sábado, 29 de abril de 2017

CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS MELHORA EM RELAÇÃO A 2016
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, mensura a avaliação que os consumidores fazem da capacidade e qualidade de consumo atual e futura, o nível de renda doméstica, as condições de crédito e segurança no emprego. O índice ainda permanece em nível inferior a 100 pontos, o que indica insatisfação com a situação atual.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou piora de 0,7% na comparação mensal, e as famílias com renda >10 SM registrou elevação de 0,2%. Já o índice das famílias mais ricas está em 86,7 pontos, enquanto das demais registra 76,1 pontos. Por outro lado, os índices abertos por faixa de renda continuam abaixo de 100 pontos.

Quanto à comparação regional, a maior variação ocorreu na região Sul (+1,8%) na intenção de consumo e a pior foi observada no Nordeste com redução de 1,3%.

Segundo a pesquisa da CNC, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação progressiva, tendo jun-jul/16 registrado os menores patamares dos componentes. A seguir, os diversos componentes do ICF:

Emprego Atual: esse componente registrou crescimento de 0,4% abr/17 (108,7 pontos) em relação ao mês anterior e alta de 5,7% na comparação com igual período de 2016. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual é de 31,6%, ante 31,5% em março. De acordo como a CNC, as regiões Centro-Oeste (139 pontos), Norte (118,7 Pontos) e Sul (114,3 pontos) são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais respectivas de +1,9%, +1,7% e +0,1%. Já o Nordeste e Sudeste apresentaram os menores níveis de confiança, respectivamente 108,3 e 98,9 pontos;

Nível de Consumo Atual: esse componente apresentou incremento de 0,4% em abr/17 (51,3 pontos) ante o mês anterior e alta de 4,6% frente a igual período de 2016. A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo abaixo de 2016;

Acesso ao Crédito: esse componente registrou crescimento de 1% em abr/17 (70,1 pontos) ante o mês anterior e declínio de 0,5% em relação abr/16;

Momento para Duráveis: foi observado nesse componente, redução de 3,8% em abril deste ano (50,8 pontos) na comparação mensal, indicando o segundo decréscimo consecutivo - mar/17 com 52,8 pontos e abr/17 com 50,8 pontos - após sete meses seguidos de alta, quando passou de 41,1 pontos em jul/16 para 53,3 pontos em fev/17. Na comparação anual o componente registrou crescimento de 14,1% ante abr/16 (44,5 pontos);

Renda Atual: as famílias com renda <10 SM registraram declínio de 2,8% no item Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda >10 SM registraram decréscimo de 7,1%. Em termos regionais, o indicador apresentou forte variação, 70,9 pontos no Sul ante 29,6 pontos no Norte do País;

Perspectiva de Consumo: esse componente apresentou elevação de 0,6% em abr/17 (70,1 pontos) ante o mês anterior, e na comparação anual subiu 22,5%, a sétima variação positiva consecutiva desde ago/14. Na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram incremento de 0,4% e as com renda >10 SM subiram 1,4%;

Perspectiva Profissional: em abr/17 esse indicador caiu 2,5% chegando a 100,4 pontos ante o mês anterior, e apresentou elevação de 3,7% quando comparado a abr/16.

Portanto, embora em abril deste ano a confiança tenha caído, segundo o relatório da CNC ela continua em trajetória positiva, decorrendo em grande parte da melhora das expectativas. A queda da inflação e dos juros podem, juntamente com a liberação de recursos das contas inativas do FGTS, contribuir para uma melhora mais consistente das variáveis que aferem a situação dos consumidores brasileiros nos próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 25 de abril de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CONTINUA OSCILANDO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores quanto à situação atual e as expectativas econômicas para os próximos meses. Quanto maior o índice, maior o percentual de pessoas esperando queda da inflação ou desemprego, alta da renda pessoal, elevação das compras de bens de maior valor, melhor situação financeira e menos endividamento.

O INEC registra elevação de 1,4% em abr/17 (103,4 pontos) ante o mês anterior, revertendo parcialmente o declínio de 2,3% verificado em mar/17 (102 pontos). Apesar do desempenho positivo, o indicador permanece 4,8% abaixo da média histórica de 108,6 pontos, e registra crescimento de 6,1% na comparação com abr/16 (97,5 pontos). Todos os componentes do índice, com exceção de Compras de bens de maior valor, apresentaram incremento no período mar-abr/17. Já na comparação com abr/16, o índice apresenta recuo de 2,1%.

Os demais componentes do INEC apresentaram desempenho positivo, tanto na comparação mensal quanto anual. Na comparação mensal o destaque fica com o índice de expectativa de inflação, enquanto em 12 meses temos o endividamento.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice registra elevação de 5,8% em abr/17 (112,3 pontos) com relação ao mês anterior, e subiu 9,3% quando comparado a abr/16 quando ficou em 102,7 pontos;

(b) Expectativa de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram alta de 2% em abr/17 (116,4 pontos) ante o mês anterior, e elevação de 6,8% com relação a abr/16 (109 pontos);

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o indicador registrou incremento de 1,1% em abr/17 (95,1 pontos) ante o mês anterior, e cresceu 8,1% com relação à abr/16 (88 pontos);

(d) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com decréscimo de 1,7% em abr/17 (109,3 pontos) frente ao mês anterior e declínio de 2,1% ante abr/16. Esse indicador foi o único a apresentar decréscimo na comparação mensal e anual;

(e) Endividamento: o indicador apresentou elevação de 3,3% em abr/17 (100 pontos) ante o mês anterior, e alta de 11,2% na comparação anual. Entre os componentes do INEC, o endividamento foi o que apresentou maior crescimento em 12 meses;

(f) Situação financeira: a situação financeira dos consumidores apresentou alta de 0,9% em abr/17 (91,4 pontos) ante o mês anterior, e registrou elevação de 10,5% com relação a abr/16. Foi o indicador a registrar a menor variação positiva na comparação mensal.

Portanto, houve melhora no comportamento dos indicadores, com exceção de compras de maior valor. Já o indicador situação financeira continua pouco confortável, mas positivo na comparação mensal, embora tenha registrado a segunda maior alta em 12 meses. O desempenho dos indicadores de confiança dos consumidores decorre, em parte, do cenário político desanimador e das reformas econômicas aguardando aprovação no Congresso Nacional.


¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal), planejador e educador financeiro, palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

EXPECTATIVAS DE ELEVAÇÃO DO PIB FICAM ESTÁVEIS EM 2018
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) revisou a projeção de sete variáveis para 2017 e 2018, respectivamente, de um total de quinze. A seguir, a análise dos principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de 20.4.17 corrige para baixo a estimativa do índice para 4,04% em 2017, abaixo da meta de inflação (Resolução nº 4.419, de 25.6.15) estabelecida pela Autoridade Monetária, ante 4,12% observada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 22.4.16 estima em 5,80% para este ano. A pesquisa divulgada hoje reduz para 4,32% a projeção do mercado para o IPCA em 2018, de 4,50% observada há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 20.4.17 reduz a projeção do índice para 2,96% em 2017, de 4,32% registrada há um mês, enquanto o relatório de 22.4.16 eleva a expectativa do mercado para 5,59% para este ano. Para 2018, a pesquisa divulgada hoje reduz para 4,50%% a estimativa do IGP-DI, ante 4,60% verificada há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 20.4.17, divulgado nesta segunda-feira, mantém a expectativa do mercado em R$/U$3,23, ante R$/U$3,28 há trinta dias, para o final de 2017. Há um ano, a projeção do mercado indicava o câmbio de R$/U$4 para 2017, um pouco acima do divulgado no boletim desta semana. Para 2018, a pesquisa de 20.4.17 reduz a taxa de câmbio para R$/U$3,38, ante o mês anterior (R$/U$3,40);

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório Focus de 20.4.17 mantém a estimativa da taxa de juros em 8,50% a.a. para o final de 2017 e 2018, respectivamente, enquanto a pesquisa de 22.4.16 estima em 12% a.a., para 2017;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 20.4.17 reduz para +0,43% o crescimento do PIB em 2017, ante +0,47% observado há trinta dias. A pesquisa de 22.4.16 trabalha com crescimento de 0,30% para 2017. Já para 2018, a pesquisa divulgada hoje projeta crescimento de +2,50% para o final do próximo ano;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado hoje eleva o crescimento da atividade industrial para 1,36% em 2017, ante +1,22% divulgado há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 22.4.16 a projeção do setor industrial para 2017 estava em +0,54%. Para 2018, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira eleva o crescimento da indústria para +2,50%, de +2,10% apresentado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 20.4.17 eleva a projeção do superávit comercial para U$53 bilhões em 2017, enquanto a pesquisa de 22.4.16 estimativa o superávit em U$50 bilhões para este ano. Para 2018, o Focus divulgado hoje corrige para U$42 bi a projeção do superávit comercial, de U$41,20 bilhões registrados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o boletim de 20.4.17 mantém a estimativa do IDP em U$75 bilhões para 2017, enquanto o relatório de 22.4.16 registrava U$60 bi a estimativa para aquele ano. A pesquisa de 20.4.17 mantém em U$75 bilhões a projeção do IDP para o próximo ano.

Portanto, embora alguns índices de expectativa tenham apresentado melhora nas últimas semanas, o cenário de curto prazo ainda está aguardando as medidas a serem aprovadas no Congresso Nacional (reformas trabalhista e previdenciária), embora o ambiente político esteja contaminando as expectativas do mercado.

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal), planejador e educador financeiro, palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM MARÇO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores quanto à situação atual e as expectativas econômicas para os próximos meses. Quanto maior o índice, maior o percentual de respostas positivas, isto é, maior o percentual de pessoas esperando queda da inflação ou desemprego, alta da renda pessoal, elevação das compras de bens de maior valor, com melhor situação financeira ou menos endividamento.

A recuperação do otimismo do consumidor brasileiro verificado no período jan-fev/17 não se mantém em mar/17, quando chega a 102 pontos, mostrando um declínio de 2,3% na comparação com fev/17. Contudo, mostra incremento de 4,5% na comparação com mar/16. No entanto, mesmo com esse aumento, o índice encontra-se 6,1% abaixo da média histórica que está em 108,6 pontos.

Com relação aos componentes do INEC, apenas o índice de endividamento apresenta melhora na comparação mensal, enquanto o índice de expectativas de compras de bens de maior valor apresentou declínio em ambas as comparações.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: esse índice registrou declínio de 6,9% em mar/17 (106,1 pontos) com relação ao mês anterior, e subiu 7,5% quando comparado a mar/16 quando ficou em 98,7 pontos;

(b) Expectativa de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram queda de 3% em mar/17 (114,1 pontos) quando comparado ao mês anterior, mas registrou elevação de 9,9% com relação a mar/16 quando registrou 103,8 pontos;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o indicador registrou decréscimo de 2,9% em mar/17 (94,1 pontos) ante o mês anterior, e subiu 8,7% com relação à mar/16 (86,6 pontos);

(d) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto a esse indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, registrando queda de 1% em mar/17 (111,2 pontos) frente ao mês anterior e redução de 2,6% ante mar/16 quando atingiu 114,2 pontos;

(e) Endividamento: o indicador apresentou elevação em ambas as bases de comparação, subindo 0,4% em mar/17 (96,8 pontos) ante o mês anterior e cresceu 2% frente a mar/16 quando chegou a 94,9 pontos;

(f) Situação financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, apresentou declínio de 2,1% em mar/17 (90,6 pontos) ante o mês anterior, e registrou elevação de 9,2% com relação a mar/16 quando chegou a 83 pontos.

Portanto, a maioria dos componentes do INEC apresenta declínio na comparação mensal, exceção para o endividamento que subiu, o que sugere perda de confiança dos consumidores brasileiros nos indicadores macroeconômicos. Um comportamento que pode ser creditado ao desconforto das famílias brasileiras com relação a situação atual do País e às expectativas para os próximos meses. Esses resultados podem ter respaldo, em parte, nos indicadores de desemprego divulgados recentemente pelo IBGE

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 1 de abril de 2017

PROSPERIDADE É QUESTÃO DE ATITUDE!
Régis Varão/¹

Nos últimos anos, os efeitos negativos da crise econômica, associados ao desconhecimento de instrumentos de finanças pessoais e os maus hábitos financeiros, contribuíram para ampliar os problemas financeiros da população brasileira. O percentual de famílias endividadas subiu de 55,6% em jan/17 para 56,2% no mês seguinte, enquanto o percentual de famílias com dívidas em atraso subiu 0,3 p.p. na comparação mensal, chegando a 23% em fev/17. O desconhecimento é tamanho que o cartão de crédito continua como o principal tipo de dívida por 76,8% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja com 14,5% e crédito pessoal com cerca de 10%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes e de hábitos inadequados, pelo desconhecimento de rudimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais no dia a dia. Pesquisas demonstram que pessoas endividadas ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestado médico, discutem mais com colegas de trabalho, se desentendem com frequência com familiares, reduzem a concentração, diminuem a produtividade e se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

A seguir, algumas atitudes que, quando observadas, podem contribuir para que as pessoas atinjam a prosperidade financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira ou o talão de cheques, é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente depositado em banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou pagar as prestações ou financiamentos sem ficar devendo, isto é, sem faltar para o aluguel ou prestação da casa ou ainda para as compras de gêneros alimentícios para a família. Logo, é muito importante fazer orçamento financeiro e acompanhá-lo periodicamente. Relacione as receitas e todas as despesas, inclusive os pequenos valores, como o café espresso, o lanche etc. Após listar as despesas relacione-as em tópicos: moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc. Ao elaborar o orçamento, você conhecerá a estrutura de despesas, e quanto está despendendo mensalmente. A grande vantagem é que poderá saber onde se encontram os ralos por onde o dinheiro sai, normalmente os pequenos valores. Elaborado a contabilidade pessoal - receitas e despesas - você saberá quanto dispor para uma aplicação financeira;

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Como diz os especialistas, prospera aquele que economiza no dia a dia. Assim, feito o orçamento pessoal, está na hora de guardar a diferença receita (R) – despesa (D), que deve ter a seguinte relação R > D (superávit). A reserva financeira é importante como garantia para imprevistos, para garantir a educação dos filhos, qualidade de vida e aposentadoria confortável. É um compromisso que deve ser levado a sério e envolver os familiares. O sucesso financeiro da família depende do envolvimento de todos. Estabeleça objetivos atingíveis e faça o possível para cumpri-los.  É a oportunidades para que os filhos entendam que a independência financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Dinheiro é fácil de perdê-lo e muito difícil mantê-lo. Oriente seus filhos e serão adultos financeiramente responsáveis. Boas práticas financeiras começam na infância;

3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:

Muitos acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, remédios etc. Se não nos planejarmos, a aposentadoria será insuficiente para pagar as despesas após os sessenta anos. Reserve um percentual do salário todos os meses para depositar no banco e fazer uma reserva. Inicie com 5% ou 10% e assim sucessivamente, mas guarde intervalos de três a quatro meses. Exemplo: abr-jul/17 comece com 10%, ago-nov/17 suba para 15%, até chegar a um percentual adequado sem perder qualidade de vida. A mudança da aposentadoria que deverá ocorrer em breve pode servir de estímulo para as pessoas começarem a pensar a respeito de uma reserva financeira. Comece a poupar agora, não espere mais;

4. NÃO PARCELE COMPRAS:

Muita gente parcela compras, o que pode ser demonstrado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas em fev/17 quando atingiu 14,5%, segundo a PEIC de fev/17. É o segundo tipo de dívida na preferência das famílias, perdendo apenas para o cartão de crédito com 76,8%. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o próximo mês ou para o próximo semestre. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo apenas uma resposta negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas antes negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja dos carnês de lojas, evite o parcelamento de compras, essas quando agregadas se transformam em grandes valores. Planeje suas compras, siga seu orçamento, seja um consumidor consciente;

5. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos Black Friday-BF, Natal, dia das crianças, dia das mães etc, o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60, e ocorre na última semana de novembro, com bons descontos. Chegou no Brasil em 2010 e representa um período importante para o varejo nacional e para o mundo online. Atenção com a maquiagem de preços, observe a necessidade de adquirir o produto ou serviço, pesquise o histórico de preços e fique atento à cobrança do frete (vilão do BF 2015), em compras online. As campanhas promocionais nos shoppings podem levar muita gente ao endividamento. Para fugir das armadilhas atenha-se ao planejado;

6. CUIDADO AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. Segundo a PEIC de fev/17, cerca de 77% das famílias brasileiras se endividam com o cartão de crédito, uma péssima decisão, se considerar que paga-se em média 486,75% a.a. ou 15,89 a.m. no crédito rotativo, segundo dados do Banco Central de jan/17. O CC pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas e outros benefícios;

7. RENEGOCIAR AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas caras, rotativo do cartão de crédito, dívidas do cheque especial por um empréstimo consignado, se e somente se um corte de despesas não resolver. Financiamento imobiliário ou de automóvel também pode ser negociado quanto a valores e prazos. Existe o mecanismo da portabilidade que é a troca do agente financeiro, o que pode levar ao barateamento dos valores/prestações devidas e até mesmo da redução de prazos. O evento Super Feirão Serasa Limpa o Nome de 2016 atendeu cerca de 37 mil pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Procure a Serasa, o evento deste ano vai até 2 de abril. Ao renegociar as dívidas cria-se nova e melhor condição de pagamento, mas atenção com o endividamento.

Pessoas que alcançam a prosperidade são disciplinadas, têm objetivos e metas factíveis, fazem poupança, controlam despesas, e estão atentas aos ativos que têm rentabilidade acima da média do mercado. Assim, não compre por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, evite pagar juros e nunca despreze os pequenos valores. As pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos com o estresse, elevam sua produtividade com reflexos positivos nas empresas, contribuem para uma boa saúde física e mental e ajudam nos relacionamentos pessoais e profissionais.

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.