ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM MARÇO
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras com dívidas ficou estável em março deste ano ante o mês
anterior, mas acima do valor observado em igual período do ano passado. O
percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou crescimento
entre fevereiro e mar/18, bem como na comparação anual. Com relação ao
percentual de famílias sem condições de pagar suas contas houve elevação na
comparação mensal e declínio ante igual período do ano anterior, segundo a
Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da
Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual
de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque
especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu
61,2% em mar/18, ficando estável em relação ao percentual verificado em fev/18,
mas acima do observado em mar/17 quando o indicador chegou a 60,8% do total de
famílias.
O percentual
de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em mar/18 na comparação
mensal, passando de 24,9% para 25,2% do total. Houve elevação do nível de inadimplência
das famílias em relação a mar/17 (24,9%) do total. O percentual de famílias sem
condições de pagar suas dívidas em atraso, e permanecem inadimplentes, subiu de
9,7% em fev/18 para 10% no mês seguinte, mas registrando redução na comparação
anual, ao atingir 10,4% em mar/17. Segundo Marianne Hanson, economista da CNC, “O efeito sazonal do comprometimento de renda com gastos extras de
início de ano influencia nesse resultado”.
O número de
famílias endividadas apresentou incremento em ambas as faixas de renda
pesquisadas, na comparação mensal e anual. Para as famílias na faixa de renda
inferior a 10 salários mínimos-SM, o percentual de famílias como dívidas chegou
a 62,8% em mar/18, acima dos 62,7% registrados em fev/18 e superior aos 62,6% em
mar/17. Para as famílias que ganham acima de 10 SM, o percentual de famílias
com dívidas passou de 53,8% em fev/18 para 54% no mês seguinte, enquanto em
mar/17 esse percentual era 51,9%.
O percentual
de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências diversas entre
os dois grupos de renda pesquisados. Enquanto na comparação mensal, houve crescimento
do indicador em ambas as faixas de renda, na comparação anual houve elevação
apenas na faixa de renda acima de 10 SM. Na faixa de renda <10 SM, o
percentual de famílias com contas em atraso subiu de 27,9% em fev/18 para 28,1%
no mês seguinte. No terceiro mês deste ano, 28,3% das famílias nessa faixa de
renda haviam declarado ter contas em atraso, enquanto na faixa de maior renda,
o percentual de inadimplência atingiu 12,8% em mar/18, ante 11,9% observado em fev/18
e 10,8% em mar/17.
Considerando
as duas faixas de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar contas
em atraso apresentou comportamentos parecidos entre os grupos pesquisados na comparação
mensal. Já na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 4,4% em mar/18,
ante 4% verificado em fev/18 e em mar/17, respectivamente. De acordo com a
pesquisa, para o grupo na faixa <10 SM, ”o percentual de famílias sem
condições de quitar seus débitos aumentou de 11,1% em fevereiro de 2018, para
11,3% em março de 2018. Em relação a março de 2017, houve queda de 0,7 ponto
percentual”.
O percentual
de famílias que se declararam muito endividadas subiu entre fev/18 (13,6%) e mar/18
(14,1%) do total de famílias. Na comparação anual houve redução de 0,6 p.p. Já a
parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 22,3% em mar/17 para
22,9% em mar/18, e a parcela pouco endividada saiu de 23,8% para 24,2% do total
de famílias, na mesma base de comparação.
Entre as
famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 64,4 dias em mar/18,
enquanto em mar/17 atingiu 64,8 dias. O tempo médio de permanência das famílias
com dívidas foi de 6,9 meses, com 25,9% comprometidas com dívidas até 90 dias, e
31,3%, por mais de 12 meses. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela
média da renda comprometida com dívidas caiu na comparação anual, caindo de 30,2%
em mar/17 para 29,1% em mar/18, “e 20% afirmaram ter mais da metade de sua
renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”, segundo o relatório.
O cartão de
crédito continua na preferência das famílias endividadas, atingindo em mar/18 a
expressiva marca de 76,4%, seguido por carnê de loja com 16,6%, crédito pessoal
com 10,4% (subiu de posição), financiamento de carro com 10,2%, financiamento
de casa com 8,4%, cheque especial com 6,2% (subiu de posição), crédito
consignado (5,8%) e cheque pré-datado com 1,2%.
Nas famílias
com renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 77,1% nas preferências das
famílias, enquanto as de maior renda cai para 73,3%. O carnê de loja chega a 17,8%
no primeiro caso e cai para 11,1% no segundo. Duas disparidades a considerar: financiamento
de carro chega a 8,3% nas famílias de baixa renda e 19,7% na faixa de maior
renda, e financiamento de casa atinge 6,6% nas famílias com renda até 10 SM e
sobe para 16,7% para as de maior renda.
Portanto, a
melhora dos indicadores macroeconômicos em geral, tem contribuído para melhorar
as expectativas dos agentes econômicos, embora o endividamento e a
inadimplência das famílias ainda continuem elevados. A elevada taxa de
desemprego, embora em declínio, tem contribuído para explicar a dificuldade das
famílias em pagar suas contas em dia. Por outro lado, a preferência das
famílias brasileiras pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra
falta de educação financeira.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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