CARTÃO DE
CRÉDITO LIDERA ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras endividadas apresentou elevação em setembro deste ano ante
o mês anterior, bem como em relação a igual período do ano passado. O
percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou entre agosto e
set/17, assim como o percentual que afirmou sem condições de pagar suas contas,
que atingiu o maior patamar observado na série histórica. Na comparação anual,
também houve crescimento nos dois indicadores de inadimplência, segundo a
Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O percentual
de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito,
cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e
seguro atingiu 58,4% em set/17 ante 58% observado em ago/17, e 58,2% verificado
em set/16.
Paralelamente
à elevação do percentual de endividamento das famílias, o total de famílias com
dívidas ou contas em atraso subiu em set/17 para 25% (o maior percentual desde
mai/10), de 24,6% em ago/17. O percentual de famílias inadimplentes cresceu na
comparação anual, quando esse indicador chegou a 24,6%.
As famílias
que declararam sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e
permanecem inadimplentes, apresentaram elevação percentual em ambas as bases de
comparação, chegando a 10,3% em set/17, maior valor da série histórica, ante
10,1% registrado em ago/17 e 9,6% em set/16.
Foi observado
crescimento do total de famílias endividadas em ambas as faixas de renda, na
comparação mensal. Já na comparação anual, apenas as faixas de maior renda
apresentaram elevação. Para as famílias que ganham até dez salários mínimos (<10
SM), o percentual de famílias com dívidas chegou a 59,7% em set/17, ante 59,6%
em ago/17 e 59,9% em set/16. Para as famílias com renda acima de dez salários
mínimos (>10 SM), o percentual de famílias endividadas passou de 50,8% em
ago/17 para 51,9% no mês seguinte. Em set/16, o percentual de famílias com
dívidas nesse grupo de renda era 49,8%.
O percentual
de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou elevação em ambas as
faixas de renda, na comparação mensal e anual. Na faixa de renda <10 SM, o
percentual com contas/dívidas em atraso subiu de 27,5% em ago/17 para 27,9% em
set/17. Já em set/16, 27,8% das famílias com renda <10 SM haviam declarado
ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de
inadimplentes chegou a 12,2% em set/17, ante 11,9% no mês anterior e 11,2% em
set/16.
Na análise por
faixa de renda das famílias que declararam sem condições de pagar as contas em
atraso houve comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, nas duas
bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 5,1% em set/17,
ante 4,6% em ago/17 e 3,9% em set/16. Já o grupo com renda <10 SM, o
percentual sem condições de quitar seus débitos subiu de 11,3% em ago/17, para
11,4% no mês seguinte. Na comparação anual, houve incremento de 0,4 p.p.
O percentual
de famílias que se declararam muito endividadas subiu entre agosto e set/17, passando
de 14,2% para 14,4% do total de famílias, enquanto na comparação anual ficou
estável.
Com relação a
parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 20,9% em set/16 para
21,5% em set/17, e a que declarou estar pouco endividada caiu de 22,9% para
22,5% naquela mesma base de comparação.
Entre as
famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi 64,3 dias
em set/17 ante 63,2 dias em set/16. O tempo médio de comprometimento com
dívidas atingiu 7,3 meses, sendo que 23,7% com dívidas de até 3 meses, e 34,1% com
mais de 12 meses. A parcela média da renda comprometida com dívidas ficou estável
na comparação anual, em cerca de 23%, e 22,4% delas afirmaram ter mais da
metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.
O cartão de
crédito continua como o principal tipo de dívida na preferência de 76,4% das
famílias endividadas, seguido por carnês de loja (16,2%), crédito pessoal (10,3%),
financiamento de carro (9,9%), financiamento de casa (7,9%), cheque especial
(6,3%) e crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado com 1,4%. Nas duas
faixas de renda pesquisadas, dívidas com cartão de crédito tem a preferência
das famílias endividadas.
Para as
famílias com renda <10 SM, cartão de crédito (77,2%), carnês de loja (17,4%)
e crédito pessoal (9,3%), são os principais tipos de dívida apontados pelas
famílias. Para famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida
apontados em set/17: cartão de crédito (72,8%), financiamento de carro (19,2%) e
de casa com 17%.
Portanto, o
percentual de famílias com dívidas apresentou elevação na comparação mensal e
anual, além das dívidas ou contas em atraso terem batido recordes de alta em
setembro de 2017. Cabe observar que a ausência de educação financeira explicar,
em grande parte, a preferência das famílias pelo endividamento com cartão de
crédito em ambas as faixas de renda, uma modalidade em que são praticados os
mais elevados juros do setor bancário nacional. Por outro lado, a modalidade
crédito consignado não goza de tamanho prestígio, embora pratique os juros mais
baixos do setor financeiro nacional.
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