sábado, 29 de julho de 2017

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM JULHO
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF)  da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou elevação de 0,3% em jul/17, ante o mês anterior, e subiu 12,5% na comparação anual. No entanto, o ICF ainda permanece em um nível abaixo de 100 pontos, isto é, abaixo da zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação com a situação atual do País.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 0,7% em jul/17 frente ao mês anterior, enquanto aquelas com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) registrou queda de 1,7%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das famílias mais ricas está em 88,8 pontos; e o das demais, em 75,1 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.

Na comparação regional, a maior variação foi observada nas regiões Centro-Oeste e Sudeste que mostraram variações mensais positivas. O maior incremento ocorreu no Centro-Oeste, crescimento de 0,7% na intenção de consumo, e o pior ficou na região Sul, com redução de 0,5%.

Segundo a pesquisa ICF, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, mas progressiva. A seguir, os componentes do indicador:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou alta de 0,3% em jul/17 (107,5 pontos), ante o mês anterior e subiu 6,9% na comparação anual. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em jul/17 com relação ao Emprego Atual é de 31,3%, ante 31,2% observado em junho.

As regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são Centro-Oeste (137,2 pontos), Norte com 120,5 pontos e Sul com 112,5 pontos, com variações mensais respectivas de +1,9%, -0,5% e +1%. Já as regiões Nordeste (105,3 pontos) e Sudeste (98,5 pontos) apresentaram os menores níveis de confiança. O índice geral e os regionais, exceto o do Sudeste, estão acima da zona de indiferença de 100 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador apresentou elevação de 1,7% em jul/17 (54,6 pontos), ante o mês anterior e subiu 24,1% na comparação anual, o terceiro melhor desempenho entre os componentes do ICF na comparação anual. O relatório da CNC afirma que “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (58,6% ante 59,3% em junho)”.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou crescimento de 1,4% em jul/17 (70,4 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 11,2% na comparação anual. O valor médio do período mai-jul/17 ficou em 69,93 pontos contra a média de 69,07 pontos observada no trimestre anterior, uma alta de 1,2%. Possível melhoria na intenção de consumo das famílias pode ter concorrido para o desempenho do indicador.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou estabilidade em junho e julho deste ano com 51,7 pontos, respectivamente, e registrou o segundo maior crescimento entre os componentes do ICF na comparação anual (+25,8%), o oitavo incremento positivo.

A liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a gradativa redução dos juros pelo Banco Central nos últimos meses, podem estar contribuindo para maior disposição ao consumo, apesar do elevado endividamento das famílias como indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-Peic/CNC de jun/17. Segundo a pesquisa, o percentual de famílias endividadas atingiu 56,4% em jun/17, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 24,3% naquele mês.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve elevação de 0,11% em jul/17 (90,5 pontos), ante o mês anterior e subiu 6,5% na comparação anual. A partir de dez/16, exceto jan/17 com 89,5 pontos, o indicador marcou acima de 90 pontos, acompanhado apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional, com valores superiores a 105 pontos e 95 pontos, respectivamente.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou declínio de 0,2% em jul/17 (70,7 pontos) frente ao mês anterior e registrou o maior incremento (+32,6%) entre os componentes do ICF na comparação anual, a décima variação anual positiva desde ago/14. Na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram elevação de 1,1% e aquelas com renda >10 SM decresceram 5,5%.

7. Perspectiva Profissional:

O componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 1,1% em jul/17 (95,5 pontos) na comparação mensal, e subiu 2,1% quando comparado a jul/16. As condições atuais da economia brasileira podem estar influenciando o comportamento do indicador, tendo em vista o elevado nível de desemprego na economia.

Portanto, em julho de 2017 a intenção de consumo das famílias subiu, mas distante dos 143,4 pontos de dez/10. As expectativas favoráveis quanto ao desempenho da atividade econômica para os próximos meses, a queda dos juros confirmada mais uma vez na reunião do Copom desta semana, a melhora do desemprego, podem estar contribuindo positivamente para elevar o nível de confiança das famílias.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
JUROS BÁSICOS DA ECONOMIA EM UM DÍGITO
Régis Varão/¹

O corte de 1 p.p. nos juros básicos da economia (Taxa Selic) realizado pelo Comitê de Política Monetária-Copom, do Banco Central do Brasil-BCB, na última quarta-feira, poderá estimular o consumo e até mesmo os investimentos, abrindo caminho para a retomada do crescimento no médio prazo. A decisão do Copom, já esperada, ao reduzir a taxa de juros Selic (-1 p.p.) de 10,25% para 9,25% a.a., chega em boa hora como um estímulo para aquecer a atividade econômica no médio prazo.

Com a forte desaceleração dos índices de preços nos últimos meses, é provável que o Copom continue a reduzir a taxa de juros, o que confirmará as expectativas do mercado divulgadas no Boletim Focus de 21.7, do Banco Central. De acordo com o boletim, a expectativa do mercado para o final de 2017 é uma taxa de juros de 8% a.a. A queda dos juros, divulgada em 26.7, levou alguns analistas do mercado a reduzirem suas estimativas para 7% a.a., contrapondo as expectativas divulgadas no último Focus que aponta juros de 8% a.a. para o final de 2017.

A redução dos juros poderá contribuir para recuperar as condições financeiras das famílias brasileiras que estão com elevado nível de endividamento, podendo também ter impacto positivo na recuperação do emprego. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-Peic de jun/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC, o  percentual de famílias endividadas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 56,4% em jun/17, inferior aos 57,6% registrado no mês anterior. Já o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 24,2% em mai/17 para 24,3% em jun/17, sendo a quinta elevação consecutiva do indicador.

A redução da Selic pode gerar benefícios no curto prazo ao reduzir o custo do crédito para quem deseja adquirir bens e serviços, além de possibilitar a negociação de empréstimos e financiamentos para os que estão endividados, a um custo mais baixo.

Embora o Copom tenha reduzido os juros, o efeito prático dessa redução demora para chegar ao tomador final de crédito, embora os bancos divulguem o contrário. Não busque, no curto prazo, novos empréstimos ou financiamentos, pois o setor financeiro demora a repassar essas reduções para o consumidor final.

Muitas vezes os bancos simplesmente não reduzem os juros, mas alongam os prazos como uma forma de mascarar o declínio. A redução dos juros nos últimos nove meses (-5 p.p.), ainda não apresentou impacto significativo na atividade econômica, embora sempre que a taxa Selic cai os grandes bancos nacionais anunciam redução em algumas linhas de crédito. Fique atento às armadilhas do comércio que muitas vezes usam a propaganda de crediário com juros mais baixos para captar clientes, quando na realidade fazem maquiagem de preços.

A taxa média de juros para a modalidade cartão de crédito, mesmo após o Banco Central ter modificado as normas para o rotativo, em abr/17, voltou a subir em jun/17. E para quem não conseguiu quitar o valor mínimo da fatura também sofreu elevação de juros. Os juros cobrados no cartão de crédito continuam abusivos, e como venho falando em meus artigos, palestras e vídeos, procure negociar o mais rápido possível as dívidas com cartão de crédito e se não tem dívida nessa modalidade de crédito fuja dele. No entanto, cartão de crédito tem inúmeras vantagens, mas você tem que ser disciplinado senão é uma das mais importantes formas de endividamento das famílias, como atesta a Peic da CNC de jun/17.

Finalmente, os juros caíram entre out/16 e a reunião do Copom desta semana, e não foi verificado uma gradual redução dos juros para os consumidores finais ao longo desse período. Teoricamente, a Selic é um dos instrumentos utilizados para influenciar positivamente a atividade econômica, e quando a taxa é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivos à produção, ao consumo e ao investimento. No entanto, em termos práticos, nem sempre os benefícios da queda dos juros acontecem no curto prazo.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS MELHORA NA COMPARAÇÃO ANUAL
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF)  da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar do declínio na comparação mensal, registrou variação anual positiva. A pequena melhora do poder de compra vem impactando positivamente a confiança das famílias. O ICF apresentou decréscimo de 0,7% na comparação mensal e crescimento de 12,3% ante jun/16. Por outro lado, o indicador permanece abaixo de 100 pontos, isto é, abaixo da zona de indiferença, indicando por esse motivo, uma percepção de insatisfação com a situação atual do País.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) caiu 1% ante mai/17 (77,7 pontos), e daquelas com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentou elevação de 1%. Os índices das famílias com renda >10 SM está 90,3 pontos, e das demais em 74,5 pontos.

Na comparação regional, a maior variação foi observada na região Centro-Oeste, alta de 1,2% na análise mensal. A melhora dos indicadores econômicos tem contribuído para a reversão da perda do poder de compra das famílias, basicamente devido aos efeitos benéficos da queda da inflação nos últimos meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que em jun/16 subiu 9% no acumulado em 12 meses, fica em 3%, abaixo dos 3,6% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores. Além do declínio da inflação no período, temos a liberação dos recursos do Fundo de Garantia de Tempo e Serviço (FGTS) que associados à redução dos juros refletem positivamente na confiança das famílias frente a 2016.

Segundo a pesquisa ICF, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. A seguir, os componentes do indicador:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou redução de 1,2% em jun/17 (107,2 pontos), ante o mês anterior e subiu cerca de 8% na comparação anual. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em jun/17 com relação ao Emprego Atual é de 31,2%, ante 31,8% observado no mês anterior. Apesar desse componente ter apresentado recuperação na comparação anual, a variação mensal apresentou recuo em jun/17, o que mostra a fragilidade da confiança das famílias frente ao quadro desanimador de desemprego, inadimplência e juros elevados da economia. As regiões Centro-Oeste (134,6 pontos), Norte (121,1 pontos) e Sul (111,4 pontos) são as mais confiantes em relação ao indicador Emprego Atual, enquanto o Nordeste com 106 pontos e o Sudeste (98,2 pontos) apresentaram menores níveis de confiança. O índice agregado e os regionais, exceto o Sudeste, estão acima da zona de indiferença de 100 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador apresentou elevação de 2,9% em jun/17 (53,7 pontos), ante o mês anterior e subiu 23,2% na comparação anual. Observo que o valor registrado em jun/16 (43,6 pontos) foi o menor de toda a série histórica, enquanto o de jun/17 ultrapassou os valores verificados a partir de mar/16. A maioria das famílias declarou estar com o nível de consumo inferior ao de 2016, o que pode ser verificado pelo valor médio observado no período jan-jun/17 (52,2 pontos), superior 3,7% à média de igual período do ano anterior.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou declínio de 0,9% em jun/17 (69,4 pontos) frente ao mês anterior, e cresceu 8,8% na comparação anual.  O valor médio do período jan-jun/17 ficou em 68,9 contra a média de 70,8 pontos observada em jan-jun/16, um declínio de 2,7%. Problemas de desemprego e inadimplência podem ter contribuído para esse declínio.

4. Momento para Duráveis:

O indicador registrou crescimento de 0,2% na comparação mensal, após duas quedas consecutivas, ao atingir 51,7 pontos em jun/17 e apresentou incremento de 23,1% ante jun/16, o sétimo consecutivo. De acordo com o relatório da CNC, “A liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sustenta maior disposição ao consumo, apesar do nível ainda elevado de endividamento. Aliado a isso, o processo de queda das taxas de juros começa a ser sentido levemente no custo do crédito, beneficiando a aquisição por parte das famílias”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve queda de 1,7% em jun/17 (90,4 pontos), ante o mês anterior e subiu 6,5% na comparação anual. Já com relação as famílias com renda <10 SM apresentaram declínio de 2,1% na comparação mensal e subiu 5,1% na anual. Com relação as famílias como renda >10 SM houve queda de 0,1% na comparação mensal, enquanto na anual cresceu 12,3%.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou crescimento de 0,6% em jun/17 (70,8 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 30,9% quando comparado a junho de 2016, a décima variação anual positiva desde ago/14. Esse crescimento pode estar associado às perspectivas positivas das famílias para os próximos meses. Na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram elevação de 0,3% e aquelas com renda >10 SM subiram 1,2%.

7. Perspectiva Profissional:

O componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 2,2% em jun/17 (96,6 pontos) na comparação mensal, registrando o terceiro mês consecutivo de queda, e subiu 4% quando comparado a jun/16. As condições atuais da economia brasileira podem estar influenciando o comportamento do indicador, tendo em vista o elevado desemprego etc.

Portanto, em junho de 2017 a confiança caiu pelo terceiro mês consecutivo, ainda distante dos 143,4 pontos observados em dez/10. As perspectivas favoráveis quanto ao desempenho da atividade econômica nos próximo meses, a queda dos juros e a melhora do desemprego, podem contribuir para melhorar a confiança das famílias no médio prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

12 ERROS COMUNS DOS ENDIVIDADOS
Régis Varão/¹

O País enfrenta a maior crise político-econômica das últimas décadas, com cerca de 14 milhões de desempregados, juros e inadimplência elevados sem esperança de solução no curto prazo.

O endividamento das famílias brasileiras apontado na Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de jun/17, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), atinge 56,4%, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso   está em 24,3%, e o endividamento com cartão de crédito atinge 77% das famílias. Sob qualquer critério de análise são percentuais muito elevados.

Considerando a importância do planejamento financeiro, nesse caso a falta de planejamento, listamos alguns dos erros mais comuns das pessoas endividadas:

01. Toda pessoa endividada tende a gastar mais do que ganha, nunca compra à vista, e mesmo estando endividada não reflete a respeito dessa atitude;

02. Os endividados adoram parcelamentos longos e costumam fazer muitas compras parceladas no cartão de crédito, em carnês de lojas etc;

03. Pagam o valor mínimo das faturas do cartão de crédito e normalmente atrasam prestações;

04. Não se planejam para as férias, e acumulam dívidas com passagens, hotel, aluguel de carro etc;

05. Tomam empréstimos em bancos e financeiras, com parentes e amigos, e em alguns casos com agiotas;

06. Fazem empréstimos para pagar dívidas contraídas em empréstimos anteriores, e normalmente retiram do novo empréstimo uma parcela para gastos com supérfluos;

07. Entram em financiamentos e empréstimos longos e com parcelas elevadas, e desconhecem o valor dos juros que pagam;

08. Comprometem mais de 25% do orçamento com parcelamentos e empréstimos;

09. Acumulam dívidas de cartão de crédito, cheque especial, financiamento de carro e carnês de lojas;

10. Gastam com produtos e serviços supérfluos ou desnecessários;

11. Não sabem lidar com dinheiro e desconhecem os rudimentos de educação financeira;

12. Não fazem poupança ou reserva financeira.

Portanto, as pessoas que cometem frequentemente esses erros têm seus relacionamentos profissionais e pessoais prejudicados, pois adotam atitudes financeiramente erradas no dia a dia, o que reduzem substancialmente a qualidade de vida.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ENDIVIDAMENTO RECUA PELO SEGUNDO MÊS CONSECUTIVO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas caiu em junho de 2017, pelo segundo mês consecutivo, e também ficou inferior ao observado em igual período de 2016, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com Marianne Hanson, economista da CNC, “A redução recente dos indicadores que apontam o percentual de famílias endividadas sinaliza um ritmo ainda fraco de concessão de empréstimos e financiamentos para as famílias, bem como a redução na margem do custo de crédito”.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 56,4% em jun/17, com queda de 1,2 p.p. em relação ao mês anterior, e -1,7 p.p. abaixo do observado em jun/16. A redução do número de famílias endividadas foi observada tanto na comparação mensal quanto anual em ambas as faixas de renda (< e > de 10 salários mínimos).

Apesar da segunda queda mensal do percentual de famílias endividadas, a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso ficou praticamente estável na comparação mensal, alcançando 24,3% em jun/17, ante 24,2% no mês anterior, mas registrou 23,5% em jun/16. A parcela sem condições de pagar suas dívidas, permanecendo inadimplentes, ficou também praticamente estável entre mai/17 (9,5%) e jun/17 (9,6%), mas subiu 0,5 p.p. na comparação anual.

A proporção das famílias que se declararam muito endividado manteve-se praticamente estável entre mai/17 (13,7%) e jun/17 com 13,8%, mas registrando queda de 1,2 p.p. na comparada anual. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 22% em mai/17 para 21,4% no mês seguinte, ambas acima do observado em jun/16 (20,5%). Já a parcela de famílias pouco endividadas caiu de 21,9% em mai/17 para 21,1% em jun/17, ambas inferiores ao percentual registrado em jun/16 (22,6%).

O tempo médio de atraso no pagamento de dívidas foi 62,8 dias em jun/17, acima dos 62,4 dias de jun/16. O comprometimento com as dívidas, em média, foi de 7,1 meses, sendo que cerca de 33% das famílias possuem dívidas por mais de 12 meses. Entre as famílias endividadas, 21,4% afirmam ter mais da metade da sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas, o que é um percentual significativo.

Os dados de junho de 2017 continuam indicando o cartão de crédito como um dos principais tipos de dívida por 76,9% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (15,2%), crédito pessoal (11,1%), financiamento de carro (10,1%), financiamento de casa (8%), cheque especial (6,8%), crédito consignado com 5,5% e cheque pré-datado com 1,2%.

Com relação a preferência das famílias quanto ao tipo de dívida, observando o critério renda, temos: (a) Famílias com renda <10 SM: cartão de crédito lidera o segmento com 77,9%, seguido por carnês de loja (16,4%), crédito pessoal (10,7%), financiamento de carro (8,3%) e financiamento de casa (5,9%); e (b) Famílias com renda >10 SM: cartão de crédito também lidera as preferências nesse segmento com 73%, seguido de financiamento de carro (18,6%), financiamento de casa (17,4%), crédito pessoal (12,8%) e cheque especial (10,9%).

Portanto, embora o endividamento das famílias tenha caído na comparação mensal e anual, o percentual de famílias com contas e dívidas em atraso registrou trajetória de crescimento moderado nos últimos meses. O elevado custo do crédito e do desemprego são fatores que têm impactado a capacidade das famílias de pagarem suas contas em dia.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.