terça-feira, 5 de março de 2019

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias cresceu em jan/19 ante o mês anterior, embora tenha registrado declínio na comparação anual. As famílias com contas ou dívidas em atraso apresentaram pequena elevação entre dez/18 e jan/19, mas caiu na comparação anual. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso registrou queda nas duas bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

O percentual de famílias endividada com cartão de crédito, carnê de loja, prestação de carro, financiamento de  casa, empréstimo pessoal, cheque especial, cheque pré-datado e crédito consignado atingiu 60,1% em jan/19, uma redução de 1,2 p.p. ante jan/18, e registrou crescimento de 0,3 p.p. na comparação mensal.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso manteve-se praticamente estável entre dez/18 e jan/19 quando passou de 22,8% para 22,9%, respectivamente, mas recuou 2,1 p.p. na comparação anual. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso caiu de 9,5% em jan/18 para 9,2% em dez/18,  e chegou a 9,1% em jan/19.

Entre as faixas de renda, as famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento distinto, na comparação anual. Para as famílias que ganham até dez salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas atingiu 60,9% em jan/19, acima dos 60,8% observados em dez/18, e abaixo dos 62,9% de jan/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas subiu de 55,8% em dez/18 para 57,1% em jan/19. Em jan/18, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda chegou a 53,6%.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre os grupos de renda pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso permaneceu estável, no patamar de 25,5%, em jan/19, enquanto em jan/18, 28,2% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo >10 SM, o percentual de inadimplentes chegou a 11,2% em jan/19, ante 10,5% no mês anterior e 11% em jan/18.

Ainda por faixa de renda, o percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento distinto entre os grupos pesquisados. Na faixa >10 SM, o indicador alcançou 3,4% em jan/19, ante 3,8% em dez/18 e 3,5% em jan/18. Para o grupo <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas subiu de 10,4% em dez/18 para 10,6% em jan/19, enquanto em relação a jan/18 houve queda de 0,4 p.p.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias como forma de endividamento, atingindo 78,4% em jan/19, seguido por carnês de loja com 14%, financiamento de carro (9,7%), financiamento de casa com 8,6%, crédito pessoal (8,4%), cheque especial com 5,7%, crédito consignado (5,5%), outras dívidas com 2,6% e cheque pré-datado (1,3%). Em jan/18 o cartão de crédito registrou 77,4% nas preferências das famílias, subindo 1 p.p. entre jan/18 e jan/19. Ainda por faixa de renda, em jan/19, o cartão de crédito continua liderando com 79,1% nas famílias <10 SM e 75,9% nas >10 SM. Ver gráficos.

Portanto, embora o endividamento das famílias tenha declinado na comparação mensal, subiu na anual, enquanto a preferência das famílias pelo cartão de crédito - pior forma de endividamento - registrou incremento na comparação anual. A opção de endividamento das famílias com cartão de crédito sugere o completo desconhecimento de educação financeira. Políticas públicas direcionadas para esse segmento podem contribuir para formar uma população mais saudável financeiramente, combatendo indiretamente problemas como estresse, depressão, alcoolismo, falta ao emprego entre outros.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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