quinta-feira, 5 de outubro de 2017

CARTÃO DE CRÉDITO LIDERA ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas apresentou elevação em setembro deste ano ante o mês anterior, bem como em relação a igual período do ano passado. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou entre agosto e set/17, assim como o percentual que afirmou sem condições de pagar suas contas, que atingiu o maior patamar observado na série histórica. Na comparação anual, também houve crescimento nos dois indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e seguro atingiu 58,4% em set/17 ante 58% observado em ago/17, e 58,2% verificado em set/16.

Paralelamente à elevação do percentual de endividamento das famílias, o total de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em set/17 para 25% (o maior percentual desde mai/10), de 24,6% em ago/17. O percentual de famílias inadimplentes cresceu na comparação anual, quando esse indicador chegou a 24,6%.

As famílias que declararam sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e permanecem inadimplentes, apresentaram elevação percentual em ambas as bases de comparação, chegando a 10,3% em set/17, maior valor da série histórica, ante 10,1% registrado em ago/17 e 9,6% em set/16.

Foi observado crescimento do total de famílias endividadas em ambas as faixas de renda, na comparação mensal. Já na comparação anual, apenas as faixas de maior renda apresentaram elevação. Para as famílias que ganham até dez salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas chegou a 59,7% em set/17, ante 59,6% em ago/17 e 59,9% em set/16. Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM), o percentual de famílias endividadas passou de 50,8% em ago/17 para 51,9% no mês seguinte. Em set/16, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era 49,8%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou elevação em ambas as faixas de renda, na comparação mensal e anual. Na faixa de renda <10 SM, o percentual com contas/dívidas em atraso subiu de 27,5% em ago/17 para 27,9% em set/17. Já em set/16, 27,8% das famílias com renda <10 SM haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes chegou a 12,2% em set/17, ante 11,9% no mês anterior e 11,2% em set/16.

Na análise por faixa de renda das famílias que declararam sem condições de pagar as contas em atraso houve comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 5,1% em set/17, ante 4,6% em ago/17 e 3,9% em set/16. Já o grupo com renda <10 SM, o percentual sem condições de quitar seus débitos subiu de 11,3% em ago/17, para 11,4% no mês seguinte. Na comparação anual, houve incremento de 0,4 p.p.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas subiu entre agosto e set/17, passando de 14,2% para 14,4% do total de famílias, enquanto na comparação anual ficou estável.

Com relação a parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 20,9% em set/16 para 21,5% em set/17, e a que declarou estar pouco endividada caiu de 22,9% para 22,5% naquela mesma base de comparação.

Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi 64,3 dias em set/17 ante 63,2 dias em set/16. O tempo médio de comprometimento com dívidas atingiu 7,3 meses, sendo que 23,7% com dívidas de até 3 meses, e 34,1% com mais de 12 meses. A parcela média da renda comprometida com dívidas ficou estável na comparação anual, em cerca de 23%, e 22,4% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua como o principal tipo de dívida na preferência de 76,4% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (16,2%), crédito pessoal (10,3%), financiamento de carro (9,9%), financiamento de casa (7,9%), cheque especial (6,3%) e crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado com 1,4%. Nas duas faixas de renda pesquisadas, dívidas com cartão de crédito tem a preferência das famílias endividadas.

Para as famílias com renda <10 SM, cartão de crédito (77,2%), carnês de loja (17,4%) e crédito pessoal (9,3%), são os principais tipos de dívida apontados pelas famílias. Para famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida apontados em set/17: cartão de crédito (72,8%), financiamento de carro (19,2%) e de casa com 17%.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas apresentou elevação na comparação mensal e anual, além das dívidas ou contas em atraso terem batido recordes de alta em setembro de 2017. Cabe observar que a ausência de educação financeira explicar, em grande parte, a preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito em ambas as faixas de renda, uma modalidade em que são praticados os mais elevados juros do setor bancário nacional. Por outro lado, a modalidade crédito consignado não goza de tamanho prestígio, embora pratique os juros mais baixos do setor financeiro nacional.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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