terça-feira, 5 de julho de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUOU EM JUNHO DE 2016
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas apresentou declínio entre maio e junho deste ano, bem como em relação à jun/15, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais o Distrito Federal. São apurados os indicadores: percentual de consumidores endividados, com contas em atraso e que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,1% em jun/16, um decréscimo de 0,6 p.p. ante mai/16 e -3,9 p.p. frente à jun/15. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu para 23,5% em jun/16, de 23,7% em mai/16, e registrou 21,3% em jun/15. Já com relação às famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, e que permanecem inadimplentes, houve elevação nas duas bases de comparação, chegando a 9,1% em jun/16, 9% no mês anterior e 7,9% em jun/15.

Com relação a contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso ficou em 62,4 dias em jun/16, acima dos 59,6 dias observados em jun/15, enquanto o tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas atingiu 7,3 meses, sendo que 23,2% estão comprometidas com dívidas até 90 dias, e 35,2% com mais de 12 meses.

Quanto ao nível de endividamento familiar, a proporção de famílias que se declararam muito endividadas cresceu no período mai-jun/16, de 14,9% para 15%, enquanto na comparação jun/15-jun/16 subiu 2,5 p.p. As famílias que se declararam mais ou menos endividadas passou de 23,2% em jun/15 para 20,8% em mai/16 e caiu para 20,5% no mês seguinte. Os que estão pouco endividados passaram de 26,2% em jun/15 para 23% em mai/16 e atingiram 22,6% em jun/16, representando -3,6 p.p. na comparação anual. Os que declararam não terem esse tipo de dívida passou de 37,8% (jun/15) para 41% em mai/16 e atingiu 41,7% no mês seguinte.

Por faixa de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso mostrou comportamento distinto entre os grupos pesquisados (<10 SM e >10 SM) na comparação mensal. Na faixa de renda acima de 10 SM (Salário Mínimo), o indicador atingiu 4,3% em jun/16, ante 3,9% no mês anterior e 3,1% em jun/15. No grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos apresentou estabilidade (10,2%), mas em relação a jun/15 cresceu 1,1 p.p.

Por tipo de dívida, o cartão de crédito continua tendo a preferência das famílias, sendo apontado como o principal tipo de dívida por cerca de 77% delas, seguido de carnês de lojas com 15,6%, crédito pessoal (11,3%), financiamento de carro com 10,8%, financiamento de casa (8,6%), cheque especial com 7,4%, crédito consignado (5,1%) e cheque pré-datado com 1,8%.

Entre as famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito é destaque com 77,7%, seguido por carnês de loja (16,7%), crédito pessoal com 10,8% e financiamento de carro (8,9%). Na faixa de renda >10 SM, os principais tipos de dívida registrados em jun/16 foram: cartão de crédito (72,2%), financiamento de casa com 19,6%, financiamento de carro (19,5%) e crédito pessoal com 13,5%.

Portanto, embora o cenário não seja favorável com inflação em alta, juros elevados, desemprego crescente e inadimplência em alta, observou-se redução do percentual de famílias endividadas pelo quinto mês consecutivo, atingindo em jun/16 um indicador com menor patamar desde fev/15. Observo, no entanto, que a proporção de famílias com contas/dívidas em atraso também recuou no sexto mês de 2016, embora tenha ocorrido elevação da proporção de famílias sem condições de pagarem suas contas ou dívidas em atraso.


¹/ Executive Coach, Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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