OS 7 HÁBITOS QUE AJUDAM NO SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹
Grande parte das dificuldades financeiras das pessoas
decorre da gestão inadequada de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha,
viver endividado, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar
tudo a prestação, preferir produtos de marca e não saber quanto gasta com
prestações, financiamentos, supérfluos, restaurantes, supermercado e lazer são
algumas das razões que contribuem para as pessoas terem uma saúde financeira precária.
O mau desempenho financeiro decorre de atitudes e
hábitos inadequados e constantes na gestão de nossas receitas, e que interferem
negativamente no sucesso de nossa vida financeira ao longo dos anos. Maus
hábitos no trato do dinheiro podem levar ao endividamento, com efeitos
paralelos, pois é um fato que indivíduos com problemas financeiros vão ao
médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados
médicos, se desentendem mais com colegas e familiares, perdem o emprego com
mais facilidade, reduzem o nível de concentração em tarefas do dia a dia, diminuem
a produtividade e se divorciam com mais frequência que os indivíduos sem
problemas financeiros.
A seguir, listamos alguns hábitos que ajudam as
pessoas a terem um desempenho positivo na gestão de seu dinheiro:
1. Economize:
Qualquer
pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma
vida financeira tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos
financeiros que são guardados periodicamente como poupança ou reserva para
imprevistos. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em
Jeremias:29-11 temos: Porque sou eu que
conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los
prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.
Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias
melhores e um futuro com segurança. Você pode começar economizando 10% de sua
renda líquida mensal e gradualmente elevar esse percentual para 20% ou 30%.
Considere as peculiaridades de cada um, muitos têm pais, filhos, netos e avós
morando sob o mesmo teto, nesse caso, esses percentuais funcionam apenas como
indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%,
20% pode ser adequado para uma família padrão, casal com filhos, no entanto, um
assalariado de alta renda pode poupar mais de 20% de seus recebimentos mensais
sem afetar seu padrão de vida. A única regra é: economize todos os dias. Cuidado
com os supérfluos, e se for solteiro, cuidado com as baladas. Tenha um objetivo
em mente, estabeleça metas, discuta esses assuntos com sua família. Faça da
poupança um hábito saudável. Transmita aos familiares esses hábitos, oriente-os
enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar
parte do que se ganha é um hábito saudável, é uma questão de sabedoria. Incorpore
esse hábito no seu dia a dia.
2. Faça Planejamento Financeiro:
Fazer planejamento financeiro e gastar menos do que
ganha é questão de bom senso e de sobrevivência financeira. Faça orçamento
pessoal, liste as receitas recebidas (aluguéis, aplicações
financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bônus e outras) e as despesas
realizadas, inclusive os pequenos valores. Relacione as despesas por grupos,
como alimentação, saúde, moradia, transporte, lazer etc, e as fontes de
receitas, que podem ser classificadas como fixas ou eventuais. Isso servirá de
indicativo para descobrir para onde está indo o dinheiro, que na maioria das
vezes desaparece sem deixar vestígios. Ao listar as despesas (planilha, caderno,
agenda etc), observe todos os valores, sem exceção, o que ajudará a conhecer o
orçamento e a decidir qual a melhor estratégia de controle.
3. Faça Reserva Financeira:
Muitos não fazem reserva
financeira por desconhecerem sua importância. Deve-se
reservar um percentual mensal da renda líquida para formá-la. Pode-se começar
com 5% e subir gradualmente até atingir 15%. Todos estão sujeitos a surpresas
desagradáveis como acidentes, doenças em família, gravidez inesperada, faculdade
dos filhos, desemprego etc. Faça uma reserva que seja suficiente para cobrir os
gastos equivalentes a 6 ou 12 meses de despesas mensais ou a critério do
poupador. Exemplo: se você gasta mensalmente R$ 5.000,00 em média, incluindo
despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$ 30.000,00 (6 meses x
R$ 5.000,00) em reserva financeira, já em 12 meses totalizaria R$ 60.000,00 (12
x R$ 5.000,00). Não é uma regra fixa, depende de cada indivíduo ou família. A
finalidade da reserva financeira é atender eventos inesperados.
4. Observe os Pequenos Valores:
Muitas pessoas cometem equívocos ao pensar que
pequenos valores não são importantes na estrutura de despesas. Um simples café
expresso de R$ 5,00, tomado 365 dias no ano totaliza R$ 1.825,00. Um lanche diário
de R$ 9,00, em um ano atinge R$ 3.285,00. Junte-se a eles o cigarro com R$ 2.372,50
no ano e a cerveja com os amigos no final de semana ± R$ 1.100,00, e temos o
equivalente a um apartamento de 2 quartos em 10 anos que poderia estar rendendo
aluguel, mas que foi gasto com café expresso, lanche, cigarro e cerveja. As
pessoas podem consumir tudo o que desejam, mas pensem melhor antes de abrir a
carteira. Se tentarem reduzir essas despesas em 50%, por exemplo, será uma
grande economia. Segundo o jornal O Estado de
São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de
cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero
quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21
bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia a dia, a despesa anual é
muito elevada e contribui para o endividamento. Produtos necessários para a
família, como alimento, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses
“pequenos grandes valores.” Imagine o que você poderia adquirir para sua casa,
sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos
excessivos. Por outro lado, se você “precisa” fazer esses
gastos, porque não os reduz pela metade, sobraria uma grande quantia que
poderia ajudar nas despesas de férias, na compra de equipamentos para casa etc.
Não desconsidere o poder dos pequenos valores.
5. Evite Compras Parceladas:
Evite compras a prazo, pois muitas vezes várias prestações
podem levar ao endividamento quando somadas. Segundo pesquisa da Confederação
Nacional do Comércio-CNC, o carnê de
loja (15,3%) é o segundo tipo de endividamento
preferido das famílias brasileiras, e perde apenas para o cartão de crédito com
76,5%. Se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o
próximo mês, para o próximo semestre ou próximo ano. Antes de abrir a carteira
pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro?
Tem que ser agora? Com uma resposta negativa não compre, e se forem
positivas, antes de comprar peça desconto. Não faça dívidas, evite compras
parceladas, adquira apenas o necessário e planeje-se ao adquirir algum produto
novo, pode ser que você não esteja precisando dele.
6. Não confie na Memória:
A grande armadilha das finanças pessoais é o
péssimo hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote tudo, guarde todos
os recibos para não ter surpresas desagradáveis no fim do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores gastos no dia-a-dia (anote tudo) podem
ajudar a evitar as armadilhas da memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo
os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal (cupom fiscal) de tudo o que
adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas ajuda a reduzir o IPVA
e o IPTU.
7. Tire Proveito do Cartão de Crédito:
Pague sempre a fatura integral, nunca pague o valor
mínimo, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do
mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Dados do Banco Central informam que no crédito rotativo do Cartão
de Crédito (taxa para quem paga o valor mínimo da fatura do cartão e
financia o restante) a taxa média de juros atingiu em jul/16 o absurdo percentual
de 470,7% a.a. Utilize o cartão de
crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem,
que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente e outros benefícios. Não leve
na sua carteira o cartão de crédito e talão de cheques, os dois podem estimular
o consumo, saia apenas com um na carteira. Só use o cartão de crédito quando
estiver precisando de um produto essencial, comida, remédio etc.
O segredo da prosperidade está em saber gastar com
parcimônia e poupar. Evite compras por impulso, economize todos os dias, faça
reserva financeira, não compre a prazo, evite pagar juros e fique atento ao
poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos grandes valores. Bons
hábitos financeiros reduzem o estresse, melhoram a qualidade e a expectativa de
vida, eleva a produtividade, melhora a saúde física e mental e ajuda nos relacionamentos
pessoais e profissionais.
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