quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM AGO/2016
Régis Varão/¹

Após seis meses consecutivas de declínio, o percentual de famílias brasileiras com dívidas apresentou elevação em ago/16 ante o mês anterior, mas decrescendo na comparação anual. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou incremento ante jul/16, mantendo, no entanto, a tendência de elevação também com relação a ago/15. Já o percentual de famílias que relatou não ter condições de pagar suas contas em atraso cresceu na comparação mensal e anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais Distrito Federal.

O percentual de famílias endividadas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58% em ago/16, subindo ante o observado em jul/16 (57,7%), mas inferior a ago/15 quando chegou a 62,7%.

O percentual das famílias com dívidas ou contas em atraso também subiu em ago/16, de 22,9% para 24,4% do total, na comparação mensal. Também houve crescimento do percentual de inadimplentes em relação a ago/15, quando o indicador chegou a 22,4%. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso e que, permaneceriam inadimplentes subiu nas duas bases de comparação, atingindo 9,4% em ago/16, ante 8,7% em jul/16 e 8,4% em ago/15.

Com relação a proporção de famílias que se declararam muito endividadas, houve declínio entre os meses de jul/16 e ago/16, de 14,7% para 14,6% do total. Na comparação anual, houve alta de 1 p.p. Na comparação entre ago/15 e ago/16, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 24,0% para 20,7%, e a parcela pouco endividada passou de 25,1% para 22,7% do total de famílias.

Por tipo de dívida, o cartão de crédito continua tendo a preferência das famílias, sendo apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,5% das famílias endividadas, seguido de carnês de loja com 15,3%, financiamento de carro (11,1%), crédito pessoal com 10,2%, financiamento de casa com 7,9%, cheque especial com 7,1% e crédito consignado com 6%.

No grupo de famílias com renda até dez salários mínimos (10 SM), o cartão de crédito tem a preferência de 78% das famílias endividadas, seguido pelo carnê de lojas por 16,1% e crédito pessoal (10%). Já entre as famílias com renda acima de 10 SM, os principais tipos de dívida apontados em ago/16 foram: cartão de crédito por 70,1%, financiamento de carro por 21,2% e financiamento de casa por 16%.

O percentual de famílias endividadas cresceu em ago16, interrompendo uma sequência de seis meses de declínio. Na comparação com igual período de 2015, esse indicador apresenta queda de 4,7 p.p. A retração do consumo, reflexo da perda do poder de compra dos salários e do custo elevado do crédito, podem explicar a queda recente dos níveis de endividamento.

A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso subiu, assim como a proporção daquelas que não têm condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso. Com relação ao ano anterior, houve piora de ambos os indicadores de inadimplência e um número maior de famílias apresentou dificuldade de pagar suas contas e dívidas no vencimento. Juros elevados, cenário desfavorável do mercado de trabalho e perda do poder aquisitivo refletiram negativamente nesses indicadores.

Portanto, após seis meses consecutivas de decréscimo, o percentual de famílias brasileiras com dívidas subiu em ago/16 ante o mês anterior, mas caiu na comparação anual (-4,7 p.p.), embora o percentual daquele mês ainda continue elevado, o que denota o tamanho da crise por que passa a economia brasileira. Observo, no entanto, que o crédito consignado atingiu pela primeira vez, em ago/16, a marca de 6%, o que é positivo por tratar-se do crédito mais barato quando comparado aos demais do mercado financeiro nacional.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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