INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMILÍAS SOBE EM MARÇO
Régis
Varão/¹
A pesquisa
de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC, apresentou crescimento de 1,1% em mar/18 (88
pontos), na comparação mensal, e subiu 12,6% na comparação anual. Em mar/18, o
indicador atingiu o maior valor mensal desde ago/15 quando chegou a 81,8 pontos.
Segundo a pesquisa,
“Apesar do resultado, o indicador total ainda se mantém abaixo da zona de
indiferença - 100 pontos -, refletindo uma percepção de insatisfação com a situação
atual”.
O nível de
confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos (<10 SM)
apresentou alta de 0,8% em mar/18 ante o mês anterior, enquanto famílias com
renda >10 SM registraram elevação de
2%. O índice da famílias de maior renda está em 102,7 pontos, acima do patamar da
zona de indiferença (100 pontos). Já as famílias com renda inferior a 10 SM
ainda se situam abaixo da zona de indiferença ao atingir 85 pontos.
Na comparação
regional, a região Sul registrou o maior incremento no índice geral (+2,6%),
enquanto o Centro-Oeste foi a única exceção com variação negativa (-0,9%). A elevação
do otimismo está relacionado com a melhora gradativa das condições de consumo. O
declínio da inflação, queda da taxa Selic, melhores condições de crédito e
evolução do mercado de trabalho, mesmo em ritmo lento, têm melhorado o poder aquisitivo
do trabalhador, comprometendo menos a renda das famílias.
Embora
tenhamos um cenário econômico mais positivo, a intenção de consumo segue em
recuperação lenta, distante dos níveis observados nos últimos oito anos. De
acordo com o relatório da pesquisa ICF, “Os consumidores vêm melhorando suas avaliações sobre a economia, mas
o nível ainda elevado de endividamento, em especial das famílias de menor poder
aquisitivo, leva à maior cautela nos gastos, atuando como fator restritivo ao
consumo”.
De acordo
com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de
aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros,
influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens
duráveis”.
1. Emprego Atual:
Com
relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 1% em mar/18
(113,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 4,8% na comparação anual. Por outro
lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego
Atual em mar/18 está em 33,6%, ante 33,8% observado em fev/18.
As
regiões Centro-Oeste com 140,1 pontos, Norte (132,8 pontos) e Sul com 109,3
pontos são as mais confiantes em relação ao componente Emprego Atual, com
variações mensais de respectivamente +0,1%, +0,8% e +1,3%. Já as regiões Nordeste
com 104,5 pontos e Sudeste com 108,8 pontos registraram os menores níveis de
confiança. O valor do indicador Emprego Atual é o maior observado acima da zona
de indiferença de 100 pontos, seguido pelo componente Perspectiva Profissional
com 105,6 pontos.
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
componente registrou crescimento de 0,6% em mar/18 (63,1 pontos) frente ao mês
anterior, e subiu 23,6% na comparação anual. De acordo com o relatório do ICF, “A maior parte das famílias, 53%, declarou estar
com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 63,1
pontos”. Embora o índice tenha apresentado a segunda maior variação positiva
anual, o valor do índice foi o menor entre os componentes do ICF, em março deste ano.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito/compra a prazo apresentou variação positiva de 2,6%
em mar/18 (81,1 pontos) ante o mês anterior, e subiu 16,8% na comparação anual.
Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou o quarto maior crescimento
na comparação anual. O valor registrado em mar/18 foi o maior desde jul/15
quando atingiu 85 pontos.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador apresentou elevação de 2% em mar/18 ao chegar a 67,2 pontos, ante o
mês anterior, e registrou alta de 27,3% na comparação anual. Em mar/18, o
indicador apresentou a maior variação anual positiva e o segundo maior
crescimento na comparação mensal. O valor observado no terceiro mês deste ano
foi o maior verificado desde mai/15 quando chegou a 70,4 pontos.
Considerando
por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 1,2%
em mar/18, na comparação mensal, no componente Momento para Duráveis, e as com
renda acima de 10 SM apresentaram crescimento de 4,9%. Segundo o relatório do ICF, “Regionalmente, esse indicador variou de 88,5
pontos (Sul) a 51,3 pontos (Norte)”.
Ainda
de acordo com o relatório, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as
melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas
taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a
compra de bens duráveis”.
5.
Renda Atual:
Com
relação a esse componente houve variação positiva de 0,2% em mar/18 (100
pontos) ante o mês anterior, e subiu 7,6% na comparação anual. O indicador ficou
exatamente na zona de indiferença (100 pontos), e o valor observado em mar/18
foi o mais elevado desde ago/15 quando chegou a 100,2 pontos.
6.
Perspectiva de Consumo:
O
componente apresentou elevação de 1,1% em mar/18 (85,9 pontos) frente ao mês
anterior e registrou incremento de 23,3% na comparação anual, tendo registrado a
terceira maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. Segundo o relatório, na comparação mensal, “as famílias com renda até dez salários mínimos
acusaram alta de 0,8%, e aquelas com renda acima de dez salários apresentaram
elevação de 2,4%”.
7.
Perspectiva Profissional:
O
indicador registrou incremento de 0,5% em mar/18 ao chegar a 105,6 pontos, na comparação
mensal, e elevação de 2,6% ante igual período de 2017. O valor do componente em
mar/18, foi o segundo maior entre os componentes do ICF, e o maior desde jun/15 quando atingiu 107,6
pontos. A melhora das condições econômicas nos últimos meses tem contribuído
para melhorar o desempenho do indicador.
Portanto,
o desempenho satisfatório dos componentes momento para duráveis, nível de
consumo atual, perspectiva de consumo e acesso ao crédito, deve-se em grande parte
às expectativas de um cenário favorável de preços no curto prazo, manutenção dos
juros no atual patamar ou um pouco mais baixo, da maior oferta de crédito e do
fortalecimento do emprego.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador
financeiro há 25 anos. Palestrante de temas ligados à educação financeira,
inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com
mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado
ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante
vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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