INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM JULHO
Régis
Varão/¹
A
Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou elevação de 0,3% em
jul/17, ante o mês anterior, e subiu 12,5% na comparação anual. No entanto, o
ICF ainda permanece em um nível abaixo de 100 pontos, isto é, abaixo da zona de
indiferença, indicando uma percepção de insatisfação com a situação atual do
País.
O
nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos
(<10 SM) apresentou melhora de 0,7% em jul/17 frente ao mês anterior,
enquanto aquelas com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) registrou
queda de 1,7%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das famílias mais ricas
está em 88,8 pontos; e o das demais, em 75,1 pontos. Os índices abertos por
faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.
Na
comparação regional, a maior variação foi observada nas regiões Centro-Oeste e
Sudeste que mostraram variações mensais positivas. O maior incremento ocorreu
no Centro-Oeste, crescimento de 0,7% na intenção de consumo, e o pior ficou na
região Sul, com redução de 0,5%.
Segundo
a pesquisa ICF, a intenção de consumo das famílias segue em
recuperação lenta, mas progressiva. A seguir, os componentes do indicador:
1. Emprego Atual:
Esse
componente apresentou alta de 0,3% em jul/17 (107,5 pontos), ante o mês
anterior e subiu 6,9% na comparação anual. O percentual de famílias que se
sentem mais seguras em jul/17 com relação ao Emprego Atual é de 31,3%, ante
31,2% observado em junho.
As
regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são Centro-Oeste (137,2
pontos), Norte com 120,5 pontos e Sul com 112,5 pontos, com variações mensais
respectivas de +1,9%, -0,5% e +1%. Já as regiões Nordeste (105,3 pontos) e
Sudeste (98,5 pontos) apresentaram os menores níveis de confiança. O índice
geral e os regionais, exceto o do Sudeste, estão acima da zona de indiferença
de 100 pontos.
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
indicador apresentou elevação de 1,7% em jul/17 (54,6 pontos), ante o mês
anterior e subiu 24,1% na comparação anual, o terceiro melhor desempenho entre
os componentes do ICF na comparação anual. O relatório da CNC afirma que “A maior
parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano
passado (58,6% ante 59,3% em junho)”.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito apresentou crescimento de 1,4% em jul/17 (70,4
pontos) frente ao mês anterior, e subiu 11,2% na comparação anual. O valor
médio do período mai-jul/17 ficou em 69,93 pontos contra a média de 69,07
pontos observada no trimestre anterior, uma alta de 1,2%. Possível melhoria na
intenção de consumo das famílias pode ter concorrido para o desempenho do
indicador.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador apresentou estabilidade em junho e julho deste ano com 51,7 pontos,
respectivamente, e registrou o segundo maior crescimento entre os componentes
do ICF na comparação anual (+25,8%), o oitavo incremento positivo.
A
liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
e a gradativa redução dos juros pelo Banco Central nos últimos meses, podem
estar contribuindo para maior disposição ao consumo, apesar do elevado endividamento
das famílias como indica a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-Peic/CNC de jun/17. Segundo a pesquisa, o percentual de famílias endividadas
atingiu 56,4% em jun/17, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou
contas em atraso chegou a 24,3% naquele mês.
5.
Renda Atual:
Com
relação a esse componente houve elevação de 0,11% em jul/17 (90,5 pontos), ante
o mês anterior e subiu 6,5% na comparação anual. A partir de dez/16, exceto jan/17
com 89,5 pontos, o indicador marcou acima de 90 pontos, acompanhado apenas de
Emprego Atual e Perspectiva Profissional, com valores superiores a 105 pontos e
95 pontos, respectivamente.
6.
Perspectiva de Consumo:
Esse
componente apresentou declínio de 0,2% em jul/17 (70,7 pontos) frente ao mês
anterior e registrou o maior incremento (+32,6%) entre os componentes do ICF na
comparação anual, a décima variação anual positiva desde ago/14. Na comparação
mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram elevação de 1,1% e aquelas
com renda >10 SM decresceram 5,5%.
7.
Perspectiva Profissional:
O
componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 1,1% em jul/17 (95,5
pontos) na comparação mensal, e subiu 2,1% quando comparado a jul/16. As
condições atuais da economia brasileira podem estar influenciando o
comportamento do indicador, tendo em vista o elevado nível de desemprego na
economia.
Portanto,
em julho de 2017 a intenção de consumo das famílias subiu, mas distante dos
143,4 pontos de dez/10. As expectativas favoráveis quanto ao desempenho da
atividade econômica para os próximos meses, a queda dos juros confirmada mais
uma vez na reunião do Copom desta semana, a melhora do desemprego, podem estar contribuindo
positivamente para elevar o nível de confiança das famílias.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro;
palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário
durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o
site www.ravecofinancas.com.