sexta-feira, 3 de outubro de 2014

PLANEJAMENTO FINANCEIRO PESSOAL
Consultor Régis Varão/¹

O primeiro passo para construir uma vida tranquila e segura é conhecer muito bem sua atual situação financeira. Quem não sabe quanto gasta e desconhece quanto ganha, não tem controle de suas dívidas e não tem noção de sua evolução patrimonial, com certeza vai ter dificuldades para atingir o equilíbrio de suas finanças pessoais, e mais ainda vai ter problema na hora de poupar.

O planejamento financeiro não foca apenas no sucesso material, ele trabalha com o sucesso pessoal e profissional e busca o sucesso da família com qualidade de vida presente e futura. A ideia do planejamento é propiciar que as pessoas façam reserva financeira, que será útil para resolver situações não planejadas que surgem ao longo de nossas vidas.

Entretanto, ao fazer o planejamento de suas finanças pessoais, é importante que se tenha um objetivo, uma meta a atingir, logo, definir onde deseja chegar daqui a 5, 10 ou 20 anos, em termos salariais e patrimoniais, pois não adianta planejar se você não tem a noção do que deseja para você e sua família no futuro. Assim, defina melhor seus objetivos financeiros e quando deseja atingir sua liberdade financeira.

Assim como o governo federal, estados, municípios e empresas têm seus orçamentos. As famílias e os indivíduos também precisam desse instrumento. O planejamento financeiro é necessário para a família ou indivíduo que deseja ter suas contas em ordem e possa levar uma vida feliz, e o instrumento básico e mais importante nesse aspecto é a elaboração do orçamento familiar, que é a projeção de receitas e despesas que a família elabora para determinado período de tempo.

A grande maioria das pessoas tem sonhos, que podem ser desde a compra de uma nova TV, uma viagem de férias, a troca do veículo, um novo emprego, até a aquisição da casa própria. A maneira mais prática de realizá-los está no modo como elaboramos o orçamento familiar e lidamos com o dinheiro. Os recursos podem ser provenientes de salários, pró-labore, rendimento de aplicações financeiras, aluguéis recebidos, renda de serviços de consultoria entre outros. Já as despesas são um pouco mais complexas, e na grande maioria das vezes é o vilão que destrói sonhos.

O modo prático e fácil de obter sucesso financeiro é com um minucioso planejamento, e nesse caso, o orçamento doméstico ou orçamento familiar é peça chave, é a primeira e mais importante fase do planejamento financeiro.

Considerando a relevância do orçamento familiar no planejamento financeiro, listamos alguns passos que podem ajudar na elaboração de um orçamento:

Primeiro: relacione todas as despesas realizadas em determinado período, que pode ser quinzenal, mensal, trimestral etc. Para uma análise rigorosa e realista, guarde os comprovantes das despesas com cafezinho, cigarro, lanche, cerveja e outros. Se o fornecedor não der recibo, anote em um pedaço de papel, logo, não despreze o poder dos pequenos valores;

Segundo: relacione a(s) receita(s) recebidas mensalmente, que pode ser o salário líquido (menos impostos, previdência etc), no caso dos que têm renda fixa. Para os que não têm renda fixa (recebem comissões), utilize a média da receita dos últimos 6 meses, e a projete para os próximos 6 meses, evitando  surpresas desagradáveis em períodos de queda de receita;

Terceiro: as despesas podem ser relacionadas basicamente de duas maneiras: (a) Por grupo e subgrupo: - alimentação: mercearia, padaria, supermercado etc; - moradia: aluguel, prestação da casa própria, condomínio, iptu, seguro, água, telefone, luz entre outros; - saúde: plano de saúde, consulta médica, odontológica, fisioterapia, remédios entre outros; - vestuário: roupas, calçados, acessórios etc; - transporte: financiamento de veículo, gasolina, manutenção, ipva, seguro e outros; - educação: mensalidades de colégio e faculdade, matrícula, material escolar etc; - lazer e entretenimento: cinema, teatro, viagens (passagens e hotéis), restaurantes, TV a cabo entre outros; - despesas pessoais: salão de beleza, manicure, shampoo etc; - outras despesas: presentes de aniversário, doações para instituições filantrópicas, imposto de renda etc; - despesas financeiras: juros de empréstimos bancários e do cheque especial, anuidade do cartão de crédito, tarifas bancárias entre outros; e (b) Despesas fixas: aluguel, condomínio, prestações etc; e Despesas variáveis: as que não se enquadram nas fixas. Para manter o controle da evolução dos gastos, a utilização de grupos é mais fácil e adequado não só por facilitar o controle, mas por ajudar a entender o comportamento de itens específicos. Observação: o grupo despesas financeiras é importante na elaboração do orçamento, pois, nele verificamos a saúde financeira e o comprometimento do patrimônio individual e familiar;

Quarto: faça o somatório de todas as despesas e receitas e compare-as mensalmente para verificar a existência de superávit ou déficit;

Quinto: verifique os ralos ou buracos, local por onde escorre parte do dinheiro recebido, que muitas vezes são as pequenas despesas com o cafezinho, o lanche fora de hora, a cerveja após o expediente de trabalho etc. O passo anterior mostra a real situação desses ralos, que normalmente são grandes e não percebidos até a elaboração do orçamento;

Sexto: descobrindo os buracos ou ralos precisamos encontrar um modo de tapá-los, pois essas pequenas despesas são irrecuperáveis. É uma parte difícil na elaboração do orçamento, pois aspectos emocionais e hábitos antigos estão envolvidos e devem ser considerados;

Sétimo: conhecendo nossa situação orçamentária e contornado os problemas emocionais e os maus hábitos nos gastos, devemos olhar para os próximos anos e definir o que queremos. No entanto, se gastamos menos do que recebemos, estamos bem, mas não deixe de fazer orçamento. Por outro lado, se gastamos mais do que recebemos, devemos cortar despesas, estabelecer metas de cortes e definir um percentual da receita mensal, entre 10 e 20%, para uma reserva financeira, protegendo-se de surpresas futuras e garantindo a aposentadoria com qualidade de vida.

Com a elaboração do orçamento temos a real dimensão do endividamento, e que agora fica mais fácil resolvê-los, que pode ser: aumentar receitas e reduzir despesas; aumentar receitas mantendo inalteradas as despesas; manter estáveis as receitas e reduzir as despesas. São muitas as possibilidades, mas o aumento de receitas e redução de despesas pode ser a melhor delas.

A elaboração do orçamento pode levar indivíduos e famílias a conhecer padrões de despesas, a descobrir para onde está indo o dinheiro oriundo do seu trabalho, a observar os inúmeros ralos que dificultam o controle financeiro da maioria dos brasileiros, isto é, o orçamento pode ser considerado a peça mais importante do planejamento financeiro, pois, levará o individuo e suas famílias a pensarem no futuro.

Portanto, o orçamento não pode ficar apenas na teoria, tem que ser colocado em prática. O indivíduo, endividado ou não, tem que rever seus conceitos, adotar novas atitudes e práticas na gestão de seus recursos e procurar entender a importância do planejamento financeiro para sua vida no presente e garantindo um futuro melhor.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Visite o site http://www.ravecofinancas.com/.

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