CRÉDITO CONSIGNADO PODE LIBERTÁ-LO OU...
Consultor Régis Varão
Essa modalidade de crédito se popularizou
nos últimos dez anos no País tendo em vista a facilidade com que as pessoas
podem utilizá-lo. Substituiu o antigo desconto em folha, embora o mecanismo
seja exatamente o mesmo. As parcelas são descontadas em folha de pagamento,
sendo muito utilizado por servidores públicos, aposentados do INSS e em menor
escala pelos trabalhadores do setor privada. O problema é que agora estimulado
pelo excesso de publicidade, vem crescendo fortemente nos últimos anos.
A oferta de novos produtos no mercado,
levou vários segmentos da sociedade a utilizar essa modalidade de crédito, que
é tomado sem nenhuma burocracia, e atende o desejo de consumo por esses novos e
sofisticados produtos como televisores com tela plana e muitas opções, celulares
que parecem minicomputadores, tabletes, diversos produtos eletrônicos etc.
Tendo em vista a facilidade com que o setor
bancário oferece esse crédito, e se sua empresa tem convênio com um banco, os endividados
têm buscado essa modalidade, principalmente quando já não conseguem obter uma
nova linha de crédito junto ao sistema bancário. O crédito consignado é a
última opção do endividado, tendo em vista que os juros praticados no segmento
são baixíssimos quando comparados com os do cartão de credito, cheque especial
e outros.
Vamos usar um exemplo para ilustrar as
diferenças de juros cobrados em apenas duas modalidades de crédito. Um consignado
de 1,16% a.m. custa 14,84% a.a. para
o tomador, enquanto a taxa de juros cobrada no crédito rotativo de 6,02% a.m.
atinge 101,68% a.a. Considerando que
a taxa Selic está em 10% a.a. os
juros cobrados no consignado ainda são dos mais baratos no mercado de crédito,
enquanto no crédito rotativo o endividado paga 91,68 p.p. (pontos percentuais) a mais, o que dificulta a saída do
ciclo vicioso do endividamento.
Em 29/11/13 foram divulgadas estatísticas
preocupantes a respeito do endividamento dos servidores públicos. Dados de out/13
indicam que o nível de endividamento dos servidores públicos estatutários e
militares atingiu R$ 135,2 bilhões ante R$ 116,0 bilhões observados em dez/12,
crescendo, R$ 19,2 bilhões no acumulado até out/13, para um contingente de
apenas 6,9 milhões de pessoas. O endividamento dos aposentados do INSS atingiu
R$ 65,7 bilhões em out/13 contra R$ 56,5 bilhões em dez/12 para um montante de
27,7 milhões de pessoas. Já o endividamento do setor privado atingiu R$ 17,9
bilhões em out/13 frente a R$ 16,2 bilhões observados em dez/12, para um
contingente de 46,6 milhões de pessoas, apresentando o menor montante dos três
segmentos e com menor crescimento no acumulado até out/13.
Na euforia provocada pela onda consumista e
pelo imediatismo, respaldados por uma irresponsável e inconsequente relação com
dívidas, a maioria das pessoas, muitas vezes esquece que o crédito consignado,
fácil de ser obtido, pode transformar-se em uma grande dor de cabeça.
Ao permitir não fazer planejamento
financeiro, o indivíduo fica refém de compras mal planejadas, desnecessárias,
repetidas, enfim, a improvisação pode levar o cidadão ao endividamento. No caso
do servidor público, a estabilidade funcional e o salário médio muito acima das
demais categorias explicam essa alta exagerada do endividamento via consignado.
Por outro lado, os trabalhadores do setor privado pelo simples fato de não
contarem com estabilidade e os elevados salários do setor público são mais
comedidos na utilização desse crédito, enquanto os aposentados, em alguns
casos, sofrem pressões de familiares para elevar o endividamento via
consignado.
O alerta que podemos fazer é principalmente
para os servidores públicos, cuja renda elevada, e com limites de crédito
bastante flexíveis, pode ser, no médio prazo um fator de risco para a saúde
financeira do segmento, tendo em vista que pode comprometer a totalidade de
seus proventos, piorando sua qualidade de vida presente e futura, pois os
descontos são realizados mensalmente na folha de pagamento.
Portanto, observamos quanto aos cuidados
que devem ser tomados na utilização do crédito consignado sem planejamento
financeiro. Se você está com dívidas no cartão de crédito, entrou no cheque
especial e está difícil de sair, se o gerente do seu banco não aprova um novo
crédito, nesse caso está na hora de pensar em uma solução definitiva para tais
problemas. Inicialmente liste todas suas dívidas, vencidas e por vencer nos
próximos dias e meses, veja o montante total delas, tente negociar com os
credores e, após tais providências utilize a modalidade crédito consignado, que
vai funcionar como uma “rota de fuga”.

