PLANEJAMENTO FINANCEIRO PESSOAL
Consultor Régis
Varão/¹
O primeiro passo para construir uma
vida tranquila e segura é conhecer muito bem sua atual situação financeira.
Quem não sabe quanto gasta e desconhece quanto ganha, não tem controle de suas
dívidas e não tem noção de sua evolução patrimonial, com certeza vai ter
dificuldades para atingir o equilíbrio de suas finanças pessoais, e mais ainda vai
ter problema na hora de poupar.
O planejamento financeiro não foca
apenas no sucesso material, ele trabalha com o sucesso
pessoal e profissional e busca o sucesso da família com qualidade de
vida presente e futura. A ideia do planejamento é propiciar que as pessoas façam
reserva financeira, que será útil para resolver situações não planejadas que surgem
ao longo de nossas vidas.
Entretanto, ao fazer o planejamento de
suas finanças pessoais, é importante que se tenha um objetivo, uma meta a
atingir, logo, definir onde deseja chegar daqui a 5, 10 ou 20 anos, em termos
salariais e patrimoniais, pois não adianta planejar se você não tem a noção do
que deseja para você e sua família no futuro. Assim, defina melhor seus
objetivos financeiros e quando deseja atingir sua liberdade financeira.
Assim como o governo federal,
estados, municípios e empresas têm seus orçamentos. As famílias e os indivíduos
também precisam desse instrumento. O planejamento financeiro é necessário para
a família ou indivíduo que deseja ter suas contas em ordem e possa levar uma
vida feliz, e o instrumento básico e mais importante nesse aspecto é a
elaboração do orçamento
familiar, que é a projeção de receitas e despesas que a família elabora
para determinado período de tempo.
A grande maioria das pessoas tem
sonhos, que podem ser desde a compra de uma nova TV, uma viagem de férias, a
troca do veículo, um novo emprego, até a aquisição da casa própria. A maneira
mais prática de realizá-los está no modo como elaboramos o orçamento familiar e
lidamos com o dinheiro. Os recursos podem ser provenientes de salários,
pró-labore, rendimento de aplicações financeiras, aluguéis recebidos, renda de
serviços de consultoria entre outros. Já as despesas são um pouco mais
complexas, e na grande maioria das vezes é o vilão que destrói sonhos.
O modo prático e fácil de obter
sucesso financeiro é com um minucioso planejamento, e nesse caso, o orçamento
doméstico ou orçamento familiar é peça chave, é a primeira e mais importante
fase do planejamento financeiro.
Considerando a relevância do
orçamento familiar no planejamento financeiro, listamos alguns passos que podem
ajudar na elaboração de um orçamento:
Primeiro: relacione todas as despesas realizadas em determinado
período, que pode ser quinzenal, mensal, trimestral etc. Para uma análise rigorosa
e realista, guarde os comprovantes das despesas com cafezinho, cigarro, lanche,
cerveja e outros. Se o fornecedor não der recibo, anote em um pedaço de papel,
logo, não despreze o poder dos pequenos valores;
Segundo: relacione a(s) receita(s) recebidas mensalmente, que pode ser o
salário líquido (menos impostos, previdência etc), no caso dos que têm renda
fixa. Para os que não têm renda fixa (recebem comissões), utilize a média da
receita dos últimos 6 meses, e a projete para os próximos 6 meses, evitando surpresas desagradáveis em períodos de queda
de receita;
Terceiro: as despesas podem ser relacionadas basicamente de duas
maneiras: (a) Por grupo e subgrupo: - alimentação: mercearia, padaria,
supermercado etc; - moradia: aluguel,
prestação da casa própria, condomínio, iptu, seguro, água, telefone, luz entre
outros; - saúde: plano de saúde,
consulta médica, odontológica, fisioterapia, remédios entre outros; - vestuário: roupas, calçados, acessórios
etc; - transporte: financiamento de veículo,
gasolina, manutenção, ipva, seguro e outros; - educação: mensalidades de colégio e faculdade, matrícula,
material escolar etc; - lazer e
entretenimento: cinema, teatro, viagens (passagens e hotéis), restaurantes,
TV a cabo entre outros; - despesas
pessoais: salão de beleza, manicure, shampoo etc; - outras despesas: presentes de aniversário, doações para instituições
filantrópicas, imposto de renda etc; - despesas
financeiras: juros de empréstimos bancários e do cheque especial, anuidade
do cartão de crédito, tarifas bancárias entre outros; e (b) Despesas fixas: aluguel,
condomínio, prestações etc; e Despesas variáveis:
as que não se enquadram nas fixas. Para manter o controle da evolução dos
gastos, a utilização de grupos é mais fácil e adequado não só por facilitar o
controle, mas por ajudar a entender o comportamento de itens específicos. Observação:
o grupo despesas financeiras é importante na elaboração do orçamento, pois,
nele verificamos a saúde financeira e o comprometimento do patrimônio
individual e familiar;
Quarto: faça o somatório de todas as despesas e receitas e compare-as
mensalmente para verificar a existência de superávit ou déficit;
Quinto: verifique os ralos ou buracos, local por onde escorre parte do
dinheiro recebido, que muitas vezes são as pequenas despesas com o cafezinho, o
lanche fora de hora, a cerveja após o expediente de trabalho etc. O passo
anterior mostra a real situação desses ralos, que normalmente são grandes e não
percebidos até a elaboração do orçamento;
Sexto: descobrindo os buracos ou ralos precisamos encontrar um modo de
tapá-los, pois essas pequenas despesas são irrecuperáveis. É uma parte difícil na
elaboração do orçamento, pois aspectos emocionais e hábitos antigos estão
envolvidos e devem ser considerados;
Sétimo: conhecendo nossa situação
orçamentária e contornado os problemas emocionais e os maus hábitos nos gastos,
devemos olhar para os próximos anos e definir o que queremos. No entanto, se gastamos
menos do que recebemos, estamos bem, mas não deixe de fazer orçamento. Por
outro lado, se gastamos mais do que recebemos, devemos cortar despesas,
estabelecer metas de cortes e definir um percentual da receita mensal, entre 10
e 20%, para uma reserva financeira, protegendo-se de surpresas futuras e
garantindo a aposentadoria com qualidade de vida.
Com a elaboração do orçamento temos a
real dimensão do endividamento, e que agora fica mais fácil resolvê-los, que
pode ser: aumentar receitas e reduzir despesas; aumentar receitas mantendo
inalteradas as despesas; manter estáveis as receitas e reduzir as despesas. São
muitas as possibilidades, mas o aumento de receitas e redução de despesas pode
ser a melhor delas.
A elaboração do orçamento pode levar
indivíduos e famílias a conhecer padrões de despesas, a descobrir para onde
está indo o dinheiro oriundo do seu trabalho, a observar os inúmeros ralos que
dificultam o controle financeiro da maioria dos brasileiros, isto é, o
orçamento pode ser considerado a peça mais importante do planejamento
financeiro, pois, levará o individuo e suas famílias a pensarem no futuro.
Portanto, o orçamento não pode ficar
apenas na teoria, tem que ser colocado em prática. O indivíduo, endividado
ou não, tem que rever seus conceitos, adotar novas atitudes e práticas na
gestão de seus recursos e procurar entender a importância do planejamento
financeiro para sua vida no presente e garantindo um futuro melhor.
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