INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS CAI EM SETEMBRO
Régis
Varão/¹
A
Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) decresceu cerca de 0,7% em set/17 na
comparação mensal. O índice permanece em um nível inferior a 100 pontos, zona
de indiferença, o que indica a percepção de insatisfação das famílias com a situação
atual do País. O ICF é um indicador antecedente que tem como objetivo antecipar
o potencial de vendas do setor comércio.
A
confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM)
apresentou piora de 1,1% na comparação mensal, enquanto as famílias com renda
acima de dez salários mínimos (>10 SM), registrou crescimento 0,8%. Segundo a
CNC: “O índice das famílias mais ricas está em 88,1 pontos; e o das demais, em
74,6 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam abaixo dos
100 pontos”.
Na
avaliação regional, as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte registraram variações
mensais positivas. O maior crescimento ocorreu na região Norte, melhora de 2,5%
na intenção de consumo, e a pior ficou com o Nordeste, decréscimo de 2,2%.
De
acordo com o relatório da CNC, “A Pesquisa Mensal de Comércio mostrou que o
varejo ampliado, que além do comércio varejista inclui as atividades de
veículos, motos, partes e peças e de material de construção teve variação
positiva de 0,2% no volume de vendas em julho na comparação ao mês anterior, já
descontados os efeitos sazonais. Com o fim do efeito dos saques das contas
inativas do FGTS sobre as vendas, a tendência de crescimento do setor nos
próximos meses dependerá da resposta do mercado de trabalho e da retomada dos
investimentos”.
Segundo
Juliana Serapio, assessora econômica da CNC, “Com o fim do efeito dos saques
das contas inativas do FGTS sobre as vendas, a tendência de crescimento do
consumo nos próximos meses dependerá da resposta do mercado de trabalho e da
retomada dos investimentos”.
1. Emprego Atual:
Esse
componente apresentou queda de 0,7% em set/17 (106,4 pontos) ante o mês
anterior, e subiu 1,6% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de
famílias que se sentem mais seguras quanto ao nível de Emprego Atual está em 30,7%
ante 31,3% observado no mês anterior.
As
regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são: Centro-Oeste (135,5
pontos), Norte (123,5 pontos) e Sul (111,1 pontos), com variações mensais respectivas
de -0,8%, +0,4% e -1,3%. As regiões Nordeste (102,7 pontos) e Sudeste (97,6
pontos) registraram os menores níveis de confiança. O índice geral e os
regionais, exceto o da região Sudeste, estão acima da zona de indiferença (100
pontos).
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
indicador apresentou estabilidade em set/17
(54,2 pontos) frente ao mês anterior e apresentou crescimento de 16,7%
na comparação anual. O relatório da CNC afirma: “A maior parte das famílias
declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (59,6% ante
59,3% em agosto). O índice permanece em 54,2 pontos”.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito apresentou declínio de 0,8% em set/17 (70,80
pontos) frente ao mês anterior, e subiu 8,2% em relação a set/16. Entre os
componentes do ICF, a modalidade compras a prazo apresentou a maior variação
positiva na comparação anual.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador apresentou elevação de 1,4% em set/17 (52,6 pontos), ante o mês
anterior, mas subiu 18% na comparação com set/16, registrando o segundo maior crescimento
anual entre os componentes do ICF.
Considerando
por faixa de renda, as famílias com renda inferior a dez salários mínimos
(<10 SM) registraram crescimento de 1,1% no indicador, na comparação mensal,
e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram incremento
de 2,2%. Em termos regionais, esse indicador variou de 75,8 pontos na região Sul
a 36,2 pontos na região Norte.
5.
Renda Atual:
Com
relação a esse componente houve redução de 1% em set/17 (89,9 pontos) ante o
mês anterior, e subiu 1,8% na comparação anual.
6.
Perspectiva de Consumo:
Esse
componente apresentou declínio de 0,2% em set/17 (69,5 pontos) frente ao mês
anterior e registrou o maior incremento (+19,5%) entre os componentes do ICF na
comparação anual. Já na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM
apresentaram queda de 1,5% e aquelas famílias com renda >10 SM registraram elevação
de 5,7%.
O
relatório da CNC afirma que “A inflação baixa e as taxas de juros em queda são
fundamentos econômicos importantes para as condições de consumo e devem
permanecer com este comportamento, contribuindo de forma positiva para a reação
das vendas no curto prazo”.
7.
Perspectiva Profissional:
O
componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 2,1% em set/17 (94
pontos) na comparação mensal, e caiu 3,5% quando comparado a set/16. O valor
desse componente em set/17, foi o menor observado para um mês de setembro desde
o início da série histórica em 2010. Assim, a pequena melhora das condições
atuais da economia ainda não foram suficientes para impactar positivamente o
comportamento desse indicador.
Portanto,
as expectativas favoráveis observadas em alguns indicadores macroeconômicos quanto
ao desempenho da atividade econômica para 2017 e 2018, a redução da inflação, a
queda dos juros e a pequena melhora do emprego, ainda não foram suficientes
para impactar positivamente o ICF e a maioria de seus componentes, observando, no
entanto, que a exceção ficou para o desempenho positivo mensal do componente momento
para duráveis.
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