AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA REDUZ COMPETITIVADE
Régis Varão/¹
Nos últimos anos tem crescido o crime e a violência
nas grandes cidades brasileiras, o que incorre em elevados custos para a
sociedade e para a economia como um todo. Além das perdas materiais e pessoais,
a violência impõe custos indiretos, afetando negativamente as decisões de
investimento e consumo, o uso eficiente dos recursos e mais que isso impactando
diretamente na produtividade e na competitividade, afirma a Nota Econômica de nov/16, divulgado pela Confederação
Nacional da Indústria-CNI, que trabalha com as
estatísticas do relatório World Economic Forum-WEF.
De acordo com o relatório da WEF, os custos
relacionados ao crime e seus impactos no setor produtivo mantêm-se elevados no
Brasil por quase uma década. “Desde 2006, início da série histórica, o país
está entre os 25% com pior desempenho no ranking mundial do indicador, cuja
avaliação compreendeu, em média, entre 2006 e 2015, 138 economias. Na percepção
das empresas, os custos com o crime têm crescido nos últimos anos. Entre 2012 e
2015, o indicador caiu de 3,48 em 2012 para 2,87 (em escala de 1 a 7), o que
reduziu a distância entre o Brasil e o pior colocado no ranking mundial - de
15,3% para 8,6%”.
Ainda segundo o relatório, no período 2010-15, o
número de ocorrência de roubo e furto de carga no País subiu 64%.
Paralelamente, observa-se elevação da demanda por serviços de vigilância e
segurança, e uma situação que já era preocupante, piorou recentemente, o que em
parte pode ser explicado pela crise econômica.
Em 2015, com relação ao indicador custos para as
empresas do crime e da violência, os primeiros colocados - no critério menor
custo - são os países de elevada renda do Oriente Médio e norte da África, como
Emirados Árabes Unidos (1ª posição), Catar (3ª) e Omã (6ª). Entre os 140 países
pesquisados, o último lugar é da Venezuela (140ª posição), o país de mais
elevado custo.
Os países do continente americano, com exceção do
Canadá (29ª posição) e Nicarágua (46ª), têm um baixo desempenho no indicador,
pois todos se encontram entre os 50% piores posicionados entre as 140 economias
pesquisadas (os EUA está na 77ª posição).
A situação piora quando a avaliação é restrita à
América Latina, onde 17 dos 22 países estão entre os 25% piores posicionados. A
nota do Brasil (2,87) em 2015 é inferior à média da América Latina (3,22) e da
África subsaariana (4,13). O Brasil, com a queda recente no desempenho entre 2014
e 2015, quando passou de 3,23 para 2,87, respectivamente, se encontra atrás do
Haiti, República Dominicana e Argentina.
A pesquisa Enterprise
Surveys do Banco Mundial, avalia os custos de
crimes violentos que recaem especificamente sobre o custo das empresas, no
entanto, a última pesquisa realizada no Brasil é de 2009. Segundo a pesquisa,
os custos com segurança privada com equipamentos, pessoal ou serviços
especializados, participaram com 1,7% do faturamento das empresas brasileiras
em 2007, enquanto as perdas com roubo e vandalismo representaram 2,5% do
faturamento no mesmo ano.
Segundo a publicação da CNI, o crime foi
identificado por 69% das empresas brasileiras como grande obstáculo para suas operações,
sendo que o percentual é o mais elevado entre os 133 países pesquisados no
período 2009-16.
Ainda de acordo com a Nota Econômica, “Embora as
empresas brasileiras tenham gasto, como proporção do faturamento anual,
aproximadamente o mesmo percentual com segurança privada que a média das
empresas na América Latina (1,5%) e no mundo (1,6%), as perdas com roubo e
vandalismo foram maiores: o percentual no Brasil é quase três vezes o observado
na América Latina (2,5% contra 0,9%) e no mundo (0,8%)”.
Os gastos privados com segurança no Brasil não
produziram os mesmos efeitos que os verificados em economias com características
semelhantes à nossa. Na Rússia, Turquia e África do Sul, embora os custos com
segurança privada como proporção do faturamento, tenham sido iguais aos
realizados no Brasil, as perdas decorrentes de roubos e vandalismo naquelas
economias foram muito menores que no Brasil.
O número de ocorrências de roubo e furto de carga
no País subiu 63,6% entre 2010 e 2015 (20.803 ocorrências), um percentual elevado
e com impactos negativos na produtividade da economia e do segmento serviços em
geral. Por outro lado, observa-se elevação da demanda por serviços de
segurança, o que é constatado no crescimento do emprego no setor, que subiu, em
média, 7,2% ao ano nessa atividade, o que é superior aos 4,9% de elevação do
setor serviços no período.
Portanto, no final todos perdem, consumidores,
empresas e o próprio Estado ao ter agregado ao preço dos produtos os custos com
a contratação de serviços de segurança, que indiretamente impactam
negativamente na competitividade das empresas e no bolso dos consumidores.
¹/ Coach Financeiro, Business
& Executive Coach, Personal Coach,
Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças
pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em
Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais
informações visite o site www.ravecofinancas.com.
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