AUMENTA O
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JANEIRO
Régis
Varão/¹
O
endividamento das famílias cresceu em jan/19 ante o mês anterior, embora tenha
registrado declínio na comparação anual. As famílias com contas ou dívidas em
atraso apresentaram pequena elevação entre dez/18 e jan/19, mas caiu na
comparação anual. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas
em atraso registrou queda nas duas bases de comparação, segundo a Pesquisa
Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.
O percentual
de famílias endividada com cartão de crédito, carnê de loja, prestação de
carro, financiamento de casa, empréstimo
pessoal, cheque especial, cheque pré-datado e crédito consignado atingiu 60,1%
em jan/19, uma redução de 1,2 p.p. ante jan/18, e registrou crescimento de 0,3
p.p. na comparação mensal.
O percentual
de famílias com dívidas ou contas em atraso manteve-se praticamente estável entre
dez/18 e jan/19 quando passou de 22,8% para 22,9%, respectivamente, mas recuou
2,1 p.p. na comparação anual. O percentual de famílias sem condições de pagar
suas contas ou dívidas em atraso caiu de 9,5% em jan/18 para 9,2% em
dez/18, e chegou a 9,1% em jan/19.
Entre as
faixas de renda, as famílias sem condições de pagar suas contas em atraso
apresentou comportamento distinto, na comparação anual. Para as famílias que
ganham até dez salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com
dívidas atingiu 60,9% em jan/19, acima dos 60,8% observados em dez/18, e abaixo
dos 62,9% de jan/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de
famílias endividadas subiu de 55,8% em dez/18 para 57,1% em jan/19. Em jan/18,
o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda chegou a 53,6%.
O percentual
de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre
os grupos de renda pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda
<10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso permaneceu estável, no
patamar de 25,5%, em jan/19, enquanto em jan/18, 28,2% das famílias nessa faixa
de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo >10 SM, o
percentual de inadimplentes chegou a 11,2% em jan/19, ante 10,5% no mês
anterior e 11% em jan/18.
Ainda por
faixa de renda, o percentual de famílias que declararam sem condições de pagar
suas contas em atraso apresentou comportamento distinto entre os grupos
pesquisados. Na faixa >10 SM, o indicador alcançou 3,4% em jan/19, ante 3,8%
em dez/18 e 3,5% em jan/18. Para o grupo <10 SM, o percentual de famílias
sem condições de quitar suas dívidas subiu de 10,4% em dez/18 para 10,6% em jan/19,
enquanto em relação a jan/18 houve queda de 0,4 p.p.
O cartão de
crédito continua na preferência das famílias como forma de endividamento,
atingindo 78,4% em jan/19, seguido por carnês de loja com 14%, financiamento de
carro (9,7%), financiamento de casa com 8,6%, crédito pessoal (8,4%), cheque
especial com 5,7%, crédito consignado (5,5%), outras dívidas com 2,6% e cheque
pré-datado (1,3%). Em jan/18 o cartão de crédito registrou 77,4% nas
preferências das famílias, subindo 1 p.p. entre jan/18 e jan/19. Ainda por
faixa de renda, em jan/19, o cartão de crédito continua liderando com 79,1% nas
famílias <10 SM e 75,9% nas >10 SM. Ver gráficos.
Portanto, embora
o endividamento das famílias tenha declinado na comparação mensal, subiu na anual,
enquanto a preferência das famílias pelo cartão de crédito - pior forma de
endividamento - registrou incremento na comparação anual. A opção de
endividamento das famílias com cartão de crédito sugere o completo
desconhecimento de educação financeira. Políticas públicas direcionadas para esse
segmento podem contribuir para formar uma população mais saudável
financeiramente, combatendo indiretamente problemas como estresse, depressão, alcoolismo,
falta ao emprego entre outros.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação
corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master
Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também
bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três
décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do
Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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