segunda-feira, 16 de abril de 2018

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CAI EM MARÇO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta declínio de 0,8% em mar/18 (101,9 pontos) ante o mês anterior e queda de 0,1% na comparação anual. O índice permanece em patamar baixo, 5,6% abaixo da média histórica de 108 pontos.

Os componentes do INEC ligados às expectativas, inflação, desemprego e renda pessoal, são os principais responsáveis pela queda do índice em março deste ano, na comparação mensal, embora compras de bens de maior valor tenha apresentado variação positiva. As perspectivas da população com relação ao desempenho futuro da inflação (-2,7%), do emprego (-2,6%) e da renda pessoal (-2,9%) em mar/18, se tornaram mais pessimistas ante o mês anterior.

O relatório do INEC afirma que “Os índices relacionados às condições financeiras dos consumidores mostram variações mais modestas. O índice de situação financeira registra crescimento de 0,6% na comparação com fevereiro, refletindo uma melhora da avaliação das finanças de modo geral, enquanto o endividamento aponta pequeno aumento das dívidas ao recuar 0,4%”.

Quatro componentes do INEC apresentaram variação negativa na comparação mensal, enquanto apenas dois apresentaram declínio na comparação anual.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta decréscimo de 2,7% em mar/18 (107,7 pontos), ante o mês anterior, e registra elevação de 1,5% na comparação anual, a maior expansão entre os componentes do INEC nessa base de comparação.

(b) Expectativa de desemprego: o índice apresenta decréscimo de 2,6% em mar/18 (114,4 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 0,3% na comparação anual;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC registra variação negativa de 2,9% em mar/18 (91,3 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 3% na comparação anual. Juntamente com o indicador de endividamento foram os únicos a registrar declínio em ambas as bases de comparação;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o índice registra incremento de 1,4% em mar/18 (111,6 pontos) ante o mês anterior e alta de 0,4% frente a mar/17. Juntamente com o indicador situação financeira, foram os únicos a apresentar crescimento nas duas bases de comparação;

(e) Endividamento: o índice apresenta decréscimo de 0,4% em mar/18 (96,3 pontos) na comparação mensal, e declínio de 0,5% frente a igual período do ano anterior. Esse resultado indica que houve redução do número de pessoas esperando queda do desemprego;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta crescimento de 0,6% em mar/18 (91,2 pontos) ante fev/18, e elevação de 0,7% com relação a mar/17, o que indica aumento no número de pessoas que esperam uma melhor situação financeira.

Portanto, cabe observar que compras de bens de maior valor e situação financeira foram os únicos componentes do INEC a apresentar variação positiva nas duas bases de comparação, o que mostra uma percepção melhor do consumidor quanto a compras de bens de maior valor e da evolução da situação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 10 de abril de 2018


INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS SOBE EM MARÇO
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC, apresentou crescimento de 1,1% em mar/18 (88 pontos), na comparação mensal, e subiu 12,6% na comparação anual. Em mar/18, o indicador atingiu o maior valor mensal desde ago/15 quando chegou a 81,8 pontos. Segundo a pesquisa, “Apesar do resultado, o indicador total ainda se mantém abaixo da zona de indiferença - 100 pontos -, refletindo uma percepção de insatisfação com a situação atual”.

O nível de confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos (<10 SM) apresentou alta de 0,8% em mar/18 ante o mês anterior, enquanto famílias com renda >10 SM registraram elevação  de 2%. O índice da famílias de maior renda está em 102,7 pontos, acima do patamar da zona de indiferença (100 pontos). Já as famílias com renda inferior a 10 SM ainda se situam abaixo da zona de indiferença ao atingir 85 pontos.

Na comparação regional, a região Sul registrou o maior incremento no índice geral (+2,6%), enquanto o Centro-Oeste foi a única exceção com variação negativa (-0,9%). A elevação do otimismo está relacionado com a melhora gradativa das condições de consumo. O declínio da inflação, queda da taxa Selic, melhores condições de crédito e evolução do mercado de trabalho, mesmo em ritmo lento, têm melhorado o poder aquisitivo do trabalhador, comprometendo menos a renda das famílias.

Embora tenhamos um cenário econômico mais positivo, a intenção de consumo segue em recuperação lenta, distante dos níveis observados nos últimos oito anos. De acordo com o relatório da pesquisa ICF, “Os consumidores vêm melhorando suas avaliações sobre a economia, mas o nível ainda elevado de endividamento, em especial das famílias de menor poder aquisitivo, leva à maior cautela nos gastos, atuando como fator restritivo ao consumo”.

De acordo com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens duráveis”.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 1% em mar/18 (113,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 4,8% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual em mar/18 está em 33,6%, ante 33,8% observado em fev/18.

As regiões Centro-Oeste com 140,1 pontos, Norte (132,8 pontos) e Sul com 109,3 pontos são as mais confiantes em relação ao componente Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,1%, +0,8% e +1,3%. Já as regiões Nordeste com 104,5 pontos e Sudeste com 108,8 pontos registraram os menores níveis de confiança. O valor do indicador Emprego Atual é o maior observado acima da zona de indiferença de 100 pontos, seguido pelo componente Perspectiva Profissional com 105,6 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou crescimento de 0,6% em mar/18 (63,1 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 23,6% na comparação anual. De acordo com o relatório do ICF, “A maior parte das famílias, 53%, declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 63,1 pontos”. Embora o índice tenha apresentado a segunda maior variação positiva anual, o valor do índice foi o menor entre os componentes do ICF, em março deste ano.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito/compra a prazo apresentou variação positiva de 2,6% em mar/18 (81,1 pontos) ante o mês anterior, e subiu 16,8% na comparação anual. Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou o quarto maior crescimento na comparação anual. O valor registrado em mar/18 foi o maior desde jul/15 quando atingiu 85 pontos.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 2% em mar/18 ao chegar a 67,2 pontos, ante o mês anterior, e registrou alta de 27,3% na comparação anual. Em mar/18, o indicador apresentou a maior variação anual positiva e o segundo maior crescimento na comparação mensal. O valor observado no terceiro mês deste ano foi o maior verificado desde mai/15 quando chegou a 70,4 pontos.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 1,2% em mar/18, na comparação mensal, no componente Momento para Duráveis, e as com renda acima de 10 SM apresentaram crescimento de 4,9%. Segundo o relatório do ICF, “Regionalmente, esse indicador variou de 88,5 pontos (Sul) a 51,3 pontos (Norte)”.

Ainda de acordo com o relatório, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens duráveis”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 0,2% em mar/18 (100 pontos) ante o mês anterior, e subiu 7,6% na comparação anual. O indicador ficou exatamente na zona de indiferença (100 pontos), e o valor observado em mar/18 foi o mais elevado desde ago/15 quando chegou a 100,2 pontos.

6. Perspectiva de Consumo:

O componente apresentou elevação de 1,1% em mar/18 (85,9 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 23,3% na comparação anual, tendo registrado a terceira maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. Segundo o relatório, na comparação mensal, “as famílias com renda até dez salários mínimos acusaram alta de 0,8%, e aquelas com renda acima de dez salários apresentaram elevação de 2,4%”.

7. Perspectiva Profissional:

O indicador registrou incremento de 0,5% em mar/18  ao chegar a 105,6 pontos, na comparação mensal, e elevação de 2,6% ante igual período de 2017. O valor do componente em mar/18, foi o segundo maior entre os componentes do ICF, e o maior desde jun/15 quando atingiu 107,6 pontos. A melhora das condições econômicas nos últimos meses tem contribuído para melhorar o desempenho do indicador.

Portanto, o desempenho satisfatório dos componentes momento para duráveis, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e acesso ao crédito, deve-se em grande parte às expectativas de um cenário favorável de preços no curto prazo, manutenção dos juros no atual patamar ou um pouco mais baixo, da maior oferta de crédito e do fortalecimento do emprego.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos. Palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM MARÇO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras com dívidas ficou estável em março deste ano ante o mês anterior, mas acima do valor observado em igual período do ano passado. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou crescimento entre fevereiro e mar/18, bem como na comparação anual. Com relação ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas houve elevação na comparação mensal e declínio ante igual período do ano anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,2% em mar/18, ficando estável em relação ao percentual verificado em fev/18, mas acima do observado em mar/17 quando o indicador chegou a 60,8% do total de famílias.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em mar/18 na comparação mensal, passando de 24,9% para 25,2% do total. Houve elevação do nível de inadimplência das famílias em relação a mar/17 (24,9%) do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas em atraso, e permanecem inadimplentes, subiu de 9,7% em fev/18 para 10% no mês seguinte, mas registrando redução na comparação anual, ao atingir 10,4% em mar/17. Segundo Marianne Hanson, economista da CNC, “O efeito sazonal do comprometimento de renda com gastos extras de início de ano influencia nesse resultado”.

O número de famílias endividadas apresentou  incremento em ambas as faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal e anual. Para as famílias na faixa de renda inferior a 10 salários mínimos-SM, o percentual de famílias como dívidas chegou a 62,8% em mar/18, acima dos 62,7% registrados em fev/18 e superior aos 62,6% em mar/17. Para as famílias que ganham acima de 10 SM, o percentual de famílias com dívidas passou de 53,8% em fev/18 para 54% no mês seguinte, enquanto em mar/17 esse percentual era 51,9%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências diversas entre os dois grupos de renda pesquisados. Enquanto na comparação mensal, houve crescimento do indicador em ambas as faixas de renda, na comparação anual houve elevação apenas na faixa de renda acima de 10 SM. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso subiu de 27,9% em fev/18 para 28,1% no mês seguinte. No terceiro mês deste ano, 28,3% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso, enquanto na faixa de maior renda, o percentual de inadimplência atingiu 12,8% em mar/18, ante 11,9% observado em fev/18 e 10,8% em mar/17.

Considerando as duas faixas de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar contas em atraso apresentou comportamentos parecidos entre os grupos pesquisados na comparação mensal. Já na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 4,4% em mar/18, ante 4% verificado em fev/18 e em mar/17, respectivamente. De acordo com a pesquisa, para o grupo na faixa <10 SM, ”o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos aumentou de 11,1% em fevereiro de 2018, para 11,3% em março de 2018. Em relação a março de 2017, houve queda de 0,7 ponto percentual”.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas subiu entre fev/18 (13,6%) e mar/18 (14,1%) do total de famílias. Na comparação anual houve redução de 0,6 p.p. Já a parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 22,3% em mar/17 para 22,9% em mar/18, e a parcela pouco endividada saiu de 23,8% para 24,2% do total de famílias, na mesma base de comparação.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 64,4 dias em mar/18, enquanto em mar/17 atingiu 64,8 dias. O tempo médio de permanência das famílias com dívidas foi de 6,9 meses, com 25,9% comprometidas com dívidas até 90 dias, e 31,3%, por mais de 12 meses. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu na comparação anual, caindo de 30,2% em mar/17 para 29,1% em mar/18, “e 20% afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”, segundo o relatório.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias endividadas, atingindo em mar/18 a expressiva marca de 76,4%, seguido por carnê de loja com 16,6%, crédito pessoal com 10,4% (subiu de posição), financiamento de carro com 10,2%, financiamento de casa com 8,4%, cheque especial com 6,2% (subiu de posição), crédito consignado (5,8%) e cheque pré-datado com 1,2%.

Nas famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 77,1% nas preferências das famílias, enquanto as de maior renda cai para 73,3%. O carnê de loja chega a 17,8% no primeiro caso e cai para 11,1% no segundo. Duas disparidades a considerar: financiamento de carro chega a 8,3% nas famílias de baixa renda e 19,7% na faixa de maior renda, e financiamento de casa atinge 6,6% nas famílias com renda até 10 SM e sobe para 16,7% para as de maior renda.

Portanto, a melhora dos indicadores macroeconômicos em geral, tem contribuído para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, embora o endividamento e a inadimplência das famílias ainda continuem elevados. A elevada taxa de desemprego, embora em declínio, tem contribuído para explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra falta de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.