quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS CAI EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias caiu de 65,6% em dez/19 para 65,3% em jan/20, enquanto na comparação anual subiu 5,2 p.p. O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso decresceu entre dez/19 (24,5%) e jan/20 (23,8%), mas subiu na comparação anual (+0,9 p.p.). As famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentaram o mesmo comportamento, caindo de 10% em dez/19 para 9,6% no mês seguinte, elevando, contudo, na comparação anual (+0,5 p.p.), segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

Segundo José Roberto Tadros, da CNC, apesar de o endividamento permanecer em um patamar elevado, a queda nos indicadores de atraso e inadimplência reforçou que as dívidas têm sido compatíveis com a renda das famílias. Afirma Tadros, “As melhores condições do crédito têm permitido a ampliação desse mercado ao consumidor, que vem tendo mais segurança para comprar por conta da melhora recente do mercado de trabalho, confirmada pelos últimos indicadores econômicos”.

O endividamento com cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e de casa atingiu 65,3% em jan/20, representando declínio de 0,3 p.p. frente a dez/19. Já com relação a jan/19 apresentou elevação significativa de 5,2 p.p.

O percentual de famílias com dívidas em atraso caiu no primeiro mês do ano, passando de 24,5% em dez/19 para 23,8% em jan/20. No entanto, houve aumento do percentual de famílias inadimplentes em relação a jan/19 (22,9%). O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e que, e continuam inadimplentes decresceu na comparação mensal, para 9,6% em jan/20, ante 10% observado em dez/19, enquanto registrou 9,1% em jan/19.

O quantitativo de famílias endividadas apresentou tendência análoga entre as faixas de renda pesquisadas, nas duas bases de comparação. Famílias que ganham até 10 salários mínimos (<10 SM), o endividamento alcançou 66,4% em jan/20, abaixo dos 66,6% de dez/19, e acima dos 60,9% de jan/19. Para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos (>10 SM), o endividamento caiu no período dez/19 e jan/20, de 61,4% para 60,9%. Em jan/19, o endividamento nesse grupo de renda era 57,1%.

Com relação ao percentual de famílias com contas em atraso foi observado tendência distinta entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Em famílias com renda >10 SM, o percentual de inadimplência permaneceu estável na comparação mensal, em jan/20 (10,8%), mas superior aos 11,2% de jan/19. Na faixa de renda (<10 SM), o percentual de famílias com contas em atraso caiu de 27,7% em dez/19 para 26,9% no mês seguinte. Em jan/19, 25,5% das famílias nessa faixa de renda estavam com contas em atraso.

O percentual das famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento distinto entre os grupos pesquisados, na comparação mensal. Na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 3,6% em jan/20, ante 3,5% em dez/19 e 3,4% em jan/19. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas passou de 11,8% em dez/19 para 11,2% no mês seguinte, enquanto em jan/19 subiu 0,6 p.p.

A proporção das famílias muito endividadas permaneceu estável entre dez/19 e jan/20, em 14,5% do total de famílias. Na comparação anual, houve crescimento de 2,5 p.p. Na comparação jan/19-jan/20, a parcela das famílias mais ou menos endividada ficou estável em 23,2%, e a pouco endividada subiu de 24,9% para 27,6%.

Com relação às contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 63,7 dias em jan/20, ante 64,4 dias de jan/19. O tempo médio comprometido com dívidas entre as famílias endividadas foi 7 meses, sendo que 25,7% delas comprometidas com dívidas até 90 dias, e 33% acima de 12 meses. Entre as endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu de 29,3% em jan/19 para 29,4% em jan/20, e 19,4% afirmaram ter mais da metade da renda mensal destinada a pagamento de dívidas.

O Cartão de Crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida para 79,8% das famílias endividadas em jan/20, seguido por Carnês de Loja (15,9%), Financiamento de Carro (10,9%), Financiamento de Casa (9,3%), Crédito Pessoal (7,4%), Cheque Especial (6,5%), Crédito Consignado (5,5%), Cheque Pré-datado (1,1%) e Outras Dívidas (2,2%). Para as famílias com renda <10 SM, o Cartão de Crédito (80,1%), Carnês de Loja (16,7%) e Financiamento de Carro (9%), foram os principais tipos de dívida apontados em jan/20. Para as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida foram: Cartão de Crédito (78,7%), Financiamento de Carro (19%) e Financiamento de Casa (16,5%).

Portanto, após  atingir em dez/19, o maior percentual da série histórica com dois meses consecutivos de crescimento, o nível de endividamento das famílias começou o ano em declínio. Importante observar que o decréscimo da parcela média da renda comprometida com empréstimos e financiamento é positivo, além de registrar o menor valor desde mai/19. Por outro lado, a preferência das famílias pelo cartão de crédito como forma de endividamento, indica completa ausência de educação financeira.

¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro e das finanças pessoais nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

CRÉDITO CONSIGNADO PODE REDUZIR O ENDIVIDAMENTO
Régis Varão/¹

Essa modalidade de crédito se popularizou nos últimos dezessete anos tendo em vista a facilidade com que pode ser utilizado. As parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do contratante. Por isso, o endividamento é menor, assim como as taxas de juros, já que o banco tem mais garantia quanto ao recebimento da dívida.

Substituiu o antigo desconto em folha, embora o mecanismo seja praticamente o mesmo. É muito utilizado por servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS e em menor escala por trabalhadores do setor privado. Estimulado pelo excesso de publicidade e facilidade na contratação, vem crescendo fortemente nos últimos anos.

Qualquer empregado que trabalhe no regime CLT, a pelo menos seis meses, pode solicitar esse tipo de empréstimo. O limitador do valor desejado é o salário mensal do tomador do crédito. De acordo com a lei, a parcela a ser descontada obedece a margem consignável de 30% da renda líquida mensal. A oferta de novos produtos no mercado, levou vários segmentos da sociedade a utilizar essa modalidade de crédito, que é tomado sem nenhuma burocracia, e atende o desejo de consumo dessa parcela da população.

Tendo em vista a facilidade com que o setor bancário oferece o crédito, os endividados têm buscado essa modalidade, principalmente quando não conseguem novas linhas de crédito no setor bancário. O consignado é a última opção do endividado, tendo em vista que os juros praticados no segmento são baixíssimos quando comparados aos praticados pelo rotativo do cartão de crédito e do cheque especial.

Vamos exemplificar as modalidades consignado e crédito rotativo. Um consignado com taxa de 1,29% a.m. fica em 17% a.a. para o tomador, enquanto no crédito rotativo sobe para cerca de 300% a.a., uma diferença gritante. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-Peic, as famílias brasileiras preferem o cartão de crédito como tipo de dívida, o que dificulta a saída do ciclo vicioso do endividamento. A pesquisa indica que o endividamento com cartão de crédito atingiu 79,8% em jan/20.

Na euforia provocada pela onda consumista e ausência de educação financeira, a maioria das pessoas, muitas vezes esquece que o crédito consignado, fácil de ser obtido, pode transformar-se em mais uma dor de cabeça.

A ausência de educação financeira pode levar o indivíduo ou a família a ficar refém de compras por impulso, desnecessárias, repetidas, enfim, a falta de planejamento pode levar o cidadão ao endividamento. A pesquisa Peic indica que o endividamento das famílias passou de 60,1% em jan/19 para 65,3% em jan/20. No caso do servidor público, a estabilidade funcional e o salário médio acima das demais categorias explicam a elevação do endividamento com consignado. Os trabalhadores do setor privado por não terem estabilidade e os elevados salários do setor público são mais comedidos na utilização desse crédito, enquanto os aposentados, em alguns casos, sofrem pressões de familiares para elevar o endividamento.

O alerta que podemos fazer é principalmente para os servidores públicos, cuja renda elevada, e com limites de crédito bastante flexíveis, pode ser, no médio prazo um fator de risco para a saúde financeira, tendo em vista que pode comprometer a totalidade de seus proventos, piorando a qualidade de vida presente e futura.

Tenha cuidado na utilização de qualquer linha de crédito, inclusive o consignado. Caso esteja com problema de endividamento, liste as dívidas, vencidas e a vencer nos próximos dias e meses, negocie com os credores e utilize o crédito consignado para liquidar as dívidas que cobram juros mais elevados, como o cartão de crédito e cheque especial. Dependendo do resultado da negociação o consignado pode contribuir para dar uma solução definitiva ao endividamento.

Portanto, a negociação e o crédito consignado são as melhores soluções para quem está endividado. Nunca utilize qualquer linha de crédito, mesmo o consignado, se não tiver feito um planejamento financeiro adequado ou não tiver uma destinação específica para o recurso. Fique atento às “excelentes” ofertas que os gerentes de banco fazem. Essa bondade bancária apenas garante o cumprimento de metas dos gerentes e mais lucro para os bancos.

¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro e das finanças pessoais nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS MELHORA EM FEV/20
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias-ICF atingiu 99,3 pontos em fev/20, a maior pontuação desde abr/15 (102,9 pontos) e o melhor valor para um mês de fevereiro desde 2015, quando registrou 117,8 pontos. O indicador subiu 1,2% em fev/20, na comparação mensal, e registrou alta de 0,8% na anual. Embora tenha apresentado crescimento nas duas bases de comparação, o indicador ficou abaixo do nível de satisfação de 100 pontos, o que acontece desde abr/15.

Na avaliação por faixa de renda, o ICF para famílias com renda acima de 10 salários mínimos (SM) mostraram-se satisfeitas com o nível de intenção de compras, enquanto as famílias com renda inferior a 10 SM representou insatisfação.

Análise dos componentes:

1. Emprego Atual:

O sentimento quanto a segurança no emprego registrou evolução mensal de 0,8% em fev/20 (119,9 pontos) e declínio de 0,8% anual. A maior parte dos entrevistados, 39,1%, se sente mais segura em relação ao Emprego Atual, um percentual superior ao observado no mês anterior (38,5%) e acima do verificado em fev/19 (37,4%). O patamar observado em fev/20 (119,9 pontos) foi o maior desde mar/19 (120,7 pontos), revelando satisfação das famílias nesse componente. O crescimento das contratações líquidas confirma esse desempenho;

2. Nível de Consumo Atual:

Esse subíndice registrou crescimento de 4,1% em fev/20 (76,6 pontos), ante o mês anterior e subiu 0,2% na comparação anual. A maioria das famílias pesquisadas “consideraram que em fevereiro de 2020 o nível de Consumo Atual foi menor do que no ano passado (44,8%), ante 46,3% no mês anterior e 44,6% em fevereiro de 2019”. Em fev/20, esse indicador registrou o menor valor entre os sete componentes do ICF;

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

Esse componente atingiu 95,4 pontos em fev/20 e apresentou crescimento de 4,3% naquele mês, ante o mês anterior, e registrou elevação de 6,7% na comparação anual. Nas duas bases de comparação foi a maior variação percentual positiva observada entre os componentes do ICF. O percentual de famílias que acreditam que comprar a prazo está mais fácil passou de 30% em jan/20 para 32,1% no mês seguinte, contra 28,2% registrado em fev/19. O bom desempenho desse subíndice deve-se em grande parte a melhora da percepção das famílias com relação à oferta de crédito, enquanto a queda dos juros serviu de incentivo para comprar a prazo;

4. Momento para Duráveis:

Esse componente apresentou o maior declínio entre os componentes do ICF, ao cair 5,4% em fev/20 (79,3 pontos), ante o mês anterior, e registrou incremento de 5,4% na comparação anual. O valor desse subíndice em fev/20, é o maior desde mar/15 (92,1 pontos). O percentual “de consumidores que acredita ser um momento positivo atingiu 35,6%, seu maior percentual desde março de 2015 (41,8%) e acima tanto dos 34,6%, observados no mês anterior, quanto dos 33,3% em fevereiro de 2019. Apesar dessa melhora, o indicador correspondeu à única variação negativa do mês, -5,4%. Contudo, não foi o suficiente para anular o aumento acumulado de +15,3% que o item obteve nos quatro meses anteriores”, segundo o relatório da CNC;

5. Renda Atual:

Esse componente registrou elevação nas duas bases de comparação, mensal (1,6%) e anual (2,7%). O subíndice atingiu 114,6 pontos em fev/20, sendo o segundo maior valor observado naquele mês entre os componentes do ICF. As avaliações positivas da Renda Atual, em fev/20, atingiram 38,1% das famílias ante 37,9% no mês anterior e 35,1 na comparação anual, registrando o maior percentual desde mai/15 (39,3%). O valor observado em fevereiro deste ano foi o maior desde mai/15 (115,1 pontos). É provável que o otimismo a respeito do componente esteja relacionado a uma inflação mais baixa, impactando positivamente o poder de compra das famílias;

6. Perspectiva de Consumo:

Esse subíndice registrou elevação de 3,1% em fev/20 (100,3 pontos), após duas quedas consecutivas, ante o mês anterior, e apresentou decréscimo de 1,7% na comparação anual. O valor registrado em fevereiro deste ano foi o mais elevado desde mar/19 quando chegou a 102,2 pontos. Quanto ao comportamento desse subíndice, 36,4% das famílias acreditam que consumirão mais nos próximos três meses, superando pela primeira vez desde fev/19 a parcela de famílias que aposta na redução do seu consumo. Apesar da satisfação das famílias com o longo prazo, elas estão mais cautelosas do que em 2019;

7. Perspectiva Profissional:

Esse subíndice apresentou elevação modesta de 0,3% em fev/20 (108,7 pontos), após dois meses de decréscimo, na comparação mensal, e registrou declínio de 4,5% na anual, representando a maior queda entre os componentes em fevereiro deste ano. A maior proporção de famílias (49,2%) apresentou perspectiva profissional positiva, ante o mês anterior que atingiu 47,8% e 51,5% na comparação com fev/19. O indicador representou satisfação das famílias com o futuro profissional das famílias para os próximos seis meses, sugerindo efeitos positivos do declínio do desemprego.

Portanto, o ICF atingiu em fev/20 o maior valor desde abr/15, tendo registrado o melhor desempenho para meses de fevereiro desde 2015. Com base nesse resultado, as famílias se mostraram mais otimistas com relação ao consumo para 2020.

¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.