segunda-feira, 18 de junho de 2018


ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS CAI EM MAIO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias apresentou declínio em mai/18 ante o mês anterior, assim como em comparação com o percentual observado em igual período de 2017. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também caiu no período abr-mai/18, assim como em relação a mai/17. O percentual que relatou sem condições de pagar suas contas em atraso também decresceu em ambas as bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias endividadas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 59,1% em mai/18, registrando redução em relação a abr/18 (60,2%) e mai/17 (60,7%). Nos últimos dezessete meses, o maior nível de endividamento foi observado em nov-dez/17 quando chegou a 62,2%, respectivamente, mas distante dos maiores percentuais observados na série histórica em fev/11 (65,3%) e jul/13 (65,2%).

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso também caiu em mai/18 na comparação mensal, passando de 25% para 24,2% do total, enquanto caiu 25,5% na comparação anual. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes caiu de 10,3% em abr/18 para 9,9% no mês seguinte, apresentando queda também em relação aos 10,1% de maio de 2017.

De acordo com Marianne Hanson, economista da CNC, “A redução do endividamento observada nos últimos meses reflete um ritmo menor de recuperação do consumo das famílias e uma maior cautela na contratação de novos empréstimos e financiamentos”.

O número de famílias endividadas, na comparação com o mês imediatamente anterior, registrou declínio em ambas as faixas de renda (<10 e >10 Salários Mínimos-SM). Na comparação anual, houve queda apenas entre as famílias da faixa de renda <10 SM. Para as famílias que ganham abaixo de 10 SM, o percentual de famílias com dívidas alcançou 60,7% em mai/18, inferior aos 62% observados no mês anterior e inferior aos 63% em mai/17. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas caiu de 52,2% em abr/18 para 51,5% no mês seguinte. Já em mai/17, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda também era de 49,4%.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso registrou tendências semelhantes nas duas bases de comparação entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso decresceu de 28% em abr/18 para 27,3% em mai/18. Em mai/17, 28,9% das famílias nessa faixa de renda estavam com as contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 11,1% em maio deste ano, ante 12,6% em abr/18 e 11,7% em maio do ano anterior.

Com relação as duas faixas de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamentos diversos entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,3% em mai/18, ante 4,2% observado no mês anterior e 3,4% em mai/17.

Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas ficou estável em 11,8%, no período abr-mai/18. Em relação a mai/17, houve redução de 0,2 p.p. Embora os dois indicadores (famílias com dívidas/contas em atraso e sem condições de pagarem suas contas) tenham apresentado declínio entre abril e mai/18, a taxa de desemprego elevada contribui para explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas caiu entre abril e mai/18, de 14,2% para 13,4% do total de famílias. Na comparação anual, houve redução de 0,9 p.p. Na comparação entre mai/17 e mai/18, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 23,1% para 22,4%, e a parcela pouco endividada passou de 23,4% para 23,2%.

Com relação as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,4 dias em maio deste ano, acima dos 62,6 dias observado em mai/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 7,1 meses, sendo que 24,5% delas estão comprometidas com dívidas até 90 dias, enquanto 32,5%, por mais de 12 meses. Entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas decresceu na comparação anual, passando de 29,9% em mai/17 para 29,3% em mai/18, e cerca de 20% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua em primeiro lugar na preferência das famílias endividadas, atingindo 75,7% em mai/18. Esse percentual foi o menor verificado nos últimos 37 meses. Em segundo lugar temos as dívidas com carnês de lojas com 16,3%, seguido de financiamento de carro (11,1%), crédito pessoal com 10,2%, financiamento de casa (8,5%), cheque especial com 6%, crédito consignado (5,4%) e cheque pré-datado com 1,1%.

Para famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida apontados em mai/18: cartão de crédito com 72%, financiamento de carro (21,1%), financiamento de casa com 16,7%, crédito pessoal (12,5%) e carnês de loja com 10,4%. Com relação as famílias com renda <10 SM, os principais tipos de dívida em maio foram: cartão de crédito (76,7%), carnês de loja com 17,5%, crédito pessoal (9,7%), financiamento de carro com 8,9% e financiamento de casa (6,7%).

Portanto, a redução do endividamento nos últimos meses é um fator positivo, embora possa apresentar instabilidade nos próximos meses, como reflexo da greve provocada pelos caminhoneiros. Por outro lado, a elevada taxa de desemprego tem contribuído para que aproximadamente ¼ das famílias mantenham suas contas em atraso. A preferência das famílias brasileiras pelo endividamento com cartão de crédito demonstra grande desconhecimento de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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