ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM AGO/2016
Régis Varão/¹
Após seis meses consecutivas de declínio, o
percentual de famílias brasileiras com dívidas apresentou elevação em ago/16
ante o mês anterior, mas decrescendo na comparação anual. O percentual de
famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou incremento ante jul/16,
mantendo, no entanto, a tendência de elevação também com relação a ago/15. Já o
percentual de famílias que relatou não ter condições de pagar suas contas em
atraso cresceu na comparação mensal e anual, segundo a Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada
pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e
contempla todas as capitais do País mais Distrito Federal.
O percentual de famílias endividadas entre cheque
pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo
pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58% em ago/16, subindo ante o
observado em jul/16 (57,7%), mas inferior a ago/15 quando chegou a 62,7%.
O percentual das famílias com dívidas ou contas em
atraso também subiu em ago/16, de 22,9% para 24,4% do total, na comparação mensal.
Também houve crescimento do percentual de inadimplentes em relação a ago/15,
quando o indicador chegou a 22,4%. O percentual de famílias que declararam sem condições
de pagar suas contas em atraso e que, permaneceriam inadimplentes subiu nas
duas bases de comparação, atingindo 9,4% em ago/16, ante 8,7% em jul/16 e 8,4%
em ago/15.
Com relação a proporção de famílias que se
declararam muito endividadas, houve declínio entre os meses de jul/16 e ago/16,
de 14,7% para 14,6% do total. Na comparação anual, houve alta de 1 p.p. Na
comparação entre ago/15 e ago/16, a parcela que declarou estar mais ou menos
endividada caiu de 24,0% para 20,7%, e a parcela pouco endividada passou de
25,1% para 22,7% do total de famílias.
Por tipo de dívida, o cartão de crédito continua tendo
a preferência das famílias, sendo apontado como um dos principais tipos de
dívida por 76,5% das famílias endividadas, seguido de carnês de loja com 15,3%,
financiamento de carro (11,1%), crédito pessoal com 10,2%, financiamento de
casa com 7,9%, cheque especial com 7,1% e crédito consignado com 6%.
No grupo de famílias com renda até dez salários
mínimos (10 SM), o cartão de crédito tem a preferência de 78% das famílias
endividadas, seguido pelo carnê de lojas por 16,1% e crédito pessoal (10%). Já
entre as famílias com renda acima de 10 SM, os principais tipos de dívida
apontados em ago/16 foram: cartão de crédito por 70,1%, financiamento de carro
por 21,2% e financiamento de casa por 16%.
O percentual de famílias endividadas cresceu em ago16,
interrompendo uma sequência de seis meses de declínio. Na comparação com igual
período de 2015, esse indicador apresenta queda de 4,7 p.p. A retração do
consumo, reflexo da perda do poder de compra dos salários e do custo elevado do
crédito, podem explicar a queda recente dos níveis de endividamento.
A proporção de famílias com contas ou dívidas em
atraso subiu, assim como a proporção daquelas que não têm condições de pagar
suas contas ou dívidas em atraso. Com relação ao ano anterior, houve piora de
ambos os indicadores de inadimplência e um número maior de famílias apresentou
dificuldade de pagar suas contas e dívidas no vencimento. Juros elevados, cenário
desfavorável do mercado de trabalho e perda do poder aquisitivo refletiram
negativamente nesses indicadores.
Portanto, após seis meses consecutivas de decréscimo,
o percentual de famílias brasileiras com dívidas subiu em ago/16 ante o mês
anterior, mas caiu na comparação anual (-4,7 p.p.), embora o percentual daquele
mês ainda continue elevado, o que denota o tamanho da crise por que passa a economia
brasileira. Observo, no entanto, que o crédito consignado atingiu pela primeira
vez, em ago/16, a marca de 6%, o que é positivo por tratar-se do crédito mais
barato quando comparado aos demais do mercado financeiro nacional.
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