CONFIANÇA
DAS FAMÍLIAS MELHORA NA COMPARAÇÃO ANUAL
Régis
Varão/¹
A
Intenção de Consumo das Famílias (ICF)
da Confederação Nacional do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar do declínio na comparação
mensal, registrou variação anual positiva. A pequena melhora do poder de compra
vem impactando positivamente a confiança das famílias. O ICF apresentou
decréscimo de 0,7% na comparação mensal e crescimento de 12,3% ante jun/16. Por
outro lado, o indicador permanece abaixo de 100 pontos, isto é, abaixo da zona
de indiferença, indicando por esse motivo, uma percepção de insatisfação com a
situação atual do País.
O
nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10
SM) caiu 1% ante mai/17 (77,7 pontos), e daquelas com renda acima de dez
salários mínimos (>10 SM) apresentou elevação de 1%. Os índices das famílias
com renda >10 SM está 90,3 pontos, e das demais em 74,5 pontos.
Na
comparação regional, a maior variação foi observada na região Centro-Oeste,
alta de 1,2% na análise mensal. A melhora dos indicadores econômicos tem contribuído
para a reversão da perda do poder de compra das famílias, basicamente devido
aos efeitos benéficos da queda da inflação nos últimos meses. O Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
que em jun/16 subiu 9% no acumulado em 12 meses, fica em 3%, abaixo dos 3,6%
relativos aos 12 meses imediatamente anteriores. Além do declínio da inflação
no período, temos a liberação dos recursos do Fundo de Garantia de Tempo e
Serviço (FGTS)
que associados à redução dos juros refletem positivamente na confiança das
famílias frente a 2016.
Segundo
a pesquisa ICF,
a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém
progressiva. A seguir, os componentes do indicador:
1. Emprego Atual:
Esse
componente apresentou redução de 1,2% em jun/17 (107,2 pontos), ante o mês
anterior e subiu cerca de 8% na comparação anual. O percentual de famílias que
se sentem mais seguras em jun/17 com relação ao Emprego Atual é de 31,2%, ante
31,8% observado no mês anterior. Apesar desse componente ter apresentado recuperação
na comparação anual, a variação mensal apresentou recuo em jun/17, o que mostra
a fragilidade da confiança das famílias frente ao quadro desanimador de
desemprego, inadimplência e juros elevados da economia. As regiões Centro-Oeste
(134,6 pontos), Norte (121,1 pontos) e Sul (111,4 pontos) são as mais
confiantes em relação ao indicador Emprego Atual, enquanto o Nordeste com 106
pontos e o Sudeste (98,2 pontos) apresentaram menores níveis de confiança. O índice
agregado e os regionais, exceto o Sudeste, estão acima da zona de indiferença
de 100 pontos.
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
indicador apresentou elevação de 2,9% em jun/17 (53,7 pontos), ante o mês
anterior e subiu 23,2% na comparação anual. Observo que o valor registrado em
jun/16 (43,6 pontos) foi o menor de toda a série histórica, enquanto o de jun/17
ultrapassou os valores verificados a partir de mar/16. A maioria das famílias
declarou estar com o nível de consumo inferior ao de 2016, o que pode ser
verificado pelo valor médio observado no período jan-jun/17 (52,2 pontos), superior
3,7% à média de igual período do ano anterior.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito apresentou declínio de 0,9% em jun/17 (69,4
pontos) frente ao mês anterior, e cresceu 8,8% na comparação anual. O valor médio do período jan-jun/17 ficou em
68,9 contra a média de 70,8 pontos observada em jan-jun/16, um declínio de 2,7%.
Problemas de desemprego e inadimplência podem ter contribuído para esse
declínio.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador registrou crescimento de 0,2% na comparação mensal, após duas quedas
consecutivas, ao atingir 51,7 pontos em jun/17 e apresentou incremento de 23,1%
ante jun/16, o sétimo consecutivo. De acordo com o relatório da CNC, “A
liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sustenta
maior disposição ao consumo, apesar do nível ainda elevado de endividamento.
Aliado a isso, o processo de queda das taxas de juros começa a ser sentido
levemente no custo do crédito, beneficiando a aquisição por parte das famílias”.
5.
Renda Atual:
Com
relação a esse componente houve queda de 1,7% em jun/17 (90,4 pontos), ante o
mês anterior e subiu 6,5% na comparação anual. Já com relação as famílias com
renda <10 SM apresentaram declínio de 2,1% na comparação mensal e subiu 5,1%
na anual. Com relação as famílias como renda >10 SM houve queda de 0,1% na
comparação mensal, enquanto na anual cresceu 12,3%.
6.
Perspectiva de Consumo:
Esse
componente apresentou crescimento de 0,6% em jun/17 (70,8 pontos) frente ao mês
anterior e registrou incremento de 30,9% quando comparado a junho de 2016, a
décima variação anual positiva desde ago/14. Esse crescimento pode estar
associado às perspectivas positivas das famílias para os próximos meses. Na
comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram elevação de 0,3%
e aquelas com renda >10 SM subiram 1,2%.
7.
Perspectiva Profissional:
O
componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 2,2% em jun/17 (96,6
pontos) na comparação mensal, registrando o terceiro mês consecutivo de queda,
e subiu 4% quando comparado a jun/16. As condições atuais da economia
brasileira podem estar influenciando o comportamento do indicador, tendo em
vista o elevado desemprego etc.
Portanto,
em junho de 2017 a confiança caiu pelo terceiro mês consecutivo, ainda distante
dos 143,4 pontos observados em dez/10. As perspectivas favoráveis quanto ao desempenho
da atividade econômica nos próximo meses, a queda dos juros e a melhora do
desemprego, podem contribuir para melhorar a confiança das famílias no médio
prazo.
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