É também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

CARTÃO DE CRÉDITO LIDERA ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas apresentou elevação em setembro deste ano ante o mês anterior, bem como em relação a igual período do ano passado. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou entre agosto e set/17, assim como o percentual que afirmou sem condições de pagar suas contas, que atingiu o maior patamar observado na série histórica. Na comparação anual, também houve crescimento nos dois indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e seguro atingiu 58,4% em set/17 ante 58% observado em ago/17, e 58,2% verificado em set/16.

Paralelamente à elevação do percentual de endividamento das famílias, o total de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em set/17 para 25% (o maior percentual desde mai/10), de 24,6% em ago/17. O percentual de famílias inadimplentes cresceu na comparação anual, quando esse indicador chegou a 24,6%.

As famílias que declararam sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e permanecem inadimplentes, apresentaram elevação percentual em ambas as bases de comparação, chegando a 10,3% em set/17, maior valor da série histórica, ante 10,1% registrado em ago/17 e 9,6% em set/16.

Foi observado crescimento do total de famílias endividadas em ambas as faixas de renda, na comparação mensal. Já na comparação anual, apenas as faixas de maior renda apresentaram elevação. Para as famílias que ganham até dez salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas chegou a 59,7% em set/17, ante 59,6% em ago/17 e 59,9% em set/16. Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM), o percentual de famílias endividadas passou de 50,8% em ago/17 para 51,9% no mês seguinte. Em set/16, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era 49,8%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou elevação em ambas as faixas de renda, na comparação mensal e anual. Na faixa de renda <10 SM, o percentual com contas/dívidas em atraso subiu de 27,5% em ago/17 para 27,9% em set/17. Já em set/16, 27,8% das famílias com renda <10 SM haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes chegou a 12,2% em set/17, ante 11,9% no mês anterior e 11,2% em set/16.

Na análise por faixa de renda das famílias que declararam sem condições de pagar as contas em atraso houve comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 5,1% em set/17, ante 4,6% em ago/17 e 3,9% em set/16. Já o grupo com renda <10 SM, o percentual sem condições de quitar seus débitos subiu de 11,3% em ago/17, para 11,4% no mês seguinte. Na comparação anual, houve incremento de 0,4 p.p.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas subiu entre agosto e set/17, passando de 14,2% para 14,4% do total de famílias, enquanto na comparação anual ficou estável.

Com relação a parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 20,9% em set/16 para 21,5% em set/17, e a que declarou estar pouco endividada caiu de 22,9% para 22,5% naquela mesma base de comparação.

Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi 64,3 dias em set/17 ante 63,2 dias em set/16. O tempo médio de comprometimento com dívidas atingiu 7,3 meses, sendo que 23,7% com dívidas de até 3 meses, e 34,1% com mais de 12 meses. A parcela média da renda comprometida com dívidas ficou estável na comparação anual, em cerca de 23%, e 22,4% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua como o principal tipo de dívida na preferência de 76,4% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (16,2%), crédito pessoal (10,3%), financiamento de carro (9,9%), financiamento de casa (7,9%), cheque especial (6,3%) e crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado com 1,4%. Nas duas faixas de renda pesquisadas, dívidas com cartão de crédito tem a preferência das famílias endividadas.

Para as famílias com renda <10 SM, cartão de crédito (77,2%), carnês de loja (17,4%) e crédito pessoal (9,3%), são os principais tipos de dívida apontados pelas famílias. Para famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida apontados em set/17: cartão de crédito (72,8%), financiamento de carro (19,2%) e de casa com 17%.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas apresentou elevação na comparação mensal e anual, além das dívidas ou contas em atraso terem batido recordes de alta em setembro de 2017. Cabe observar que a ausência de educação financeira explicar, em grande parte, a preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito em ambas as faixas de renda, uma modalidade em que são praticados os mais elevados juros do setor bancário nacional. Por outro lado, a modalidade crédito consignado não goza de tamanho prestígio, embora pratique os juros mais baixos do setor financeiro nacional.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

MELHORA A EXPECTATIVA DE ALTA DA ATIVIDADE ECONÔMICA
Régis Varão/¹

O boletim Focus-Relatório de Mercado divulgado hoje pelo Banco Central do Brasil-BCB apresenta mudanças positivas quanto ao desempenho da atividade econômica para 2017 e 2018 além de reduzir a estimativa do IPCA para aqueles anos. O relatório manteve inalterado dez variáveis em 2017 e nove para o próximo ano, de um total de quinze pesquisadas. A seguir, os principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 29.9.17 corrige para baixo a estimativa do índice para 2,95% em 2017 (sexta semana de queda), abaixo da meta de inflação, ante 3,38% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 30.9.16 aponta 5,07% para 2017. O boletim desta semana indica estimativa de 4,06% para 2018, a quinta semana consecutiva de redução do índice;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 29.9.17 corrige para -0,95% a projeção do índice para este ano, de -1,07% registrada há um mês, enquanto o Focus de 30.9.16 mantém a expectativa do mercado em 5,50% para 2017. Para 2018, o boletim de 29.9.17 aponta variação positiva de 4,50% do IGP-DI, valor observado nas últimas 24 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim Focus de 29.9.17, divulgado hoje, mantém a expectativa do mercado em R$/U$3,16, ante R$/U$3,20 há trinta dias, para o final de 2017. Há um ano, a projeção do mercado indicava taxa de R$/U$3,45 para 2017, R$/U$0,29 acima do valor divulgado hoje;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório de 29.9.17 mantém a estimativa da taxa de juros em 7% a.a. para o final de 2017, de 7,25% a.a. observada há um mês. A redução das expectativas do mercado está ancorada na atuação do BCB no controle da inflação. O boletim de 30.9.16 indica juros de 11% a.a. para 2017, o que representa declínio de 4 p.p. em 12 meses. Para 2018, o boletim divulgado hoje indica 7% a.a. ante 7,50% registrado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 29.9.17 corrigiu para +0,70% o crescimento do PIB para este ano, ante +0,50% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 30.9.16 trabalha crescimento de +1,30% para 2017. Para o final de 2018, a pesquisa divulgada hoje projeta crescimento de 2,38%. A redução da inflação, do desemprego e dos juros podem estar contribuído positivamente para o mercado corrigir as estimativas do PIB para cima;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim divulgado hoje mantém inalterado em +1,05% o crescimento da atividade industrial para 2017 ante +1% divulgado há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 30.9.16 a projeção para o crescimento da indústria em 2017 está em +1,10%. Para 2018, o Focus de 29.9.17 eleva o crescimento da produção industrial para +2,40%, de +2,16% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 29.9.17 mantém em  U$62 bilhões a projeção do superávit comercial para 2017, de U$61,35 bi divulgado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 30.9.16 estima superávit de U$45,92 bilhões para este ano. Para 2018, o relatório divulgado hoje mantém em U$50 bi a projeção do mercado, de U$48 bilhões observados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o relatório divulgado hoje mantém a estimativa do IDP em U$75 bilhões para 2017, valor observado nas últimas 14 semanas, enquanto o relatório de 30.9.16 aponta estimativa de U$65 bilhões para este ano. A pesquisa de 29.9.17 reduz para U$75 bilhões a projeção do IDP para 2018.

Portanto, a gradual queda da inflação, do desemprego e dos juros são fatores que têm contribuído para melhorar as expectativas do mercado quanto as condições atuais da economia brasileira, não obstante o cenário político de curto prazo continue nebuloso.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 1 de outubro de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CAI EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reflete o sentimento dos consumidores com relação à situação atual e as expectativas para os meses futuros.

A confiança do consumidor volta a cair em set/17 ao atingir 98,5 pontos, representando queda de 3,1% na comparação com o mês anterior, e redução de 4,5% ante set/16 (103,1 pontos). O valor registrado em set/17, o menor do ano, foi o mais baixo desde abr/16 (97,5 pontos).

O declínio observado no INEC em set/17, reverte o incremento verificado em ago/17 (101,6 pontos). Com relação à média histórica (108,2 pontos), o valor observado em setembro mostra decréscimo de 8,9%, sendo o segundo menor valor para um mês de setembro em toda a série histórica.

Em set/17 a maioria dos componentes do INEC mostra declínio tanto na comparação mensal quanto na anual, exceto compras de bens de maior valor. Esse é o único dos componentes do INEC que apresenta elevação na comparação mensal e anual.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta declínio de 7,6% em set/17 (105,7 pontos) ante o mês anterior, e redução de 9,5% na comparação anual, o que reflete a elevação do percentual de pessoas que apostam em menor declínio do desemprego;

(b) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve alta de 2,1% em set/17 (112,1 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento de 1,8% frente a set/16. O indicador foi o único componente do INEC a registrar crescimento;

(c) Expectativa de Inflação: o índice apresenta decréscimo de 3,4% em set/17 (101 pontos) na comparação mensal, e queda de 11,9% frente a set/16, esta, é a maior redução observada entre os componentes do INEC. O valor registrado em set/17 foi o menor verificado desde mar/16 (98,7 pontos);

(d) Expectativa de Renda Pessoal: o índice registra variação negativa de 3,7% em set/17 com 88,8 pontos ante ago/17, e caiu 4,2% frente a set/16. O valor observado em set/17 é o menor dos últimos dezessete meses e indica expectativa de redução mais lenta da renda do consumidor;

(e) Endividamento: o índice retrata declínio de 5,8% em set/17 (93,5 pontos) ante o mês anterior, e decréscimo 4,4% na comparação anual, mostrando que os consumidores esperam uma redução acentuada do endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta decréscimo de 3,7% em set/17 (87,5 pontos) ante o mês anterior, e queda de 3,6% com relação a set/16. O valor observado em set/17 foi o menor dos últimos quatorze meses, e o mais baixo para um mês de setembro em toda a série histórica.

Portanto, a confiança do consumidor aferida pelo INEC continua volátil e o valor registrado em setembro permanece muito abaixo da média histórica, o que já vem se repetindo ao longos dos meses.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.