sábado, 4 de agosto de 2018


CONFIANÇA DO CONSUMIDOR SE RECUPERA EM JULHO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), publicado pela CNI, apresentou crescimento na confiança do consumidor nos meses de junho e julho deste ano. Embora tenha registrado em jun/18 o menor índice desde abr/16, apresentou elevação de 3,4% em jul/18 na comparação com o mês anterior, quando atingiu 101,6 pontos.

A melhora da confiança do consumidor reverte parcialmente a queda de 3,8% observada em junho deste ano ante o mês anterior, e eleva o índice em 2,1% além do observado em jul/17 quando chegou a 99,5 pontos. Mesmo com a alta mensal verificada em jul/18, o INEC está 1,3% inferior ao registrado em jan/18 (102,9 pontos) quando atingiu o maior valor do ano. Por outro lado, o indicador encontra-se 5,7% abaixo de sua média histórica (107,8 pontos), indicando baixa confiança do consumidor.

A elevação do pessimismo observado em jun/18 entre os componentes do INEC se dispersa no mês seguinte. Os componentes do INEC, exceto expectativa de inflação, passam a registrar melhora na comparação com igual período de 2017.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta incremento de 7% em jul/18 (105,2 pontos), ante o mês anterior, e queda de 1,1% na comparação com jul/17, quando chegou a 106,4 pontos. Na comparação mensal houve declínio do pessimismo com relação ao comportamento dos preços para os próximos meses. Foi o único dos componentes do INEC a registrar declínio na comparação anual;

(b) Expectativa de desemprego: o indicador registra crescimento de 9,5% em julho deste ano (114,3 pontos), ante o mês anterior, e sobe 7,3% frente a jul/17, que ficou em 106,5 pontos. O índice de jul/18 apresentou declínio do pessimismo quanto às expectativas de emprego para os próximos meses. Foi o indicador a registrar o melhor desempenho nas duas bases de comparação - mensal e anual - entre os componentes do INEC;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC registra variação positiva de 2,8% em jul/18 (93,1 pontos) ante o mês anterior, e elevação de 2,5% na comparação com jul/17 (90,8 pontos). Entre os indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou a segunda maior elevação anual. O crescimento do índice de expectativas de renda pessoal em jul/18, indica que mais consumidores esperam elevação de seus rendimentos pessoais;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: é o único dos componentes do INEC a registrar variação negativa na comparação mensal (-0,8%). O índice chega a 111,4 pontos em jul/18, e registra o segundo maior valor naquele mês, perdendo apenas para expectativa de desemprego com 114,3 pontos;

(e) Endividamento: o índice apresenta variação positiva de 3,6% em jul/18 (96,9 pontos) na comparação mensal, e cresce 2,2% frente a igual período do ano anterior, quando chegou a 94,8 pontos. O desempenho positivo do índice, nas duas bases de comparação, indica que maior quantidade de consumidores espera uma melhora no nível de endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta crescimento de 2,6% em jul/18 (89,2 pontos), ante o mês anterior, e sobe 0,3% na comparação anual, quando atinge 88,9 pontos. Quanto maior o índice de situação financeira maior a esperança de uma melhor situação financeira dos consumidores.

Portanto, a performance satisfatória do indicador em jul/18, na comparação mensal, deve-se em grande parte, ao desempenho do desemprego, inflação, renda pessoal, endividamento e situação financeira, enquanto na comparação anual, a queda na expectativa de inflação não foi suficiente para ofuscar o desempenho do INEC em julho.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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