sexta-feira, 2 de setembro de 2016

OS 7 HÁBITOS QUE AJUDAM NO SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

Grande parte das dificuldades financeiras das pessoas decorre da gestão inadequada de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha, viver endividado, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar tudo a prestação, preferir produtos de marca e não saber quanto gasta com prestações, financiamentos, supérfluos, restaurantes, supermercado e lazer são algumas das razões que contribuem para as pessoas terem uma saúde financeira precária.

O mau desempenho financeiro decorre de atitudes e hábitos inadequados e constantes na gestão de nossas receitas, e que interferem negativamente no sucesso de nossa vida financeira ao longo dos anos. Maus hábitos no trato do dinheiro podem levar ao endividamento, com efeitos paralelos, pois é um fato que indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, se desentendem mais com colegas e familiares, perdem o emprego com mais facilidade, reduzem o nível de concentração em tarefas do dia a dia, diminuem a produtividade e se divorciam com mais frequência que os indivíduos sem problemas financeiros.

A seguir, listamos alguns hábitos que ajudam as pessoas a terem um desempenho positivo na gestão de seu dinheiro:

1. Economize:

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeira tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados periodicamente como poupança ou reserva para imprevistos. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias:29-11 temos: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança. Você pode começar economizando 10% de sua renda líquida mensal e gradualmente elevar esse percentual para 20% ou 30%. Considere as peculiaridades de cada um, muitos têm pais, filhos, netos e avós morando sob o mesmo teto, nesse caso, esses percentuais funcionam apenas como indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%, 20% pode ser adequado para uma família padrão, casal com filhos, no entanto, um assalariado de alta renda pode poupar mais de 20% de seus recebimentos mensais sem afetar seu padrão de vida. A única regra é: economize todos os dias. Cuidado com os supérfluos, e se for solteiro, cuidado com as baladas. Tenha um objetivo em mente, estabeleça metas, discuta esses assuntos com sua família. Faça da poupança um hábito saudável. Transmita aos familiares esses hábitos, oriente-os enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte do que se ganha é um hábito saudável, é uma questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no seu dia a dia.

2. Faça Planejamento Financeiro:

Fazer planejamento financeiro e gastar menos do que ganha é questão de bom senso e de sobrevivência financeira. Faça orçamento pessoal, liste as receitas recebidas (aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bônus e outras) e as despesas realizadas, inclusive os pequenos valores. Relacione as despesas por grupos, como alimentação, saúde, moradia, transporte, lazer etc, e as fontes de receitas, que podem ser classificadas como fixas ou eventuais. Isso servirá de indicativo para descobrir para onde está indo o dinheiro, que na maioria das vezes desaparece sem deixar vestígios. Ao listar as despesas (planilha, caderno, agenda etc), observe todos os valores, sem exceção, o que ajudará a conhecer o orçamento e a decidir qual a melhor estratégia de controle.

3. Faça Reserva Financeira:

Muitos não fazem reserva financeira por desconhecerem sua importância. Deve-se reservar um percentual mensal da renda líquida para formá-la. Pode-se começar com 5% e subir gradualmente até atingir 15%. Todos estão sujeitos a surpresas desagradáveis como acidentes, doenças em família, gravidez inesperada, faculdade dos filhos, desemprego etc. Faça uma reserva que seja suficiente para cobrir os gastos equivalentes a 6 ou 12 meses de despesas mensais ou a critério do poupador. Exemplo: se você gasta mensalmente R$ 5.000,00 em média, incluindo despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$ 30.000,00 (6 meses x R$ 5.000,00) em reserva financeira, já em 12 meses totalizaria R$ 60.000,00 (12 x R$ 5.000,00). Não é uma regra fixa, depende de cada indivíduo ou família. A finalidade da reserva financeira é atender eventos inesperados.

4. Observe os Pequenos Valores:

Muitas pessoas cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura de despesas. Um simples café expresso de R$ 5,00, tomado 365 dias no ano totaliza R$ 1.825,00. Um lanche diário de R$ 9,00, em um ano atinge R$ 3.285,00. Junte-se a eles o cigarro com R$ 2.372,50 no ano e a cerveja com os amigos no final de semana ± R$ 1.100,00, e temos o equivalente a um apartamento de 2 quartos em 10 anos que poderia estar rendendo aluguel, mas que foi gasto com café expresso, lanche, cigarro e cerveja. As pessoas podem consumir tudo o que desejam, mas pensem melhor antes de abrir a carteira. Se tentarem reduzir essas despesas em 50%, por exemplo, será uma grande economia. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia a dia, a despesa anual é muito elevada e contribui para o endividamento. Produtos necessários para a família, como alimento, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses “pequenos grandes valores.” Imagine o que você poderia adquirir para sua casa, sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos excessivos. Por outro lado, se você “precisa” fazer esses gastos, porque não os reduz pela metade, sobraria uma grande quantia que poderia ajudar nas despesas de férias, na compra de equipamentos para casa etc. Não desconsidere o poder dos pequenos valores.

5. Evite Compras Parceladas:

Evite compras a prazo, pois muitas vezes várias prestações podem levar ao endividamento quando somadas. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio-CNC, o carnê de loja (15,3%) é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras, e perde apenas para o cartão de crédito com 76,5%. Se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou próximo ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com uma resposta negativa não compre, e se forem positivas, antes de comprar peça desconto. Não faça dívidas, evite compras parceladas, adquira apenas o necessário e planeje-se ao adquirir algum produto novo, pode ser que você não esteja precisando dele.

6. Não confie na Memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o péssimo hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote tudo, guarde todos os recibos para não ter surpresas desagradáveis no fim do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores gastos no dia-a-dia (anote tudo) podem ajudar a evitar as armadilhas da memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal (cupom fiscal) de tudo o que adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas ajuda a reduzir o IPVA e o IPTU.

7. Tire Proveito do Cartão de Crédito:

Pague sempre a fatura integral, nunca pague o valor mínimo, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Dados do Banco Central informam que no crédito rotativo do Cartão de Crédito (taxa para quem paga o valor mínimo da fatura do cartão e financia o restante) a taxa média de juros atingiu em jul/16 o absurdo percentual de 470,7% a.a. Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem, que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente e outros benefícios. Não leve na sua carteira o cartão de crédito e talão de cheques, os dois podem estimular o consumo, saia apenas com um na carteira. Só use o cartão de crédito quando estiver precisando de um produto essencial, comida, remédio etc.

O segredo da prosperidade está em saber gastar com parcimônia e poupar. Evite compras por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, não compre a prazo, evite pagar juros e fique atento ao poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos grandes valores. Bons hábitos financeiros reduzem o estresse, melhoram a qualidade e a expectativa de vida, eleva a produtividade, melhora a saúde física e mental e ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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