segunda-feira, 2 de julho de 2018


INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS RECUA EM JUNHO
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF de jun/18, da CNC, indica que as incertezas da economia presentes em mai/18 influenciaram o declínio do índice ICF, mostrando consumidores mais prudentes com relação aos seus gastos.

De acordo com a pesquisa ICF, os impactos da recente melhora no mercado de trabalho foram percebidos positivamente no indicador através do crescimento do emprego e da renda. Já os problemas gerados na economia decorrentes da greve dos caminhoneiros, a escassez na distribuição de produtos e a valorização do dólar norte-americano afetaram as perspectivas, especialmente o consumo e a disposição para aquisição de bens duráveis.

Com os resultados de jun/18, o ICF completou 38 meses abaixo dos 100 pontos, zona de indiferença. Na comparação mensal embora o indicador tenha registrado declínio de 0,5% em jun/18, apresentou elevação de 12,4% na comparação anual.

As regiões Norte (3,9%) e Nordeste (3,2%) apresentaram os melhores desempenhos em jun/18, na comparação mensal, destacando-se como as áreas onde as intenções de consumo subiram mais, ao contrário das demais, que apresentaram taxas negativas. Na comparação anual, no entanto, todas as regiões registraram incremento, ficando a liderança com o Norte (28%), seguido por Sudeste (13,7%), Nordeste (11%), Sul (7,5%) e em último lugar o Centro-Oeste com 4,4%.

Análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao emprego atual, o declínio do ICF jun/18 foi amenizado pela percepção de melhora quanto ao emprego atual  que apresentou alta de 0,5%, na comparação mensal, reflexo da melhoria no mercado de trabalho. Aproximadamente 33,9% das famílias pesquisadas disseram estar mais seguras no emprego, enquanto 29,3% responderam que a situação se manteve constante em relação ao ano anterior, no entanto, um conjunto menor de 20,5% sentiu-se com menos segurança. Na comparação anual, o indicador subiu 5,8%. Segundo o relatório da CNC, “Em 2017, eram menos pessoas que se sentiam mais seguras no emprego (31,2%), enquanto os que percebiam menos segurança atingiam 23,9 %”.

2. Nível de Consumo Atual:

O declínio mensal dos subíndices que compõem o ICF, Consumo Atual (-0,1%), Compras a Prazo (-0,3%) e Momento para Duráveis (-1,1%), refletiu a disposição das famílias em gastar um pouco menos, principalmente com produtos que possam comprometer o orçamento com compras parceladas, exemplo dos duráveis.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito/compra a prazo apresentou variação negativa de 0,3% em jun/18 (79,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 14,6% na comparação anual. Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou o quarto maior crescimento na comparação anual.

4. Momento para Duráveis:

O indicador atingiu 60,8 pontos em jun/18, registrando declínio de 1,1% na comparação mensal, enquanto na comparação anual registrou a terceira maior elevação com 17,5%, ficando atrás da Perspectiva de Consumo (20,5%) e Nível de Consumo Atual (19,9%). O percentual de famílias que admitiram que o momento não era propício para duráveis (64,9%) correspondeu a mais que o dobro das que achavam a conjuntura favorável. Em jun/17, o quadro era pior: 70,6% das famílias entendiam que o momento era ruim para duráveis, enquanto 22,3% achavam bom.

5. Renda Atual:

Segundo o relatório da CNC, “A estabilidade inflacionária produziu a sensação de que o nível de renda manteve-se igual a junho/17 para um número maior de famílias (39,8%). A quase estabilidade dos preços pode ter determinado maior equilíbrio dos gastos nos orçamentos familiares”. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,33% no período jan-mai/18, enquanto em 2017 atingiu 1,42% em igual período. Em doze meses terminados em maio/18, a inflação acumulou 2,86%, enquanto nos doze meses anteriores, totalizou 3,60%.

6. Perspectiva de Consumo:

O componente apresentou queda de 2,5% em jun/18, ante o mês anterior, chegando a 85,3 pontos, e registrou incremento de 20,5% na comparação anual, tendo registrado a maior variação positiva naquela base de comparação entre os componentes do ICF. Quanto à redução das perspectivas de consumo, a variação mensal foi puxada principalmente pela queda das intenções das famílias com renda acima de dez salários mínimos (-4%). Segundo o relatório da CNC, “As variações na percepção das condições de consumo apresentaram-se elevadas na comparação anual (20,5%), com taxas superiores a esta média encontradas no Nordeste (30,8 %) e no Norte (25,6%)”.

7. Perspectiva Profissional:

Ainda que neste ano a economia venha crescendo gradualmente, as perspectivas profissionais não se apresentaram favoráveis, decrescendo 0,4% em jun/18, ante o mês anterior, principalmente para as famílias que ganham até 10 salários mínimos (-0,8%), enquanto, na comparação anual subiu 7,1%.

Portanto, fora o emprego e a renda atual, os demais subíndices apresentaram decréscimos, na comparação mensal, embora tenha sido observado variação positiva em todos os componentes na comparação anual. As decisões das famílias, observando o desempenho anual, podem ter sido influenciadas pela valorização do dólar e pelos impactos negativos na economia com a greve dos caminhoneiros.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, saúde financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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