terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CRÉDITO CONSIGNADO PODE LIBERTÁ-LO OU...
Consultor Régis Varão

Essa modalidade de crédito se popularizou nos últimos dez anos no País tendo em vista a facilidade com que as pessoas podem utilizá-lo. Substituiu o antigo desconto em folha, embora o mecanismo seja exatamente o mesmo. As parcelas são descontadas em folha de pagamento, sendo muito utilizado por servidores públicos, aposentados do INSS e em menor escala pelos trabalhadores do setor privada. O problema é que agora estimulado pelo excesso de publicidade, vem crescendo fortemente nos últimos anos.

A oferta de novos produtos no mercado, levou vários segmentos da sociedade a utilizar essa modalidade de crédito, que é tomado sem nenhuma burocracia, e atende o desejo de consumo por esses novos e sofisticados produtos como televisores com tela plana e muitas opções, celulares que parecem minicomputadores, tabletes, diversos produtos eletrônicos etc.

Tendo em vista a facilidade com que o setor bancário oferece esse crédito, e se sua empresa tem convênio com um banco, os endividados têm buscado essa modalidade, principalmente quando já não conseguem obter uma nova linha de crédito junto ao sistema bancário. O crédito consignado é a última opção do endividado, tendo em vista que os juros praticados no segmento são baixíssimos quando comparados com os do cartão de credito, cheque especial e outros.

Vamos usar um exemplo para ilustrar as diferenças de juros cobrados em apenas duas modalidades de crédito. Um consignado de 1,16% a.m. custa 14,84% a.a. para o tomador, enquanto a taxa de juros cobrada no crédito rotativo de 6,02% a.m. atinge 101,68% a.a. Considerando que a taxa Selic está em 10% a.a. os juros cobrados no consignado ainda são dos mais baratos no mercado de crédito, enquanto no crédito rotativo o endividado paga 91,68 p.p. (pontos percentuais) a mais, o que dificulta a saída do ciclo vicioso do endividamento.

Em 29/11/13 foram divulgadas estatísticas preocupantes a respeito do endividamento dos servidores públicos. Dados de out/13 indicam que o nível de endividamento dos servidores públicos estatutários e militares atingiu R$ 135,2 bilhões ante R$ 116,0 bilhões observados em dez/12, crescendo, R$ 19,2 bilhões no acumulado até out/13, para um contingente de apenas 6,9 milhões de pessoas. O endividamento dos aposentados do INSS atingiu R$ 65,7 bilhões em out/13 contra R$ 56,5 bilhões em dez/12 para um montante de 27,7 milhões de pessoas. Já o endividamento do setor privado atingiu R$ 17,9 bilhões em out/13 frente a R$ 16,2 bilhões observados em dez/12, para um contingente de 46,6 milhões de pessoas, apresentando o menor montante dos três segmentos e com menor crescimento no acumulado até out/13.

Na euforia provocada pela onda consumista e pelo imediatismo, respaldados por uma irresponsável e inconsequente relação com dívidas, a maioria das pessoas, muitas vezes esquece que o crédito consignado, fácil de ser obtido, pode transformar-se em uma grande dor de cabeça.

Ao permitir não fazer planejamento financeiro, o indivíduo fica refém de compras mal planejadas, desnecessárias, repetidas, enfim, a improvisação pode levar o cidadão ao endividamento. No caso do servidor público, a estabilidade funcional e o salário médio muito acima das demais categorias explicam essa alta exagerada do endividamento via consignado. Por outro lado, os trabalhadores do setor privado pelo simples fato de não contarem com estabilidade e os elevados salários do setor público são mais comedidos na utilização desse crédito, enquanto os aposentados, em alguns casos, sofrem pressões de familiares para elevar o endividamento via consignado.

O alerta que podemos fazer é principalmente para os servidores públicos, cuja renda elevada, e com limites de crédito bastante flexíveis, pode ser, no médio prazo um fator de risco para a saúde financeira do segmento, tendo em vista que pode comprometer a totalidade de seus proventos, piorando sua qualidade de vida presente e futura, pois os descontos são realizados mensalmente na folha de pagamento.

Portanto, observamos quanto aos cuidados que devem ser tomados na utilização do crédito consignado sem planejamento financeiro. Se você está com dívidas no cartão de crédito, entrou no cheque especial e está difícil de sair, se o gerente do seu banco não aprova um novo crédito, nesse caso está na hora de pensar em uma solução definitiva para tais problemas. Inicialmente liste todas suas dívidas, vencidas e por vencer nos próximos dias e meses, veja o montante total delas, tente negociar com os credores e, após tais providências utilize a modalidade crédito consignado, que vai funcionar como uma “rota de fuga”.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PUBLICIDADE E DÉCIMO TERCEIRO
Consultor Régis Varão

As festas de fim de ano estão se aproximando, época de gastos com presentes, ceia natalina, amigo oculto, presentes para familiares, virada do ano etc. Devemos ficar atentos principalmente na publicidade de produtos ou serviços que desejamos adquirir. A pressão da mídia aumenta, a publicidade visual é muito grande, principalmente nos shoppings, todos desejam vender mais, é ai que mora o perigo. Embora tecnicamente haja distinção entre publicidade e propaganda, vamos utilizar neste texto, o termo publicidade.

Os empresários estão atentos, pois haverá uma injeção de aproximadamente R$ 143 milhões na economia por causa do pagamento do 13º salário, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os shoppings do País estão de olho nesses números, e devem gastar mais de R$ 280 milhões em decorações natalinas, o que dá em média R$ 450 mil por unidade, chegando alguns shoppings para a classe alta a investirem até R$ 2 milhões em enfeites natalinos, isso tudo para conquistar consumidores.

É um jogo bruto, muitas vezes desleal, de um lado fornecedores de bens e serviços bem treinados, simpáticos, cordiais, prestativos ao extremo, do outro, o consumidor despreparado para desvencilhar-se dos fortes argumentos de vendedores de retórica sofisticada e envolvente. Sabemos que existem cursos para vendedores, mas não se tem conhecimento de cursos para consumidores, e aí está o problema.

Embora o poder de compra venha caindo nos últimos meses, corroído pela inflação, o consumidor deve gastar cerca de 30% a mais nas compras de fim de ano ante a média observada em igual período de 2012, sendo que 51% dos entrevistados afirmaram que utilizarão recursos do 13º salário, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Ainda segundo a pesquisa, o gasto médio total com presentes será de R$ 111,39, sendo que os presentes mais procurados serão roupas (73%), seguido por calçados com 38%.

É interessante notar que alguns segmentos até então pouco preocupados com a clientela fora do ambiente de trabalho, começam a apresentar projetos inovadores. Um exemplo é a Loja Conceito Banco do Brasil (LCBB), do shopping Iguatemi de Brasília, que tem registrado movimento forte de consumo de um café espresso, Café Cristina, a custo zero para os que entram na loja, consolidando-se como ponto de encontro de pessoas de variadas procedências e importância no cenário local e nacional. Além do espresso, a LCBB dispõe de caixas eletrônicas, e muitas vezes oferece palestras diversas durante a semana e eventos musicais aos sábados e domingos, com boa receptividade. Cabe registrar a qualidade do serviço dos barristas, e o excelente atendimento do pessoal que lá trabalha.

Feito esse parêntese a respeito da LCBB, observo que a pesquisa do SPC-CNDL cita que parte dos recursos a serem gastos nas festas natalinas serão provenientes do 13º salário, o que preocupa, tendo em vista que esse salário extra deveria ter uma destinação menos consumista, isto é, deveria servir para quitar dívidas e reduzir o endividamento de cartões de crédito entre outros.

Como o consumismo está em alta nesses tempos de festas de fim de ano, é oportuno observar melhor a publicidade que está na mídia tentando convencer as famílias a comprarem bens e serviços, cujo objetivo é aumentar os lucros dos lojistas.

Já vimos anúncios absurdos de cursos que prometem ensinar o aluno a falar uma língua estrangeira em apenas um dia. Por esse motivo as possíveis vítimas dessa publicidade enganosa não são apenas os consumidores, mas todas as pessoas que foram submetidas a ela. Todos os que são expostos a tais práticas, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) as equipara ao consumidor, pois, embora não adquiram bens e serviços, isto é não realizam transações comerciais, tomam conhecimento da publicidade.

Se determinada loja de eletrodomésticos anuncia um liquidificador por R$ 56,00, ficará obrigada a vendê-lo exatamente por R$ 56,00. Se o anunciante disser que o produto ou serviço ofertado dispõe de  determinadas características e qualidades, terá que mostrar ao consumidor dados que comprovem o disposto no anúncio.

Nessa época do ano, é muito comum a propaganda feita por pequenas e grandes agências de turismo, de viagens, excursões e hospedagens maravilhosas. Para evitar decepções futuras é importante verificar e guardar o material publicitário, folhetos e prospectos, além de ficar atentos aos seguintes aspectos: nome da empresa responsável pela viagem, meio de transporte utilizado, nome da companhia transportadora, destinos e itinerários, tempo de duração e permanência em cada cidade ou país, tipo de acomodação (pousada, hotel etc), se as diárias contemplam refeições, os ingressos para museus e passeios são pagos/cortesia, qual o preço total do evento, se parcelado qual o indicador utilizado na correção do saldo devedor, quais as condições de cancelamentos, multas etc.

Para evitar dissabores, a oferta e a apresentação dos bens e serviços devem estar escritas em português, o prospecto deve ser claro e preciso, deve apresentar as características, composição e qualidades do produto/serviço anunciado, deve ter preço legível, garantia e prazo de validade, deve observar se o fabricante é nacional ou estrangeiro, e se o produto/serviço apresenta riscos à segurança e à saúde.

São inúmeras as possibilidades da publicidade enganosa, cabendo ao consumidor tentar se proteger ao máximo, buscando informações a respeito do fornecedor do bem ou serviço que deseja adquirir, e sempre prestar atenção às informações que são relevantes e muitas vezes esquecidas pelo consumidor, testar o produto na frente do vendedor, verificar o prazo de validade, garantias e se existe oficina autorizada na manutenção/concerto do bem.

Contudo, fica a dica: use o 13º salário para liquidar dívidas, e quebre a rotina dos últimos anos, gaste pouco nesse Natal. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

ATITUDES QUE LEVAM AO SUCESSO
Consultor Régis Varão

Muitas das dificuldades por que passam pessoas e famílias decorrem de descontroles nos gastos e da inadequada gestão dos recursos financeiros no dia-a-dia.

Gastar mais do que se ganha, pagar juros e multas, endividar-se desnecessariamente, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, fazer muitas prestações, são algumas das coisas que contribuem para que as pessoas e as famílias tenham uma qualidade de vida emocional e financeira ruim.

Nosso comportamento decorre de atitudes, hábitos antigos que podem ser bons ou ruins, mas que interferem fortemente no sucesso e no desempenho de nossa vida financeira.

A seguir, alguns hábitos que contribuem para o desempenho, positivo ou negativo, de nossas finanças pessoais:

1. Economizar sempre:

Uma das maiores fraquezas do ser humano é a tendência de gastar mais do que ganha. Qualquer pessoa bem sucedida sabe que economizar dinheiro é essencial para o triunfo pessoal e familiar. As pessoas não devem simplesmente guardar dinheiro por guardar, tio Patinhas já era. Você pode economizar 10%, 15% e até 20% de seus proventos líquidos e ter boa qualidade de vida. Economizar uma pequena parte do que se ganha é apenas uma questão de hábito positivo.

2. Planejamento financeiro:

É importante para o sucesso financeiro das pessoas e famílias praticar  o planejamento financeiro. Tente fazer um orçamento pessoal ou familiar, e nesse documento liste receitas e despesas realizadas na semana, no mês etc. Relacione as despesas por grupos, como Alimentação, Saúde, Moradia, Transporte, Lazer etc, que ajuda no estabelecimento de metas, levando ao controle e administração das despesas.

3. Aumentar as receitas:

É comum as pessoas dizerem espantadas, no final do mês, que o dinheiro acabou antes do tempo. Isso se deve principalmente à falta de planejamento financeiro e organização na hora de adquirir bens e serviços. Na realidade falta é Educação Financeira aos contumazes gastadores. Em alguns casos o salário é pequeno para tantos gastos,  nesse caso, o ideal é buscar novas alternativas de renda extra, como dar aulas noturnas, aulas particulares, vendas de cosméticos, bijuterias, bombons etc.

4. Cartão de crédito:

Muitas vezes, quando mal administrado, torna-se grande vilão. Pague sempre a fatura integral, nunca pague o valor mínimo, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e pode chegar a dois dígitos, em muitos casos pode ultrapassá-lo. Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem e fidelidade, que pode ajudar a adquirir passagens gratuitamente ou com descontos, promoções em restaurantes entre outras vantagens. Uma dica, quando sair com o cartão de crédito evite levar o talão de cheques ou vice-versa.

5. Pequenos grandes números:

O grande erro das pessoas é pensar que pequenos valores não são importantes, o que é um perigo. Uma simples xícara de café expresso custa R$ 4,00, tomada seis vezes por semana fica em R$ 24,00, chega a R$ 96,00 no mês, e atinge R$ 1.152,00 no ano, um lanche rápido sai próximo de R$ 8,00 por dia, no mês fica em R$ 192,00. Junte-se a eles uma carteira de cigarro por dia (R$ 5,50) e mais uma cerveja com os amigos (R$ 5,50). Somando esses pequenos valores o gasto diário fica em R$ 23,00, na semana sobe para R$ 138,00, no mês atinge R$ 552,00, e no final do ano você gastou a pequena grande quantia de R$ 6.624,00, e com certeza não estará com a saúde melhor. Portanto, não desconsidere o poder dos pequenos valores.

6. Guardar recibos:

Tudo que é gasto é importante no planejamento financeiro, mesmo os pequenos valores (peça nota fiscal sempre), pois além de contribuir para reduzir o IPVA e o IPTU no nota legal (DF) e na nota paulista (SP), contribui para o controle dos pequenos gastos muitas vezes esquecidos.

7. Não confiar na memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o péssimo hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Não confie na memória, anote tudo e guarde todos os recibos para não ter surpresas desagradáveis no final do mês.

8. Reserva Financeira:

Muitos não trabalham com reserva financeira por desconhecerem sua importância. Deve-se reservar um percentual mensal da renda líquida para formá-la. Todos estamos sujeitos a surpresas desagradáveis como desemprego, doenças em família e acidentes inesperados. A reserva financeira serve para atender esses eventos atípicos. Ela deve representar entre 3 e 6 vezes o valor da renda líquida mensal do interessado.

9. Compras parceladas:

Evite ao máximo comprar a prazo, pois muitas vezes as prestações podem, quando não planejadas, criar grandes desconfortos, e até mesmo levar ao endividamento, pelo excesso de parcelas com a mesma data de vencimento.

10. Negociar sempre:

Embora não seja um hábito cultural brasileiro, discuta sempre descontos, pois sendo a margem de lucro do empresário brasileiro uma das maiores do mundo, sempre haverá espaço para descontos e até mesmo um parcelamento maior sem juros. Barganhe sempre, essa é a regra para obter bons negócios, ou melhor boas compras.

Não desanime, faça planejamento financeiro, evite compras por impulso, e o que é mais importante livre-se dos maus hábitos de consumo. Os bons hábitos de consumo ajudam a reduzir o estresse, e contribui fortemente para melhorar a qualidade de vida presente e futura dos envolvidos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CARTÃO DE CRÉDITO E O CONSUMIDOR
Consultor Régis Varão

Muito se tem falado a respeito das desvantagens do cartão de crédito, e muito pouco das vantagens, pois é prático e de muita utilidade. Ele oferece diversos benefícios como a possibilidade de pagar as compras à vista em até 40 dias, parcelar as compras sem o pagamento de juros, acumular milhas para viagens entre outros benefícios.

Embora prático, pode causar surpresas desagradáveis naquele que usa de maneira inadequada, podendo chegar ao descontrole financeiro, e até mesmo ao endividamento. A taxa de juros do rotativo, que incide quando não se paga a fatura integral no vencimento, é a mais elevada do mercado. Para muitos ter vários cartões é sinal de status, mas esquecem das várias anuidades a serem pagas.

Para facilitar a vida financeira da grande maioria da população, protegendo-os de desagradáveis notícias e noites mal dormidas, listamos algumas dicas para a melhor utilização desse dinheiro de plástico tão comum hoje em dia:

01. Programe-se financeiramente antes de realizar qualquer compra, e nunca esqueça que os gastos realizados precisam estar de acordo com o orçamento doméstico;

02. Pague mensalmente o saldo total da fatura, evite pagar o valor mínimo, pois a incidência de juros no saldo não pago será sempre a mais elevada do mercado;

03. Evite colecionar cartões, pois todos cobram anuidades, e cancele os que não são utilizados;

04. Se a pessoa é disciplinada financeiramente, pode ter dois cartões de bandeiras (Visa, Mastercard e outros) e vencimentos diferentes, o que permite trabalhar melhor com os prazos e o orçamento pessoal;

05. Muitas operadoras de cartão dispensam a anuidade quando solicitadas, portanto, sempre solicite isenção das taxas;

06. Prefira cartões sem anuidades, que dispõem de vantagens como boa aceitação no mercado interno e externo, bom limite de crédito, programas de seguros de viagens, programas de milhagem, bom atendimento etc;

07. Concentre-se mais nos benefícios que o cartão oferece que em suas variadas cores (black, infinite, diamante entre outros), muitas vezes vistas como sinal de status;

08. Coloque o vencimento da fatura do cartão para pelo menos dois ou três dias após o recebimento de seus vencimentos (salário, pró-labore etc);

09. Informe-se qual a melhor data da compra, tendo em vista que compras próximas ao vencimento do cartão (2/11/13) vão para o próximo vencimento (2/12/13), o que pode chegar até 40 dias;

10. Em caso da fatura mensal vir uma despesa de compra desconhecida, reclame junto à administradora antes de quitar a fatura;

11. Se o cartão estiver em débito automático, verifique a fatura antes do débito;

12. Ao sair de casa com o cartão de crédito não leve junto o talão de cheques, leve um ou outro, nunca os dois;

13. Negocie o limite de crédito com a administradora, pois elas tendem sempre a serem generosas na concessão de limites;

14. Se você está com problemas financeiros é recomendável um limite de crédito de no máximo 25% dos rendimentos líquidos. Se você não está com problemas financeiros, por precaução, não permita que seus gastos ultrapassem 45% de sua renda líquida mensal;

15. Tenha sempre em mente que o valor disponível do cartão de crédito não é seu, tenha sempre o montante de dinheiro necessário para quitá-lo, e nunca saque dinheiro pelo cartão de crédito;

16. Se você é descontrolado, cuidado com compras parceladas, pois muitas vezes a pessoa não tem a exata noção de quanto tais parcelas representam no limite do cartão, e quando percebe já está endividado;

17. Nunca empreste seu cartão de crédito, senha, e não faça compras para terceiros, pois poderá ter grandes aborrecimentos no vencimento do cartão;

18. Nunca gaste mais do que poderia apenas para agradar um filho ou parente, ou até mesmo simplesmente se agradar (lembre do item 01);

19. Se você está com dívida elevada no cartão, evite usá-lo e tente imediatamente renegociar a dívida.

Como podemos observar, o cartão de crédito é muito prático e útil para os que sabem usá-lo com parcimônia, pois facilita a vida do consumidor livrando-o de carregar dinheiro em espécie quando vai às compras, em viagens, em restaurantes, além de possibilitar o adiamento do pagamento da fatura. Por outro lado, quando mal utilizado, ele pode endividá-lo, constrangê-lo e até mesmo se transformar em uma grande dor de cabeça.

Portanto, mantido o cartão de crédito sob controle, com pagamento integral da fatura no vencimento, com compras planejadas e dentro do orçamento pessoal, ele pode ser um importante e útil instrumento de consumo, um facilitador na vida do consumidor, tendo nele um aliado, que atende e ajuda a resolver imprevistos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

DEFENDENDO O CONSUMIDOR
Consultor Régis Varão

Para defender o consumidor da possibilidade de abuso, foi promulgada a Lei n° 8.078, de 11.9.90, denominada Código de Defesa do Consumidor-CDC, que traça normas de relações entre consumidores e fornecedores de produtos e serviços, e define responsabilidades, padrões de conduta, prazos, danos etc.

CDC define com detalhe os termos consumidor, fornecedor, produto e serviço, mas que não serão aqui descritos, podendo, no entanto, serem consultados no próprio Código, ajudando a resolver eventuais dúvidas.

A obra Descomplicando o Código de Defesa do Consumidor, da Ed. BestSeller, relaciona algumas práticas abusivas, tais como:

01. As cláusulas que livrem, total ou parcialmente, a responsabilidade do fornecedor quanto a defeitos, e obriguem o consumidor a desistir de seus direitos;

02. Obriguem o consumidor a transferir seus direitos para o fornecedor ou para terceiros, e as que permitem ao fornecedor transferir suas responsabilidades para outras pessoas;

03. Retiram do consumidor o direito de receber de volta a quantia já paga, nos casos previstos no CDC;

04. Estabeleçam obrigações abusivas para o consumidor, deixando-o em desvantagem;

05. Obrigam o consumidor a provar que o produto ou serviço está defeituoso, que foi enganado, ou vítima de omissão;

06. Imponham ao consumidor que, em caso de desacordo entre as partes, será escolhida outra pessoa para dizer quem está certo;

07. Obriguem que outra pessoa represente ao consumidor para concluir ou realizar negócio em seu nome, sem sua aprovação;

08. Estabeleçam que o consumidor terá de cumprir o contrato, e desobrigue o fornecedor de cumpri-lo;

09. Determinem que o fornecedor possa alterar o preço, sem a concordância do consumidor;

10. Instituem que o fornecedor poderá cancelar o contrato, e não assegurem ao consumidor igual direito, e as que autorizem o fornecedor a modificar o contrato após a sua celebração;

11. Obriguem o consumidor a pagar as despesas que o fornecedor tiver para cobrar as prestações em atraso;

12. Infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais;

13. Conste que o fornecedor não se obrigue a obedecer ao regime de preços administrados, tabelados ou controlados pelo estado;

14. Eximem o fornecedor de assegurar a reposição de peças por período razoável de tempo, nunca inferior à vida útil do produto ou serviço;

15. Estipulem em contrato a perda total das prestações pagas, em benefício do fornecedor, e as cláusulas que proíbam o consumidor de pleitear a extinção do contrato, quando não podem continuar a pagar o combinado;

16. Impeçam o consumidor o direito de liquidar antecipadamente o débito, total ou parcial, mediante redução proporcional dos juros, encargos entre outros, e aquelas que constem a aplicação de índices em desacordo com o que seja legal ou contratualmente permitido;

17. Dificultem a troca de produto impróprio, inadequado, ou de menor valor, por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso, ou a restituição imediata da quantia paga, devidamente corrigida, ou fazer abatimento proporcional do preço, a critério do consumidor;

18. Determinem que o fornecedor não se obriga a reexecutar o serviço, quando cabível, sem custo adicional;

19. Estabeleçam que o fornecedor não tem prazo determinado para iniciar o cumprimento do que combinou ou que não tem prazo certo para concluir o combinado.

Duas outras infrações comuns praticadas contra os consumidores:

(a) venda casada, que se dá quando na compra de um produto ou serviço A, o consumidor se vê obrigado a adquirir o produto ou serviço B. Exemplo: cliente só receberá o crédito do banco R&V se adquirir um título de capitalização da instituição;

(b)  a remessa por parte de alguns bancos e lojas de departamento, de produtos e serviços sem a solicitação do consumidor.
Dado a complexidade do tema, o texto aborda apenas uma parte das infrações cometidas contra os consumidores, e que causam grandes desconfortos, quase sempre passíveis de penalidades.

Aos consumidores, recomenda-se que quando ficarem insatisfeitos com o produto ou serviço adquirido, tentem inicialmente resolver o problema junto ao fornecedor.

Não conseguindo acordo, deve-se registrar uma reclamação junto ao PROCON e as associações de defesa do consumidor, podendo, inclusive apelar para o Poder Judiciário como última instância.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

IMPORTÂNCIA DO ORÇAMENTO DOMÉSTICO
Régis Varão

O planejamento financeiro é necessário para a família ou indivíduo que deseja ter suas contas em ordem e possa levar uma vida feliz.

Assim como o governo federal, estados, municípios e empresas têm seus orçamentos, as famílias e os indivíduos também precisam de um, para poder fazer previsões de receitas e despesas, tendo em vista as disponibilidades existentes.

Todos temos sonhos, que podem ser desde a compra de uma nova TV, uma viagem de férias, a troca do veículo, até a aquisição da casa própria.

A maneira mais prática de realizar sonhos esta no modo como elaboramos nosso orçamento e lidamos com o dinheiro. Os recursos podem ser provenientes de salários, pró-labore, rendimento de aplicações financeiras, aluguéis recebidos, renda de serviços de consultoria entre outros. Já as despesas são um pouco mais complexas, e na grande maioria das vezes é o vilão que destrói sonhos.

O modo mais prático e fácil de obter sucesso financeiro é com planejamento, entretanto, precisa-se de um orçamento doméstico, que é a primeira e talvez a mais importante fase do planejamento financeiro.

Passos importantes para elaborar um orçamento:

Primeiro: relacionar todas as despesas realizadas e todas as receitas auferidas em determinado período. Exemplo: mês, trimestre e/ou ano. Para uma análise correta, o ideal é guardar os comprovantes de despesas e receitas. No caso das despesas devem ser guardados os recibos do cafezinho, do cigarro entre outros. Nunca despreze os pequenos valores (Fator Café), assunto que será abordado em um próximo texto;

Segundo: relacionar a receita mensal, que pode ser o salário líquido (menos descontos), no caso dos que dispõem de renda fixa. Para os que não dispõem de renda fixa (ganham por comissões), trabalha-se com a média dos últimos meses, evitando-se surpresas desagradáveis em períodos de queda de receita;

Terceiro: as despesas podem ser relacionadas basicamente de duas maneiras: por grupos: (a) alimentação (subgrupos: mercearia, padaria, supermercado etc); (b) moradia (aluguel/prestação, condomínio, iptu, seguro, água, telefone, luz etc); (c) saúde (plano de saúde, consulta médica/odontológica, fisioterapia, remédios entre outros); (d) transporte (financiamento de veículo, gasolina, manutenção, ipva, seguro etc); (e) lazer (clube, cinema, teatro, viagens, restaurantes, TV a cabo etc); (f) educação (colégio, faculdade, matrícula, material escolar etc); (g) despesas pessoais (salão de beleza etc); (h) despesas financeiras (juros de empréstimos bancários, juros do cheque especial, anuidade do cartão de crédito, tarifas bancárias etc). A outra maneira é trabalhar com despesas fixas e variáveis. Para manter melhor controle da evolução dos gastos, a utilização de grupos e subgrupos é a mais fácil não só de controlá-los, mas de lembrar do comportamento de itens específicos. O grupo despesas financeiras e seus subgrupos é muito importante na elaboração do orçamento, pois, nele verificamos a saúde financeira e o comprometimento do patrimônio individual e familiar;

Quarto: fazer o somatório de todas as despesas e receitas e compará-las mensalmente para verificar se existe superávit ou déficit;
        
Quinto: verificar onde estão os ralos, por onde escorre as receitas recebidas. O passo anterior mostra a real situação desses ralos, que normalmente são grandes;

Sexto: esse é o último passo, a diferença é que agora conhecemos os ralos, e precisamos encontrar uma maneira de tapá-los. Essa é a parte mais difícil e dolorida na elaboração do orçamento, pois, muitos aspectos estão envolvidos, inclusive emocionais, hábitos antigos entre outros.

Com a elaboração do orçamento temos a real dimensão do endividamento, e que agora fica mais fácil resolvê-los, que podem ser: aumento das receitas e redução das despesas; aumento das receitas mantendo inalteradas as despesas; mantendo estáveis as receitas e reduzindo as despesas. São muitas as possibilidades, mas o aumento de receitas e redução de despesas pode ser considerada a melhor delas.

A elaboração do orçamento pode levar indivíduos e famílias a conhecerem seus padrões de despesas, a descobrirem para onde está indo o dinheiro oriundo do seu trabalho, a observarem os inúmeros ralos que dificultam o planejamento financeiro da maioria dos brasileiros, isto é, o orçamento pode ser considerado a peça mais importante do planejamento financeiro, pois, levará o individuo e as famílias a pensar em um futuro melhor.

Contudo, o orçamento não pode ficar apenas na teoria, tem que ter compromisso, ou seja, o indivíduo tem que necessariamente rever conceitos, adotar novas atitudes e perceber a importância do planejamento financeiro para sua vida e de sua família.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO BRASIL E NO MUNDO
Consultor Régis Varão

Régis Varão - Consultor de Finanças Pessoais
A Educação Financeira (EF) ajuda pessoas e instituições a compreender a necessidade do planejamento financeiro e seus benefícios ao país, aos setores produtivos, às famílias e à sociedade em geral. Vários segmentos dos setores financeiro e produtivo, além do governo brasileiro, estão direcionando ações voltadas para a prática da EF, como uma possibilidade de ajudar a evitar possíveis descontroles futuros, endividamento, por parte das empresas e famílias, com reflexos em toda sociedade.

Enquanto uma parte dos brasileiros declara saber cuidar de seu dinheiro, outra afirma utilizar algum tipo de controle mensal de receita/despesas, mas na prática, apenas uma pequena minoria faz aplicações financeiras. Pesquisas apontam que aproximadamente 90% das famílias brasileiras não têm controle de orçamento pessoal ou familiar, e de R$ 3,00 em cada R$ 10,00 que ganham vão direto para o pagamento de dívidas e consumo.

Pesquisa do IBOPE e Serasa realizada em 142 cidades, com maiores de 16 anos e de diversas classes sociais, descobriu que 7 em cada 10 brasileiros não têm o hábito de poupar. Afirma, ainda, que metade da população desconhece as vantagens de se fazer poupança. Contudo, a pesquisa “aponta que 35% dos brasileiros sentem mais prazer em gastar rapidamente do que poupar”.

O nível de endividamento das famílias brasileiras tem aumentando nos últimos meses. Logo, não sobra dinheiro para o lazer, educação, poupança, e muito menos para aplicações no mercado financeiro. Quando sobra algum dinheiro, as pessoas não sabem o que fazer, onde e em que aplicar, e tais dificuldades naturalmente as direcionam para o consumo. Pesquisa do Ibope descobriu que só 2% da população declara ter plano de previdência.

Portanto, está comprovado que indivíduos com elevado endividamento são mais descuidados, faltam mais ao trabalho, vão mais a médicos e hospitais, se utilizam mais de atestados médicos, se irritam facilmente, se desentendem com mais frequência com familiares e colegas de trabalho, o que reduz substancialmente a produtividade no trabalho.

Nos últimos anos a Educação Financeira vem ganhando espaço e já é tema relevante na maioria dos países, mesmo antes da crise financeira internacional de 2008. Os prejuízos que governos, empresas e famílias sofrem com essas crises, fazem da EF uma prioridade para governos, organismos internacionais, empresas, instituições financeiras e famílias. Há décadas, a EF já vem sendo praticada em países como os EUA, o Reino Unido, a Espanha, o México entre outros, chegando finalmente ao Brasil na década passada.

REVISTA “FOMENTO MERCANTIL”, Ano XV – Edição 64 – Mai/Jun de 2007


REFLEXOS DA MOEDA NORTE-AMERICANA NA ECONOMIA BRASILEIRA - 06/07/2007



Régis Varão - Consultor de Finanças Pessoais
Um assunto que tem pautado a mídia é o gradativo declínio das taxas de câmbio com relação à moeda norte-americana. O baixo risco Brasil, a inflação controlada e as altas taxas de juros nacionais têm sido apontados como causas dessa apreciação. O assunto, porém, gera polêmica no que se refere aos reais impactos deste fenômeno para a economia nacional e, conseqüente-mente,para as empresas. O vice-presidente do Sindicato dos Economistas do Distrito Federal-Sindecon/DF, professor universitário Prof. Régis Varão, Doutor em Economia, esclareceu nesta entrevista quais são as variáveis que interferem nessas taxas de câmbio, opinando sobre o assunto, além de mencionar a postura do Banco Central e demonstrar otimismo em relação à economia nacional.

Quais são os fatores determinantes para a atual situação de desvalorização do dólar em relação ao real?

Nos últimos meses a taxa de câmbio tem se apreciado por causa de vários fatores, tais como: o forte ingresso de recursos externos no País; a obtenção de crescentes saldos no balanço comercial (recordes sucessivos, inclusive em 2006), o declínio sistemático do risco Brasil (atingiu 150 pontos, o menor nível desde a criação do índice pelo JPMorgan) e não deixando de considerar a atuação conservadora da Autoridade Monetária. Assim, a estabili-dade dos fundamentos da economia têm contribuído indiretamente para essa conjuntura. É importante perceber nesse período de forte ingresso de recursos externos no País e de crescentes saldos da balança comercial, a grande valorização dos preços internacionais das commodities, o que ajudou substancialmente para a obtenção dos crescentes saldos da balança comerciais. Não podemos desconsiderar o fator China como fator de pressão de demanda ajudando para a valorização dessas commodities, tendo em vista que aquele país é grande demandante de commodities agrícolas e metálicas. Outro exemplo, temos uma empresa brasileira, a Cia Vale do Rio Doce (CVRD), que é formadora de preço no mercado internacional de minério de ferro, uma commodity importante. Outro fator a considerar é a desvalorização que a moeda norte-americana vem apresentando nos últimos meses. Assim, o fenômeno que está acontecendo no Brasil não pode ser considerado um fenômeno isolado, o dólar está se desvalorizando frente às principais moedas internacionais.

Como os investidores estrangeiros têm se posicionado frente ao risco Brasil?

Os investidores internacionais quando decidem colocar seus recursos em algum país, eles avaliam vários fatores e o risco país, calculado pelo banco JP Morgan, é considerado um dos mais importantes na hora de alocação desses recursos a busca de melhores negócios, maior rentabilidade, segurança e liquidez. Nesses últimos anos, o risco-Brasil tem caído substancialmente (já esteve acima de 2700 pontos) e tem atraído muitos investidores internacionais. E isso é importante porque acaba gerando um círculo virtuoso. O cenário de uma economia segura, estável, com uma meta de inflação que está sendo cumprida, com as instituições funcionando normalmente é um grande e importante porto seguro para investidores internacionais.

Quais as perspectivas com relação às exportações e os reflexos da queda do dólar no curto prazo?

Sempre foi dito que as exportações dependiam muito do câmbio desvalorizado. Paradigma quebrado, pois o Brasil está obtendo saldos positivos e sistemáticos na sua balança comercial com o câmbio apreciado. Por outro lado não podemos desconsiderar um fator relevante para a obtenção desses saldos crescentes, é que a valorização das commodities no mercado internacional tem ajudado muito o Brasil, tradicional exportador de commodities. Não podemos desconsiderar o fator China como fonte de pressão de preços internacionais. Essa história de dizer que tem que depreciar o câmbio para exportar mais, não tem suporte na atual conjuntura, pois estamos com câmbio apreciado e continuamos obtendo saldos crescentes na balança comercial brasileira. O Brasil é privilegiado como produtor-exportador de algumas commodities agrícolas e minério de ferro, embora tenhamos empresas que não se prepararam para os novos tempos de câmbio apreciado e, nesse caso, estão sofrendo com a concorrência cada vez mais próxima, algumas vezes concorrência desleal. Por exemplo, o setor calçadista e o têxtil sofreram muito com o câmbio apreciado, além de que a concorrência chinesa está desequilibrando aqueles setores. Essas empresas perderam espaço e algumas ficaram com dificuldades financeiras e, até mesmo, após anos de produção simplesmente tiveram que fechar suas instalações, não suportaram a concorrência chinesa, o câmbio apreciado e a carga tributária entre outros.

O que o câmbio apreciado traz de positivo?

Existem empresas que são competitivas, porque se prepararam, investiram em capital humano e em equipamentos. Os equipamentos e máquinas sofisticadas estão baratas nesse tempo de câmbio apreciado e, o setor que vislumbrou isso continua no mercado. Grande parte da indústria já se adaptou a essa situação de câmbio aprecia-do. Nunca antes tivemos saldos de balança comercial ano de US$ 100 bilhões, hoje isso já ocorre. Além disso, nós temos uma disponibilidade de bens de consumo que dependem de matérias-primas importadas a um preço menor, o que é bom para o consumidor brasileiro. Os viajantes da classe média estão adorando o câmbio apreciado. Câmbio apreciado tem vantagens e desvanta-gens, mas as primeiras são proporcionalmente maiores e melhores que as últimas.

Podemos considerar a valorização do real também como resultado dos altos juros brasileiros em relação aos demais países?

Os juros do Brasil sempre foram elevados, mas o Banco Central adotou uma política consistente e conservadora de redução da taxa de juros. A Autoridade Monetária tem sofrido críticas constantes da imprensa, do vice-presidente da República, do atual ministro da Fazenda quando presidente do BNDES, de parlamentares influentes, de empresários etc, mas como os tempo mudaram o Banco Central tem atuado com autonomia na hora de decidir sobre a nova taxa de juros (Selic). O Banco Central antes de tomar a decisão (são dois dias de reuniões) sobre a taxa de juros, discute o cenário internacional, o comportamento dos preços internos e das commodities internacionais, ou seja, levam em consideração uma série de variáveis macroeconômicas antes de decidir sobre a taxa de juros.

Existe necessidade de mudança nessa política monetária?

Apesar das pressões, o Banco Central vem gradativamente reduzindo as taxas de juros. Antigamente quando o presidente da República queria reduzir os juros, chamava o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central e decidia sobre os juros. Não resta dúvidas que as taxas de juros ainda estão altas e poderiam ter sido reduzidas um pouco mais. Mas tem que se ter uma postura pragmática e responsável e por isso, mesmo com todos esses pontos que temos aí, nada afetou a decisão do Banco Central no que se refere à política monetária. Assim, não podemos afirmar que a valorização do real frente ao dólar dos EUA decorrem de outros fatores, já explanados.
  
Você acredita que existe um ponto de equilíbrio do dólar para evitar pressões inflacionárias?

Apesar da aparente barreira dos R$ 2,00, eu acredito que um valor adequado para a taxa de câmbio e, que não criaria mais problemas seria uma taxa de câmbio entre R$ 1,90 e R$ 1,95. Mas eu não teria como mencionar qual é taxa de câmbio adequada para a economia brasileira, porque isso depende da estrutura de custos do setor (alguns produtos têm grande participação de matérias-primas importadas, por exemplo), da competição, da carga tributária etc. Por exemplo, para o setor de calçados, um câmbio ótimo seria acima de R$ 2,30, enquanto no setor automobilístico o câmbio apreciado não está dificultando as exportações. Não existe um câmbio ótimo, existe uma faixa razoável, pois tem-se que respeitar as peculiaridades de cada segmento. Um câmbio considerado ótimo para a economia, como um todo, só é encontrado nos textos acadêmicos e nos modelos desenvolvidos por professores em universidades. Porque na realidade, o câmbio de equilíbrio depende da oferta e da demanda de moeda estrangeira, mas se a Autoridade Monetária sempre que deseja realiza leilões para pressionar para baixo o valor do câmbio, como determinar um câmbio de equilíbrio, se o Banco Central está sempre monitorando o mercado de câmbio.