ENDIVIDAMENTO
RECUA PELO SEGUNDO MÊS CONSECUTIVO
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras endividadas caiu em junho de 2017, pelo segundo mês
consecutivo, e também ficou inferior ao observado em igual período de 2016, segundo
a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo
com Marianne Hanson, economista da CNC, “A redução recente dos indicadores que
apontam o percentual de famílias endividadas sinaliza um ritmo ainda fraco de
concessão de empréstimos e financiamentos para as famílias, bem como a redução
na margem do custo de crédito”.
O percentual
de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito,
cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro
atingiu 56,4% em jun/17, com queda de 1,2 p.p. em relação ao mês anterior, e
-1,7 p.p. abaixo do observado em jun/16. A redução do número de famílias endividadas
foi observada tanto na comparação mensal quanto anual em ambas as faixas de
renda (< e > de 10 salários mínimos).
Apesar da segunda queda mensal do percentual
de famílias endividadas, a proporção das famílias com dívidas ou contas em
atraso ficou praticamente estável na comparação mensal, alcançando 24,3% em
jun/17, ante 24,2% no mês anterior, mas registrou 23,5% em jun/16. A parcela sem
condições de pagar suas dívidas, permanecendo inadimplentes, ficou também praticamente
estável entre mai/17 (9,5%) e jun/17 (9,6%), mas subiu 0,5 p.p. na comparação
anual.
A proporção
das famílias que se declararam muito endividado manteve-se praticamente estável
entre mai/17 (13,7%) e jun/17 com 13,8%, mas registrando queda de 1,2 p.p. na
comparada anual. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou
de 22% em mai/17 para 21,4% no mês seguinte, ambas acima do observado em jun/16
(20,5%). Já a parcela de famílias pouco endividadas caiu de 21,9% em mai/17
para 21,1% em jun/17, ambas inferiores ao percentual registrado em jun/16
(22,6%).
O tempo
médio de atraso no pagamento de dívidas foi 62,8 dias em jun/17, acima dos 62,4
dias de jun/16. O comprometimento com as dívidas, em média, foi de 7,1 meses,
sendo que cerca de 33% das famílias possuem dívidas por mais de 12 meses. Entre
as famílias endividadas, 21,4% afirmam ter mais da metade da sua renda mensal
comprometida com o pagamento de dívidas, o que é um percentual significativo.
Os dados de
junho de 2017 continuam indicando o cartão de crédito como um dos principais
tipos de dívida por 76,9% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (15,2%),
crédito pessoal (11,1%), financiamento de carro (10,1%), financiamento de casa
(8%), cheque especial (6,8%), crédito consignado com 5,5% e cheque pré-datado
com 1,2%.
Com relação
a preferência das famílias quanto ao tipo de dívida, observando o critério
renda, temos: (a) Famílias com renda <10 SM: cartão de crédito lidera o
segmento com 77,9%, seguido por carnês de loja (16,4%), crédito pessoal
(10,7%), financiamento de carro (8,3%) e financiamento de casa (5,9%); e (b) Famílias
com renda >10 SM: cartão de crédito também lidera as preferências nesse
segmento com 73%, seguido de financiamento de carro (18,6%), financiamento de
casa (17,4%), crédito pessoal (12,8%) e cheque especial (10,9%).
Portanto, embora
o endividamento das famílias tenha caído na comparação mensal e anual, o
percentual de famílias com contas e dívidas em atraso registrou trajetória de
crescimento moderado nos últimos meses. O elevado custo do crédito e do
desemprego são fatores que têm impactado a capacidade das famílias de pagarem
suas contas em dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário