terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

CRÉDITO CONSIGNADO PODE REDUZIR O ENDIVIDAMENTO
Régis Varão/¹

Essa modalidade de crédito se popularizou nos últimos dezessete anos tendo em vista a facilidade com que pode ser utilizado. As parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do contratante. Por isso, o endividamento é menor, assim como as taxas de juros, já que o banco tem mais garantia quanto ao recebimento da dívida.

Substituiu o antigo desconto em folha, embora o mecanismo seja praticamente o mesmo. É muito utilizado por servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS e em menor escala por trabalhadores do setor privado. Estimulado pelo excesso de publicidade e facilidade na contratação, vem crescendo fortemente nos últimos anos.

Qualquer empregado que trabalhe no regime CLT, a pelo menos seis meses, pode solicitar esse tipo de empréstimo. O limitador do valor desejado é o salário mensal do tomador do crédito. De acordo com a lei, a parcela a ser descontada obedece a margem consignável de 30% da renda líquida mensal. A oferta de novos produtos no mercado, levou vários segmentos da sociedade a utilizar essa modalidade de crédito, que é tomado sem nenhuma burocracia, e atende o desejo de consumo dessa parcela da população.

Tendo em vista a facilidade com que o setor bancário oferece o crédito, os endividados têm buscado essa modalidade, principalmente quando não conseguem novas linhas de crédito no setor bancário. O consignado é a última opção do endividado, tendo em vista que os juros praticados no segmento são baixíssimos quando comparados aos praticados pelo rotativo do cartão de crédito e do cheque especial.

Vamos exemplificar as modalidades consignado e crédito rotativo. Um consignado com taxa de 1,29% a.m. fica em 17% a.a. para o tomador, enquanto no crédito rotativo sobe para cerca de 300% a.a., uma diferença gritante. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-Peic, as famílias brasileiras preferem o cartão de crédito como tipo de dívida, o que dificulta a saída do ciclo vicioso do endividamento. A pesquisa indica que o endividamento com cartão de crédito atingiu 79,8% em jan/20.

Na euforia provocada pela onda consumista e ausência de educação financeira, a maioria das pessoas, muitas vezes esquece que o crédito consignado, fácil de ser obtido, pode transformar-se em mais uma dor de cabeça.

A ausência de educação financeira pode levar o indivíduo ou a família a ficar refém de compras por impulso, desnecessárias, repetidas, enfim, a falta de planejamento pode levar o cidadão ao endividamento. A pesquisa Peic indica que o endividamento das famílias passou de 60,1% em jan/19 para 65,3% em jan/20. No caso do servidor público, a estabilidade funcional e o salário médio acima das demais categorias explicam a elevação do endividamento com consignado. Os trabalhadores do setor privado por não terem estabilidade e os elevados salários do setor público são mais comedidos na utilização desse crédito, enquanto os aposentados, em alguns casos, sofrem pressões de familiares para elevar o endividamento.

O alerta que podemos fazer é principalmente para os servidores públicos, cuja renda elevada, e com limites de crédito bastante flexíveis, pode ser, no médio prazo um fator de risco para a saúde financeira, tendo em vista que pode comprometer a totalidade de seus proventos, piorando a qualidade de vida presente e futura.

Tenha cuidado na utilização de qualquer linha de crédito, inclusive o consignado. Caso esteja com problema de endividamento, liste as dívidas, vencidas e a vencer nos próximos dias e meses, negocie com os credores e utilize o crédito consignado para liquidar as dívidas que cobram juros mais elevados, como o cartão de crédito e cheque especial. Dependendo do resultado da negociação o consignado pode contribuir para dar uma solução definitiva ao endividamento.

Portanto, a negociação e o crédito consignado são as melhores soluções para quem está endividado. Nunca utilize qualquer linha de crédito, mesmo o consignado, se não tiver feito um planejamento financeiro adequado ou não tiver uma destinação específica para o recurso. Fique atento às “excelentes” ofertas que os gerentes de banco fazem. Essa bondade bancária apenas garante o cumprimento de metas dos gerentes e mais lucro para os bancos.

¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro e das finanças pessoais nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

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