terça-feira, 10 de abril de 2018


INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS SOBE EM MARÇO
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC, apresentou crescimento de 1,1% em mar/18 (88 pontos), na comparação mensal, e subiu 12,6% na comparação anual. Em mar/18, o indicador atingiu o maior valor mensal desde ago/15 quando chegou a 81,8 pontos. Segundo a pesquisa, “Apesar do resultado, o indicador total ainda se mantém abaixo da zona de indiferença - 100 pontos -, refletindo uma percepção de insatisfação com a situação atual”.

O nível de confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos (<10 SM) apresentou alta de 0,8% em mar/18 ante o mês anterior, enquanto famílias com renda >10 SM registraram elevação  de 2%. O índice da famílias de maior renda está em 102,7 pontos, acima do patamar da zona de indiferença (100 pontos). Já as famílias com renda inferior a 10 SM ainda se situam abaixo da zona de indiferença ao atingir 85 pontos.

Na comparação regional, a região Sul registrou o maior incremento no índice geral (+2,6%), enquanto o Centro-Oeste foi a única exceção com variação negativa (-0,9%). A elevação do otimismo está relacionado com a melhora gradativa das condições de consumo. O declínio da inflação, queda da taxa Selic, melhores condições de crédito e evolução do mercado de trabalho, mesmo em ritmo lento, têm melhorado o poder aquisitivo do trabalhador, comprometendo menos a renda das famílias.

Embora tenhamos um cenário econômico mais positivo, a intenção de consumo segue em recuperação lenta, distante dos níveis observados nos últimos oito anos. De acordo com o relatório da pesquisa ICF, “Os consumidores vêm melhorando suas avaliações sobre a economia, mas o nível ainda elevado de endividamento, em especial das famílias de menor poder aquisitivo, leva à maior cautela nos gastos, atuando como fator restritivo ao consumo”.

De acordo com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens duráveis”.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 1% em mar/18 (113,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 4,8% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual em mar/18 está em 33,6%, ante 33,8% observado em fev/18.

As regiões Centro-Oeste com 140,1 pontos, Norte (132,8 pontos) e Sul com 109,3 pontos são as mais confiantes em relação ao componente Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,1%, +0,8% e +1,3%. Já as regiões Nordeste com 104,5 pontos e Sudeste com 108,8 pontos registraram os menores níveis de confiança. O valor do indicador Emprego Atual é o maior observado acima da zona de indiferença de 100 pontos, seguido pelo componente Perspectiva Profissional com 105,6 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou crescimento de 0,6% em mar/18 (63,1 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 23,6% na comparação anual. De acordo com o relatório do ICF, “A maior parte das famílias, 53%, declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 63,1 pontos”. Embora o índice tenha apresentado a segunda maior variação positiva anual, o valor do índice foi o menor entre os componentes do ICF, em março deste ano.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito/compra a prazo apresentou variação positiva de 2,6% em mar/18 (81,1 pontos) ante o mês anterior, e subiu 16,8% na comparação anual. Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou o quarto maior crescimento na comparação anual. O valor registrado em mar/18 foi o maior desde jul/15 quando atingiu 85 pontos.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 2% em mar/18 ao chegar a 67,2 pontos, ante o mês anterior, e registrou alta de 27,3% na comparação anual. Em mar/18, o indicador apresentou a maior variação anual positiva e o segundo maior crescimento na comparação mensal. O valor observado no terceiro mês deste ano foi o maior verificado desde mai/15 quando chegou a 70,4 pontos.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 1,2% em mar/18, na comparação mensal, no componente Momento para Duráveis, e as com renda acima de 10 SM apresentaram crescimento de 4,9%. Segundo o relatório do ICF, “Regionalmente, esse indicador variou de 88,5 pontos (Sul) a 51,3 pontos (Norte)”.

Ainda de acordo com o relatório, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens duráveis”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 0,2% em mar/18 (100 pontos) ante o mês anterior, e subiu 7,6% na comparação anual. O indicador ficou exatamente na zona de indiferença (100 pontos), e o valor observado em mar/18 foi o mais elevado desde ago/15 quando chegou a 100,2 pontos.

6. Perspectiva de Consumo:

O componente apresentou elevação de 1,1% em mar/18 (85,9 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 23,3% na comparação anual, tendo registrado a terceira maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. Segundo o relatório, na comparação mensal, “as famílias com renda até dez salários mínimos acusaram alta de 0,8%, e aquelas com renda acima de dez salários apresentaram elevação de 2,4%”.

7. Perspectiva Profissional:

O indicador registrou incremento de 0,5% em mar/18  ao chegar a 105,6 pontos, na comparação mensal, e elevação de 2,6% ante igual período de 2017. O valor do componente em mar/18, foi o segundo maior entre os componentes do ICF, e o maior desde jun/15 quando atingiu 107,6 pontos. A melhora das condições econômicas nos últimos meses tem contribuído para melhorar o desempenho do indicador.

Portanto, o desempenho satisfatório dos componentes momento para duráveis, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e acesso ao crédito, deve-se em grande parte às expectativas de um cenário favorável de preços no curto prazo, manutenção dos juros no atual patamar ou um pouco mais baixo, da maior oferta de crédito e do fortalecimento do emprego.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos. Palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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