INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS MELHORA EM
FEV/20
Régis
Varão/¹
A Intenção de Consumo das Famílias-ICF atingiu 99,3 pontos em
fev/20, a maior pontuação desde abr/15 (102,9 pontos) e o melhor valor para um
mês de fevereiro desde 2015, quando registrou 117,8 pontos. O indicador subiu
1,2% em fev/20, na comparação mensal, e registrou alta de 0,8% na anual. Embora
tenha apresentado crescimento nas duas bases de comparação, o indicador ficou
abaixo do nível de satisfação de 100 pontos, o que acontece desde abr/15.
Na avaliação por faixa de renda, o ICF para famílias com renda
acima de 10 salários mínimos (SM) mostraram-se satisfeitas com o nível de
intenção de compras, enquanto as famílias com renda inferior a 10 SM
representou insatisfação.
Análise dos componentes:
1. Emprego Atual:
O sentimento quanto a segurança no emprego registrou
evolução mensal de 0,8% em fev/20 (119,9 pontos) e declínio de 0,8% anual. A maior parte dos entrevistados, 39,1%, se sente mais
segura em relação ao Emprego Atual, um percentual superior ao observado no mês
anterior (38,5%) e acima do verificado em fev/19 (37,4%). O patamar observado em
fev/20 (119,9 pontos) foi o maior desde mar/19 (120,7 pontos), revelando
satisfação das famílias nesse componente. O crescimento das contratações
líquidas confirma esse desempenho;
2. Nível de Consumo Atual:
Esse subíndice registrou crescimento de 4,1% em fev/20
(76,6 pontos), ante o mês anterior e subiu 0,2% na comparação anual. A maioria
das famílias pesquisadas “consideraram que em fevereiro de 2020 o nível de
Consumo Atual foi menor do que no ano passado (44,8%), ante 46,3% no mês
anterior e 44,6% em fevereiro de 2019”. Em fev/20, esse indicador registrou o
menor valor entre os sete componentes do ICF;
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
Esse componente atingiu 95,4 pontos em fev/20 e apresentou
crescimento de 4,3% naquele mês, ante o mês anterior, e registrou elevação de
6,7% na comparação anual. Nas duas bases de comparação foi a maior variação percentual
positiva observada entre os componentes do ICF. O percentual de famílias
que acreditam que comprar a prazo está mais fácil passou de 30% em jan/20 para
32,1% no mês seguinte, contra 28,2% registrado em fev/19. O bom desempenho
desse subíndice deve-se em grande parte a melhora da percepção das famílias com
relação à oferta de crédito, enquanto a queda dos juros serviu de incentivo
para comprar a prazo;
4.
Momento para Duráveis:
Esse componente apresentou o maior declínio entre
os componentes do ICF, ao cair 5,4% em fev/20 (79,3 pontos), ante o mês
anterior, e registrou incremento de 5,4% na comparação anual. O valor desse
subíndice em fev/20, é o maior desde mar/15 (92,1 pontos). O percentual “de
consumidores que acredita ser um momento positivo atingiu 35,6%, seu maior
percentual desde março de 2015 (41,8%) e acima tanto dos 34,6%, observados no
mês anterior, quanto dos 33,3% em fevereiro de 2019. Apesar dessa melhora, o
indicador correspondeu à única variação negativa do mês, -5,4%. Contudo, não
foi o suficiente para anular o aumento acumulado de +15,3% que o item obteve
nos quatro meses anteriores”, segundo o relatório da CNC;
5.
Renda Atual:
Esse componente registrou elevação nas duas bases
de comparação, mensal (1,6%) e anual (2,7%). O subíndice atingiu 114,6 pontos
em fev/20, sendo o segundo maior valor observado naquele mês entre os
componentes do ICF. As avaliações positivas
da Renda Atual, em fev/20, atingiram 38,1% das famílias ante 37,9% no mês
anterior e 35,1 na comparação anual, registrando o maior percentual desde
mai/15 (39,3%). O valor observado em fevereiro deste ano foi o maior desde mai/15
(115,1 pontos). É provável que o otimismo a respeito do componente esteja
relacionado a uma inflação mais baixa, impactando positivamente o poder de
compra das famílias;
6.
Perspectiva de Consumo:
Esse subíndice registrou elevação de 3,1% em fev/20
(100,3 pontos), após duas quedas consecutivas, ante o mês anterior, e
apresentou decréscimo de 1,7% na comparação anual. O valor registrado em fevereiro
deste ano foi o mais elevado desde mar/19 quando chegou a 102,2 pontos. Quanto
ao comportamento desse subíndice, 36,4% das famílias acreditam que consumirão
mais nos próximos três meses, superando pela primeira vez desde fev/19 a
parcela de famílias que aposta na redução do seu consumo. Apesar da satisfação
das famílias com o longo prazo, elas estão mais cautelosas do que em 2019;
7.
Perspectiva Profissional:
Esse subíndice apresentou elevação modesta de 0,3%
em fev/20 (108,7 pontos), após dois meses de decréscimo, na comparação mensal,
e registrou declínio de 4,5% na anual, representando a maior queda entre os
componentes em fevereiro deste ano. A maior proporção de famílias (49,2%)
apresentou perspectiva profissional positiva, ante o mês anterior que atingiu
47,8% e 51,5% na comparação com fev/19. O indicador representou satisfação das famílias
com o futuro profissional das famílias para os próximos seis meses, sugerindo efeitos
positivos do declínio do desemprego.
Portanto, o ICF atingiu em fev/20 o maior
valor desde abr/15, tendo registrado o melhor desempenho para meses de
fevereiro desde 2015. Com base nesse resultado, as famílias se mostraram mais
otimistas com relação ao consumo para 2020.
¹/ Mentor, Consultor e Coach Financeiro,
especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e
desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25
anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais,
inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar
treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.
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