JUROS
BÁSICOS DA ECONOMIA EM UM DÍGITO
Régis
Varão/¹
O corte de 1 p.p. nos juros básicos da
economia (Taxa Selic) realizado pelo Comitê de Política Monetária-Copom, do Banco Central do
Brasil-BCB, na última quarta-feira, poderá estimular o
consumo e até mesmo os investimentos, abrindo caminho para a retomada do
crescimento no médio prazo. A decisão do Copom, já esperada, ao reduzir a taxa
de juros Selic (-1 p.p.) de 10,25% para 9,25% a.a., chega em boa hora como um estímulo
para aquecer a atividade econômica no médio prazo.
Com a forte desaceleração dos índices de
preços nos últimos meses, é provável que o Copom continue a reduzir a taxa de
juros, o que confirmará as expectativas do mercado divulgadas no Boletim Focus de 21.7, do Banco Central. De acordo com o
boletim, a expectativa do mercado para o final de 2017 é uma taxa de juros de
8% a.a. A queda dos juros, divulgada em 26.7, levou alguns analistas do mercado
a reduzirem suas estimativas para 7% a.a., contrapondo as expectativas
divulgadas no último Focus que aponta juros de 8% a.a. para o final de 2017.
A redução dos juros poderá contribuir para
recuperar as condições financeiras das famílias brasileiras que estão com
elevado nível de endividamento,
podendo também ter impacto positivo na recuperação do emprego. De acordo com a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-Peic
de jun/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC, o percentual de famílias endividadas com cheque
pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo
pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 56,4% em jun/17, inferior aos 57,6%
registrado no mês anterior. Já o percentual de famílias com dívidas ou contas
em atraso subiu de 24,2% em mai/17 para 24,3% em jun/17, sendo a quinta elevação
consecutiva do indicador.
A redução da Selic pode gerar benefícios no
curto prazo ao reduzir o custo do crédito para quem deseja adquirir bens e
serviços, além de possibilitar a negociação de empréstimos e financiamentos
para os que estão endividados, a um custo mais baixo.
Embora o Copom tenha reduzido os juros, o
efeito prático dessa redução demora para chegar ao tomador final de crédito,
embora os bancos divulguem o contrário. Não busque, no curto prazo, novos
empréstimos ou financiamentos, pois o setor financeiro demora a repassar essas
reduções para o consumidor final.
Muitas vezes os bancos
simplesmente não reduzem os juros, mas alongam os prazos como uma forma de
mascarar o declínio. A redução dos juros nos últimos nove meses (-5 p.p.),
ainda não apresentou impacto significativo na atividade econômica, embora
sempre que a taxa Selic cai os grandes bancos nacionais anunciam redução em
algumas linhas de crédito. Fique atento às armadilhas do comércio
que muitas vezes usam a propaganda de crediário com juros mais baixos para
captar clientes, quando na realidade fazem maquiagem de preços.
A taxa média de juros para a modalidade
cartão de crédito, mesmo após o Banco Central ter modificado as normas para o
rotativo, em abr/17, voltou a subir em jun/17. E para quem não conseguiu quitar
o valor mínimo da fatura também sofreu elevação de juros. Os juros cobrados no
cartão de crédito continuam abusivos, e como venho falando em meus artigos,
palestras e vídeos, procure negociar o mais rápido possível as dívidas com
cartão de crédito e se não tem dívida nessa modalidade de crédito fuja dele. No
entanto, cartão de crédito tem inúmeras vantagens, mas você tem que ser
disciplinado senão é uma das mais importantes formas de endividamento das
famílias, como atesta a Peic da CNC de jun/17.
Finalmente, os juros caíram entre out/16 e a reunião
do Copom desta semana, e não foi verificado uma gradual redução dos juros para
os consumidores finais ao longo desse período. Teoricamente, a Selic é um dos
instrumentos utilizados para influenciar positivamente a atividade econômica, e
quando a taxa é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com
incentivos à produção, ao consumo e ao investimento. No entanto, em termos
práticos, nem sempre os benefícios da queda dos juros acontecem no curto prazo.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro;
palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário
durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o
site www.ravecofinancas.com.
Muito boa a análise sobre o impacto da redução da selic na economia.
ResponderExcluirExcelente a idéia de disponibilizar o link do seu blog no whatsapp.
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