sábado, 4 de novembro de 2017

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS MELHORA EM OUT/17
Régis Varão/¹

A pesquisa nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) publicada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) registrou crescimento de 1,4% em out/17 em comparação com o mês anterior. O índice total permanece em um nível inferior a 100 pontos, zona de indiferença, o que indica a percepção de insatisfação das famílias brasileiras com a situação atual do País. O ICF é um indicador antecedente que tem como objetivo antecipar o potencial de vendas do setor comércio.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 1,3% na comparação mensal, enquanto as famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM), registrou crescimento 2,1%. O relatório da CNC afirma: “O índice das famílias mais ricas está em 90 pontos; e o das demais, em 75,5 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.

Na avaliação regional, todas registraram variações mensais positivas, exceto o Nordeste, que apresentou decréscimo de 1,6%. A maior variação positiva foi verificada na região Sudeste com +2,8%.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. Os sinais de regeneração do mercado de trabalho deverão contribuir para elevar o grau de confiança dos consumidores nos próximos meses, dando sustentabilidade ao ritmo de crescimento das vendas”.

A seguir, uma sucinta análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou elevação de 0,9% em out/17 (107,4 pontos) ante o mês anterior, e subiu 1,7% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em out/17 quanto ao nível de Emprego Atual está em 31,7% ante 30,7% observado em setembro.

As regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são: Centro-Oeste (136 pontos), Norte (124,5 pontos) e Sul (110,9 pontos), com variações mensais respectivas de +0,4%, +0,8% e -0,2%. As regiões Sudeste (100,6 pontos) e Nordeste (99,8 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O índice geral e os regionais, exceto o da região Nordeste, estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador registrou incremento 0,7% em out/17  (54,5 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 14,8% na comparação anual. O relatório da CNC afirma: “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (59,3% ante 59,6% em setembro). O índice está em 54,5 pontos”.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 1,3% em out/17 (71,7 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 7,4% em relação a igual período de 2016. Entre os componentes do ICF, a modalidade compras a prazo apresentou a quarta maior variação positiva na comparação anual.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 2,3% em out/17 (53,8 pontos), ante o mês anterior, e subiu 16,7% na comparação com out/16. O indicador continua abaixo da zona de indiferença. Esse índice registrou o mesmo crescimento anual observado em Perspectiva de Consumo. Ambas apresentaram a maior variação positiva anual entre os componentes do ICF.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) registraram crescimento de 1,8%, na comparação mensal, no indicador Momentos para Duráveis, e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram incremento de 3,9%. Em termos regionais, esse indicador variou de 82,4 pontos na região Sul a 41 pontos na região Norte.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 1,5% em out/17 (91,3 pontos) ante o mês anterior, e subiu 1,6% na comparação anual. Esse indicador mostra a maior variação mensal desde mar/17, quando registrou crescimento de 2,8% ante o mês anterior.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 5,4% em out/17 (73,2 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento (+16,7%) na comparação anual. Já na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram crescimento de 4,5%, e aquelas famílias com renda >10 SM registraram elevação de 8,8%.

7. Perspectiva Profissional:

Esse índice registrou declínio de 0,9% em out/17 (93,1 pontos) na comparação mensal, e apresentou o maior declínio (-5,7%) na variação anual entre os componentes do ICF. O valor desse componente em out/17, foi o menor observado para um mês de outubro desde o início da série histórica. A melhora das condições atuais da economia ainda não foram suficientes para impactar positivamente o comportamento do indicador.

Portanto, a melhora das expectativas de alguns indicadores macroeconômicos, a redução da inflação, a queda dos juros e a pequena melhora do emprego, estão contribuindo, em parte, para melhorar o desempenho do ICF e de seus componentes, exceção para Perspectivas Profissionais que foi o único a apresentar declínio nas duas bases de comparação.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário