sexta-feira, 7 de julho de 2017

CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS MELHORA NA COMPARAÇÃO ANUAL
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF)  da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar do declínio na comparação mensal, registrou variação anual positiva. A pequena melhora do poder de compra vem impactando positivamente a confiança das famílias. O ICF apresentou decréscimo de 0,7% na comparação mensal e crescimento de 12,3% ante jun/16. Por outro lado, o indicador permanece abaixo de 100 pontos, isto é, abaixo da zona de indiferença, indicando por esse motivo, uma percepção de insatisfação com a situação atual do País.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) caiu 1% ante mai/17 (77,7 pontos), e daquelas com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentou elevação de 1%. Os índices das famílias com renda >10 SM está 90,3 pontos, e das demais em 74,5 pontos.

Na comparação regional, a maior variação foi observada na região Centro-Oeste, alta de 1,2% na análise mensal. A melhora dos indicadores econômicos tem contribuído para a reversão da perda do poder de compra das famílias, basicamente devido aos efeitos benéficos da queda da inflação nos últimos meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que em jun/16 subiu 9% no acumulado em 12 meses, fica em 3%, abaixo dos 3,6% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores. Além do declínio da inflação no período, temos a liberação dos recursos do Fundo de Garantia de Tempo e Serviço (FGTS) que associados à redução dos juros refletem positivamente na confiança das famílias frente a 2016.

Segundo a pesquisa ICF, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. A seguir, os componentes do indicador:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou redução de 1,2% em jun/17 (107,2 pontos), ante o mês anterior e subiu cerca de 8% na comparação anual. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em jun/17 com relação ao Emprego Atual é de 31,2%, ante 31,8% observado no mês anterior. Apesar desse componente ter apresentado recuperação na comparação anual, a variação mensal apresentou recuo em jun/17, o que mostra a fragilidade da confiança das famílias frente ao quadro desanimador de desemprego, inadimplência e juros elevados da economia. As regiões Centro-Oeste (134,6 pontos), Norte (121,1 pontos) e Sul (111,4 pontos) são as mais confiantes em relação ao indicador Emprego Atual, enquanto o Nordeste com 106 pontos e o Sudeste (98,2 pontos) apresentaram menores níveis de confiança. O índice agregado e os regionais, exceto o Sudeste, estão acima da zona de indiferença de 100 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador apresentou elevação de 2,9% em jun/17 (53,7 pontos), ante o mês anterior e subiu 23,2% na comparação anual. Observo que o valor registrado em jun/16 (43,6 pontos) foi o menor de toda a série histórica, enquanto o de jun/17 ultrapassou os valores verificados a partir de mar/16. A maioria das famílias declarou estar com o nível de consumo inferior ao de 2016, o que pode ser verificado pelo valor médio observado no período jan-jun/17 (52,2 pontos), superior 3,7% à média de igual período do ano anterior.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou declínio de 0,9% em jun/17 (69,4 pontos) frente ao mês anterior, e cresceu 8,8% na comparação anual.  O valor médio do período jan-jun/17 ficou em 68,9 contra a média de 70,8 pontos observada em jan-jun/16, um declínio de 2,7%. Problemas de desemprego e inadimplência podem ter contribuído para esse declínio.

4. Momento para Duráveis:

O indicador registrou crescimento de 0,2% na comparação mensal, após duas quedas consecutivas, ao atingir 51,7 pontos em jun/17 e apresentou incremento de 23,1% ante jun/16, o sétimo consecutivo. De acordo com o relatório da CNC, “A liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sustenta maior disposição ao consumo, apesar do nível ainda elevado de endividamento. Aliado a isso, o processo de queda das taxas de juros começa a ser sentido levemente no custo do crédito, beneficiando a aquisição por parte das famílias”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve queda de 1,7% em jun/17 (90,4 pontos), ante o mês anterior e subiu 6,5% na comparação anual. Já com relação as famílias com renda <10 SM apresentaram declínio de 2,1% na comparação mensal e subiu 5,1% na anual. Com relação as famílias como renda >10 SM houve queda de 0,1% na comparação mensal, enquanto na anual cresceu 12,3%.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou crescimento de 0,6% em jun/17 (70,8 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 30,9% quando comparado a junho de 2016, a décima variação anual positiva desde ago/14. Esse crescimento pode estar associado às perspectivas positivas das famílias para os próximos meses. Na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram elevação de 0,3% e aquelas com renda >10 SM subiram 1,2%.

7. Perspectiva Profissional:

O componente Perspectiva Profissional apresentou declínio de 2,2% em jun/17 (96,6 pontos) na comparação mensal, registrando o terceiro mês consecutivo de queda, e subiu 4% quando comparado a jun/16. As condições atuais da economia brasileira podem estar influenciando o comportamento do indicador, tendo em vista o elevado desemprego etc.

Portanto, em junho de 2017 a confiança caiu pelo terceiro mês consecutivo, ainda distante dos 143,4 pontos observados em dez/10. As perspectivas favoráveis quanto ao desempenho da atividade econômica nos próximo meses, a queda dos juros e a melhora do desemprego, podem contribuir para melhorar a confiança das famílias no médio prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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