INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMILÍAS RECUA EM JUNHO
Régis
Varão/¹
A pesquisa
de Intenção de Consumo das Famílias-ICF
de jun/18, da CNC, indica que as incertezas da
economia presentes em mai/18 influenciaram o declínio do índice ICF, mostrando
consumidores mais prudentes com relação aos seus gastos.
De acordo
com a pesquisa ICF,
os impactos da recente melhora no mercado de trabalho foram percebidos positivamente
no indicador através do crescimento do emprego e da renda. Já os problemas
gerados na economia decorrentes da greve dos caminhoneiros, a escassez na distribuição
de produtos e a valorização do dólar norte-americano afetaram as perspectivas,
especialmente o consumo e a disposição para aquisição de bens duráveis.
Com os
resultados de jun/18, o ICF
completou 38 meses abaixo dos 100 pontos, zona de indiferença. Na comparação
mensal embora o indicador tenha registrado declínio de 0,5% em jun/18, apresentou
elevação de 12,4% na comparação anual.
As regiões
Norte (3,9%) e Nordeste (3,2%) apresentaram os melhores desempenhos em jun/18, na
comparação mensal, destacando-se como as áreas onde as intenções de consumo subiram
mais, ao contrário das demais, que apresentaram taxas negativas. Na comparação
anual, no entanto, todas as regiões registraram incremento, ficando a liderança
com o Norte (28%), seguido por Sudeste (13,7%), Nordeste (11%), Sul (7,5%) e em
último lugar o Centro-Oeste com 4,4%.
Análise dos componentes
do ICF:
1. Emprego Atual:
Com relação
ao emprego atual, o declínio do ICF
jun/18 foi amenizado pela percepção de melhora quanto ao emprego atual que apresentou alta de 0,5%, na comparação
mensal, reflexo da melhoria no mercado de trabalho. Aproximadamente 33,9% das
famílias pesquisadas disseram estar mais seguras no emprego, enquanto 29,3%
responderam que a situação se manteve constante em relação ao ano anterior, no
entanto, um conjunto menor de 20,5% sentiu-se com menos segurança. Na
comparação anual, o indicador subiu 5,8%. Segundo o relatório da CNC, “Em 2017, eram menos pessoas que
se sentiam mais seguras no emprego (31,2%), enquanto os que percebiam menos
segurança atingiam 23,9 %”.
2. Nível de Consumo Atual:
O declínio
mensal dos subíndices que compõem o ICF,
Consumo Atual (-0,1%), Compras a Prazo (-0,3%) e Momento para Duráveis (-1,1%),
refletiu a disposição das famílias em gastar um pouco menos, principalmente com
produtos que possam comprometer o orçamento com compras parceladas, exemplo dos
duráveis.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito/compra a prazo apresentou variação negativa de 0,3%
em jun/18 (79,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 14,6% na comparação anual.
Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou o quarto maior crescimento
na comparação anual.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador atingiu 60,8 pontos em jun/18, registrando declínio de 1,1% na comparação
mensal, enquanto na comparação anual registrou a terceira maior elevação com
17,5%, ficando atrás da Perspectiva de Consumo (20,5%) e Nível de Consumo Atual
(19,9%). O percentual de famílias
que admitiram que o momento não era propício para duráveis (64,9%) correspondeu
a mais que o dobro das que achavam a conjuntura favorável. Em jun/17, o quadro
era pior: 70,6% das famílias entendiam que o momento era ruim para duráveis,
enquanto 22,3% achavam bom.
5.
Renda Atual:
Segundo
o relatório da CNC, “A estabilidade inflacionária produziu a sensação de que o
nível de renda manteve-se igual a junho/17 para um número maior de famílias
(39,8%). A quase estabilidade dos preços pode ter determinado maior equilíbrio
dos gastos nos orçamentos familiares”. O Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,33% no período jan-mai/18, enquanto em 2017
atingiu 1,42% em igual período. Em doze meses terminados em maio/18, a inflação
acumulou 2,86%, enquanto nos doze meses anteriores, totalizou 3,60%.
6.
Perspectiva de Consumo:
O
componente apresentou queda de 2,5% em jun/18, ante o mês anterior, chegando a 85,3
pontos, e registrou incremento de 20,5% na comparação anual, tendo registrado a
maior variação positiva naquela base de comparação entre os componentes do ICF. Quanto à redução das perspectivas de
consumo, a variação mensal foi puxada principalmente pela queda das intenções
das famílias com renda acima de dez salários mínimos (-4%). Segundo o relatório
da CNC, “As variações na percepção das condições de
consumo apresentaram-se elevadas na comparação anual (20,5%), com taxas
superiores a esta média encontradas no Nordeste (30,8 %) e no Norte (25,6%)”.
7.
Perspectiva Profissional:
Ainda
que neste ano a economia venha crescendo gradualmente, as perspectivas
profissionais não se apresentaram favoráveis, decrescendo 0,4% em jun/18, ante
o mês anterior, principalmente para as famílias que ganham até 10 salários
mínimos (-0,8%), enquanto, na comparação anual subiu 7,1%.
Portanto,
fora o emprego e a renda atual, os demais subíndices apresentaram decréscimos,
na comparação mensal, embora tenha sido observado variação positiva em todos os
componentes na comparação anual. As decisões das famílias, observando o
desempenho anual, podem ter sido influenciadas pela valorização do dólar e pelos
impactos negativos na economia com a greve dos caminhoneiros.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador
financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação
financeira, inteligência financeira, saúde financeira, liderança e conjuntura
macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel
em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas décadas. Foi
professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central
por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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