quarta-feira, 5 de abril de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM MARÇO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores quanto à situação atual e as expectativas econômicas para os próximos meses. Quanto maior o índice, maior o percentual de respostas positivas, isto é, maior o percentual de pessoas esperando queda da inflação ou desemprego, alta da renda pessoal, elevação das compras de bens de maior valor, com melhor situação financeira ou menos endividamento.

A recuperação do otimismo do consumidor brasileiro verificado no período jan-fev/17 não se mantém em mar/17, quando chega a 102 pontos, mostrando um declínio de 2,3% na comparação com fev/17. Contudo, mostra incremento de 4,5% na comparação com mar/16. No entanto, mesmo com esse aumento, o índice encontra-se 6,1% abaixo da média histórica que está em 108,6 pontos.

Com relação aos componentes do INEC, apenas o índice de endividamento apresenta melhora na comparação mensal, enquanto o índice de expectativas de compras de bens de maior valor apresentou declínio em ambas as comparações.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: esse índice registrou declínio de 6,9% em mar/17 (106,1 pontos) com relação ao mês anterior, e subiu 7,5% quando comparado a mar/16 quando ficou em 98,7 pontos;

(b) Expectativa de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram queda de 3% em mar/17 (114,1 pontos) quando comparado ao mês anterior, mas registrou elevação de 9,9% com relação a mar/16 quando registrou 103,8 pontos;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o indicador registrou decréscimo de 2,9% em mar/17 (94,1 pontos) ante o mês anterior, e subiu 8,7% com relação à mar/16 (86,6 pontos);

(d) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto a esse indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, registrando queda de 1% em mar/17 (111,2 pontos) frente ao mês anterior e redução de 2,6% ante mar/16 quando atingiu 114,2 pontos;

(e) Endividamento: o indicador apresentou elevação em ambas as bases de comparação, subindo 0,4% em mar/17 (96,8 pontos) ante o mês anterior e cresceu 2% frente a mar/16 quando chegou a 94,9 pontos;

(f) Situação financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, apresentou declínio de 2,1% em mar/17 (90,6 pontos) ante o mês anterior, e registrou elevação de 9,2% com relação a mar/16 quando chegou a 83 pontos.

Portanto, a maioria dos componentes do INEC apresenta declínio na comparação mensal, exceção para o endividamento que subiu, o que sugere perda de confiança dos consumidores brasileiros nos indicadores macroeconômicos. Um comportamento que pode ser creditado ao desconforto das famílias brasileiras com relação a situação atual do País e às expectativas para os próximos meses. Esses resultados podem ter respaldo, em parte, nos indicadores de desemprego divulgados recentemente pelo IBGE

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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